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POEMA
POEMETO I---------------Eu me faço presente nas horas mais críticas/ e escrevo meus poemas para um público menos ávido/ que pode notar meu embaraço quando quero/ poetizar simples.// Eu me faço presente nas horas mais amargas/ e registro minhas angústias para que me deixem em paz/ no meu retiro insatisfeito a fim de que me possa/ desvencilhar dos liames traiçoeiros/ deste tormento indizível.// Eu me faço presente nas horas mais saudosas/ quando ela é ainda uma lembrança que não se apaga/ do meu cérebro repleto de seus carinhos inolvidáveis/ de outrora.-----------Ialmar Pio Schneider--------

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AMOR ANTIGO ======Ialmar Pio Schneider====== Eu quis fazer um verso de saudade/ Que me trouxesse os dias já vividos;/ E pensei nos caminhos percorridos/ Quando te amei demais na mocidade.// Mas hoje mergulhado na ansiedade,/ Só me atormentam sonhos reprimidos/ Como se fossem cânticos perdidos/ Que me negaram a felicidade.// Aquela que cruzou o meu destino/ E só me fez cantar inutilmente/ Os seus dotes de rara exuberância,// Matou pra sempre os sonhos de menino/ Que povoaram então a minha mente/ De todos os amores sem constância.//==== Porto Alegre – RS, 26 de maio de 2002==== ============================================= FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO-NOVO =======Ialmar Pio Schneider========= Das comemorações cristãs, sem dúvida, o Natal é a mais expressiva para as crianças, em vista de que o Papai Noel sempre é lembrado e querido por elas. Como disse a escritora Lya Luft, ao ser indagada por uma criança se o Papai Noel existia, ela respondeu: - Para quem acredita, ele existe. De fato, pode-se abafar muitos sentimentos, mas a esperança que acalenta a imaginação infantil de receber um presente, nunca poderá morrer, por mais pobre que seja. Lembremos que Jesus Cristo nasceu numa manjedoura... Veio para nos pregar sua doutrina divina e insuperável de salvação e amor entre as pessoas, quando afirmou: - Amai-vos uns aos outros como eu vos amei... Era a solidariedade humana que nos deixava para que a praticássemos em nossas vidas com profundo amor e amizade. Como o Natal sempre foi cantado pelos poetas de todos os tempos, aqui transcrevo o soneto em versos alexandrinos do excelso poeta parnasiano brasileiro Olavo Bilac, tão sugestivo para a data: “NATAL – No ermo agreste, da noite e do presepe, um hino/ De esperança pressaga enchia o céu, com o vento.../ As árvores: “Serás o sol e o orvalho !” E o armento: / “Terás a glória !” E o luar: “Vencerás o destino !”// E o pão: “Darás o pão da terra e o pão divino !”/ E a água: “Trarás alívio ao mártir e ao sedento !”/ E a palha: “Dobrarás a cerviz do opulento !”/ E o teto: “Elevarás do opróbrio o pequenino !”// E os reis: “Rei, no teu reino, entrarás entre palmas !”/ E os pastores: “Pastor, chamarás os eleitos !”/ E a estrela: “Brilharás, como Deus, sobre as almas !”// Muda e humilde, porém, Maria, como escrava,/ Tinha os olhos na terra em lágrimas desfeitos:/ Sendo pobre, temia; e, sendo mãe, chorava.” POESIAS – 28ª Edição – Livraria Francisco Alves – 1964 – Rio – pg. 313 Eis um relato poético de um dos maiores vates desta nação, que versejava maravilhosamente em diversas áreas do gênero, tanto romântico como patriótico, infantil ou religioso. Outrossim, como se aproxima já o Ano-Novo, faz-se necessário lembrar que tenhamos esperança e convicção de que ele nos trará outros rumos mais propícios ao desenvolvimento do País. Que os governantes tenham consciência e discernimento necessários para que a estagnação econômica não se verifique, bem como a criação de novos empregos com carteira assinada sejam conseguidos, a Reforma Agrária realizada a contento, enfim, as metas governamentais implementadas. Vamos acreditar que as CPIs façam justiça e os responsáveis pela corrupção punidos exemplarmente, pois o povo trabalhador e honesto não merece ficar excluído e a ver navios quanto à saúde pública (cada vez mais podada em suas verbas). É de notar-se também que as estradas de rodagem de modo geral estão sucateadas e onde existia asfalto hoje é uma buraqueira inacreditável, destruindo os veículos e ocasionando prejuízos enormes aos usuários (caminhoneiros, ônibus e condutores de carros de passeio). Isto para ficar apenas nesses tópicos que ora me surgiram à memória. Quisera, como em tempos de criança que não voltam mais, sair por aí desejando a todos, tal como Cecília Meireles se expressou: “Como estamos mudados! Em meio século, perdemos aquela ingenuidade dos votos dirigidos de janela a janela: “Boas Festas!”, “Feliz Ano Novo!”; das ceias tradicionais, talvez copiosas, porém modestas; das lembrancinhas oferecidas às crianças como um dom misterioso do céu; dos vestidos novos para os ofícios das igrejas e das visitas aos presépios; alegria das músicas e cânticos, deslumbramento dos olhos diante de uma Belém infantil, com patinhos nos lagos e lavadeiras nos rios... Ah! como éramos sensíveis, imaginativos! Como estávamos prontos a completar, com a nossa memória dos episódios evangélicos, a paisagem arbitrariamente inventada! Como achávamos naturais todas as coisas desencontradas naquele mundo fictício! Talvez prevíssemos que no nosso não o era menos, e igualmente e misteriosamente desencontradas as coisas que nele iríamos presenciar!” Finalizando, quero desejar a todos um Feliz Natal e Próspero Ano-Novo de 2006, junto aos que lhe são caros. Até mais... Cronista colaborador =============================================================================== BILAC (O Príncipe dos Poetas) e BEETHOVEN (O Gênio Musical do Mundo), ambos de 16 de dezembro... ========IALMAR PIO SCHNEIDER=========== Na Escola da Poesia Parnasiana Brasileira, destaca-se Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac (nome completo que forma um perfeito verso alexandrino que ele tanto empregou em suas poesias), como um dos mais populares, até hoje lido e recitado pelos pares enamorados. Em sua História da Literatura Brasileira, Sílvio Romero, assim se refere: “Se Teófilo Dias é o mais ardente, Raimundo Correia o mais sereno, Alberto de Oliveira o mais artista destes poetas, Olavo Bilac é o mais espontâneo, o mais natural de todos eles. Os versos lhe saem correntios, deslizam-lhe doces, maviosos, como se fossem falas decoradas e repetidas sem o mínimo esforço. Em suas composições avultam dois gêneros principais: idealizações históricas, feitas com invejável maestria, e efusões amorosas como não há melhores em línguas românticas”. Escrevo estas linhas, lembrando que seu aniversário de nascimento ocorreu em 16 de dezembro. Há alguns anos dediquei-lhe um soneto para celebrar-lhe a passagem por aqui, magnânimo bardo brasileiro que despertou tantas paixões. Consta do meu livro Poesias Esparsas Reunidas: SONETO A OLAVO BILAC---------In memoriam------Jamais se extingue o mágico talento/ que ao verso devotava o gênio culto/ e lendo teus poemas eu exulto/ ao ver tamanho amor e tanto alento.// Ourives da poesia, nunca o insulto/ de abandonar a forma ou o sofrimento/ de sentir relegada ao esquecimento/ tua Profissão de Fé, sublime culto !// Enquanto nossa Língua tão sonora./ tiver o gosto amargo da saudade,/ no peito de quem ama ou de quem chora/ não morrerá a música do verso,/ a quem deste um sabor de eternidade/ na infinita amplidão deste Universo ! Enquanto vou lendo suas poesias, escuto as sinfonias do gênio musical insuperável Ludwig Van Beethoven, cuja data de nascimento também ocorreu em 16 de dezembro. De posse de sua carta testamento escrita em Heiligenstadt, no dia 6 de outubro de 1802, traduzida pelo maior escritor gaúcho, quiçá brasileiro, Érico Veríssimo e declamada pelo grande ator Paulo Autran, restrinjo-me a transcrever apenas o seu Post scriptum no dia 10 de outubro de 1802: “Assim me despeço de ti, com tristeza. Sim a doce esperança que até agora me tem acompanhado, abandona-me de todo. Como as folhas de outono que murcham – ela secou para mim. Vou-me embora como vim: a coragem que me susteve tantas vezes nos dias de verão desapareceu. Oh! Providência, faze-me conhecer ainda uma vez um puro dia de alegria! Há tanto tempo que a ressonância profunda do verdadeiro contentamento me é estranha! Quando, ó divindade, poderei eu ainda senti-la no templo da natureza e dos homens? Nunca? Não! Oh! Isso seria cruel demais!” A vida do compositor insuperável de todos os tempos, a quem se referiu Mozart, em Viena, em 1787, ouvindo-o improvisar exclamou: Eis um rapaz de quem muito se falará em todo o mundo. - tinha ele dezessete anos, foi muito atribulada e na maturidade foi atingido pela surdez que o prostrou cruelmente. Pode-se dizer que viveu para a música, os seus 56 anos, tendo falecido vítima de um resfriado e de hidropisia. Sua obra-prima foi a IX Sinfonia ou Coral, à qual tive a oportunidade de assistir pela OSPA, tempos atrás. É magnífica ! Quis prestar esta modesta homenagem ao poeta e ao músico, que nasceram num mesmo dia e que me deliciaram com suas obras numa tarde quente de fim de primavera e inicio de verão. Que suas almas encontrem a paz e a luz onde estiverem, pois ambos fizeram neste planeta muito de emoção aos corações sensíveis! Valeu a pena sua existência e Deus os tenha em sua glória ! Até outra oportunidade... ========Poeta e cronista – E-mail: menestrel@brturbo.com Publicado em 30 de março de 2005 – no Diário de Canoas. ====================================================================================================== OLÁ ! VC. GOSTA DE POESIAS? VISITE MEU SITE http://www.calleres.net/novospoetas/00045menestrel.htm ========================================== SE VC. GOSTA DE POESIAS VISITE MEU SITE http://www.versosnareia.hpg.ig.com.br/frprincipalobo.htm ============================================== OLÁ ! VC. GOSTA DE POESIAS ? VISITE MEU SITE http://geocities.yahoo.com.br/jerusalem_13/lobodaestepe.html ==OLÁ ! VC. GOSTA DE POESIAS ? VISITE MEU SITE http://www.humancats.com/Versos/deamor.htm SE VC/ GOSTA DE POESIAS VISITE MEU SITE http://www.claudiapoesias.hpg.ig.com.br/menestrel.htm OLÁ – VC. GOSTA DE SONETOS? VISITE MEU SITE===DEIXE UMA MENSAGEM NO LIVRO DE VISITAS – Ok ? AGRADEÇO http://www.sonetos.com.br/meulivro.php?a=44&x=5&y=8 SÉRGIO JOCKYMANN: Romancista =====IALMAR PIO SCHNEIDER -======== Sempre apreciei as crônicas do Sérgio Jockymann, que considero um dos melhores, senão o melhor de nossos cronistas. Não o conhecia como romancista, o que agora estou tendo a oportunidade de fazê-lo, ao ler o seu romance Clô Dias & Noites. Pelo que tenho observado, trata-se da história de Clotilde Dias Ramão, cujo, por assim dizer, alter ego, embora impropriamente por mim aqui empregado, seria Clô, que nascera já com dezenove anos, e que detinha diversos apelidos, conforme a situação onde se encontrasse: no útero de sua mãe, dando chutes, Tildezinha ou Tilde; das colegas do Colégio Sevigné, Tilda; das amigas de verão em Torres, mais tarde, Tite. “Clotilde só se tornou inteiramente Clotilde por um breve instante, quando seu marido, Pedro Ramão, anunciou para a criadagem da estância: - Esta aqui é minha mulher, dona Clotilde Dias Ramão.” Mas, mesmo assim, não ficaria livre de outros, tais como Titinha e Clotirde. O livro está composto de capítulos pequenos e numerados com algarismos arábicos, sendo que no momento em que escrevo esta, estou na altura do 8. Julgo muito interessante a feitura neste sistema, pois nos dias atuais de tantas atribulações quotidianas, com a mídia televisiva, bem como revistas, as mais variadas, ainda o rádio e os jornais, invadindo nossos lares a todo o momento de todas as partes do mundo, o tempo de que dispomos para a literatura romântica fica muito reduzido, não nos proporcionando excursionarmos em capítulos intermináveis, muitas vezes enfadonhos e rebuscados, tornando-se até incompreensíveis. Pretendo viajar ao longo das 468 páginas do livro, dividido em 149 capítulos, saboreando, dia a dia, o estilo simples e jocoso do autor, cujo enredo me desperta certa curiosidade por conhecê-lo agora romancista. Tenho lido diariamente suas crônicas no DC e as considero da melhor qualidade, tanto no sentido da abordagem dos temas, como pela inteligência com que discorre no assunto. Algumas pessoas de minhas relações com quem tenho falado ultimamente a respeito de colunistas de jornais e/ou cronistas, são unânimes em confirmar a opinião que ora externo, o que não deixa a menor dúvida sobre estas palavras. Enquanto existirem escritores do jaez do Sérgio Jockymann, acredito que poderemos apreciar a leitura diária de crônicas e invariavelmente de romances, pois tenho certeza de que jamais nos decepcionaremos. “Vamos em frente que atrás vem gente”, dizem por aí; mas é necessário que meditemos antes de enfrentar este mundo de Deus, onde só vencem os afoitos, e os apressados, quase sempre, naufragam e morrem na praia. Resta-me, enfim, proclamar: Viva a Literatura e... o Humanismo !======= DC (16-10-1998) ======EDITAD0 AQUI EM 23.06.2006==========IALMAR PIO SCHNEIDER============ ==================================================================================== CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE ÉRICO VERÍSSIMO ======IALMAR PIO SCHNEIDER============ Tendo nascido em 17 de dezembro de 1905, em Cruz Alta, neste corrente ano acontece o centenário de nascimento do escritor gaúcho que tanto elevou o nome de nossa terra pelo mundo inteiro. O primeiro livro que tive a oportunidade de ler do renomado autor foi Clarissa, Editora Globo – 1960 – 3ª edição – 1ª impressão, que trata da história de uma jovem que desponta para transformar-se em uma linda mulher, em meio ao burburinho da cidade e a poesia dos jacarandás floridos. Depois fui lendo os outros livros que vieram na sucessão de sua obra em que já havia escrito um livro de contos intitulado Fantoches, bem como os romances Música ao Longe, Caminhos Cruzados, Um Lugar ao Sol e Olhai os Lírios do Campo, este último sendo o marco do início do seu sucesso, daí em diante mais e mais crescendo. Foi apresentado pela TV Globo em memorável novela. Um romance inesquecível foi O Resto é Silêncio, que trata de uma tragédia urbana que volta e meia tem acontecido em cidades de certo porte, ou seja, de elevado número de habitantes. No ano de 1948 começou a lançar sua grande epopéia riograndense intitulada “O Tempo e o Vento”, (também apresentado pela TV Globo em uma minissérie) com os livros O Continente, O Retrato e Arquipélago, que formam a trilogia da história romanceada do Rio Grande do Sul, remontando, por assim dizer, às suas origens. Por último apareceram os romances O Senhor Embaixador e o Incidente em Antares, que tanto sucesso fizeram junto ao público leitor, sendo que este foi apresentado como uma minissérie pela TV Globo. Viriam ainda os dois volumes de sua autobiografia Solo de Clarineta – memórias – I e II, não conseguindo completar o segundo volume, pois faleceu em 28 de novembro de 1975, quando estava escrevendo a parte final, ou melhor, o texto ainda incompleto e vários dos originais em manuscrito. Foram concluídos pelo professor de Literatura Brasileira da UFRGS, Flávio Loureiro Chaves, conhecedor abalizado da obra de Érico Veríssimo e de acordo com o solicitado pela família do autor. Nestes livros o escritor narra toda sua luta para conseguir atingir os seus objetivos literários. Seu grande amor para com a cidade de Porto Alegre onde viveu e escreveu seus romances, transparecem pelas páginas fluentes e agradáveis de sua escrita. Isto despertou-me nem sei de onde um intento de compor um soneto, como segue: SONETO PARA PORTO ALEGRE--Ao Érico Verríssimo (in memoriam)--Risonha Capital do meu Estado,/ eu me orgulho de ti, desta pujança/ de arranha-céus; do solo conquistado/ do Guaíba que pra lagoa avança...// E quando a noite desce, reclinado/ em meu leito de crença e de esperança,/ amores que ficaram no passado/ surgem saudosos, vivos na lembrança...// Hoje bem sei que não deixaram mágoas/ nas páginas viradas desta vida,/ e partiram levados pelas águas...// Canta, meu estro, um hino heróico e forte/ à cidade que elejo a preferida/ pra todo sempre, enfim até na morte !...// PORTO ALEGRE (RS), 29 de novembro de 2005-- Às 10h25min. na Siqueira Campos, próximo à Paineira. Quero que este simples e modesto verso represente minha homenagem à cidade e ao genial escritor gaúcho, brasileiro e mundial que foi Érico Veríssimo, que quando indagado, no exterior, de que local estava vindo, respondeu: “Minha cidade tem uma orquestra sinfônica”. A leitura dos seus livros sempre desperta o mundo que existe nas páginas que retratam a formação de nosso Estado e a nossa capital gaúcha de inúmeros atrativos e que amanhece sorrindo à margens do Guaíba, rio ou lago, pouco importa, é um cartão postal com seu pôr-do-sol maravilhoso, quiçá o mais lindo do planeta. Leiam-no e apreciem-no, que um centenário não é nada para um grandioso romancista e contador de histórias tal como o foi o nosso ilustre conterrâneo, o saudoso Érico Veríssimo. Até mais... ========Cronista colaborador Publicado em 07 de dezembro de 2005 – no Diário de Canoas. ================================================ FORAS CAPAZ....==========IALMAR PIO=============== Deixarias que eu entrasse em tua vida assim sorrateiramente como chega um ladrão para roubar teu coração ? Quiseras que eu fosse alguém desconhecido de ti, diferente dos demais, e viesse para tua aceitação ?! Se assim o desejas e vives sem preconceitos, eu me apresento agora à tua contemplação, embora trazendo em meu ser mil defeitos próprios dos que amam ardentemente com tanta emoção ! Foras capaz enfim de projetares uma aventura louca que descortinasse um mundo que nem sonhas existir, e tivesses que enfrentá-lo, saturada de beijos em tua boca, e dos outros que falassem te pusesses a rir... Nós transporíamos todos os obstáculos possíveis e imagináveis e seriamos dois em um, como sói acontecer aos amantes, por assim dizer, enamorados e amáveis, que querem desfrutar juntos todos os instantes... ==================================== EM MEU CAMINHO-------Roguei deveras para em seu convívio/ reflorescer minha esperança douda,/ mas continuei sofrendo sem alívio/ distante dela e desejando-a toda.// Depois busquei amar outras mulheres/ a fim de não viver pensando nela/ e enquanto desfolhava malmequeres/ me aparecia cada vez mais bela.// Assim fui me envolvendo de repente/ nos liames fatais da benquerença/ por alguém cuja vida independente/ me ferisse com sua indiferença.// No entanto, a dúvida ainda continua/ me torturando sempre, mais e mais,/ ambos seguindo pela mesma rua/ com destinos, porém, tão desiguais.-----=====IALMAR PIO==================== ================================================ AUTO-RETRATO------Preciso confessar que não a quero/ por simples desabafo ou desagrado;/ e procurando ao menos ser sincero/ comigo mesmo o coração magoado.// Se nada tive e tudo ainda espero,/ mais infeliz fora não Ter cantado/ o amor inatingível que venero/ num misto de virtude e de pecado.// Alguém irá dizer, é bem provável,/ que sou um sonhador, que vivo abstrato/ no mundo da ilusão desagradável...// porquanto transformei a minha vida/ num esboço qualquer, o auto-retrato/ de uma pessoa a mim desconhecida.------=======IALMAR PIO====================================================== PARA A MULHER RUIVA------Nada escrevi depois da chuva/ e bem que o quisera fazê-lo,/ lembro-me ainda da mulher ruiva/ com seu deslumbrante cabelo.// Vejo-a, desenvolta saúva,/ e atrai-me demais tal apelo,/ - será solteira, será viúva ?! -/ seu amor, quero compreendê-lo.// Sonho... dúvida... indecisão.../ (talvez um desejo qualquer).../ - meus sentimentos quais serão ?// Quando perdido em treva densa/ procuro alguém que me quiser/ tornar feliz, sem desavença...------IALMAR PIO================ ============================================== FALTA CONVIVÊNCIA-------Eu não te quero mais agora, é certo !/ Quanto te quis, porém, em dias idos !/ Hoje vivo sozinho, mas liberto/ dos teus caprichos loucos, incontidos...// Hei de sempre cantar de peito aberto,/ nossos momentos tão incompreendidos/ em que vivíamos juntos no deserto,/ à procura de um oásis, mas perdidos...// Não sei se lembrarás como eu relembro/ as noites estreladas de dezembro/ quando nós contemplávamos os astros...// Tinhas por mim curiosa simpatia,/ pretendendo, talvez, que eu deveria/ implorar teu egoísta amor de rastros...-----=======IALMAR PIO=================================== A DESPEDIDA-------Quando partiste sem dizer-me nada,/ fiquei sozinho, cabisbaixo e mudo;/ talvez pior, se me dissesses tudo/ e coisa alguma eu possa compreender...// Assim, no entanto, levo até morrer,/ no verso rápido, o recesso agudo/ que será para sempre o meu escudo/ contra os golpes traiçoeiros do viver.// Se o que houve foi amor, já não persiste/ o mesmo afeto que existiu outrora,/ antes do dia em que te foste embora;/ não é por tua ausência que estou triste,/ são os versos que faço atormentado/ por outras coisas mortas do passado.--------======IALMAR PIO======================================= O ENCONTRO========= ------Necessito teu cálido carinho/ para o ritmo poético cansado/ prosseguir como nunca o seu caminho/ rumo à vida, ao esplendor sempre sonhado.// E falando-te ao ouvido de mansinho,/ mais venturoso, menos desgraçado,/ meu verso tênue cantará baixinho/ coisas do amor presente sem passado.// Entretanto, se algum dia a pedra frouxa/ desandar fatalmente de uma rocha,/ obstruindo-nos a viagem para além;/ se tivermos que retornar exaustos/ encontrarás coragem em meus haustos/ e em teus beijos a encontrarei também ! -------IALMAR PIO================================================== “GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE”----====IALMAR PIO SCHNEIDER======------Nem sei por onde começar esta crônica, pois sinto uma certa apatia diante do que estou a presenciar com esta guerra estúpida que decreta a falência do entendimento entre os seres humanos. Reporto-me, entretanto, a um texto que publiquei aqui (Diário de Canoas), em 23 de dezembro de 2000, e que assim dizia: A Paz e o poder econômico – “A Paz deveria ser o sentimento máximo a dominar as relações humanas dos povos para que houvesse uma convivência feliz entre eles. Todavia, nem sempre é assim, pois os poderosos economicamente também dispõem da força bélica que os tornam opressores por natureza.(...) Nos países capitalistas, o domínio do poder econômico atinge proporções consideráveis. No Estado Absolutista, de tipo mercantilista, o Estado detinha, ao lado do poder político, o poder econômico. Entretanto, à medida em que se passa ao regime liberal, do laissez faire, em que o Estado se abstém da atividade econômica e a entrega aos particulares sob várias formas, inclusive a concessão, surge o poder econômico autônomo, que cada vez mais se fortalece, pondo em risco a própria atividade do Estado. Dessa situação decorre a advertência de Hermann Heller, segundo a qual “ou os encarregados do poder político, descobrindo novas fontes de fortalecimento econômico, demonstram efetivamente sua independência contra as forças da riqueza privada ou os esforços dos líderes econômicos conseguirão, ou pelo menos tentarão, pôr fim à democracia do poder”. Surgem os trustes, os cartéis, os monopólios, fórmulas múltiplas, pelas quais o poder econômico privado tenta valer-se de suas posições dominantes para prejudicar o consumidor. Foi para atender a esses desafios que surgiu uma legislação específica, destinada ao controle do poder econômico. Após estas considerações, quero transcrever abaixo um soneto que compus há alguns anos a fim de expor minha idéia a respeito da paz. “Aspiração suprema da esperança/ que atinge os corações, fraternalmente,/ à procura de um bem que só se alcança/ com a bênção do Senhor Onipotente.// Tenhamos a inocência da criança/ e conservemos sempre em nossa mente/ toda a sublime bem-aventurança/ vinda do Espírito Santo onisciente.// E nossa prece, então, será ouvida/ distante, além dos astros, no infinito,/ glorificando aqui na Terra, a vida...// Porque somente unidos, afinal,/ em torno de uma luz de amor convicto,/ é que teremos Paz Universal !” Sempre ouvi falar que um conflito bélico mundial, atualmente, com as armas atômicas existentes, seria o fim dos tempos e que a primeira destruição foi com o Dilúvio e depois seria com o fogo, opondo-se à água. Por outro lado, não há como esquecer a lição antiga mas sempre válida do magnânimo mestre: “É a guerra aquele monstro que sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto mais como e consome, tanto menos se farta. É a guerra aquela tempestade terrestre, que leva os campos, as casas, as vilas, os castelos, as cidades, e talvez em um momento sorve os reinos e monarquias inteiras. É a guerra aquela calamidade, em que não há mal algum que, ou se não padeça, ou se não tema; nem bem que seja próprio e seguro. O pai não tem seguro o filho, o rico não tem segura a fazenda, o pobre não tem seguro o seu suor, o nobre não tem segura a honra, o eclesiástico não tem segura a imunidade, o religioso não tem segura a sua cela; e até Deus nos templos e nos sacrários não está seguro”. – Pe. Antônio Vieira (1608-1697), Sermões, página 424 do Dic. de Citações de Paulo Rónai. Após haver refletido sobre este assunto, dirigi-me ao Foyer do Theatro São Pedro, às 18h30m do dia 28 de março, onde assisti a um show de blue jazz com o tema de Moonlancholic – “O luar não vem da lua/ Mas do meu ser afim/ Ao mito, à mágoa, à ausência e à distância” (Poemas Dispersos, Fernando Pessoa). Quem sabe lá na lua se encontre tranqüilidade, se o homem não tentar destruí-la também. Que Deus nos abençoe e nos dê forças para resistir. Sejamos irmãos!------------O Lobo da Estepe – Menestrel sem juízo – cronista e poeta-----Publicado em 02 de abril de 2003 no Diário de Canoas – RS. – pg. 04 ======================================================== HOMENAGEM AOS JORNAIS MAIS ANTIGOS DO ESTADO, SIMPÓSIO DE ARQUEOLOGIA e o filme CARANDIRU ============IALMAR PIO SCHNEIDER=========== Estive visitando a exposição dos jornais mais antigos de nosso Estado no Memorial Histórico do Rio Grande do Sul, e logo na entrada do saguão à esquerda encontrei o painel do Jornal NH - 1960, com os seguintes dizeres: "Criado em 1960, o "Jornal NH" é o líder do Grupo Editorial Sinos, que tem sede em Novo Hamburgo, e edita uma série de outros títulos. (E acrescento, entre os quais o nosso Diário de Canoas). Fundado por Paulo Sérgio Gusmão e Mário Alberto Gusmão - o primeiro deles já falecido - o jornal ocupa ponto de destaque na imprensa gaúcha, em especial na região do Vale dos Sinos. É dirigido hoje por Mário Alberto Gusmão". Li também um lema: "Uma comunidade é forte, quando o seu canal de comunicação se confunde com a sua própria identidade". Esta é uma justa homenagem prestada à imprensa jornalística escrita que foi e sempre será, com certeza, o melhor e mais eficaz veículo de informação que existe. E como estava acontecendo em Porto Alegre o Simpósio Internacional de Arqueologia, Patrimônio e Atualidade, de 03 a 06 de junho, realizado pelo MARS - Museu Arqueológico do Rio Grande do Sul, aproveitei o ensejo para ouvir uma palestra sobre o "Patrimônio Arqueológico", sendo a Mesa Temática, composta por José Otávio Catafesto - NIT - URGS, Rosana Najjar - IPHAN/RJ, Vera Thadeu - Arqueóloga Autônoma, coordenador: Cláudio Carle -UERGS. O assunto versou sobre a importância de uma melhor fiscalização a respeito dos sítios onde existem elementos arqueológicos, e nos quais se constróem edificações civis e até barragens hidroelétricas, sem que a realizem convenientemente. Depois, lembrei-me que ainda não havia assistido ao filme CARANDIRU e então me dirigi ao cine Guarany onde o fiz. Considerei que os relatos feitos pelo Dr. Dráuzio Varella, após conviver com os presidiários por longo tempo, mostram o lado deprimente e lastimável da massa carcerária. A degradação humana é posta ao olhar do público na maior crueza, envolvendo o uso inconseqüente das drogas e o homossexualismo sem critério. Poder-se-ia dizer que seria cômico se não fosse trágico. De fato, grande parte dos espectadores ria com as cenas que protagonizam o casamento do detento Sem Chance com o travesti Lady Di. Quando da chacina em que foram assassinados 111 apenados, houve uma cena risível em que os dois escapam da morte em que o detento diz - "Eles não nos mataram porque viram que havia mulher"; ao que ela respondeu - "É, meu bem, o amor nos salvou". Foi mais ou menos isso aí que me foi possível ouvir, se não me engano, sobre o filme em que o médico, representado por Luiz Carlos Vasconcelos, vai trabalhar em presídio paulista e escuta relatos sobre crimes, vinganças, amores e amizades dos presos, culminando com o massacre de 1992. Com direção de Hector Babenco e a participação do ator Rodrigo Santoro e da atriz Maria Luisa Mendonça. Digamos que seja uma obra cinematográfica satisfatória, no meu entender, em que os 146 min. de duração da mesma, nos toma a atenção. Mas, mudando de assunto, e dando asas à imaginação, quero aqui deixar uns versos que escrevi aleatoriamente para alguém, sendo meu penúltimo poema, acredito, pois pretendo escrever outros. Nada tem a ver com os assuntos em foco, mas ocorreu-me publicá-los, como segue: Esse amor não foi tão forte assim/como supunha nossa vã filosofia;/ aqui no mundo tudo tem um fim/e com certeza ele chegou um dia...// Não me queira mal, nós somos tão carentes;/ sejamos compreensivos; é a vida/ que não pode tornar-nos indiferentes/ ao subirmos ou na descida.// Soubeste apreciar meus tristes versos/ e muito lhe agradeço, de coração;/eles andam por aí dispersos,/ afinal, formam a minha pobre canção...// Se não fomos felizes... O que importa ?/ Eu vivi... você viveu... Não negue ! Se ranzinzas/ momentos bateram à nossa porta,/ qual Fênix outros mais alegres renascerão das cinzas... Pretendo-os inseridos no contexto do pensamento de nosso grande romancista Dyonelio Machado: "Os poetas são os intérpretes das emoções humanas, - suas e alheias..." Desta maneira também pretendo considerá-los. ______________________________________________ Poeta e cronista - E-mail: rs080254@via-rs.net Publicado em 11 de junho de 2003 – no Diário de Canoas. =========================================== SONETO DA PAZ--------Aspiração suprema da esperança/ que atinge os corações, fraternalmente,/ à procura de um bem que só se alcança/ com a bênção do Senhor Onipotente.// Tenhamos a inocência da criança/ e conservemos sempre em nossa mente/ toda a sublime bem-aventurança/ vinda do Espírito Santo onisciente.// E nossa prece, então, será ouvida/ distante, além dos astros, no infinito,/ glorificando aqui na terra, a vida...// Porque somente unidos, afinal,/ em torno de uma luz de amor convicto,/ é que teremos Paz Universal !---------=======IALMAR PIO============================== --------------------------------------------------------------POEMETO PARA ALGUÉM// A noite já vai alta/posso dizer madrugada.../Me fazes tanta falta/e que posso fazer?! Quase nada!...//Se soubesses me sentir/em teu corpo, na pele e na boca,/de carícias te cobrir,/deixando-te louca...//Se estivéssemos agora juntos/num mesmo leito de amor,/não faltariam assuntos/ao sonho de esplendor !//E quando surgisse o dia,/poderíamos desfrutar/a beleza que irradia/de quem vive para amar !============IALMAR PIO================================================ UM SONETO ARDENTE============= Beijar-te os lábios num delírio mudo, prender-te toda nos meus fortes braços, amar-te num amor sincero e rudo, depois cantar-te nos meus versos lassos. Cantar a sensação dos teus abraços quando por ti das dores me desnudo, fazer das ilusões mil estilhaços, estar feliz atrás do flóreo escudo que ostentas em tua alma virginal, era trilhar a estrada da ventura num sonho límpido e descomunal e achar a fonte cristalina e pura que torna o coração sempre jovial e os nossos males mais profundos cura. _______________________ =============IALMAR PIO=============== _______________________ PÁG. 14 - O TIMONEIRO - CANOAS, 30.9.83 _______________________________________________________________________ __ ============================= S O N E T O A F L I T O ==========IALMAR PIO=========== Quisera aqui deixar escrito de passagem aquele enlevo que nos uniu num momento; depois tomaste um rumo e seguiste viagem como quem parte, assim levada pelo vento... Hoje procuro ouvir na tênue voz da aragem um suspiro talvez; ou quem sabe um lamento emitido por ti, tal qual uma mensagem que me permita, enfim, lograr o meu intento... Mas vão-se as estações: inverno, primavera, verão e outono; e ainda estou sozinho e triste, na aflição infernal de quem sofrendo espera... Se ouvires, por acaso, um pássaro canoro entoar uma canção que tu jamais ouviste, recorda-te que ao te lembrar ainda imploro ! ============PÁG.11 - O TIMONEIRO - CANOAS, 4.3.83 _______________________________________________________________________ ========================================= ESPERA SONETO DA ========IALMAR PIO========== O que me falta nesta vida, penso... são uns carinhos sempre desejados. É ter, enfim, um forte amor imenso que contenha recíprocos agrados. Pois assim cada vez mais me convenço quanto sofreram os desenganados e como foi triste o caminho extenso dos que viveram sempre abandonados. Uma esperança ainda me seduz nestes momentos em que logro vê-la cercada de resplandecente luz. E meu olhar a fita ansiosamente como quem busca na distante estrela um lenitivo ao que sua alma sente... ==========Canoas, 06 de junho de 1985 - RADAR- Pág. 12 _______________________________________________________________________ ================================================= AS NOITES SEM VOCÊ========== As noites são infindas sem você e me pergunto: Agora o que será de quem amou-a tanto e não a vê e pensa que jamais a esquecerá ?! Triste infeliz daquele que não crê: sem esperança como esperará ? Menos perdido quem não sabe o que lhe reserva o caminho que virá ! Ambos, no entanto, sofrem amarguras: (quem pode ler as páginas futuras ?!); pois um tem a descrença, outro a incerteza... Eu que tenho em meu ser os dois tormentos preciso seu amor nestes momentos em que mergulho na maior tristeza !... =============IALMAR PIO================ Pág. 14 - O TIMONEIRO - Canoas, 01-3-85 ==================================================== SONETO DO AMOR SINCERO ===========IALMAR PIO================ Não esperes do amor outra ventura do que aquela que te fará ditosa, mas aproveita tua formosura antes que murches como murcha a rosa. Também não vivas simples aventura, pois a existência é rápida e enganosa; o tempo que perderes não tem cura, nem mesmo vale a pena ser vaidosa. Ama quem te ama com sinceridade e nunca te arrependerás, então; porque só podes ter felicidade junto de alguém que te deseja e quer, por quem sentes bater teu coração nos sonhos que te fazem ser mulher. ============Canoas, 14 de março de 1985 - RADAR - Variedades - pág. 9 _______________________________________________________________________ ================================================= DA CONDIÇÃO HUMANA ==========IALMAR PIO========== Jamais eu te direi que estou feliz e me reservo agora este direito de sofrer por aquilo que não fiz, pois este é o meu destino e assim o aceito. Não quero que me julgues satisfeito e nem tampouco um mísero infeliz, o meu caminho embora seja estreito tem amplitudes que sonhei e quis. Se desejarmos merecer a vida profundamente além da concebida iremos naufragar em dissabores... Por isso aonde eu for e aonde fores não é preciso conseguir extremos: sejamos o que somos e seremos... ===========Pág. 16 - O TIMONEIRO - CANOAS, 28-6-85 ==================================== --------------------------------------------------------------POEMETO PARA ALGUÉM// A noite já vai alta/posso dizer madrugada.../Me fazes tanta falta/e que posso fazer?! Quase nada!...//Se soubesses me sentir/em teu corpo, na pele e na boca,/de carícias te cobrir,/deixando-te louca...//Se estivéssemos agora juntos/num mesmo leito de amor,/não faltariam assuntos/ao sonho de esplendor !//E quando surgisse o dia,/poderíamos desfrutar/a beleza que irradia/de quem vive para amar !============IALMAR PIO================== ============ ============UM AMOR INCOMPREENDIDO E FATAL==== ======IALMAR PIO SCHNEIDER======= Quem for da geração cuja adolescência deu-se na década de 1950 a 1960, deve se lembrar que houve um ator de cinema que faleceu jovem, aos 24 anos, de um acidente automobilístico. E que seu carro era um Porsche Spyder. Aconteceu em uma auto-estrada perto de Paso Robles, na Califórnia, em 30 de setembro de 1955, ao dirigir-se à uma corrida de carros-esporte. Durante sua breve existência atuara em apenas três filmes, mas de enorme sucesso pela sua performance, que foram: Vidas amargas, Juventude transviada e Assim caminha a humanidade, e, somente o primeiro havia sido lançado. Tratava-se de James Dean, ou melhor, James Byron Dean, que nasceu em Marion, Indiana, em 8 de fevereiro de 1931. Terminei de ler sua biografia por esses dias, escrita por Ronald Martinetti, tradução de Fernando Albagli e Benjamin Albagli Neto, Editora Nova Fronteira, 1996. Por sinal muito significativa e que mereceu de Martin Pitts, diretor de cinema, Hollywood, Califórnia, a seguinte frase lapidar: “James Dean acendeu uma fagulha para duas gerações de artistas americanos. Ronald Martinetti esclarece magistralmente por que Dean ainda vive.” Dos três filmes de que o ator participou, o mais consentâneo com sua personalidade foi Juventude transviada, uma vez que representava uma fase que atravessava de revolta, como colocou Pauline Kael, “faz tudo errado porque se preocupa demais”. De fato, escreve o autor da biografia: “A lenda não é totalmente inexata; tantos dos maneirismos de Dean – a fala arrastada, suave e hesitante, o cigarro no canto da boca, a postura eternamente relaxada – estão presentes no filme, que é difícil determinar onde termina a sua personalidade e onde começa a interpretação”. E mais adiante, trechos de críticas austeras a respeito do filme: “(Embora tenha recebido um selo de código de produção, o filme foi posteriormente condenado em vários lugares por sua violência. Escrevendo no New York Times – 27 de outubro de 1955 -, Bosley Crowther descreveu o filme como “brutal (...) e excessivamente explícito”, e afirmou: “É um filme de deixar o cabelo em pé.” Em Memphis, Tennessee, o comitê de censura local proibiu o filme como sendo “nocivo ao bem-estar público” e na Inglaterra, onde Dean possuía inúmeros fãs, vários anos se passaram até que o filme pudesse ser exibido.)”” Dos inúmeros relacionamentos amorosos que teve, um foi o mais forte, e, não concretizado, pois não houve o casamento entre ambos, apesar da grande atração entre eles. Foi com a atriz italiana Pier Angeli que repentinamente noivou com o cantor Vic Damone, que havia conhecido na Alemanha, ao participar de um filme três anos antes. Para Dean foi uma perda de que nunca mais recuperou. E assim o autor do livro descreve, a passagem da atriz e seu trágico fim: “Pier se casou na igreja católica romana de St. Timothy, em Westwood, a 24 de novembro. O casamento duraria apenas quatro anos. Depois disso, Pier diria que James Dean foi o grande amor de sua vida. Contam que, no dia do casamento, o ator, desesperado, sentou-se na motocicleta, do lado de fora da igreja, observando o que acontecia lá dentro. Talvez isso tenha sido um toque de exagero romântico; de qualquer forma, Dean não estava entre os seiscentos convidados que testemunharam a cerimônia no interior da igreja, a mesma igreja onde, dezessete anos depois, a missa pela morte de Pier, um possível suicídio, seria rezada”. Talvez, não totalmente explicitado, a união entre o ator e a atriz não se realizou por motivos de ordem religiosa, uma vez que ela era católica e ele protestante. Mas não se pode ter certeza disto. O fato é que James Dean faleceu tragicamente antes de ficar esclarecido este ponto. Tudo leva a crer, no entanto, que o sofrimento de ambos James e Pier, foi fatal para suas breves vidas. E assim encerra o autor do livro Ronald Martinetti: “Ao primeiro frio do outono no ar de Indiana, James Byron Dean foi enterrado ao lado de sua mãe, em um pequeno cemitério à margem de um campo de milho, um pedaço de terra sombreado por coníferas, que um dia havia sido um cemitério indígena”. Seus fãs o pranteiam pois tornou-se uma lenda... ================Cronista colaborador Publicado em 04 de janeiro de 2006 – no Diário de Canoas – RS. ========================================================POEMA------Para todos os momentos/ vivemos nós,/ sem saber dos sofrimentos/ que virão após...// A própria ingratidão/ que amarga nossos destinos,/ merece o perdão,/ sem rancor ou desatinos.// Podemos sonhar um amor ausente,/ apenas na lembrança/ como quem sente/ uma esperança.// Veremos surgir depois/ dentro da noite escura,/ uma luz para dois/ que será nossa ventura.// Seguiremos assim/ pela senda iluminada,/ até que raie por fim/ o sol da alvorada.-------=========IALMAR PIO================================================ILUSÃO------Flores de plástico/ num vaso sobre a mesa/ Que vontade louca de espatifar este vaso/ para que não fiquem [ inutilmente aí estas flores/ falando-me de ti/ rindo-se de minha angústia// Oh! flores malditas/ queimem-te as entranhas/ as chamas de um fogo ardente/ para que choreis comigo eternamente !--------========IALMAR PIO========================================================ESTA MÚSICA------Esta música suave a evaporar-se/ dentro da noite amiga/ que me abriga/ da tristeza inconsolável/ de nunca possuir-te/ de nunca Ter-te em meus braços/ Esta música que faz saltar pedaços/ do coração partido.// Será o presságio de uma nova aurora ?-----==========IALMAR PIO===============================================================NOCTÍVAGO-------Haverá noite/ haverá vento/ haverá frio// Passos cantarão sobre calçadas// E tudo será em vão/ ela não ouvirá os passos/ e nunca saberá de minha dor.-----=============IALMAR PIO=====================================================HOUVE UM CARAVELA------Houve uma caravela branca [no mar de minha vida/ eu amava-a/ Parecia a pomba prometida/ que vinha anunciar-me/ a chegada da luz feliz.// Foi um dia trágico...// O mar não sei por que razão estava calmo/ O céu era absolutamente azul/ o mar era azul// E depois não havia somente o mar e o céu/ - existia também o sol aquecedor/ e as sereias a cantar.// Foi um dia trágico...// Eu chorava... e em tudo era o silêncio/ truncado pelos meus lamentos e os cantos das sereias/ As gaivotas tinham desaparecido/ Foi um dia trágico/ dir-se-ia que algum mágico. as ondas do mar truncou// Nem uma brisa/ lisa/ refrescava minha fronte/ a caravela sumiu-se no horizonte/ e nunca mais voltou.-------=========IALMAR PIO=======================================================TÉDIO------Aros metálicos/ que não querem chorar/ porque é impossível/ nestas horas elásticas/ abrir a boca para o choro...-------=======IALMAR PIO==================================================DESGRAÇA-------Será noite como jamais foi noite/ minha tristeza cantará [pela ventania/ transtornado pedirei perdão/ por aquilo que não pratiquei// Buscarei consolo/ em todos os antros de perdição/ Os boêmios serão meus amigos [e as gargalhadas das meretrizes [dentro de mim criarão raízes/ e hei de gargalhar também.---------========IALMAR PIO===========================================================DÚVIDA--------Visitou-me a saudade neste dia ensolarado,/ pleno de musicalidade/ e volto-me ao passado...// Por entre inúmeras lembranças/ aparece-me aquela das mil esperanças,/ mulher toda bela,/ a quem dediquei meu canto/ e muitas vezes na solidão/ derramei meu pranto/ curtindo a desilusão.// Faz tanto tempo que não a vejo/ - deve andar por aí -/ vive no meu desejo,/ jamais a esqueci...// Quando este poema/ chegar ao seu conhecimento/ - assalta-me um dilema/ - Qual será seu sentimento?!---------=========IALMAR PIO====================================================POEMA A QUATRO MULHERES------Mulher dos olhos verdes/ deixa-me ancorar/ na esperança do teu olhar.// Mulher dos olhos azuis/ deixa-me sentir/ teu olhar fulgir.// Mulher dos olhos castanhos/ deixa-me conhecer/ teu amanhecer.// Mulher dos olhos pretos/ deixa-me compor/ um poema ao nosso amor.------=========IALMAR PIO======================================================AMOR FRUSTRADO-----Eu que te quis e tu que não quiseste/ o meu carinho que por ti vibrava/ num mar de amor ondeante azul-celeste/ e preferiste ser de alguém escrava.// Hoje recordo meu desejo agreste/ de andar correndo pela selva brava;/ não há razão aos beijos que não deste,/ nem me culpo de quanto te adorava.// Talvez não lembres meu poema triste,/ nem te comovas com meu pranto mudo/ onde a saudade em seu ardor persiste,/ mas eu te sinto como a vida sente:/ o pouco que por nada não foi muito/ e os restos de um passado descontente.------=====IALMAR PIO===================================================A DESPEDIDA-------Quando partiste sem dizer-me nada,/ fiquei sozinho, cabisbaixo e mudo;/ talvez pior, se me dissesses tudo/ e coisa alguma eu possa compreender...// Assim, no entanto, levo até morrer,/ no verso rápido, o recesso agudo/ que será para sempre o meu escudo/ contra os golpes traiçoeiros do viver.// Se o que houve foi amor, já não persiste/ o mesmo afeto que existiu outrora,/ antes do dia em que te foste embora;/ não é por tua ausência que estou triste,/ são os versos que faço atormentado/ por outras coisas mortas do passado.--------=========IALMAR PIO=====================================================O ENCONTRO------Necessito teu cálido carinho/ para o ritmo poético cansado/ prosseguir como nunca o seu caminho/ rumo à vida, ao esplendor sempre sonhado.// E falando-te ao ouvido de mansinho,/ mais venturoso, menos desgraçado,/ meu verso tênue cantará baixinho/ coisas do amor presente sem passado.// Entretanto, se algum dia a pedra frouxa/ desandar fatalmente de uma rocha,/ obstruindo-nos a viagem para além;/ se tivermos que retornar exaustos/ encontrarás coragem em meus haustos/ e em teus beijos a encontrarei também !-------=========IALMAR PIO========================================================TRANSCRITOS AQUI EM 20 DE JANEIRO DE 2006 =========================================== POEMA------Para todos os momentos/ vivemos nós,/ sem saber dos sofrimentos/ que virão após...// A própria ingratidão/ que amarga nossos destinos,/ merece o perdão,/ sem rancor ou desatinos.// Podemos sonhar um amor ausente,/ apenas na lembrança/ como quem sente/ uma esperança.// Veremos surgir depois/ dentro da noite escura,/ uma luz para dois/ que será nossa ventura.// Seguiremos assim/ pela senda iluminada,/ até que raie por fim/ o sol da alvorada.-------=====IALMAR PIO ======================================= UM SONETO ARDENTE Beijar-te os lábios num delírio mudo, prender-te toda nos meus fortes braços, amar-te num amor sincero e rudo, depois cantar-te nos meus versos lassos. Cantar a sensação dos teus abraços quando por ti das dores me desnudo, fazer das ilusões mil estilhaços, estar feliz atrás do flóreo escudo que ostentas em tua alma virginal, era trilhar a estrada da ventura num sonho límpido e descomunal e achar a fonte cristalina e pura que torna o coração sempre jovial e os nossos males mais profundos cura. _______________________ ======IALMAR PIO========== _______________________ PÁG. 14 - O TIMONEIRO - CANOAS, 30.9.83 _______________________________________________________________________ __====================================== S O N E T O A F L I T O ===========IALMAR PIO============ Quisera aqui deixar escrito de passagem aquele enlevo que nos uniu num momento; depois tomaste um rumo e seguiste viagem como quem parte, assim levada pelo vento... Hoje procuro ouvir na tênue voz da aragem um suspiro talvez; ou quem sabe um lamento emitido por ti, tal qual uma mensagem que me permita, enfim, lograr o meu intento... Mas vão-se as estações: inverno, primavera, verão e outono; e ainda estou sozinho e triste, na aflição infernal de quem sofrendo espera... Se ouvires, por acaso, um pássaro canoro entoar uma canção que tu jamais ouviste, recorda-te que ao te lembrar ainda imploro ! ============PÁG.11 - O TIMONEIRO - CANOAS, 4.3.83 _______________________________________________________________________ ================================================ ESPERA SONETO DA ========IALMAR PIO============ O que me falta nesta vida, penso... são uns carinhos sempre desejados. É ter, enfim, um forte amor imenso que contenha recíprocos agrados. Pois assim cada vez mais me convenço quanto sofreram os desenganados e como foi triste o caminho extenso dos que viveram sempre abandonados. Uma esperança ainda me seduz nestes momentos em que logro vê-la cercada de resplandecente luz. E meu olhar a fita ansiosamente como quem busca na distante estrela um lenitivo ao que sua alma sente... ============Canoas, 06 de junho de 1985 - RADAR- Pág. 12 _______________________________________________________________________ =============================================== AS NOITES SEM VOCÊ======== As noites são infindas sem você e me pergunto: Agora o que será de quem amou-a tanto e não a vê e pensa que jamais a esquecerá ?! Triste infeliz daquele que não crê: sem esperança como esperará ? Menos perdido quem não sabe o que lhe reserva o caminho que virá ! Ambos, no entanto, sofrem amarguras: (quem pode ler as páginas futuras ?!); pois um tem a descrença, outro a incerteza... Eu que tenho em meu ser os dois tormentos preciso seu amor nestes momentos em que mergulho na maior tristeza !... =======IALMAR PIO========== Pág. 14 - O TIMONEIRO - Canoas, 01-3-85 =============================================== SONETO DO AMOR SINCERO =======IALMAR PIO=============== Não esperes do amor outra ventura do que aquela que te fará ditosa, mas aproveita tua formosura antes que murches como murcha a rosa. Também não vivas simples aventura, pois a existência é rápida e enganosa; o tempo que perderes não tem cura, nem mesmo vale a pena ser vaidosa. Ama quem te ama com sinceridade e nunca te arrependerás, então; porque só podes ter felicidade junto de alguém que te deseja e quer, por quem sentes bater teu coração nos sonhos que te fazem ser mulher. ============Canoas, 14 de março de 1985 - RADAR - Variedades - pág. 9 _______________________________________________________________________ ================================================ DA CONDIÇÃO HUMANA ==========IALMAR PIO============== Jamais eu te direi que estou feliz e me reservo agora este direito de sofrer por aquilo que não fiz, pois este é o meu destino e assim o aceito. Não quero que me julgues satisfeito e nem tampouco um mísero infeliz, o meu caminho embora seja estreito tem amplitudes que sonhei e quis. Se desejarmos merecer a vida profundamente além da concebida iremos naufragar em dissabores... Por isso aonde eu for e aonde fores não é preciso conseguir extremos: sejamos o que somos e seremos... ============Pág. 16 - O TIMONEIRO - CANOAS, 28-6-85 ======================================================EDITADO EM 25 DE MARÇO DE 2006 ===================================================POEMETO LÍRICO------Antes não tivesse visto/ teus olhos, o corpo e a boca,/ se fosse pra sofrer isto/ que somente me dás, louca !// Se te vejo, se me vês;/ nem sei que pensas por mim,/ embora nada me dês/ não quero que chegue o fim...// Sonhas, talvez, com alguém/ nesse teu mundo encantado.../ mesmo que eu sofra também,/ és o meu ser esperado.// Poderás andar sozinha/ como no céu anda a lua;/ em meu pensamento és minha:/ sonho que se perpetua.// Nada poderá romper/ as correntes deste amor./ E quem sabe o amanhecer/ há de ser mais promissor !----------=====IALMAR PIO========= ++++++++++++++++++++++++++++++++++++EDITADO EM 27.03.2006==================================== QUANDO CHEGAR------Quantas vezes estive apaixonado/ por meninas em plena adolescência;/ hoje sofro a saudade do passado/ e deploro os embustes da existência.// Não fui bom e por isso a penitência/ desceu sobre meu crânio inveterado,/ meu destino padece eterna ausência/ do ser eleito agora e sempre amado.// Diviso no futuro um grande amor:/ há de vir belo, cálido, profundo/ e alojar-se em minh’alma agradecida/ em que haverá fantástico esplendor/ capaz de iluminar um meio mundo/ e muito mais, me prolongar a vida !---------=====IALMAR PIO=======++++++++++++++++++++++++++++++EDITADO EM 30.03.2006=================================== DUQUE DE CAXIAS – O PACIFICADOR ========IALMAR PIO SCHNEIDER======= Em vista às comemorações da Semana Farroupilha, venho de ler um livro que me suscitou o interesse de escrever estas linhas. Trata-se de As Duas Paixões de Caxias, de Brígido Tinoco. O autor já no prefácio adverte que “ninguém procure, neste livro, a história completa do guerreiro e cidadão. Mas os fatos capitais de sua existência, aqui estão, palpitantes, em nossas páginas.” No capítulo VII – “A Revolução Farroupilha, suas causas. Resumo dos acontecimentos até 1842. A República do Piratini e Bento Gonçalves. Libertação dos escravos. Garibaldi e a República Juliana. Solicitado pelos rebeldes o auxílio estrangeiro. Vitória de Caxias. Final honroso. Conde, Marechal de Campo efetivo e Senador. A Política...”, encontramos o relato que nos interessa sobre o assunto em pauta. Tendo sido vitorioso no Maranhão, em São Paulo e Minas, Caxias é nomeado chefe do exército em operações e presidente do Rio Grande do Sul. Quando embarcou para exercer suas funções aqui, D. Pedro II, então aos dezessete anos de idade, dissera-lhe que terminasse a guerra riograndense tais como as outras. Respondeu-lhe: - “Pode V. Majestade estar certo que nisso empenharei meus últimos esforços”. Sua chegada a Porto Alegre no ano de 1842, em novembro, foi serena, segundo está escrito, e depois de sucinto discurso, concluía: ...”a Divina Providência, que de mim tem feito instrumento de paz para a terra em que nasci, fará que eu possa satisfazer os ardentes desejos do magnânimo monarca e do Brasil todo. Rio-grandenses ! Segui-me, ajudai-me, e a paz coroará os nossos esforços !” Procurou se inteirar da situação de necessidade em que se encontrava o povo e discretamente foi tomando as medidas possíveis para amenizar o estado de coisas, beligerante. Sempre que sentia solidão, em meio aos trabalhos estratégicos que estudava, dia e noite, pegava da pena e escrevia à sua amada Anica: “Meu bem”... E como o havia feito da carta de Vargem Grande, no Maranhão, três anos passados: ...”tal é o cuidado que me dás e o amor que te tenho que, cheio de trabalhos, não me esqueço de ti. Dá um beijo nos meus anjinhos e saudades a todos de casa. Sou só teu, Luiz”. Após dois anos e pouco de lutas e negociações, conclui a paz com a proclamação de Ponche Verde, pelo bravo general David Canabarro, datada de 28 de fevereiro de 1845, cujo teor consta no citado livro às pgs. 89 e 90. “No dia imediato, vibrando de contentamento, Caxias publica o seu manifesto: “Rio-Grandenses ! É sem dúvida, para mim de inexplicável prazer o ter de anunciar-vos, que a guerra civil, que por mais de 9 anos devastou esta bela província, está terminada. Os irmãos, contra quem combatemos, estão hoje congratulados conosco e já obedecem ao legítimo governo do Império do Brasil”.” Diálogo entre Caxias e Canabarro, amistosamente: Caxias: - “De que se ri, general ? – Canabarro: - É porque agora que estou vendo a razão porque eu nunca o pude apanhar de jeito. É que v. excia. Sabe todas quantas sei e sabe outras que estou aprendendo”. Consta que ao término da revolução, o vigário de Bagé, perguntou-lhe a que horas ele determinava o Te Deum, respondeu-lhe que “desejava ouvir uma missa fúnebre, com os companheiros, em honra aos desaparecidos na guerra, porquanto eram todos irmãos.” Meu intento ao lembrar este homem íntegro, foi o de demonstrar que se hoje estamos unificados na grande Nação que somos, muito devemos a este magnânimo pacificador. E as duas paixões de Caxias quais foram? Está escrito na pg. 43 do livro de Brígido Tinoco: “A esposa e a pátria eram as suas duas paixões. Atenderia, por amor, à primeira e continuaria amando a segunda.” Reverenciemos seu nome com todo respeito ! ========Cronista e poeta – E-mail: menestrel@brturbo.com =======PUBLICADO EM 15 de setembro de 2004 – no Diário de Canoas. – RS. ========================EDITADO EM 30.03.2006 ================================================= REINÍCIO =======IALMAR PIO SCHNEIDER========= De quando em vez se punha a pensar nas grandes obras que os mestres da Literatura Universal haviam criado e sentia-se, por assim dizer, diminuído, perante aqueles monumentos excelsos do pensamento, inteligência, arte e engenho humanos; isto porque sabia que jamais atingiria os píncaros daquela glória inaudita. De fato, ao se dar conta, os anos tinham passado e Otávio não havia produzido quase nada, apesar de que, outrora, quisera ser um notável escritor. Entretanto, desde cedo tivera que enfrentar o mercado de trabalho para viver, e ao conseguir certa posição na sociedade, quase que esquecera seu propósito, mas agora uma semente surgia no fundo do seu cérebro e ele, aposentado, procurava fazê-la germinar sem maiores pretensões, a não ser a de cumprir, enfim, o seu destino. Estava ciente de que possuía o livre-arbítrio, não obstante soubesse de suas limitações. Todavia, não iria seguir aquele caminho de Marcel Proust em “À Procura do Tempo Perdido”, mesmo porque já o havia ultrapassado em idade, e não demonstrava toda aquela excentricidade. Considerava-se um homem comum. Apesar de não haver seguido a carreira literária, sempre obtivera boas notas e elogios dos professores, em suas redações, quando cursara o ginásio e o científico dos Irmãos Maristas. Lembra-se de que certa vez, ao escrever uma dissertação, empregou a palavra “majestosa” com “g”, e ao receber a nota de 9,5, foi alertado com a seguinte expressão: “Cuidado ! Erro que parece fio de cabelo em sopa gostosa”. Hoje, ao lembrar essa advertência, Otávio procura reiniciar sua jornada rumo à prosa de ficção, sentindo como que um impulso alentador a fim de enfrentar esta tarefa para o resto de seus dias. Sabe, entretanto, que o caminho é árduo e inúmeras dificuldades se apresentarão à sua frente, considerando que a vida são degraus a galgar em etapas. O ofício a que se propõe requer a paciência de um Jó e a pertinácia de um Moisés, resguardadas as proporções. Ainda ontem ouviu um velho poeta dizer: “Escrever difícil é fácil, mas escrever simples é difícil.” Talvez, quem sabe, amanhã possa acrescentar algo ao acervo cultural e repetir com Thomas Carlyle: “Nenhum grande Homem vive em vão. A história da Humanidade não é mais do que a biografia dos grandes Homens.” Assim pensa Otávio em seu recanto, reorganizando suas memórias, reunindo seus antigos rascunhos e recolhendo o que sobrou da voracidade do tempo. ==============DC (17-07-1998) ================================================== ================================================== TROVAS ESPARSAS DE =======IALMAR PIO========= //Nunca digas que não gostas de música e de poesia, pois ambas foram compostas na tristeza e na alegria.// //Seresteiro e trovador ambos têm equivalência: porque os dois fazem do amor o motivo da existência.// //Eu era ainda criança e sempre quis ser poeta, nunca perdi a esperança de atingir a minha meta. // //De tantas trovas que fiz Uma foi a mais ardente: Ouvindo-a foste feliz, Cantando-a fiquei contente.// //Quis te fazer um poema De meu amor uma prova, Mas esbarrei num dilema E então te fiz uma trova.// //O poeta é um visionário Mas quanta verdade encerra; Mesmo sendo um solitário Ele abrange toda a Terra...// //Na cadência de u ma trova Vou embalar meu desejo. Minha vida se renova Quando te abraço e te beijo.// //Quatro linhas bem rimadas Encerrando um pensamento Das almas apaixonadas... Eis a trova de talento !// //Eu quis compor uma trova Tendo por tema canção \ que me desse vida nova e nasceste em mim, então !// //Fazer versos é o meu lema Pra formar uma canção. Não compô-los ? (que dilema !); Pois é minha vocação.// //Sendo poeta ou cantor Cada qual tem seu pendão; E se fores trovador Faze da trova a canção.// //A canção tem seu enredo Bem fácil de imaginar; Ela nasce do segredo De uma noite de luar.// //Se na vida passageira Vivemos na solidão Seja nossa companheira Uma suave canção !// //Haja luz e também treva E sempre haverá canção, Enquanto existir uma Eva \ acompanhando um Adão !...// //As trovas que a gente escreve, Mesmo que sejam banais, É um pouco da vida breve Que não volta nunca mais...// //Vive, pois, com muita fé Inda que a dor te consome... Diz o ditado: “O que é Do homem o bicho não come”.// //Tem trovas que a gente diz Tem outras que a gente lê, E pra mim a mais feliz É a que fala de você !// //A noite sucede ao dia E assim se passam os anos, Eu vivo sem alegria E morro de desenganos...// //Quando chegaste trazias Um mundo imenso no olhar; Ao partires deixarias Só tristeza em teu lugar.// //Tens razão quando me dizes Que o poeta é um sonhador, Neste mundo de infelizes Só assim suporta a dor.// //Se passaste em meu caminho Vaidosa e cheia de orgulho, Foste apenas burburinho Não chegaste a ser barulho.// //Eras tudo que esperei Em meu viver de poeta; A quem pertences não sei Pois nunca fui um profeta.// //No mundo só me seduz Teu amor cheio de graça, Pois sempre serás a luz Me afastando da desgraça.// //Andei por longos caminhos E me assaltou a saudade, Que longe dos teus carinhos Não tenho felicidade.// //Meu desejo mais ardente: Tê-la me meus braços, querida, Ou serei um penitente A padecer nesta vida ?// ================================================ http://vila.bol.uol.com.br/advedtform.html?idtarea=0&path=/&filename=menestrel.html----- QUER CONHECER MEU BLOG ? É ESTE –AGRADEÇO —HÁ ALGUMAS CRÔNICAS E POESIAS// Aguardo uma palavrinha sua – Ok ? =================================================== =========Editado em 31.03.2006========================================================= OUTRA ÉPOCA E UM POETA INESQUECÍVEL============== ==========IALMAR PIO SCHNEIDER============= Esses dias estava percorrendo os livros de minha biblioteca nas prateleiras e encontrei um volume de saudosa memória, autografado pelo autor, intitulado Bom Dia, Juventude ! Trata-se da obra do inspirado poeta de Caçapava do Sul – RS, hoje falecido, Francisco Guarany De Bem. O autógrafo é de 17 de maio de 1982, quando ele já andava beirando os 80 anos, pois sua data natalícia é 16 de abril de 1903. Lembro-me que o conheci na sede da Casa do Poeta-Riograndense, que naquela época funcionava nos Altos do Mercado Público, Sala nº 119, que bem poderia continuar até hoje naquele local, s.m.j., pois ele já escreveu naquela ocasião: “Em agradecimento aos relevantes serviços prestados pelo nosso incansável Fachinelli, inclusive a sua incessante batalha para que tenhamos um salão próprio, e que este salão nos seja doado pela Prefeitura de Porto Alegre. Espero que muito em breve vejamos a nossa bandeira tremulando sob o caloroso aplauso dos Srs. Vereadores e hasteada pelas mãos do nosso digno Prefeito.” Todavia, como escreveu no prefácio o literato Hugo Ramírez, ilustre membro da Academia Rio-Grandense de Letras, a respeito, num texto lapidar, o seguinte: “São versos tocados de simplicidade e pureza de alma. Inspirados por distintos momentos e motivos, inebriam-se de romantismo e saturam a atmosfera de todo o volume com seu aroma amoroso. Os versos de amor são os mais significativos do caráter e da experiência do autor. Atingir a seu estágio com esta exuberância de bem querer é privilégio que Deus a poucos concede, tão sáfaros são freqüentemente os corações que muito viveram, eivados de amargura.” O ponto máximo de sua criação literária, está nas páginas 34 e 35, que aqui transcrevo como uma homenagem ao saudoso poeta amigo: “Pedra do Segredo – Prólogo – “Lá na escarpada da serra, ao lado da altaneira cidade de Caçapava do Sul, meu querido torrão natal, há uma pedra lendária em seus assombros. Lembro-me, quando pequenino ainda, passava as noites sem poder dormir pelo medo que eu sentia, horrorizado das assombrações que no galpão um pardo velho me contava dela. Hoje, para me redimir do mal que ela me fez sem Ter nenhuma culpa, aqui estou eu convidando a todos para oportunamente se dignarem conhecê-la. E, tenho a certeza absoluta que, ao defrontarem-se com aquela grandiosidade que lá está encravada, assim como eu o fiz quando a conheci, também todos vós ao conhecê-la primeiro se curvarão, respeitosamente, para depois beijá-la.”” E para complementar, transcrevo abaixo também, o soneto que ele dedicou ao saudoso amigo poeta e declamador Hugo Britto, e com o qual ficou conhecido como o poeta da Pedra do Segredo: “Muito longe daqui, lá em Caçapava,/ Há uma pedra lendária em seus assombros./ Ouviam nela um arrulhar de pombos,/ Ou os gemidos de uma antiga escrava.// Na medida que a serra se desbrava,/ A lenda morre num montão de escombros./ Sonhando, um peso me saiu dos ombros:/ A história dela mal contada estava.// E lá está a pedra majestosa e bela !/ Ninguém sabe dizer que pedra é aquela,/ Todos a chamam Pedra do Segredo.// É um diamante engastado lá na serra,/ Que Deus, olhando para minha terra,/ Deixou por gosto lhe cair do dedo.” Hoje, decorridos tantos anos, ainda me assaltam aqueles dias em atropelo na lembrança do que não volta mais. Mas este viver me ensinou que a convivência poética permanece, como naquele autógrafo: “Para o prezado amigo..., com um caloroso abraço, subscrevo-me. Ass. ... Porto Alegre, 17-5-82”, em sua letra tremida e miúda prestes a octogenário. Que Deus vele por ele, enquanto eu recito minha quadra: Os versos que a gente escreve,/ mesmo que sejam banais,/ é um pouco da vida breve/ que não volta nunca mais ! Até outra oportunidade. ======Poeta e cronista – E-mail: menestrel@brturbo.com =======Publicado em 14 de outubro de 2004 – no Diário de Canoas. ============================================EDITADO EM 01.04.2006------------======================= ==================== Soneto de Sonhador----------Já não me encontro só nem desgraçado/ pois te levo total no meu olhar;/ nem poderei viver sem teu agrado/ enquanto não consiga te olvidar.// Quando às vezes passeio pelo prado,/ a natureza em flor a contemplar,/ parece que tu segues ao meu lado/ e os dois formamos um ditoso par.// Eu prossigo sonhando à luz do dia,/ que estás presente em todos os momentos,/ na tarde calorosa ou noite fria,/ e também de manhã andando a esmo;/ porque vencendo obstáculos violentos/ sinto que fazes parte de mim mesmo.------------=====IALMAR PIO=====--===========================EDITADO EM 4.4.2006======================================== ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ AFLIÇÃO-----Quem não conhece a estória de uma vida/e nunca teve pranto ou dissabor?!/Quem não conhece a fúria de um amor/e nunca deu-lhe cálida guarida?!//Quem não conhece a lágrima esquecida/que cai dos olhos, fruto de uma dor?!/Quem não conhece o estado sofredor/de uma alma que venceu e foi vencida?!//Depois vem a esperança do amanhã,/de um mundo pela frente a glória vã,/de penetrar no tempo que é infinito;/e num suspiro vago de quimera,/o peito está deserto; é uma tapera/e o coração está pulsando aflito.-------=====IALMAR PIO=========---do livro Mensagens Poéticas, em preparo. +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++EDITADO EM 5.4.2006 ++++++++++++ O VERSO-----O verso é como o fogo de uma chama/que o menestrel consegue inapagável,/corre no sangue e ao corpo se esparrama/ e chega a ser sarcástico e agradável.//Às vezes nos traduz a dor de um drama,/ em outras a comédia insofismável,/lenitivo suave de quem ama,/tortura de quem sofre inconsolável.//A mente intui e o coração perdoa;/é triste a vida de quem vive à toa,/pois nada legará à posteridade;/ façamos qualquer coisa ao nosso alcance,/ um sofrido poema, algum romance,/e passaremos para a eternidade.----==========IALMAR PIO==============================================+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++EM ALTO MAR-----Aragem branda já enfuna as velas/ da nave abandonando o cais na aurora;/ há de partir pra longe, vai-se embora/vencendo calmarias e procelas.// E quando mar adentro, noite afora,/ o céu povoar-se de milhões de estrelas/ e a lua desfilar no meio delas,/ cândida, pensativa e sonhadora,// uma poesia imensa nascerá de/ repente, ao sussurrar sem fim das águas./ E os tripulantes vão sentir saudade/ das terras que deixaram para trás,/ porque nos corações cheios de mágoas/ lágrimas rolarão em mananciais...----========IALMAR PIO=====================EDITADO EM 6.4.2006========++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++=============================================== VICISSITUDES DE SIGMUNDO FREUD=========IALMAR PIO SCHEIDER=========== ===== O dia 6 de maio de l856, portanto, há 149 anos, é a data de nascimento do médico austríaco, criador da Psicanálise, a que chamam também de “ciência da alma”, Sigmundo Freud, na cidade de Freiberg, Morávia. Seus estudos a respeito do comportamento humano vieram revolucionar a psicologia até então existente. Nesta área pode-se dizer que é antes e depois de Freud. Iniciou sua aprendizagem em Viena, no Spert-Gymnasium, obtendo as melhores notas da classe. Admirava as personalidades de Aníbal e de Napoleão, o que, conforme algumas opiniões, deu-lhe um temperamento forte ao caráter. Escreveu, mais tarde, sobre a sua admiração infantil por Aníbal e Roma, dizendo que ambos “simbolizavam a oposição entre a tenacidade do judaísmo e a organização da Igreja Católica. Compreendi as conseqüências de pertencer a uma raça alheia ao país, e fui forçado, diante do sentimento anti-semítico reinante entre meus condiscípulos, a assumir posição resoluta, como a do caudilho semita.” Quando ingressou na Universidade de Viena, onde viria a se formar em medicina em 1881, passou alguns vexames devido à sua condição de judeu pobre. Entretanto, sobressaiu-se pelo seu talento excepcional. Conseguiu distinguir-se em matéria de investigação fisiológica, com demonstrações notáveis, junto com seu mestre Ernesto von Brücke. Concluído o curso médico, tendo trabalhado algum tempo no Hospital Geral de Viena, resolveu em 1885, empreender uma viagem a Paris a fim de estudar com Jean-Martin Charcot, eminente professor e famoso por suas contribuições em matéria de doenças nervosas, que realizava experiências através do emprego do hipnotismo, demonstrando que as enfermidades corporais tinham origem no espírito da pessoa. Regressou a Viena e expôs as teorias de Charcot à Sociedade Médica local, mas foi recebido com chacota pela maioria dos médicos presentes. Um deles, porém, admitiu sua explanação. Tratava-se do seu velho amigo José Breuer, que já havia empregado com êxito a hipnose num tratamento de caso de histeria. Ambos, então, Freud e Breuer, se envolveram durante 9 anos no mesmo objetivo. Durante este período Freud realizou uma segunda viagem a Paris, para verificar “in loco”, aplicações realizadas com sucesso por Hipólito Bernheim. Contudo, depois disso, Freud abandonou o método hipnótico no tratamento das neuroses e resolveu seguir seu próprio caminho. Havia publicado, conjuntamente com seu mestre e colaborador Breuer, a obra “Estudos sobre a histeria”, no ano de 1895. Dispensa a colaboração de Breuer, naquele mesmo ano, e voltado para a concepção dos impulsos sexuais, publica um estudo intitulado “Neurose da angústia”, em que lançou ao mundo incrédulo as bases da doutrina da psinanálise, ou psicologia abissal, das “profundidades”. Consta que a psicanálise foi recebida com hostilidade e repugnância, e o próprio Freud com todo o desprezo. Mas ele não se deixou vencer pelo preconceito e continuou a labutar em seus objetivos, apesar das vicissitudes, e publicou incontinenti, as obras: “Interpretação dos sonhos” e a “Psicopatologia da vida cotidiana”, em que estabeleceu os conflitos criados pela “alma” humana. Estavam lançadas as bases da sua doutrina. Observe-se que em “Conceitos Básicos da Psicanálise – Um diálogo”, Freud escreve: “Não se esqueça do que disse certa vez o poeta-filósofo Schiller: “Enquanto a filosofia sublime/ Rege, supremamente, o curso do tempo/ O Mundo, seguindo o velho costume,/ Se move pela fome e pela paixão.” Fome e Paixão – são dois agentes poderosos ! Às necessidades do nosso corpo que estimulam o espírito à ação, chamamos impulsos instintivos.”” Finalizo o presente esboço modesto, com o simples intuito de atentar para o que Freud explica, não obstante a expressão corrente de surpresa, por vezes empregada: nem Freud explica. Até outra oportunidade... ________________________________ ======Cronista colaborador Publicado em 11 de maio de 2005 – no Diário de Canoas. – RS ==================EDITADO EM 6.4.2006+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ FORAS CAPAZ...============IALMAR PIO================. Deixarias que eu entrasse em tua vida assim sorrateiramente como chega um ladrão para roubar teu coração ? Quiseras que eu fosse alguém desconhecido de ti, diferente dos demais, e viesse para tua aceitação ?! Se assim o desejas e vives sem preconceitos, eu me apresento agora à tua contemplação, embora trazendo em meu ser mil defeitos próprios dos que amam ardentemente com tanta emoção ! Foras capaz enfim de projetares uma aventura louca que descortinasse um mundo que nem sonhas existir, e tivesses que enfrentá-lo, saturada de beijos em tua boca, e dos outros que falassem te pusesses a rir... Nós transporíamos todos os obstáculos possíveis e imagináveis e seriamos dois em um, como sói acontecer aos amantes, por assim dizer, enamorados e amáveis, que querem desfrutar juntos todos os instantes... ++++++++++++++++EDITADO EM 6.4.2006+++++++++++++++++++++++================== O ROMANCE PICARESCO DE FERNANDO SABINO ==========IALMAR PIO SCHNEIDER=========== No dia 11 do corrente faleceu o escritor Fernando Sabino, às vésperas de completar 80 anos de idade. Naquele dia procurei reler um dos seus livros, que adquiri no ano de 1984, quando veraneava na praia do Pinhal, hoje Balneário Pinhal. Foi em fevereiro. Lembro-me que lá conheci também o poeta e artista plástico Pedro Geraldo Escosteguy, de saudosa memória, sobre o qual já escrevi uma crônica quando seus trabalhos estiveram expostos no MARGS. Mas o livro em pauta, trata-se de o Grande Mentecapto, a história do Viramundo, que depois virou filme tendo como protagonista o ator Diogo Vilela. Aconteceu que o proprietário do Hotel Casino, onde me hospedava, um senhor uruguaio de meia idade, perguntou-me, vendo o livro, o que significava “mentecapto”, ao que eu lhe disse, é o Grande Louco. Ah !... concordou... Inicialmente, há o incidente do trem, em que Geraldo Viramundo – assim nomeado, numa de suas diabruras de menino, resolveu fazer parar a locomotiva, postando-se sobre os trilhos, com os bracinhos erguidos, enquanto seu irmão Bernardo, gritava: - Sai, Geraldo ! Sai ! Por sorte, depois do desespero do maquinista, a máquina parou. Abriu-se assim um precedente perigoso e outro menino, por apelido “Pingolinha”, filho do sapateiro Gervásio, resolveu fazer o mesmo. Só que dessa vez o trem não conseguiu evitar que a criança de uns 5 ou 6 anos, fosse esmigalhada. E desta maneira, o autor escreve, a tragédia, à pg. 24 do livro: “Uma hora mais tarde o sapateiro voltava pela picada, caminhando devagar, como um autômato, e seguido pelos outros como numa pequena procissão, a carregar nos braços, enrolado no próprio avental, o que restava do corpo do Pingolinha. Não via nada, olhos imóveis e saltados, não ouvia nada, embora os outros falassem baixinho com ele, tentando consolá-lo, tirar-lhe o filho dos braços”. A par de ser um relato, por assim dizer, cômico, principia trágico, o que poderia ser classificado de tragi-comédia. O romance é uma história picaresca, plena de lances hilariantes, que vai atraindo a atenção do leitor e chega-se a percorrer junto com o personagem aquelas cidades mineiras por onde ele passou. Prosseguindo, quando esteve no Seminário de Mariana, criou uma confusão dos diabos ao esconder-se em um confessionário e passar-se, ou melhor, ser confundido com o Pe.Tibério e ouvir a confissão da Vva. Correia Lopes, apelidada de Dna. Peidolina. Sem que se soubesse por que a história da confissão da viúva Correia Lopes, logo foi se espalhando por toda a cidade. Alguns moradores resolveram se postar em frente à sua casa a fim de desfeiteá-la, o que virou numa troca de impropérios. A cada um que lhe dirigia algum deboche ela respondia dizendo-lhes particularidades das relações que tivera com eles. Foi uma assuada geral. E o que dizer de quando engajado no quartel, no 4º pelotão da Cavalaria no Exército, o viramundo se afeiçoa a um cavalo com quem começa a conversar ? Não é meu intento aqui relatar o acontecido ao longo do relato das aventuras, por vezes constrangedoras, do mentecapto e sim apenas mencioná-las a fim de que se desperte o interesse para sua leitura. Nas próprias palavras do escritor que assim finaliza: “Pedindo licença aos leitores, gostaria de encerrar o meu trabalho com uma citação, no idioma original, de uma errata encontrada num livro de autor espanhol, a qual bem exprime o sentimento geral que procurei captar ao longo do meu trabalho: Donde leese por la fuerza de las cosas, lease: por la debilidad de los hombres.” Ao ensejo da aproximação da 50ª Feira do Livro de Porto Alegre, segundo ouvi dizer, vão prestar-lhe (ao autor falecido recentemente), uma justa homenagem por tudo que representou para as letras de nosso País. Poeta e cronista – E-mail: menestrel@brturbo.com Publicado em 27 de outubro de 2004 – no Diário de Canoas. +++++++++++++++++++EDITADO EM 8.4.2006------================================== QUANDO CHEGAR------Quantas vezes estive apaixonado/ por meninas em plena adolescência;/ hoje sofro a saudade do passado/ e deploro os embustes da existência.// Não fui bom e por isso a penitência/ desceu sobre meu crânio inveterado,/ meu destino padece eterna ausência/ do ser eleito agora e sempre amado.// Diviso no futuro um grande amor:/ há de vir belo, cálido, profundo/ e alojar-se em minh’alma agradecida/ em que haverá fantástico esplendor/ capaz de iluminar um meio mundo/ e muito mais, me prolongar a vida !---------=======IALMAR PIO==========================+++++++++++++++++++++++++++++++++++EDITADO EM 10.4.2006+++++++++++++++========================== ==================================================++++++ SOBRE A ESPERANÇA======== IALMAR PIO SCHNEIDER=========== O homem, ser racional, jamais deverá prescindir de alimentar este nobre sentimento que é a esperança. Desde sempre as grandes realizações da humanidade, foram forjadas a partir desta virtude capital das pessoas vencedoras. Não fosse assim, ouso afirmar, o fracasso constituiria a regra e a vitória só viria por acaso, aproveitando-me da máxima do Dr. Lair Ribeiro, e o seu "O Sucesso não ocorre por acaso", em seu famoso livro. Já disse o inigualável pensador Voltaire: "O homem é o único animal que sabe que vai morrer; triste realidade, mas, necessária, pois ele tem idéias." No contexto deste pensamento, encontro um motivo para acreditar de vez, que a esperança, esta palavra magica, é capaz de abrir as portas para o sucesso. Nos dias atuais, quando o desemprego – ouço, vejo e leio pelos meios de comunicação – desestabiliza a nossa sociedade, mister se faz crer em dias melhores, advindos da fé e da persistência. Todavia, o embrião, sem sombras de dúvidas, para que isto aconteça, há de ser a esperança. Outrossim, há não muito tempo, a datilografia era o caminho para se obter um emprego em escritório. Hoje, quero escrever, por oportuno, é a informática. Lá pelos idos do ano de 1984, compus o seguinte "Poemeto Qualquer" – Meus versos feitos de nada/ como de espuma ou de fumaça. / Uma criança à procura de um [ espelho quebrado/ justamente de manhã quando [ o sol já nasceu./ Aflição de quem se contemporiza/ como se estivesse ausente/ tonto num mundo à toa/ sacudido por quimeras [ incompreensíveis/ longe da vastidão dos pampas/ distante também do mar./ Esperando o quê, vivendo assim ?" Logo a seguir, escreveria os seguintes versos publicados no Bric-à-Brac da Vida, do antigo Correio do Povo, em 2 de fevereiro de l984: "Esperança – Quem no Mundo não tem o seu Calvário/ e a cruz para carregar; dize-me: "Quem ?!"/ O sofrimento embora seja vário/ não foge de ninguém...// Procura consolar-te no Sermão/ que Cristo proferiu na Montanha;/ na Terra tudo passa, tudo é vão/ e a sombra te acompanha.// Em toda a parte existe a Luz de Deus/ como a guiar pra sempre os passos teus/ e tua Vida, sendo amarga ou mansa/ deve Ter Esperança." Depois viriam os versos de "Vento do mar" escritos nas praias do Pinhal em 13 de fevereiro de 1984, assim: - Vento que sopras furibundo/ e vens meus sonhos despertar,/ as tristezas de todo o mundo/ parece que trazes do mar...// Ouvindo o lamento profundo/ sempre constante a marulhar,/ quedo-me triste, me confundo/ co’a voz misteriosa do mar...// Altas horas, cada segundo/ teimas o meu corpo abraçar,/ quando em reflexões me aprofundo/ para obter segredos do mar..." Todos eles, a meu ver, trazem uma angústia de quem cultiva um sentimento tão nobre qual a Esperança... Finalizando, quero fechar, com a frase lapidar, ainda que de pessoa humilde, mas vencedora, de nosso Acelino Popó de Freitas, ao ser entrevistado, após sua vitória na luta de boxe, que realizou nos Estados Unidos: - "Peço educação para o povo, pois é a educação que mata a fome". Assim, também, concluo, na esperança de Ter sido entendido. ========Poeta e cronista – e-mail: menestrel@brturbo.com ++++++++PUBLICADO EM 17.03.2004 NO DIÁRIO DE CANOAS - RS+++++++++++++++++++++++++++++===============EDITADO EM 14.04.2006++++============================= ALGUNS DOS MEUS VERSOS BÍBLICOS======== IALMAR PIO SCHNEIDER======== Ao ensejo de que está passando o filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, que narra as 12 horas da vida de Jesus, de sua prisão no jardim das Oliveiras ao martírio da crucificação, conforme resenha de jornal, quero transcrever abaixo alguns sonetos e poemeto que compus em idos tempos, a respeito do tema e indo até o Pentecostes, que será no próximo domingo: SONETO DE PÁSCOA// Jesus que ressuscitas neste dia,/ faze que todo o aflito coração,/ ontem triste, renasça na alegria/ e na esperança da Ressurreição...// Fizeste ver àquele que não via,/ com Teu sangue nos deste a Redenção;/ Tua Doutrina sempre ficaria/ nas "palavras que nunca passarão" !// E por que Teu amor foi o mais forte/ que o Mundo teve, permanecerás/ provando que também venceste a morte.// Filho de Deus, ó Cordeiro Pascal,/ aclara-nos e deixa-nos a Paz/ até voltares p’ra o Juízo Final.../ CANOAS (RS) - 22.04.84/ O R A Ç Ã O// Estou sentindo um sopro realmente,/ é a hora em que refrescas minha fronte/ e sou Tua flor erguida em alto monte/ a quem deste um aroma permanente.// O dia em que eu tombar murcha no chão/ recolhe para Ti todo o perfume/ para que eterno queime no teu lume/ incensando Tua plácida mansão.// Não o deixe extraviar-se em treva densa/ mas faze que ele sempre a Ti pertença/ co’a glória de servir-Te, e que somente/ um dia - não sei quando - em Teu louvor/ o odor retornará a mesma flor/ e Tu os guardarás eternamente. P Á S C O A // É Páscoa/ O sol brilhante me despertou/ Jesus ressuscitou/ e uma nova vida começa/ para a alegria do justo/ e contemplação do crente/ a Eternidade vista sem custo/ por um prisma diferente./ Soledade (RS) - 30-3-86// NUM DOMINGO DE PENTECOSTES // Repousa em minha fronte cismadora/ Espírito Paráclito de vida,/ embalsama em meu peito por agora/ a fúria de maléfica ferida.// Faze soar em minha voz sonora,/ a santa candidez que foi perdida/ nas águas desta luta pecadora,/ em que me achei - figura desflorida.// Sim, porque procurando frescas rosas/ naveguei sobre as ondas perigosas/ e fui coberto apenas por espinhos.// Repousa em minha fronte Santo Fogo,/ eu sou um jogador quebrado em jogo,/ eu sou alguém perdido em maus caminhos.// T R A I Ç Ã O// Perder-se num enorme labirinto/ sem achar a saída para a luz,/ percorrendo um caminho que conduz/ mais e mais ao recôndito recinto.// Ter que levar às costas uma cruz,/ e assim na escuridão ver-se faminto;/ não ter água, ter somente o absinto;/ não ter pão, ter somente pedra e pus.// Pensar que teve amigos, teve amigas,/ que lutou e cobriu-se de fadigas/ numa luta que não surtiu efeito;// e ser traído pelas próprias obras./ Tentar fugir em últimas manobras/ e finalmente perecer desfeito... IMANENTISMO// Estou sozinho sem ninguém que ria/ com o riso cáustico que desconsola.../ Não me apetece a doce coca-cola,/ nem a desconhecida companhia.// O riso que em meus lábios florescia/ em outras bocas atualmente rola,/ eu tenho a vida como a chata escola/ que freqüento sem gosto em cada dia.// Escutei por acaso: "Imanentismo/ é aquilo que se julga ser o mundo/ idéias que pra mim não são reais,/ pois quem segura a quem já cai no abismo/ por ter pensado que não era fundo/ e ver depois que não acaba mais?!...// ERA ATÔMICA// Floresciam meus anseios com demência/ quando senti que as forças me fugiam./ Ninguém me colocou a complacência,/ e os meus anseios doidos floresciam!// Vi homens preocupados com a ciência,/ e eles naturalmente não me viam./ Seria o fim, então, desta existência,/ ou os presságios que me falariam?...// Depois ficou escuro tudo... tudo.../ e mergulhado em trevas, nada vi!/ No entanto, senti em minha face/ os beijos de uma boca de veludo/ que me beijava em doido frenesi,/ qual uma mãe que o filho seu beijasse... _________________________________________________ Poeta e cronista - E-mail: menestrel@brturbo.com ======PUBLICADO EM 14.04.2004 NO DIÁRIO DE CANOAS - RS ======================================EDITADO EM 14.04.2006-========================================= UM AUTOR DE PESO E SUA OBRA=======IALMAR PIO SCHNEIDER=============== Ao abrir as páginas do livro A Vida de ANDRÉ GIDE (A crise do pensamento moderno), de Klaus Mann, tradução de Carlos Lacerda, edição de 1944, “Seção de Livros” da Empresa Gráfica “O CRUZEIRO” S. A., Rio de Janeiro, deparo-me com o seguinte pensamento: Todo homem leva em si a forma inteira da humana condição. – MONTAIGNE, e quero me lembrar por que adquiri esta biografia, pelos idos de 1950/60, nos tempos de estudante ginasial e científico. Encontro em Cours de Français, primeira série, do curso colegial, de 1960, dois textos do autor, sendo o primeiro Les Sources (As Fontes) e outro L’Eleveur de Poissons (O Criador de Peixes), extraídos das obras Les Nourritures terrestres (Os Frutos terrestres) e Les Nouvelles Nourritures (Os Novos Alimentos), e creio que foi deles que me despertou o interesse de conhecer o romancista, que nasceu em Paris em 1869 e faleceu em 1951. Desde muito jovem, dedicou-se à Literatura, tendo visitado a África do Norte, 1893-94, e regressado à França, passando pela Itália. Sua mãe faleceu, logo em seguida, em 1895, e ele desposou sua prima Manuela Randeaux e com ela realizou várias viagens à África. Depois disto, filiou-se ao comunismo, visitando a União Soviética em 1935; regressou decepcionado de seu passeio e abjurou a doutrina comunista. Consta que seus pais foram protestantes e ele foi simbolista em suas primeiras obras, sofrendo, entretanto, influência de Dostoievski e Nietzsche, tendo se engajado no individualismo. Seu estilo inserido em forma clássica, é, às vezes, simples, preciso e sóbrio. Suas principais obras são: Os Cadernos de André Walter; Tratado de Narciso,1891; Poesias de André Walter, 1892; Frutos Terrestres, 1897; Prometeu Mal Acorrentado, 1899; O Imoralista, 1902; A Volta do Filho Pródigo, 1907; A Porta Estreita, 1909; Dostoiévsqui; Coridon; Isabel, 1911; Os Subterrâneos do Vaticano, 1914; Sinfonia Pastoral, 1919; Se o Grão Não Morre, 1924; Os Moedeiros Falsos, 1925; Viagem ao Congo, 1927; Regresso do Chad, 1928; Escola das Mulheres; Ensaio Sobre Montaigne, 1929; Édipo, 1931; De Regresso da U.R.S.S., 1936; Retoques ao Meu Regresso da U.R.S.S., 1937; Diário, 1889-1939 e Diário, 1939-1942; Entrevistas Imaginárias; Teseu, 1946; Paulo Valéry, 1947; Notas Sobre Chopin; Francisco Jammes e André Gide; Correspondência, 1948; Folhagens de Outono, Antologia da Poesia Francesa, Paulo Claudel e André Gide: Correspondência, 1949. Traduziu obras de Pushkin, Guilherme Blake, José Conrad, Rabindranath Tagore. Adaptou ao teatro francês Antônio e Cleópatra, 1926, Hamlet, de Shakespeare, e o Processo, de Kafka. Conforme fui lendo o livro, foram aparecendo os pensamentos de diversos autores e do próprio André Gide, tais como: A fama é a soma de todas as incompreensões correntes acerca de um indivíduo. – Rainer Maria Rilke, e Por favor, não me compreendam tão depressa ! Renascer! Esquecer aquilo que os outros homens escreveram, pintaram, pensaram, aquilo que nós mesmos pensamos. Renascer. – André Gide. Sua extensa bibliografia está a demonstrar que o escritor navegou por inúmeros mares da arte literária, abrangendo poesias, romances, relatos de viagens, ensaios, teatro etc. Por isso que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1947. A par de haver publicado escritos sobre o instinto sexual, o que provocou escândalo e seu rompimento com amigos, 1925; também o fez sobre abusos da colonização francesa na África, o que agitou a opinião pública, tendo o governo nomeado uma comissão de inquérito. Suas obras foram colocadas no Index pelo Santo Ofício e condenadas pelo governo soviético. Pelo exposto, constata-se que o consagrado escritor francês suscitou inúmeras polêmicas sobre diversos assuntos. A tradução de sua biografia feita pelo não menos polêmico extinto jornalista brasileiro Carlos Lacerda, vem atestar a relevância do autor e sua obra entre os demais de sua época. Sempre requer melhor abordagem em seus tópicos. Poeta e Cronista Publicado em 30 de outubro de 2002 – no ========Diário de Canoas.=========EDITADO EM 18.04.2006======================================== O FUNDADOR DE CASAS DO POETA=========IALMAR PIO SCHNEIDER========= Foi lá pelos idos de 1982 que conheci o poeta e literato, Nelson da Lenita Fachinelli, o vulgo “operário das letras”, que por muitos anos preside e carrega em seus ombros o encargo de manter viva e atuante a Casa do Poeta-Rio-Grandense, cuja fundação nos remete ao longínquo 24 de julho de 1964. Residia por aquela época, o nobre companheiro, no Bairro Cristal, na rua Dr. Campos Velho, a “faixa preta”, ainda tão citada hoje em dia. Lembro-me que fui de táxi e ele me disse depois que não precisava fazê-lo por este meio de transporte, porque passavam por ali lotações e ônibus. Em todo caso não havia me dado conta disto e agradeci-lhe a informação. Bem que eu poderia ter economizado uns cobres. Naquele distante ano participei pela primeira vez de uma antologia organizada por ele, Trovadores do Rio Grande do Sul, de que participavam também outros nove consagrados poetas e que lançamos na Feira do Livro de Porto Alegre, em 13 de novembro de 1982. Foram dezesseis trovas, sendo a primeira: A trova é o verso que nasce/ de um coração sonhador;/ fica estampada na face/ de quem vive um grande amor ! E a última, ou seja a décima sexta, diz: O vento leva o meu verso,/ - afinal nada o detém -/ pelos confins do Universo/ e pra quem me queira bem. O que me leva a prestar esta homenagem é o sonetista que ele também demonstrou ser, notadamente pelos dois sonetos a seguir: “UM ROSTO DE MULHER--Nelson Fachinelli/Hoje estive relendo comovido,/as cartas que você mandou-me outrora/quando ainda sentia-me iludido/por quimeras que o tempo jogou fora.//É mesmo assim a vida... o tempo ido/não há aquele ser que não o chora,/embora o coração, nele ferido/tenha sofrido mágoas, hora a hora.//Nosso romance que durou tão pouco,/mas quase fez de mim um triste louco/teve bem um desfecho inacabado.//Por isso, que prossigo procurando/achar nas que, por mim, vivem passando,/um rosto de mulher, do meu passado !” E este outro, místico e em que lembra as reuniões do Cafezinho Poético, no Restaurante Dona Maria, na José Montauri, de tão saudosa memória: “QUANDO A MORTE CHEGAR...Nelson Fachinelli--/Quando a morte chegar em meu árduo caminho,/que venha sem alarde, sorrateiramente:/de olhos abertos vou aguardá-la, com carinho/como aquele que espera a amada, longamente...//Quando a morte surgir... hei de ir tão sozinho/tal como vim ao mundo - voluntariamente./Vou partir sem lamúria, bem devagarinho/como quem sabe que vai voltar novamente...//Quando eu me for... não quero, por favor, tristeza./Eu auguro uma longa ronda de beleza,/de quentes cafezinhos, poemas e canções.//Aos que eu feri, perdão, rogo por meus pecados,/aos que meu mal quiseram, estão perdoados,/pois só deve reinar Amor nos corações !” Mas esta é uma minúscula faceta do dinâmico poeta e trovador que tem se esmerado na fundação de diversas Casas de Poetas no Estado, inclusive há pouco tempo em nossa cidade de Canoas, juntamente com a presidente Maria Santos Rigo, batalhadora incansável na divulgação da cultura. Ele mesmo assim se define: “Tu dizes que eu sou da farra.../ puro engano, minha amiga:/ - eu canto como a cigarra:/ trabalho como a formiga !” Uma de suas trovas do livro Cantigas de Amor e Paz, diz o seguinte: “Sou herdeiro de Esperança/ num mundo que não é meu:/ - a minha única herança/ é a vida que Deus me deu !” – Ele assim se considera... Sua figura característica, percorrendo as ruas a carregar uma pasta e uma sacola de livros e convites e avisos, lembra um Dom Quixote enfrentando os moinhos de vento, a passear seu ideal aventureiro. Dir-se-ia um cavaleiro andante. _________________________________________________ Poeta e cronista - E-mail: menestrel@brturbo.com Publicado em 21 de julho de 2004 – no Diário de Canoas. – pg. 4(O POETA FALECEU EM 26 DE ABRIL DE 2006 APÓS DUAS SEMANAS DE HOSPITALIZADO DEVIDO A UM INFARTO, ELE SOFREU UMA PARADA CARDÍACA ). Publicado aqui em 29.04.2006.----------------------------------------------=========================== ================================================== ================================================== UMA REUNIÃO LITERÁRIA ===============IALMAR PIO SCHNEIDER ======== Aconteceu no dia 2 do corrente no salão térreo da Fundação Cultural de Canoas, às 17 hs., digamos, um conclave para tecer-se algumas considerações e bate-papo a respeito da literatura que se realizou em nosso município e o que se poderá fazer para a divulgação do livro. Compunham a mesa, os escritores Antonio Canabarro Trois filho, Tonito, presidindo-o, o Ir. Henrique Justo, Antonio Mesquita Galvão, Faustino Machado e o eminente patrono da 20ª Feira do Livro do Livro de Canoas, Prof. Francisco Dequi. Estavam presentes também, entre outros cultores das letras e artes, a presidente da Casa do Poeta de Canoas, Maria Santos Rigo, o presidente da Associação Cultural de Canoas, Francisco Trois, o presidente da Associação Canoense de Escritores Independentes, Henrique Martins de Freitas, os artistas plásticos Vinício Cassiano e Antonio José Giacomazzi, também poeta. Face ao que foi ventilado, chegou-se à conclusão, en passant, que há necessidade de aproveitar-se a mídia jornalística, televisiva e radiofônica para que as produções literárias e artísticas em geral do município sejam conhecidas e apreciadas pelos conterrâneos. Entretanto, para que isto se concretize há que se iniciar na base, ou seja, nos lares e na escola fundamental. O escritor Antonio Mesquita Galvão falou que lia os livros de Karl May, na juventude, pensando tratar-se de um escritor norte-americano, devido aos assuntos de seus livros, tratando de lutas entre pioneiros e índios, tais como Entre Abutres. Lembro-me que li do mesmo autor, Através do Deserto. Surpreso, ficou sabendo mais tarde que se tratava de um escritor alemão que nunca havia saído de sua terra, mas que era muito instruído. Aproveitei o ensejo para citar o nosso escritor romântico por excelência, José de Alencar, que nunca esteve no Rio Grande do Sul e escreveu o Gaúcho, que li, outrora, com muita satisfação. O Ir. Henrique Justo, disse que nossa literatura a respeito do município e cidade estão em Pequena História de Canoas, do saudoso João Palma da Silva e Noite do Quebra-Quebra de Walter Galvani. Leu, também, um poema que compôs à guisa de hino a Canoas, lá pelos idos de 1940, quando por aqui aportou. Muito inspirado, correto, enaltecendo a cidade que o acolheu. Digno dos melhores encômios é o que vem realizado o jornalista Antonio Canabarro Trois filho, quando está compilando as matérias jornalísticas publicadas nos periódicos de Canoas, desde o início, já existindo 12 volumes. Afirmou que continua publicando conforme as verbas disponíveis. É elogiável !... O professor Francisco Dequi discorreu sobre o ensino da Língua Portuguesa, que já não deve ser tão rigoroso e castiço e sim mais coloquial para que seja aceito e entendido por todos, no que concordo em gênero, número e grau. O escritor Faustino Machado, disse que a sua aprendizagem da Língua Portuguesa, muito se deve ao conhecimento de latim e análise sintática que teve a oportunidade de aquilatar em seus estudos, o que não deixa de ser uma verdade inquestionável. Muito mais foi dito e ventilado a respeito do tema, mas após duas horas de confabulação agradável, encerrou-se a reunião ou conclave literário como ouso batizar esse encontro. O assunto apenas começou mas podemos dizer que uma semente foi plantada. Resta dizer que iniciativas como esta devem se repetir para que os objetivos sejam atingidos. Até mais outra oportunidade... Cronista e poeta – E-mail: menestrel@brturbo.com =====EDITADO AQUI EM 02.05.2006=================================================================== DOCE CONFIDENTE-----Tu vens me visitar serenamente/ e te recebo emocionado e mudo,/ se soubesse que vinhas de repente/ eu teria arrumado a casa... tudo.// Vieste assim tão tarde mas contente/ do âmago de minh’alma te saúdo,/ preciso de uma doce confidente/ e tens na voz a maciez de veludo...// Nem outra houvera de querer agora,/ nestas noites românticas do outono,/ cheias de estrelas e que as leva a aurora.// Bem podes ver... eu vivo no abandono/ e o desespero que meu ser devora/ tudo me arranca, enfim... até o sono.----------======IALMAR PIO============== ==============================================================SONETO A CAMÕES------Majestoso Camões, o teu engenho/ aliado ao teu amor e à tua arte,/ há de ficar cantando em toda parte/ onde ao luso idioma houver empenho !// Eu que versejo humildemente, tenho/ em teus sonetos mágico estandarte,/ representando o nobre baluarte/ que consagrou o teu excelso gênio.// Hoje o verso sem métrica e sem rima/ já não levanta da epopéia o mastro,/ nem pela forma e suavidade prima:// mas “Os Lusíadas” canta heróico e forte,/ e episódio fatal de Inês de Castro:/ - A Rainha coroada após a morte !-------==========IALMAR PIO================== ===========================================================CÂNTICO TRISTE------“Vai devagar... não queiras muito; aos poucos/ alcançarás as tuas pretensões.../ Não te aventures em desejos loucos !”/ Assim falei com meus botões...// “O caminho que segues não tem volta,/ como também não voltam ocasiões:/ aproveita o que podes, sem revolta...”/ Assim falei com meus botões...// “Alimenta com muito amor teus sonhos/ embora já não tenhas ilusões,/ que eles te ajudam, mesmo que tardonhos...”/ Assim falei com meus botões...// “Depois desconsolado estava triste/ a compor meus poemas e canções,/ lembrando alguém que não me quer e existe...”/ E me calei com meus botões...------=========IALMAR PIO===================================================A PORTA QUE SE ABRIR...------Ouvindo a música suave e mansa/ eu passo as minhas horas solitárias.../ Que difícil manter uma esperança/ quando as próprias idéias são contrárias !// Como desejo ter uma mudança,/ nestas ocasiões, tão necessárias;/ penso na estrela que jamais se alcança/ e na desgraça que recai nos párias...// Entretanto, procuro não cair,/ porque os espíritos, enfim, reagem/ mesmo perante a mais feroz tristeza...// Espero pela porta que se abrir/ em meu destino e assim me dê passagem/ p’ra conviver com a sua beleza...-------===========IALMAR PIO================================================================EDITADO EM 02.05.2006 - ======================UMA SAUDOSA VISITA ==============IALMAR PIO SCHNEIDER=========== Após 23 anos, retornei à cidade onde vivi por mais de dois de minha existência. Quando fui para lá nos idos de 1978, consultei a Enciclopédia Brasileira Mérito – Volume 2 – pág. 95 e encontrei a romântica narração histórica, que me permito o luxo de aqui transcrever, dada à riqueza de detalhes, e por que não dizer, beleza de descrição: “Antônio Prado, Geogr. Cidade e município do Est. do Rio Grande do Sul, Brasil. Cidade, 2.036 hab.; município, 11.224 hab.; dois distritos (1-7-1950). Sup., 494 km2. Alt., 770 m. Lim.: ao N., Prata e Vacaria; ao S., Farroupilha e Flores da Cunha; a E., Caxias do Sul e Vacaria e a O., Prata, Veranópolis e Bento Gonçalves. Potam. Rios das Antas, da Prata, Leão, Tigre, Inferno, Jararaca, Coruja e Humaitá. Rodovias: Júlio de Castilhos, com 52 km, e Dr. Ernesto Alves, com 18 km. Dista da Capital 205 km. Escolas Secundárias. Hospitais. Associações esportivas, recreativas e beneficentes. Biblioteca Pública. Produz trigo, milho e uva. Indústrias vinícola e moageira. Madeira de lei e pinheirais. Criação de suínos. Hist. Estendida a colonização italiana, pelo Governo Imperial de Caxias, para o NE. do Estado, em 1885, foi delimitada a colônia da qual se originou este município. A primeira estrada foi aberta por Camilo Marcantonio, estabelecendo-se no seu percurso os primeiros colonos. Os desbravadores da região foram os irmãos Bursel, Lisinte e Anibale (que fizeram a derrubada) e os Sebben, Giacomo e Giovanni, que se estabeleceram no centro da floresta. Num barracão construído, em 1887, pelo Governo, foi celebrado o primeiro casamento na colônia, entre Giovanni Tergolina e Luígia Deluchi. Neste mesmo ano, foi construído, por Giovanni D’Ambros, o primeiro moinho hidráulico, às margens do arroio do Inferno; e Antonio Longo levantou a primeira casa residencial. Pertenceu ao município de Vacaria, sendo elevada a município em 11-2-1899.” Quero dizer que não resisti à tentação de copiar o texto acima, pois de outras cidades não encontrei com tanta propriedade de detalhes, como já me referi. É uma justa homenagem àquele povo hospitaleiro (meu amigo Reinaldo Pontel, principalmente, entre eles), que teve seu conjunto arquitetônico de 48 casas em madeira e alvenaria tombados pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1989, sendo considerado o maior acervo da arquitetura em madeira da imigração italiana no Brasil. Todavia, minha modesta homenagem se resume no seguinte soneto que compus naquela época: “Soneto à cidade de Antônio Prado – Aqui nestes penhascos e rochedos/ onde o imigrante audaz veio habitar,/ formando seus riquíssimos vinhedos/ e construir com fé seu novo lar,// existe a paz e o canto de arvoredos.../ - doce harmonia para meditar;/ e as estrelas envoltas em segredos,/ tiritando longínquas ao luar...// Desce a noite na calma dos caminhos.../ e quando surge a aurora no nascente,/ despertam a cantar os passarinhos,/ gorjeando sem cessar pela floresta;/ acalentando o coração da gente:/ - da natureza a matinal orquestra !...” Ou aqueles versos que fiz em certa tarde distante: “Poema ‘sui generis’ - As nuvens que passeiam pelo céu/ na serra da Encosta do Nordeste/ prenunciam a chuva que cairá.../ E na monotonia da tarde/ meu pensamento anda esparso/ nas horas diáfanas de um sonho/ ainda repleto de mocidade./ Se me encontro fatigado não tenho culpa,/ pois o labor cotidiano vai me levando os dias/ rumo a coisas concebidas e não realizadas.// A poesia, minha pobre amiga, acompanha-me os passos/ por onde vou caminhando na dúvida do porvir/ que segue seu destino vago./Meu verso como um pássaro a voar, voar.../ na distância procura algo no espaço.- Antônio Prado (RS) – Janeiro de 1980.” Cumpre-me encerrar a presente crônica, por assim dizer, poética, agradecendo à Susana, competente organizadora de nossa excursão do dia 24 de outubro p.p., às queridas companheiras de viagem (incluindo o motorista e o jovem presentes) e também à gentil guia turística Eliana Bernardi que nos orientou eficientemente na visita. Poeta e cronista – E-mail: menestrel@brturbo.com Publicado em 29 de outubro de 2003 – no Diário de Canoas. +++++++++============EDITADO AQUI EM 06.05.2006==================================================NOITES DE LUAR ==========IALMAR PIO============== Estou de novo só... mas conformado porque posso enfrentar a solidão, sem esquecer também que no passado derramei minhas lágrimas em vão. É preciso entoar uma canção que venha merecer o teu agrado, isenta de qualquer desilusão como se nunca houvesse soluçado. Eu olho os céus e como antigamente as noites têm estrelas e luar que me permitem outra vez sonhar; e não me sinto triste nem contente porquanto a vida agora é diferente: tenho a poesia para não chorar... ====================================================MÁRIO QUINTANA, O POETA MAIOR============IALMAR PIO SCHNEIDER============ No dia 5 de maio próximo passado, reverenciou-se a data do passamento do nosso poeta maior Mário Quintana, que ocorreu em 1994, portanto, há nove anos. Vem-me à memória que um dos primeiros poemas dele, de que tomei conhecimento, na minha adolescência, quando estudava o ginásio no Colégio Cristo Rei de Getúlio Vargas-RS, encontrado em uma revista cujo nome não me ocorre, mas que copiei em um caderno, na minha regular caligrafia cursiva daquela época, foi o seguinte: “NOTURNO – Não sei por que, sorri de repente/ E um gosto de estrela me veio na boca.../ Eu penso em ti, em Deus, nas voltas inumeráveis [que fazem os caminhos...// Em Deus, em ti, de novo.../ Tua ternura tão simples.../ Eu queria, não sei por que, sair descalço pela noite imensa.// E o vento da madrugada me encontraria morto [ junto de um arroio,/ Com os cabelos e a fronte mergulhados na água límpida.../ Mergulhados na água límpida, cantante e fresca de um arroio !” – Mário Quintana. Até hoje guardo o caderno onde retirei este poema Noturno e sei que outros poemas com o mesmo título foram escritos pelo poeta, mas este, repito, foi o primeiro de que tive conhecimento. Depois leria tantos outros versos e o que me encantaria foi o livro de sonetos “A rua dos cata-ventos”, que o poeta dedicou “A meus irmãos Milton e Marietta – Alegrete, Natal de 1938”, e que me inspiraria o SONETO A MÁRIO QUINTANA – Leio Mário Quintana e “A rua dos cata-ventos”/ me leva à infância de menino sonhador,/ quando inda não pensava em mágoas e tormentos/ que havia de sofrer ao procurar o amor...// Vejo os dias sem sol, frios e nevoentos,/ tal a “Londres longínqua” envolvida em palor./...”(tudo esquecer talvez !)”... os bons e maus momentos,/ as horas de alegria e também as de dor.// “A ruazinha” é tão calma e “sossegada”: agora/ minha imaginação ouve “canções de outrora”,/ e os “lindos pregões da madrugada”, me acordam...// Olho ao alto girar um cata-vento triste,/ parece ser assim o último que persiste/de todos que, os de minha infância, hoje recordam ! – 23-9-1983. Depois os anos foram passando e eu sempre lia os seus poemas em diversos livros, quase vinte, até o Baú de Espantos de 1986 e publicações em jornais no Caderno H. Hoje aí está a Casa de Cultura Mário Quintana, atestando que foi o poeta maior de nosso Estado e um dos mais importantes do País. Quando do seu falecimento em 5 de maio de 1994, compus os seguintes versos, reverenciando sua passagem por aqui – VERSOS “IN MEMORIAM” AO MÁRIO QUINTANA-*30-7-1906-+5-5-1994 – Evaporou-se a poesia,/ num momento de ansiedade,/ mas permanece a magia/ no templo da Eternidade...// A vida não foi vazia,/ cantando amor e saudade,/ e buscou na fantasia/ transformar a realidade !// E sempre viveu sozinho:/ o poeta passarinho !... – Canoas-RS, 7-5-1994. Quis escrever estas palavras de escriba de província, para mais uma vez rememorar o magnânimo bardo gaúcho que partiu há nove anos, mas que continua vivo nas obras que deixou e na Casa de Cultura que leva seu nome. Que a chama de sua poesia inebriante brilhe sempre para nós, seus admiradores ! Poeta e cronista Publicado em 14 de maio de 2003 – no Diário de Canoas.==========EDITADO EM 13 DE MAIO DE 2006 ======AQUI NESTE BLOG.=================== BADALAR DAS HORAS=========== IALMAR PIO SCHNEIDER=========== ¿A O B A D A L A R D A S H O R A S¿=========== Poesias DIVERSAS=========== - 3 - Aos meus queridos pais, mestres, irmãos e ami- gos ofereço com gratidão, meu primeiro livro de versos. ========IALMAR PIO SCHNEIDER===== Feito nas férias de julho de l960 PASSO FUNDO (RS) - 4 - AO BADALAR DAS HORAS Às badaladas do tempo, eu escrevo meus versos doloridos. São gemidos que me saem do peito nas horas de tristeza em que ele chora sozinho seus dissabores que doem dentro d ¿alma desvalida. Tu que lês as minha mágoas, talvez, também ao badalar das horas como as componho! Se estiveres triste, chora comigo, sê meu amigo, que juntos, chorando, o nosso pranto será (menos amargo. Se estiveres alegre, ri de mim como te convier. Ri de minhas dores, de minhas súplicas, de minhas lástimas, de minhas angústias, de minha vida desventurada e só. Eu sentirei-me (1) satisfeito, se depois de leres minha pálidas páginas, o sorriso te chegue aos lábios, ou os amargores (do pranto te firam os olhos. E então, terei uns momentos felizes ¿ AO BADALAR DAS HORAS ¿. Nota: ¿sentir-me-ei¿, seria o mais certo; mas por questão de ritmo preferi adotá-lo como está. ===========IALMAR PIO====================== - 5 - M E U V E R S O Meu verso é pranto do coração, que canta e canta, p¿ra não morrer. É vida! É morte! É consolação! É o soluçar do meu sofrer! Meu verso é tudo! Meu verso é nada! É dissabor! É solidão ! É uma vontade desventurada, de debruçar-me e beijar o chão. Meu verso solto, é paixão atroz que não sufoco de madrugada, e vem raivosa, como um algoz, me trespassar com sua espada. Meu verso é choro desabafado, do mais pungente, do mais feroz. É o murmurar desenganado que sai do peito, em rude voz. Às vezes branco qual uma garça. Já noutras preto e angustiado. Se tem verdade, também tem farsa, e sai pulando descadeirado. - 6 - Meu verso chora, meu verso canta, meu verso vive, meu verso passa. Meu verso arranca, meu verso implanta, meu verso apaga, meu verso traça. Meu verso é riso, meu verso é dor. É para mim uma quente manta, pois quando choro meu dissabor, ele me aquenta, ele me levanta. Canta, meu peito, que o verso é tudo em minha vida de sonhador. E se parares ficando mudo, eu morrerei já sem ardor. Meu verso eu tenho gravado em mim como o perfume de fresca flor. Meu verso eu largo pelo sem-fim chorando as penas do meu amor. Meu verso é o resto da minha vida. É a rosa linda do meu jardim. É a jóia rara que achei perdida no abismo enorme do frenesim. ==========IALMAR PIO============ - 7 - Q U E R O D O R M I R =========== Eu quero uma cama de falsas esmeraldas, para dormir um sono falso, e acordar cantando, num amanhecer como o de teus olhos deslumbrantes. Quero dormir para acordar ébrio de beijos. Quero ternuras dos teus sorrisos para depor meus lábios frios nos teus ardentes. Quero dormir e despertar na vermelhidão do arrebol dos teus lábios de carmim. Quero sentir a tua carícia ao amanhecer. ==========IALMAR PIO============ - 8 - F R E S C A R O S A ============ Fresca rosa, do jardim da vida. Luz nas trevas das noites escuras. Mar gostoso de amor e venturas. Afagos na dor incompreendida. Cor da figura descolorida. Sorrisos dos lábios e canduras que nasceram em feias negruras e vivem na beleza querida. Paraíso louco do suspiro. Sonhos, de quimeras que não nascem, mas por quem delirei e deliro. Antes de tu seres o que és, eu quisera que se espatifassem teus encantos doidos, aos meus pés. ============IALMAR PIO=============== - 9 - ÉBRIO, QUERO CANTAR; ============ Perfumes de lírios e de rosas embriagai-me ! embriagai-me ! que eu entontecido como um ébrio, na tontura de um beijo de fogo, cantarei, como um bardo da mata, livre dos grilhões de uma gaiola. Cantarei, ao compasso da dor, restos de esperanças e ilusões ocultos no túmulo do som. =========IALMAR PIO============= - 10 - T E U S O L H O S ========== Teus olhos, são duas pérolas engastadas no teu rosto. Quando olham são vidrados e com sombra de desgosto. Teus olhos, são dois brilhantes, e com tanta singeleza, enlouquecendo os amantes que morrem por tua beleza. Teus olhos, são duas safiras cheias de graça e frescor. São da cor linda do céu, têm brilho fascinador. Teus olhos, são dois rubis que eu não posso descrever. Só com eles sou feliz, sem eles é ruim viver. ==============IALMAR PIO---------==== - 11 - C O F R E D E M Á G O A S ========== A noite desceu, e nas alturas do céu, apareceram as estrelinhas, a piscar e a brilhar, como velinhas acesas na escuridão. Se puderes contar todas as estrelas no céu penduradas, então, saberás as penas que existem em minh¿alma guardadas. ==========IALMAR PIO============ - 12 - TUDO SERÁ EM VÃO ======== Deixa-me sonhando... Não quero mais saber do teu ingrato amor, mulher sem coração. Eu vivo solitário no mundo da ilusão mas pouco importa a mim, pois vivo p¿ra sofrer. Um dia tu chorarás por nunca me querer *, e ficarás penando sozinha em solidão! Minhalma passará te dando meu perdão pois mesmo se a desprezas te ama até morrer... Confiança nesta vida não posso mais eu ter pois fui abandonado, e quantos que não são, por ti minha querida que queres esconder com horas de alegria, a tua grande paixão. E podes ficar certa que quando eu fenecer, tu chorarás tristonha, mas tudo, tudo em vão. Nota: * Verbo mal empregado. Deveria ser ¿quereres¿, mas por questão de rima adotei-o assim. =============IALMAR PIO============= - 13 - DOCES VENTURAS ====== Para que eu possa descansar sorrindo, preciso um beijo da tua rubra boca e embriagado da ventura louca, serei feliz olhando o céu infindo. As minhas ilusões, irão partindo despojadas da antiga angústia rouca e a alegria que terei não será pouca: será um caminho florescido e lindo. Mas tudo isso, não passa de um só sonho traçado pela fala da ilusão que deixa-me morrendo de tristonho. Minha vida foi feita de amarguras, e os meus anseios doidos são em vão, olhando ao longe passar doces venturas... ============IALMAR PIO================ - 14 - F E L I C I D A D E ========== Te procurei em vão por tantos anos que já quase perdi toda esperança. Curtido pela dor e desenganos meu ser numa investida ainda avança. Nunca se realizam os meus planos... No entanto, guardo firme na lembrança, apesar dos tormentos tão insanos, de um dia viver feliz, a maior ânsia.* Meus olhos descarregam os seus prantos pouco importa que caiam em cascata, após eles com certeza virão cantos. Depois da tempestade vem bonança, e tudo poderá uma alma grata que anseia pelo bem que não alcança. Nota: * rima imperfeita. =========IALMAR PIO============= - 15 - Ó D I V A ========== Ó diva encantadora, não posso te esquecer! Sem teu amor, cantora, irei talvez morrer. Tua voz é tão canora, remédio p¿ra meu ser... És tão fascinadora, razão de meu viver. E se tua voz calar, a minha escutarás num fraco modular dizendo-te, querida, que vivo sem ter paz por que te achei na vida. ==========IALMAR PIO============== - 16 - C A N S E I R A ============= Cansei... estou irremediavelmente cansado... Quem me dera achar descanso qualquer dia! E dormir... dormir... dormir num sono feliz. Cansei... já não sou o que eu era... Foi-se a primavera que era em mim vida. Meus membros lassos, estão dormidos nos abraços de uma canseira sem fim... Quem me dera acordar e novamente adorar como adorei nos tempos atrás... Mas é que minha vida acha-se abandonada: sem forças, sem mais nada, sem alegrias, sem paz... ===========IALMAR PIO=============== - 17 - RELÓGIO DA MINHA VIDA ============= Tic tac tic tac... mais devagar relógio da minha vida ! Detém o tempo que o tempo é pouco e a vida foge... A tua batida é sempre a mesma já não agüento teu tic-tac... Eu sei que tu não me escutas, ninguém me escuta, se me escutasses eu te diria: Detém o tempo que o tempo é pouco e a vida foge. Ou então: Detém a vida que a vida é pouca e o tempo foge... Ao menos detém teu tic-tac que descarrega em minh¿alma, toda a carga da ilusão. Faze um esforço... Escuta, estou gemendo sem calma, estou chorando em vão... Nem tu, nem ela, não me escutam... ===========IALMAR PIO=========== - 18 - Se ela ao menos me escutasse eu lhe diria: - Dá-me um só pouquinho do teu amor. Dá-me um só carinho do teu calor. E se ela me desse o que eu pedi, a vida minha poderia fugir e teu tic-tac acelerar fazendo-me evaporar... - 19 - MEU CORAÇÃO BATE POR TI ============= Nas horas tristes quando o peito chora, minh¿alma solitária, amargurada, por tua recordação é maltratada e vive ainda só porque te adora. É grande a nostalgia que rememora tua face bela pela lua banhada, numa noite serena, embalsamada pela brisa que já não sinto agora. Meu ser chorando teu amor implora e de esperanças já sem quase nada inda te chama pois só em ti mora. Quando vem ressurgindo a madrugada, meu coração, que sempre em dor descora, se bate é só por ti, oh ! idolatrada ! ==========IALMAR PIO============== - 20 - S O N H A D O R ========== Sonhei que tu me amavas... Que mentira sonhei nesse tristonho coração ! Por ti vivo chorando de paixão e em febre louca meu viver delira. Bem sei que é ilusão a minha lira... Meu sonho, simples imaginação. Mas te ofereço a cálida canção, que meu peito não canta, mas suspira. E quando a noitinha vier chegando, e no horizonte o sol ir se escondendo, recorda-te de quem vive sonhando ! que eu sonharei contigo, minha flor... Recorda-te de quem vive sofrendo e dize: ¿Que me importa, é um sonhador !¿ =========IALMAR PIO============ - 21 - P E R D I D A ============ Que rosto corado ! Que face mimosa ! Que lábios de rosa ! Que amor perfumado ! Que seio encantado ! Que boca olorosa ! Que rúbida airosa ! Que corpo ajeitado ! Que vulto enlevado ! Que doida que goza ! Que vida ardorosa ! Que triste pecado ! Que ruim meu estado que vê a mariposa assim tão formosa de corpo enlameado no rio enlodado de sua perdição. ===========IALMAR PIO============= - 22 - E FLORESCEU A CANTIGA ============ A chuva regou a terra o milho cresceu viçoso... A chuva regou minh¿alma o sonho cresceu devasso... A chuva apagou o rasto da donzela lá na areia... A chuva apagou o canto encantador da sereia e floresceu a cantiga nascida por desencanto... ==========IALMAR PIO---------- - 23 - CONSOLO E MARTÍRIO ======== Que festival e que vida ! Todos estão a cantar, e no entanto, entristecida minh¿alma põe-se a chorar. Quem me dera ser feliz e poder viver contente.... Mas o destino me quis fazer assim descontente. Quanta festa ! Quanto amor ! Quanto gozo que seduz ! Também, depois, quanta dor quando se põe-nos à luz ! Querendo apanhar a rosa num frenesi de loucura, em nossa mão calorosa um espinho pica e fura. Por isso, detrás da alegria destes prazeres mundanos, achamos melancolia de mais cruéis desenganos. Sigo aflito meu caminho pela estrada do delírio. Acho consolo no vinho e nele mesmo o martírio... ============IALMAR PIO============ - 24 - MANDEI-LHE UM BEIJO =========== Mandei-lhe um beijo, querida, que tirei do coração. E você me disse então que ele foi quase sem vida. No entanto, p¿ra mim, querida, o beijo do coração quando dei-lhe, foi então, pedaço de minha vida. E agora minha querida ponha a mão no coração, e mande-me um beijo então p¿ra florescer minha vida. E fique certa, querida, que o beijo do coração que você mandar-me então não deixo fugir sem vida. Há de sempre estar, querida, dentro deste coração como sustendo-me então dentro do mundo, com vida. ===========IALMAR PIO============= - 25 - SÓ VOCÊ ME SALVARÁ ========== Estou irremediavelmente muito apaixonado por você, querida, que depois de pôr luz em minha vida pôs-me ainda no caminho dissoluto. Veja lá se pode minh¿alma perdida tirar deste caminho assim poluto, me levando pelo terreno enxuto de uma estrada não suja, mas florida. Só você é capaz de tal mudança pois agarrado na sua rica trança eu seguirei contente na jornada. Veja lá se tem forças p¿ra arrancar esta flecha pungente a me sangrar no dolorido coração cravada. ==========IALMAR PIO============== - 26 - L Í M P I D A F O N T E =============== Límpida fonte, de águas azuis como os teus olhos cercados de luz, dai-me de beber que eu tenho sede... Muita sede ! Bastante sede ! Sede insaciável ! Dai-me de beber os beijos de vossas águas que eu tenho sede de esquecer as mágoas... Dai-me de beber, límpida fonte, que eu tenho sede escondida dentro de mim. Eu sou um seco jardim à espera de vosso carinho para renascer... ============IALMAR PIO============= - 27 - LEVANDO A CARGA DE NOSTALGIAS ================ Apagou-se o sorriso que florescia nos meus lábios ( outrora... Ficou noite a aurora que eu tinha deslumbrante nos meus olhos. Meu caminho que era juncado de flores agora está juncado de abrolhos e eu sigo por ele amargurado de dissabores. Vou arcado como quem carrega um mundo inteiro nos ombros... Minha amargura não sossega e caminho coberto por escombros da sufocante ausência que tenho da passada existência. Caminho abatido, cambaleante, como um pássaro ferido... Sigo triste, sem alegrias, levando dentro de minh¿alma uma carga imensa de nostalgias que me sufocam e me fazem perder a calma ! ============IALMAR PIO============ - 28 - P O R Q U E ? ============ Por que tamanha dor num pobre homem ? Por que fadigas, tristezas imensas ? Por que mágoas malditas que consomem ? Por que na lira lágrimas suspensas ? Por que cantos tristes que no ar se somem ? Por que dissabores nas cordas tensas ? Por que de ser ditoso tanta fome ? Por que ? se tudo, tudo é desavenças ? Por que viver c¿oa palidez nos olhos ? Por que sentir o coração pulsar ? Por que seguir no meio dos abrolhos ? Por que querer se a vida não quer dar ? Por que se levantar da morte dos escolhos ? Por que sonhar ? por que sofrer ? por que chorar ? ===========IALMAR PIO============= - 29 - QUANDO TUDO SERENAR ============ Quando terminarem os meus delírios estes martírios que me maltratam constantemente, parecer-me-á ter passado o sofrimento, e então virá alguém feio como a morte que me levará sem pena para onde não sei. Eu irei esperneando e chorando que embora viva sofrendo quereria ficar vivendo no meio dos martírios e delírios que me afligem constantemente. ===========IALMAR PIO=============== - 30 - NÃO TE AMO MAIS =========== Teus olhos já não me seduzem mais. Teus gestos não tocam-me o coração. Quando formosa pela estrada vais Não sinto amor por ti ! Não sinto não ! Quando jurei-te juras eternais, não quiseste escutar minha canção. Pouco me importa. Arrependida estás, mas os dias que eu te quis já longe vão. Tu sofres ? Eu sofri também, e muito. Meu ser se transformou. E me pergunto, por que te adorei com loucura outrora ?! Talvez, foi por paixão ! Quem sabe aquilo foi encantamento. Resta um sigilo nisso tudo, que dói e me devora. ===========IALMAR PIO=========== - 31 - D E S P E D I D A ========== Aqui terminam meus cantos cheios de dor e amargura depois de chorar meus prantos vou cantar ao som da lira outras cantigas magoadas como rosas desfolhadas pelo vento que suspira ! ==========IALMAR PIO============ Í N D I C E 3 - Dedicatória 4 - AO BADALAR DAS HORAS 5 - Meu Verso 7 - Quero dormir 8 - Fresca Rosa 9 - Ébrio, quero cantar 10 - Teus Olhos 11 - Cofre de Mágoas 12 - Tudo Será em Vão 13 - Doces Venturas 14 - Felicidade 15 - Ó Diva 16 - Canseira 17 - Relógio da Minha Vida 19 - Meu coração bate por ti 20 - Sonhador 21 - Perdida 22 - E floresceu a cantiga 23 - Consolo e Martírio 24 - Mandei-lhe um beijo 25 - Só Você me Salvará 26 - Límpida Fonte 27 - Levando a Carga de Nostalgias 28 - Por que ? 29 - Quando tudo serenar 30 - Não te amo mais 31 - Despedida ==========IALMAR PIO=========== BADALAR DAS HORAS [editar] Últimos 5102550 posts Posts deste dia: « janfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez 200120022003200420052006 » S M T W T F S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Posts que contém: ===================EDITADO AQUI EM 16 DE MAIO DE 2006 - ============================================= ====================================================www.menestrelsemjuizo.blogger.com.br QUER CONHECER MEU BLOG ? É ESTE –AGRADEÇO —HÁ ALGUMAS CRÔNICAS E POESIAS========== UM SONETO ARDENTE=========== Beijar-te os lábios num delírio mudo, prender-te toda nos meus fortes braços, amar-te num amor sincero e rudo, depois cantar-te nos meus versos lassos. Cantar a sensação dos teus abraços quando por ti das dores me desnudo, fazer das ilusões mil estilhaços, estar feliz atrás do flóreo escudo que ostentas em tua alma virginal, era trilhar a estrada da ventura num sonho límpido e descomunal e achar a fonte cristalina e pura que torna o coração sempre jovial e os nossos males mais profundos cura. _______________________ ============IALMAR PIO--=========== _______________________ PÁG. 14 - O TIMONEIRO - CANOAS, 30.9.83 _______________________________________________________________________ ============================= __ S O N E T O A F L I T O ===============IALMAR PIO=========== Quisera aqui deixar escrito de passagem aquele enlevo que nos uniu num momento; depois tomaste um rumo e seguiste viagem como quem parte, assim levada pelo vento... Hoje procuro ouvir na tênue voz da aragem um suspiro talvez; ou quem sabe um lamento emitido por ti, tal qual uma mensagem que me permita, enfim, lograr o meu intento... Mas vão-se as estações: inverno, primavera, verão e outono; e ainda estou sozinho e triste, na aflição infernal de quem sofrendo espera... Se ouvires, por acaso, um pássaro canoro entoar uma canção que tu jamais ouviste, recorda-te que ao te lembrar ainda imploro ! PÁG.11 - O TIMONEIRO - CANOAS, 4.3.83 _______________________________________________________________________ ESPERA SONETO DA =============IALMAR PIO=============== O que me falta nesta vida, penso... são uns carinhos sempre desejados. É ter, enfim, um forte amor imenso que contenha recíprocos agrados. Pois assim cada vez mais me convenço quanto sofreram os desenganados e como foi triste o caminho extenso dos que viveram sempre abandonados. Uma esperança ainda me seduz nestes momentos em que logro vê-la cercada de resplandecente luz. E meu olhar a fita ansiosamente como quem busca na distante estrela um lenitivo ao que sua alma sente... Canoas, 06 de junho de 1985 - RADAR- Pág. 12 _______________________________________________________________________ AS NOITES SEM VOCÊ As noites são infindas sem você e me pergunto: Agora o que será de quem amou-a tanto e não a vê e pensa que jamais a esquecerá ?! Triste infeliz daquele que não crê: sem esperança como esperará ? Menos perdido quem não sabe o que lhe reserva o caminho que virá ! Ambos, no entanto, sofrem amarguras: (quem pode ler as páginas futuras ?!); pois um tem a descrença, outro a incerteza... Eu que tenho em meu ser os dois tormentos preciso seu amor nestes momentos em que mergulho na maior tristeza !... ==============IALMAR PIO============== Pág. 14 - O TIMONEIRO - Canoas, 01-3-85 =================================== SONETO DO AMOR SINCERO ==============IALMAR PIO============ Não esperes do amor outra ventura do que aquela que te fará ditosa, mas aproveita tua formosura antes que murches como murcha a rosa. Também não vivas simples aventura, pois a existência é rápida e enganosa; o tempo que perderes não tem cura, nem mesmo vale a pena ser vaidosa. Ama quem te ama com sinceridade e nunca te arrependerás, então; porque só podes ter felicidade junto de alguém que te deseja e quer, por quem sentes bater teu coração nos sonhos que te fazem ser mulher. Canoas, 14 de março de 1985 - RADAR - Variedades - pág. 9 _______________________________________________________________________ DA CONDIÇÃO HUMANA ===========IALMAR PIO=========== Jamais eu te direi que estou feliz e me reservo agora este direito de sofrer por aquilo que não fiz, pois este é o meu destino e assim o aceito. Não quero que me julgues satisfeito e nem tampouco um mísero infeliz, o meu caminho embora seja estreito tem amplitudes que sonhei e quis. Se desejarmos merecer a vida profundamente além da concebida iremos naufragar em dissabores... Por isso aonde eu for e aonde fores não é preciso conseguir extremos: sejamos o que somos e seremos... Pág. 16 - O TIMONEIRO - CANOAS, 28-6-85 ======================EDITADO AQUI EM 20 DE MAIO DE 2006 ============================================ ================PE. ROBERTO LANDELL DE MOURA, CIENTISTA E PENSADOR ====================IALMAR PIO SCHNEIDER============== Faz parte de minha modesta biblioteca, um livro que considero uma preciosa obra, a respeito de um eminente inventor brasileiro, que foi muito incompreendido e, por que não dizer, injustiçado, em sua época que não faz muito tempo passou. Trata-se de O “Incrível” Padre Landell de Moura - história triste de um inventor brasileiro, de Ernani Fornari, consagrado poeta gaúcho. Esses dias, ainda passei por ali, onde nasceu em 21 de janeiro de 1861, no centro da cidade de Porto Alegre, “na então Rua de Bragança, hoje Marechal Floriano, numa casa que fazia esquina com a antiga Praça do Mercado. Consta que foi batizado, conjuntamente com sua irmã Rosa, a 19 de fevereiro de 1863, na Igreja do Rosário, de cuja freguesia, anos mais tarde, e até ao falecer, viria ser o vigário. Era ele o quarto de doze irmãos, sendo seus pais o Sr. Inácio José Ferreira de Moura e D. Sara Mariana Landell de Moura, ambos descendentes de tradicionais famílias sul-rio-grandenses”; conforme seu biógrafo à pg. 32. Começou seus estudos no Colégio dos Jesuítas, em São Leopoldo, terminando o curso de humanidades, diz-se que “todo ele com excepcional brilhantismo”, por volta de 1879, quando transferiu-se para a Corte, “onde, segundo uns, se matriculou na Escola Politécnica, e, segundo outros, se empregou num armazém de secos e molhados, como caixeiro de balcão”. Há controvérsia a este respeito. Todavia, por influência de seu irmão Guilherme, que o visitou, no Rio de Janeiro, de passagem, e que ia seguir a carreira eclesiástica em Roma, despertou-lhe a vocação de seguir também o sacerdócio, o que, inclusive, era o sonho de seus pais. Como prossegue seu citado biógrafo, ipsis litteris : “Homem de resoluções prontas e firmes, Roberto segue imediatamente para Roma, em companhia do irmão. Ali ingressa no Colégio Pio Americano, e passa, concomitantemente, a freqüentar a Universidade Gregoriana, na qualidade de aluno de física e química, para o estudo de cujas matérias manifestara, desde criança, a mais pronunciada inclinação”. Foi o inicio do seu desiderato rumo às invenções que realizariam e que seriam patenteadas pelo nosso genial patrício pelo Governo dos EE. UU., no distante ano de 1904, em virtude de pedidos por ele apresentados em 1901. O primeiro foi o Telefone sem fio, cuja Patente, tem o n.º 775.337. Depois vem o Telégrafo sem fio, através das Especificações que formam parte da Carta Patente Nº 775.846. Finalmente, o Transmissor de ondas, com especificações que formam parte integrante da Carta Patente N.º 771.917, datada de 11 de outubro de 1904 – requerimento de 9 de fevereiro de 1903 – Série N.º 142.440. Tentei resumir o máximo, pois para conhecer-se as invenções, há que conhecer-se os relatos do seu biógrafo Ernani Fornari, que às pgs. 86 e 87 de sua obra, assim se expressa, com justa indignação: “E Monsenhor Roberto Landell de Moura, o pioneiro escarnecido, o precursor negado, o esquecido inventor brasileiro, morreu anonimamente, aos 67 anos de idade, no dia 30 de julho de 1928, num modesto quarto da Beneficência Portuguesa, de Porto Alegre, cercado apenas por seus parentes e meia dúzia de amigos fiéis e devotados. Quanto a seus inventos e descobertas, esses andam aí pelo mundo fora, a fazer a glória de uns e a prosperidade de outros. Como pôde ser isso? Responde a essa pergunta o próprio Monsenhor Roberto Landell de Moura, através da citada entrevista concedida, em 1924, ao jornal de Porto Alegre, Última Hora: “- Os americanos, decorridos aos 17 anos de prazo a lei das Patentes, puseram em execução prática as minhas teorias. Não sou menos feliz por isso. Eu vi sempre nas minhas descobertas uma dádiva de Deus. E como, além disso, sempre trabalhei para o bem da humanidade, tentando, ao mesmo tempo, provar que a religião não é incompatível com a ciência, folgo em ver hoje realizado, na prática utilitária, aquilo que foi o meu sonho de muitos dias, de muitos meses, de muitos anos.”” Isto posto, cabe-nos interpretar apenas com humildade a altivez dessa alma generosa de um dos nossos mais importantes inventores. E concluir com suas próprias palavras: “O concurso de Deus, pois, é a suprema lei que rege, governa e conserva o Universo.” Cronista e poeta – E-mail: menestrel@brturbo.com Publicado em 02 de março de 2005 – no Diário de Canoas. ======================================================================================================EDITADO AQUI EM 30 DE MAIO DE 2006================ É HORA DE CONTINUAR... =============IALMAR PIO SCHNEIDER=============== No limiar de um ano-novo, surge-me à mente lembranças quase esmaecidas de um caminho andado, às vezes áspero, às vezes suave, nem tanto. Dizem que uma pessoa nunca passa num mesmo rio, em igual lugar, por duas vezes, considerando que as águas sempre estão rolando rumo ao mar. Acontece que o ciclo não pode ser esquecido. Tenho lido e ouvido nos meios de comunicação, que o desemprego é um flagelo que continua assolando a sociedade nas classes mais sensíveis. E o que falta para que seja debelado ? Com certeza, falo de cadeira, que é o preparo das pessoas que pleiteiam colocação, bem como melhor desenvolvimento econômico em nosso país. Em suma, mais ensino orientado em todos os níveis. Relato minha simples e vulgar história, agradecendo aos meus pais por terem me encaminhado desde cedo aos bancos escolares, em escola de freiras, apesar de muito sacrifício de sua parte, no sentido financeiro, mas tudo superável com a boa vontade deles e minha também, e que Deus tanto nos ajudou, nesta empreitada. Por sete anos seguidos, dos 6 aos 13, estudei no Colégio Pio XII, de Sertão, em que por não haver ainda ginásio, cursei até o 6º ano, como se chamava naquela época, uma revisão para os exames de admissão. Mas foi naquele último ano que uma idéia luminar de meus genitores, proporcionaram-me o aprendizado de datilografia que depois me levaria ao primeiro e definitivo emprego no Banco do Brasil, aos 18 anos de idade. Até hoje conservo o diploma que consegui, obtendo o 2º lugar, em exame realizado em minha vila natal, pelo saudoso Ir. Cipriano, marista do Colégio Cristo Rei de Getúlio Vargas, para onde depois me encaminharia a fim de cursar o ginásio. Lá trabalharia de garçom e na secretaria do colégio, preencheria as fichas de notas escolares uma vez que era bom datilógrafo. Assim concluí o curso ginasial, trabalhando e estudando... Valeu-me o preparo. Escrevo isto agora, após ler O Sucesso não Ocorre por Acaso, do Dr. Lair Ribeiro, no intuito de lançar uma opinião singela de quem já viu se concretizar um objetivo seguindo este lema. Tal livro ainda não havia sido escrito, é claro, mas nunca deixa de ser válido. Se eu não tivesse me preparado pouca chance teria no concurso do Banco do Brasil mais tarde, pois obtive 98 em datilografia o que me guindou a ser classificado para o cargo. Devo dizer que estava fazendo o curso científico e o técnico em contabilidade, ao mesmo tempo, no Colégio N. Sra. Da Conceição, em Passo Fundo, a par de trabalhar ainda de garçom e na secretaria do colégio. Iria estagiar em Cruz Alta e após assumir em Soledade, onde permaneci por mais de 5 anos, tendo sido fiscal da carteira agrícola do Banco, e de onde saí para vir a Canoas que foi a cidade onde mais tempo residi em minha vida. Aqui permaneci por mais de 20 anos e também me formei em advocacia nas Faculdades Integradas do Instituto Ritter dos Reis, hoje UniRitter, para a qual obtive o 2º lugar nos exames vestibulares e de que conservo as mais gratas recordações. Estou pensando em voltar e prosseguir estudando alguma novidade que, segundo me consta, vai estar disponível em março vindouro naquele exemplar estabelecimento de ensino. É preciso acreditar para conseguir... Uma trova de minha lavra: “O poeta é um visionário,/ mas quanta verdade encerra:/ mesmo sendo um solitário,/ ele abrange toda a Terra”. Todavia, o que me induziu a discorrer no assunto, foi o desemprego que assombra nossa sociedade e quero concitar aos que me lêem e precisam, que se preparem, notadamente, hoje em dia, no estudo da informática, com todo o empenho e o quanto puderem, que vem a ser, a meu ver, a datilografia de antes. De resto, em todas as profissões há necessidade de dedicação e aperfeiçoamento para que se obtenha resultado satisfatório em qualquer empreendimento. Que esse novo ano nos desperte a motivação para conseguirmos realizar nosso desiderato aqui ! Tudo, enfim, é perene evolução ! Cronista e poeta – E-mail: menestrel@brturbo.com Publicado em 07 de janeiro de 2004 – no Diário de Canoas. ===================EDITADO AQUI EM 4.6.2006===================================== COMEMORAÇÕES DE JUNHO e OUTROS ASSUNTOS ===============IALMAR PIO SCHNEIDER================ Por ocasião das Festas Juninas penso escrever algumas linhas sobre o assunto. De fato, constituem tradições arraigadas em nosso povo que as cultuam com muita dedicação. Há poucos dias comemoramos o dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, tão estimado de todos. Lembro-me que em minha terra, alguns acendiam-lhe fogueiras, mas é sempre consagrado à distribuição de pãezinhos. Amanhã é celebrado o dia de São João - data do aniversário de minha filha Ana Cristina, à qual envio um carinhoso abraço, desejando-lhe muitas felicidades - que realmente é o santo das fogueiras e festanças caipiras. E por falar nisto, o nosso Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comemorou seus 30 anos de casamento com uma festa caipira muito concorrida na Granja do Torto. Apesar de algumas críticas a respeito do evento, não vejo nada de mais. Afinal, vem das camadas humildes a sua ascendência. O que me causa estranheza é a sua luta pra não elevar o salário mínimo, contrariando todas as suas antigas convicções e a luta por melhores condições de vida aos trabalhadores deste país. Mas esta já é outra história que já tem dado pano pra muita manga. A queda de braços continua no Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados para o Senado e vice-versa e quem fica na expectativa é o proletário e o aposentado que amargam a espera... O que deve haver é um combate acirrado contra a corrupção e fraudes no tocante à Previdência Social, a fim de que se destinem as verbas necessárias e imprescindíveis à saúde pública que agoniza pela falta de recursos. Esses dias assisti, estarrecido, a manifestação de uma senhora idosa doente sentada em uma cadeira num hospital à espera de um leito. Ela disse que preferia ir para casa morrer a permanecer ali naquelas condições. A que ponto chegamos ! Alguém tem que fazer alguma coisa, e este alguém, quem será a não ser o governo eleito pelo povo brasileiro profissão esperança. Enquanto isto vai se prometendo mais verbas pra incentivar o esporte que sofre uma crise econômico-financeira em face dos países europeus e agora asiáticos que levam nossos jogadores a preço de ouro. Ainda agora está prestes a ser negociado o Cristian do Grêmio, com a Coréia. E o pior é que ninguém pode retê-los aqui, pois os salários oferecidos por lá são proibitivos a qualquer clube daqui, apesar de ganharem bem. Comemoremos as Festas Juninas e pulemos as fogueiras que ao menos nos custam mais barato. Ainda temos a data de 29 do corrente, em que celebramos São Pedro e São Paulo e em algumas localidades, como era o caso de minha aldeia natal, também com fogueiras. Ocorre-me lembrar que São Pedro é o Padroeiro de nosso Estado e vamos pedir seu olhar benigno para estas plagas. Festejemos com muita dança, pinhão, amendoim, quentão, mas cuidemos pra não nos lastimarmos, quero dizer, ferirmos com queimaduras de fogos de artifícios, notadamente os traiçoeiros foguetes. Que a alegria e a paz permaneçam em nossa querência como verdadeiro apanágio de um futuro promissor. Tenhamos confiança ! ____________________________________________________ Cronista colaborador - E-mail: menestrel@brturbo.com EDITADO AQUI EM 23 DE JUNHO DE 2006==============================================PUBLICADO NO DIÁRIO DE CANOAS - RS================ ======== UMA ASSOCIAÇÃO QUE FAZIA FALTA ==============IALMAR PIO SCHNEIDER================ Eis que surgiu e veio a calhar, sanando uma lacuna, uma sociedade que faltava em nosso Estado: é a AGEI – Associação Gaúcha dos Escritores Independentes, que é uma entidade sem fins lucrativos, e que reúne escritores gaúchos ou radicados no Rio Grande do Sul, que produzem suas obras independentes, isto é, que não mantêm nenhum vínculo contratual com qualquer editora de grande porte do Brasil ou Exterior. Entre outras atribuições pertinentes, visa auxiliar o escritor a produzir sua obra, informando todos os passos necessários para a produção de um livro, tais como: - indicação de profissionais para digitação, editoração, ilustração e revisão; - encaminhamento para catalogação na fonte; - registro dos direitos autorais; - registro no ISBN – Código de Barras; - indicação de gráficas com menor custo e boa qualidade; - organização da sessão de autógrafos; - auxílio no lançamento do livro; - indicação de contatos ligados aos meios de comunicação; - indicação de livrarias e distribuidoras. Outrossim, oferece ao associado, a oportunidade de participar em Feiras do Livro da Capital e Interior, como segue: - Atividades em Feiras Escolares para apresentação do seu trabalho; - Exposições Literárias com cartazes da capa do livro, sinopse e biografia do autor; - Cursos variados; - oficinas literárias; - palestras com escritores experientes; - Saraus Poéticos; - participação no Jornal da AGEI; - participação na Coletânea de poesias, contos e crônicas da AGEI; - dicas de concursos literários; - venda de livros na Sede; - venda de livros para escolas e empresas; - divulgação do livro no site da AGEI. A sede atual da AGEI – Associação Gaúcha dos Escritores Independentes foi inaugurada em 13 de julho de 2002, Sábado, às 18 horas, com sorteio de brindes diversos, bebidas e salgadinhos e com Sarau Poético dos Escritores, no mezanino do TEAR – Espaço Cultural, também destinado a eventos particulares, como aniversários e outros similares, localizado na rua Gen. João Telles, nº 570 – Bairro Bom Fim – Porto Alegre – RS – CEP 90035-120 – Fone/Fax: (51) 3023-3027 – celular (51) 91.777.901 – E-MAIL: marciamodu@globo.com Atualmente vai de vento em popa, sob a direção da jovem e dinâmica presidente Márcia Momo Duarte, auxiliada pelo vice-presidente Luiz Henrique Muniz Piassum e demais membros da diretoria, conselho, assessoria de imprensa, assessoria de marketing, assessoria de divulgação. Não poderia deixar de mencionar aqui, o esforço e a persistência do 1º presidente e hoje 2º tesoureiro Miguel Pretel Schaff, que foi o idealizador vitorioso desta Associação, agora uma realidade presente em nosso meio cultural. Finalizando, informo a todos os autores de boa vontade (poetas, escritores, filósofos) independentes, que se enquadrem dentro das normas desta Entidade, e que queiram ver suas obras publicadas e divulgadas, a procurar o endereço acima, a fim de se inteirarem a respeito do assunto com mais propriedade. “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”, já dizia o grande poeta português Fernando Pessoa. E esta associação, a meu ver, está contida neste lema de conteúdo admirável. P.S: O Ialmar agradece à professora Margaret R. Godoy pela crônica aqui publicada em 13.09.02 e promete comentar o assunto em seu próximo artigo. Cronista e poeta Publicado em 18 de setembro de 2002 – no Diário de Canoas.-RS. =======EDITADO AQUI EM 28 DE JUNHO DE 2006=======================================================O FOLCLORE GAÚCHO =============IALMAR PIO SCHNEIDER================ Aqui no Rio Grande do Sul, o folclore, considerado como ciência do povo, termo que foi pela primeira vez empregado pelo arqueólogo inglês G. J. Thoms, originando-se de Folk, povo, e lore, ciência, em 22 de agosto de 1846, portanto, há cento e cinqüenta e dois anos passados, é sobremaneira cultuado, notadamente nos Centros de Tradições Gaúchas, já difundidos, segundo me consta, por vários estados do país e até no exterior. O que mais impressiona é o amor ao torrão natal, ao pingo, à china, que o gaúcho demonstra onde quer que se encontre, e deixa extravasar através de versos e toadas nas tertúlias e fandangos galponeiros. Seja no pontear de um violão, cantando uma milonga, ou no toque de uma cordeona ou bandônio, num xote bem largado, é que o gaudério se diverte e procura esquecer os reveses da vida nos braços de uma chinoca querendona. Também mostra sua destreza na dança da chula. Mas o folclore gaúcho é deveras portentoso e abrange, além do lazer, os costumes, crendices populares, superstições e até práticas médicas de curandeiros, velhos pajés, parteiras de campanha, benzedeiras de cobreiros, costura de rendidura (hérnia), etc. São herança dos nativos, e povoadores açorianos e castelhanos que se mesclaram para formar a estirpe gaúcha. Bem acentuados e conhecidos temos os mitos e lendas, tais como as do Negrinho do Pastoreio, A Salamanca do Jarau e A Mboitatá e muitos outros. Discorrendo sobre as Lendas do Sul, assim registra o ínclito mestre folclorista gaúcho Augusto Meyer, que foi membro da Academia Brasileira de Letras, em seu livro GUIA DO FOLCLORE GAÚCHO - Gráfica Editora Aurora, Ltda - RIO - 1951, pág. 96: “O único mito realmente popular, com raízes profundas na tradição gaúcha, é o do Negrinho do Pastoreio; é também o único de pura cepa rio-grandense, livre de qualquer influência gringa.” Mais recentemente, o erudito folclorista gaúcho Antonio Augusto Fagundes, em seu livro MITOS E LENDAS DO RIO GRANDE DO SUL - Martins Livreiro-Editor - Porto Alegre - 1992, num trabalho muito bem elaborado, desenvolveu o assunto, abrangendo nosso Estado, externando de modo cabal o seu conhecimento e assim se expressando, magistralmente, no final do prefácio: “Há muito amor nestes estudos, amor pelo povo, que é uma forma de amarmos a nós mesmos. O Folclore é a ciência do amor, por isso eu me fiz folclorista.” Muito expressiva é a colaboração afro-brasileira para com o folclore gaúcho, representada, principalmente, pelas Congadas que se realizavam próximo ao litoral, em Santo Antônio da Patrulha, abrangendo Conceição do Arroio (hoje Osório), Palmares e Morro Alto, como bem explica Augusto Meyer, em seu livro acima citado, à pág. 60. Resta acrescentar as contribuições dos imigrantes ao folclore gaúcho e que não foram poucas. Os alemães trouxeram o Kerb, o jogo de bolão, as “bandinhas” e os italianos com as festas paroquiais nas igrejas católicas, a vindima, o jogo da móra, da bocha, e as suas maravilhosas melodias. É oportuno lembrar que a riqueza de um povo também se mede pela cultura de suas tradições. DC (19-08-1998) ======EDITADO AQUI EM 30.06.2006======================================== O SAUDOSO ROMANCISTA A . J. CRONIN E SUAS OBRAS SEMPRE ATUAIS ======IALMAR PIO SCHNEIDER====== Um dos escritores mais interessante que já tive a oportunidade de ler, foi sem dúvida, o célebre médico e romancista escocês A. J. Cronin (Archibald Joseph), que nasceu a 19 de julho de 1896, em Cardross, Dumbartoshire, Escócia, filho único de Patrick Cronin e Jessie Montgomerie. Faleceu no dia 6 de janeiro de 1981, na Suíça, para onde se transferira em 1955. O primeiro dos seus livros que li foi A Cidadela, e isto há muitos anos. Trata-se da história de um médico que provocou a manifestação do Parlamento Inglês no sentido de proibir a circulação do livro, uma vez que o romance foi considerado um “tremendo libelo contra a mercantilização da Medicina”. Diga-se que encerrava passagens autobiográficas do autor e foi a consagração definitiva de sua carreira literária. Depois vieram os livros que fui lendo ao longo do tempo e foram As Chaves do Reino, Sob a Luz das Estrelas, Noites de Vigília, Pelos Caminhos de Minha Vida, Um Erro Judiciário, etc. Mas ele escreveu mais de 20 romances. Terminei de ler por esses dias a sua primeira obra O Castelo do Homem sem Alma ( A Família Brodie), tradução de Rachel de Queiroz, que constitui um drama vivido em um lar que poderia ser feliz, porém, cuja imposição de um pai autoritário transformou em um inferno. Quando publicou este romance, escrito em apenas 3 meses em uma granja onde foi recuperar a saúde abalada por excesso de trabalho, obteve um grande êxito na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Foi adaptado ao teatro e ao cinema. “Sua obra já foi traduzida em quase todos os países, e no Brasil foi bem recebida pela crítica. O ensaísta e professor Genolino Amado, grande conhecedor de Literatura, especialmente da inglesa, a propósito de A Cidadela afirma: “... Um novo, intenso e singular novelista surgira na Inglaterra, trazendo na sua vocação criadora essa mescla de patético e de humour, de imaginação surpreendente e de observação direta da realidade cotidiana, tão marcada e típica nos escritores de sangue escocês.”” Outras opiniões de escritores brasileiros sobre a obra de Cronin: “É extraordinário que certa crítica, que tanto se comoveu com o superficial teosofismo de Charles Morgan em Fountain, persista em desconhecer o poeta e pensador destes dois romances admiráveis (As Chaves do Reino e Três Amores). Destes dois romances verdadeiramente singulares, pela sua força de vida e pelo seu significado de espírito na massa da produção intelectual hodierna, tão desprovida do senso da profundidade, como só o entendem os que sabem que Deus existe...” - Tasso da Silveira (in o Diário, B. Horizonte) “O autor de As Chaves do Reino é o mesmo de A Cidadela, A . J. Cronin. E este seu novo romance não é menos interessante do que o outro. Nem podia ser: Cronin tem o gênio do romance. Quero dizer, o segredo de surpreender a vida nos seus momentos mais dramáticos de expressão. O segredo de condensar toda uma situação psicológica num gesto, numa atitude, numa palavra, às vezes num silêncio. De ir além da superfície sem mistério nenhum dos homens e das coisas como são ordinariamente vistas. E ir a essas profundidades sem torturas de análise, sem usar escafandro, sem ele mesmo fazer-se antes um personagem de aventura para o leitor.” - Olívio Montenegro ( in Diário de Pernambuco, Recife) “Cronin é inegavelmente um grande romancista, Católico, nos seus livros passa o sopro suave da caridade cristã, que ressalta ao contraste da sua ausência. Quem não leu A Cidadela e Noites de Vigília, e não sentiu esse espírito de caridade? – Mas o escritor é um realista, no bom sentido. Faz seus romances sobre a vida. As Chaves do Reino é um grande livro.” – Padre Negromonte ( in O Diário, B. Horizonte) O que me atrai neste autor é sua maneira magistral de organizar a trama de seus romances, e ainda toda a experiência adquirida no exercício da Medicina que imprime em suas páginas um sentido humanitário. Cronista colaborador Publicado em 25 de maio de 2005 – no Diário de Canoas. ======EDITADO AQUI EM 10.07.2006-================================================== AUTOTUTELA, AUTOCOMPOSIÇÃO e TUTELA JURÍDICA ========IALMAR PIO SCHNEIDER============= Estas noções básicas sobre a Introdução Geral ao Processo foram ministradas pelo insigne professor Dr. Luís Carlos de Ávila Carvalho Leite, no ano de 1988, no curso de Direito das Faculdades Integradas do Instituto Ritter dos Reis, de Canoas, que muito contribuiu para minha formação jurídica. Desde que se tem notícia da existência do homem na face da terra, este procurou se defender contra as adversidades da vida. A autotutela ou autodefesa surgiu no momento em que o conflito intersubjetivo de interesses, ou simplesmente, conflito de interesses, fez-se sentir na convivência dos seres humanos. Estes procuraram, então, se proteger uns dos outros através das próprias forças, a fim de satisfazerem as suas necessidades vitais, procurando resguardar seus interesses ameaçados. Como é natural, o mais forte sempre vencia, mas o conflito não se resolvia, pois o mais fraco procurava meios para enfrentar o adversário, quer aliando-se com outros, quer aguardando ocasião propícia para atacar. Não era uma solução válida, uma vez que violência gera violência e os conflitos continuavam indeterminadamente. No direito atual ainda persistem raros casos de autotutela ou autodefesa, como é o caso no direito civil que prevê a legítima defesa da propriedade, em certas circunstâncias, ameaçada de ocupação por terceiros. A autocomposição apareceu quando o homem percebeu que, usando de sua própria inteligência, poderia solucionar os conflitos de interesses através de concessões recíprocas. Exemplificando: a disputa de uma caça que era repartida, a ocupação de uma caverna, determinando qual a parte que cabia a cada um. Não era uma boa solução, pois bastava que um dos dois se arrependesse, eis que surgia o conflito de interesses. Houve um momento em que apareceu a renúncia, considerando que um determinado bem só poderia satisfazer a uma pessoa. Assim sendo, se o primeiro interessado renunciasse, teríamos a desistência; e quando o segundo, dava-se a submissão. Estas atitudes também não atingiram seus objetivos, pois ocorriam, como bem se pode notar, pelo medo de um dos pretendentes, o que fazia que mais cedo ou mais tarde viesse o desejo de vingança e novamente o conflito de interesses ameaçava a paz social. Ao longo do tempo, os homens procuraram solucionar os seus conflitos intersubjetivos de interesses, através de diversas maneiras. Inicialmente adotaram a autodefesa ou autotutela; a seguir empregaram a autocomposição e, depois, a heterocomposição. Porém, nenhuma destas medidas surtiram o efeito almejado, por vários motivos... Enfim, o homem chegou à conclusão de que, usando de sua inteligência e razão, poderia solucionar seus conflitos de interesses empregando um ordenamento de normas preestabelecidas, que tivessem de ser observadas por todos, genérica e abstratamente, sob pena de que sua inobservância acarretaria punição aos infringentes das mesmas. Isso traria a tranqüilidade; haveria paz. Essa solução seria definitiva, pois era garantida pelo Estado que tem força de coação. O direito aplicaria as regras de conduta e o Estado as faria cumprir. Pode não ser a melhor das soluções, mas é a mais satisfatória, pois, se ocorrerem erros em sua aplicação, isso não será devido à existência das mesmas e sim pela atuação do intérprete, que não é infalível. Hoje em dia, a tutela jurídica abrange as mais variadas atividades humanas, procurando evitar os conflitos de interesses de toda a ordem ou solucionando-os da maneira mais razoável possível. Foi uma grande conquista da Humanidade ! DC (12-08-1998) =======EDITADO AQUI EM 25.07.2006============= =========================== O POETA E A MUSA ==========IALMAR PIO SCHNEIDER======== Assim que nem o colega cronista Luiz Fernando Veríssimo elegeu a repórter da Globo e principalmente a moça da previsão do tempo, sua musa preferida, também eu, platonicamente, tirava minha “casquinha” ao vê-la exuberante na telinha da TV. Não pretendo criar polêmica. No entanto continuarei a ser poeta de água doce, apesar de tudo. Ainda que digam sempre haver um chinelo para um pé torto, não vás além dos teus chinelos, oh! remendão!... Procurarei outra, pois não pretendo pendurar as chuteiras tão logo. E por ser um descendente de imigrantes alemães, cruzado com italianos, queira me considerar puro por cruza, o que já não é pouco. Do pai, de origem alemã, herdei a racionalidade com que procuro expor minhas idéias e da mãe, de origem italiana, trago o sentimentalismo dos poetas e artistas do Renascimento. Dante (com seu Vita Nuova dedicado à sua Beatriz) e Petrarca (expoente máximo do Renascimento Italiano, na poesia, que celebrizou seu nome, com Il Canzonieri, dedicado a sua musa Laura de Noves), influenciaram-me o estro e tanto cantei como chorei com eles. Mas da parte alemã não posso deixar de lembrar o velho Goethe, com seu Anelo, trad. de Manuel Bandeira: “Só aos sábios o reveles, / Pois o vulto zomba logo: / Quero louvar o vivente / Que aspira à morte no fogo. // Na noite - em que te geraram, / Em que geraste - sentiste, / Se calma a luz que alumiava, / Um desconforto bem triste. // Não sofres ficar nas trevas / Onde a sombra se condensa. / E te fascina o desejo / De comunhão mais intensa. // Não te detêm as distâncias, / Ó mariposa! e nas tardes, / Ávida de luz e chama, / Voa para a luz em que ardes. // “Morre e transmuda-te”: enquanto / Não cumpres esse destino, / És sobre a terra sombria / Qual sombrio peregrino. // Como vem da cana o sumo / Que os paladares adoça, / Flua assim da minha pena, / Flua o amor o quanto possa! Há tempos escrevi um soneto que foi publicado no antigo Correio do Povo, na seguinte forma: “Do Bric-à-Brac da Vida - Nilo Tapecoara - do Correio do Povo de Porto Alegre - em 02.09.1982: Soneto Apaixonado - “Ultimamente eu tenho andado muito triste / e também muito só... passo as noites e os dias / procurando compor amargas elegias / mesmo sabendo que você, meu bem, existe! // Amor que se retrai, amor que não insiste, / é platônico, então, isento de alegrias, / simples contemplação das almas erradias, / que mais de sofrimento e de ilusão consiste... // Por isso, minha amada, eu quero os teus carinhos, / um bem-querer, enfim, pra nós amadurece / como as flores se abrindo à beira dos caminhos... // e os nossos corações assim entrelaçados, / cantando e proferindo a mesma infinda prece / de dois seres agora assaz apaixonados... Hoje consta do meu livro Poesias Esparsas Reunidas, edição independente, ano de 2000, à pág. 40. Lembro-me que por ocasião da publicação do soneto no jornal, o meu velho e saudoso amigo advogado, Dr. Manuel Pedro Severo da Silva, no bar do Ângelo, na rua Cândido Machado, em frente à Prefeitura e à Câmara Municipal, disse-me, ao lê-lo: - Menestrel ! eu gosto que quando escreves as tuas poesias, ainda explicas, como é o caso, o que é o “Amor Platônico”. Não precisa dizer que fiquei lisonjeado com as suas palavras, pois tratava-se de um colega que muito me prestigiava, em todos os lugares onde nos encontrássemos. De fato, quando me aventuro na criação poética, prefiro ser o mais compreensível possível para atingir as camadas mais humildes da população. É por isso talvez, que eu seja um poeta de água doce, o que quer dizer que minha arte não abrangeu o Universo, ou seja, não está inserida na globalização. E aí me surge o soneto abaixo, inédito, que fiz no auge de conhecer mais e mais, por este mundo de Deus. Soneto: “Estarei muito longe e de repente, / sinta, talvez, vontade de voltar: / atrás o tempo gasto inutilmente, / adiante a vastidão do céu e o mar...// Continua o dilema permanente, / martelando meu cérebro a cismar, / se deverei, então, seguir em frente, / ou se precise, quem sabe, regressar ?! // Fico mirando as águas revoltadas / que me acenam pra serem desvendadas / em seus mistérios mais que milenares... // Entretanto, já falta-me a coragem / de me lançar sozinho nesta viagem / que abrange, fatalmente, os sete mares !... Capão da Canoa - RS - 21.03.1997. Nem pretendi entrar em seara alheia, apenas digo que foi um sonho platônico (se o velho Platão soubesse o que me aprontou?!). Vivamos de ilusões e fantasias e o mundo será menos amargo ! ___________________________ Poeta e cronista PUBLICADO NO DIÁRIO DE CANOAS – RS ================EDITADO AQUI EM 01.08.2006======================================= POEMETO--------Voa meu canto/ em busca de novas esperanças:/ que sejas o consolo dos velhos/ e a alegria das crianças;/ o alivio dos que sofrem,/ a febre dos que amam.// Depois retorna a mim/ e vem contar-me de tudo:/ minha vida, meu prazer;/ pra que eu possa enfim/ compreender...-------IALMAR PIO================= =======EDITADO AQUI EM 4.8.2006======================================= ESTRUTURA SOCIAL============== IALMAR PIO SCHNEIDER================== O presente artigo trata-se de trabalho exigido em aula de Direito na Faculdade de Direito do Instituto Ritter dos Reis, de Canoas, nos idos de 1981, pelo conceituado professor Dr. Almiro Petry, um dos autores de Realidade Brasileira – Estudos de Problemas Brasileiros, 5.ª Edição, Editora Sulina, Porto Alegre, conjuntamente com os professores de Ciências Sociais na UNISSINOS, Dr. José Odelso Schneider e Dr. Matias Martinho Lenz, que muito contribuiu para minha formação sociológica naquela época e que procuro não esquecer, apesar do tempo gasto, exatos vinte anos. A palavra estrutura tem sido definida através de diversas conceituações e por diferentes antropólogos e sociólogos que às vezes até se contradizem com proposições opostas. Foi Spencer, o primeiro a empregar o termo estrutura, fazendo um paralelo entre organização e evolução dos seres vivos e organização e evolução da sociedade; considerando estrutura como parte de um todo constituído de células, órgãos e partes. Em outras palavras, um todo formado de partes que se articulam entre si. No entanto, Spencer não fez uma distinção precisa entre estrutura e organização.Radcliffe-Brown por sua vez definiu estrutura através de elementos mais permanentes da sociedade. Fez a relação de pessoa a pessoa e de grupos. Também baseou-se nas instituições, cerimônias e rituais, etc. para tentar tornar válida sua proposição. Foi aceito em parte por Bottomore que o seguiu. Radcliffe-Brown diferenciou estrutura social de organização referindo-se a um exército moderno composto de divisões, brigadas, e pelotões como sendo uma organização e generais, coronéis, capitães e tenentes, como compondo a parte da estrutura. Os elementos que compõem uma estrutura nem sempre são permanentes, pois no caso de revoluções e guerras, conflitos internos ou externos, ela é abalada, podendo com o tempo voltar à normalidade. M. Gingsberg contestou esta teoria, considerando-a por demais ampla. Afirmou que os elementos que compusessem uma estrutura social deveriam ser mais duradouros que os apresentados por Radcliffe-Brown. Raymond Firth aceitou a teoria de M. Gingsberg e emitiu sua proposição, fazendo diversas referências à estrutura social e à organização social através de uma inter-relação dos indivíduos entre si. Julgava que a estrutura social está baseada nas ações e interações das pessoas de maneira recíproca. Brown e Barnett que lhe seguiram, também esposaram suas idéias e exemplificaram como um modo de analisar diferentes estruturas de um certo prisma, considerando um setor do socialismo comparado com um setor do capitalismo. Bottomore considerou que poderia conceituar estrutura social da seguinte forma: a) setor de comunicações desde que apareça uma linguagem; b) setor de economia com a produção, circulação e distribuição de bens e serviços; c) setor de educação com a família e a escola; d) setor de comando com a atribuição de autoridade e poder; e) setor de coesão social com a religião (rituais do nascimento até a morte). Obburn e Nimkoff, por sua vez, expuseram suas teorias sobre estrutura social e organização social, considerando as posições e papéis que indivíduos representam na sociedade, respectivamente. Foi ainda Talcott Parsons quem definiu estrutura social como sendo uma pluralidade de indivíduos inter-relacionados de maneira mais permanente voltados para a sobrevivência da coletividade. Pelo exposto, vê-se que as teorias acerca de estrutura social são enunciadas de diferentes maneiras, o que torna difícil a aceitação de uma ou de outra. No entanto, elas vieram num crescendo e cada sociólogo e estudioso do assunto foram lhes acrescentado alguma coisa a fim de torná-las mais completas. A analisar o complexo destas teorias sente-se a preocupação dos autores em conseguir a perfeição de suas idéias, o que nem sempre é atingido. A instituição da família pode ser considerada básica e universal; básica por que é que forma a sociedade e universal porque existe, de uma forma ou de outra, em todas as partes do mundo. Os elementos básicos para a formação da família são o casamento (ou união estável) e a paternidade. É formada pela mãe e pelos filhos, e por um homem, o pai que quase sempre lhes garante o sustento. Apesar da paternidade não cessar na concepção existe quase que mundialmente o princípio de legitimidade empregado por Malinowski de que um homem, e somente um homem, é o pai biológico (genitor) e social (pater). As 4 principais funções da família são: sexual, reprodutiva, econômica e educativa. As duas primeiras dizem respeito às satisfações fisiológicas dos seres humanos e as outras duas, uma é que dá sustento aos filhos e a outra a educação e maneiras de ingressar na sociedade. O sistema de família brasileiro é monogâmico, i.e., um homem e uma mulher. A hereditariedade, ou melhor, a partilha da herança é igualitária. Atualmente existe o divórcio na sociedade brasileira, o que permite a um casal frustrado no primeiro matrimônio, reconstituir seu lar, apesar do que poderá advir de prejudicial aos filhos. =======Bacharel em Direito e cronista====== PUBLICADO NO DIÁRIO DE CANOAS - RS.=======EDITADO AQUI EM 8.8.2006================================= O OUTONO E O DIA MUNDIAL DO LIVRO============= IALMAR PIO SCHNEIDER=============== Enquanto transcorre o outono e sofremos esta estiagem prolongada que tanto tem prejudicado aos agricultores, quanto ameaça o abastecimento de água potável nas cidades, em nossa região sul, vemos chuvaradas e enxurradas alagarem as ruas e casas da grande metrópole de São Paulo. Basta ligarmos as estações de TV à tarde e já vemos helicópteros percorrendo o céus e mostrando, quase que diariamente, o fenômeno acima. Esperemos que a chuva nos visite benéfica e assiduamente nos próximos dias. Sempre me atraiu esta estação do ano em que as folhas caem e os poetas cantam e até compus-lhe um poemeto: NO OUTONO - Noites semi-frias/ e virá o inverno depois/ e as noites ficarão mais frias/ e o vento entoará canções...// Estamos no Outono.// No silêncio das madrugadas/ alguém escreve poesias,/ mas as outras madrugadas,/ as que hão de vir, sejam,/ talvez/ mais vazias. (Canoas, 21-5-82). Mas lendo uma antologia Presença da Literatura Brasileira - Modernismo, de Antonio Candido e José Adroaldo Castello, 9ª edição - DIFEL, encontrei à pg. 59, um poema de um dos príncipes de nossos poetas, que muito me agradou e não resisti à tentação de transcrevê-lo abaixo: “Outono - Guilherme de Almeida - O ar é ágil e passa com uma elegância fina/ entre as folhas das laranjeiras./ Além para o pomar cheiroso a tua cortina:/ vê como a luz que vem das trepadeiras/ é verde e leve e as folhas como estão firmes nos galhos !// E no entanto é Outono./ Estende os teus lábios para este ar puro:/ hás de sentir na tua boca um beijo doce/ como se o ar fosse uma abelha e os teus lábios fossem/ dois gomos de um fruto maduro.” É preciso explicar ? tão linda metáfora ? ! Outrossim, no dia 23 p.p., foi comemorado o Dia Mundial do Livro, reverenciando a data de nascimento e morte do insuperável poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare (*1564-+1616) e o falecimento do não menos importante escritor espanhol Miguel Cervantes Saavedra, (*1547-+1616), os quais nos deixaram obras-primas universais: HAMLET - “Ser ou não ser, essa é que é a questão:/ Será mais nobre suportar na mente/ As flechadas da trágica fortuna/ Ou tomar armas contra um mar de escolhos/ E, enfrentando-os, vencer? Morrer - dormir:/ Nada mais; e dizer que pelo sono/ Findam as dores, como os mil abalos/Inerentes à carne - é a conclusão/ Que devemos buscar. Morrer - dormir./ Dormir ! Talvez sonhar - eis o problema,/ Pois os sonhos que vierem nesse sono/ De morte, uma vez livres deste invólucro/ Mortal, fazem cismar. Esse é o motivo que prolonga a desdita desta vida.(...) (trad. de Ana Amélia Carneiro de Mendonça); ou DOM QUIXOTE, de que um poeta amigo, o saudoso Clóvis Soares Siedler, de São Leopoldo, escreveu o seguinte soneto, com o qual quero aqui lembrar-lhe a memória: “CENA FINAL - Regressa Dom Quixote ao quarto do solar,/ exausto dos afãs de cavaleiro andante./ Escuta-se, lá fora, o velho Rocinante/ - narinas a fremir - sorvendo ansiado o ar.// Na febre que acomete o triste viandante/ - no leito de doença - um raio de luar/ parece convidá-lo a um novo pelejar/ por sua Dulcinéia - a dama fascinante.// Em vão, doido, o luar provoca Dom Quixote./ A pátina apagou já do broquel o mote./ A lança enferrujou. Não há mais ideal.// Há paz, apenas paz, na fronte encanecida/ do ancião, e - em seu olhar - a imagem refletida/ do lábaro do sonho hasteado em funeral.” Do livro: Caminhos do Tempo - pg. 122. Também neste dia 23 p.p., comemora-se o dia de São Jorge, protetor dos cavaleiros, bem como dos cavalos e do gado. Daqui onde estou, vejo a paineira cujas flores caíram há poucos dias, mas as folhas verde-escuras ainda persistem. É o eterno ciclo da natureza que transcorre. Aguardemos a chuva ! ________________________________________________ Poeta e cronista - E-mail: menestrel@brturbo.com Publicado no Diário de Canoas – em 28 de abril de 2004-04-29 =======EDITADO AQUI EM 12.8.2006=================== ============GAUCHINHA============= Gauchita com teu vestido de chita - ai credo em cruz que pedaço ! - pegando nessas tranças longas danço contigo tantas milongas quantos metros tiver meu laço. Gauchita que pecado de bonita ó meu Deus que mulheraço ! Sua voz como das arapongas quando desatam notas tão longas que nem ferro batendo em aço. Meu peito de sofrer não tem direito sou gaúcho folgazão, amante de chinas bonitas que amarram nos cabelos as fitas e dão o nó no coração. -----PIO TRESSINO SCHNEIDER---REMINISCÊNCIAS DO GINÁSIO EM GETÚLIO VARGAS - RS ================= REINÍCIO======= IALMAR PIO SCHNEIDER=========== De quando em vez se punha a pensar nas grandes obras que os mestres da Literatura Universal haviam criado e sentia-se, por assim dizer, diminuído, perante aqueles monumentos excelsos do pensamento, inteligência, arte e engenho humanos; isto porque sabia que jamais atingiria os píncaros daquela glória inaudita. De fato, ao se dar conta, os anos tinham passado e Otávio não havia produzido quase nada, apesar de que, outrora, quisera ser um notável escritor. Entretanto, desde cedo tivera que enfrentar o mercado de trabalho para viver, e ao conseguir certa posição na sociedade, quase que esquecera seu propósito, mas agora uma semente surgia no fundo do seu cérebro e ele, aposentado, procurava fazê-la germinar sem maiores pretensões, a não ser a de cumprir, enfim, o seu destino. Estava ciente de que possuía o livre-arbítrio, não obstante soubesse de suas limitações. Todavia, não iria seguir aquele caminho de Marcel Proust em “À Procura do Tempo Perdido”, mesmo porque já o havia ultrapassado em idade, e não demonstrava toda aquela excentricidade. Considerava-se um homem comum. Apesar de não haver seguido a carreira literária, sempre obtivera boas notas e elogios dos professores, em suas redações, quando cursara o ginásio e o científico dos Irmãos Maristas. Lembra-se de que certa vez, ao escrever uma dissertação, empregou a palavra “majestosa” com “g”, e ao receber a nota de 9,5, foi alertado com a seguinte expressão: “Cuidado ! Erro que parece fio de cabelo em sopa gostosa”. Hoje, ao lembrar essa advertência, Otávio procura reiniciar sua jornada rumo à prosa de ficção, sentindo como que um impulso alentador a fim de enfrentar esta tarefa para o resto de seus dias. Sabe, entretanto, que o caminho é árduo e inúmeras dificuldades se apresentarão à sua frente, considerando que a vida são degraus a galgar em etapas. O ofício a que se propõe requer a paciência de um Jó e a pertinácia de um Moisés, resguardadas as proporções. Ainda ontem ouviu um velho poeta dizer: “Escrever difícil é fácil, mas escrever simples é difícil.” Talvez, quem sabe, amanhã possa acrescentar algo ao acervo cultural e repetir com Thomas Carlyle: “Nenhum grande Homem vive em vão. A história da Humanidade não é mais do que a biografia dos grandes Homens.” Assim pensa Otávio em seu recanto, reorganizando suas memórias, reunindo seus antigos rascunhos e recolhendo o que sobrou da voracidade do tempo. DC (17-07-1998) O TEATRO ===========IALMAR PIO SCHNEIDER============= Dentre as artes literárias a que mais impressiona, quiçá seja o teatro, não só por ser tão antiga, mas também devido ao calor humano transmitido diretamente ao espectador. Talvez por isto mesmo se conserve sempre atual no contexto da literatura de todas as nações e apesar de ter sido precursora do cinema, não poder-se-á dizer que foi por ele superada, não obstante o avanço da tecnologia, abrangendo também a televisão. Sábado à noite, precisamente no dia 18 de julho de 1998, às 21 h. fomos ao Theatro São Pedro, onde assistimos à uma peça muito sugestiva e interessante denominada Duas Mãos, com as inigualáveis atrizes Ingrid Guimarães e Carol Machado, fazendo os papéis de avós e netas, encarnando as personagens Mithése e Ássima (avós), e Sônia e Regina (netas), ao mesmo tempo. Estávamos: apreciando o desempenho e a interpretação impecáveis das atrizes em pauta, do alto de um camarote do teatro completamente lotado, quando tocou-me o espírito o sentimento da arte dramática; e dizer que ela vem desde os primórdios da História da Humanidade! Entretanto, sabe-se que realmente se afirmou na época dos gregos antigos, nas formas de comédia ou de tragédia, de acordo com um final feliz ou infeliz. A peça a que assistimos apresentou problemas existenciais de idosas e jovens, tendendo para a comédia, não obstante, consideravelmente realista em muitos pontos. Os 80 minutos de duração passaram que nem vi. Os aplausos eram constantes, mas moderados. No término foram intensos. Mais uma vez fica comprovado que o sucesso e a aceitação do público estão ligados à vida real das personagens, que se mistura à ficção. Penso que deveríamos ter em nossa cidade uma casa de espetáculos apta a receber artistas teatrais que aqui pudessem apresentar suas peças, uma vez que reclamam da falta de espaço. É provável que no Canoas Shopping Center, s.m.j., alguém possa construí-la e fazendo parte da Praça de Eventos, traga aos canoenses cultura e lazer tão apregoados, não só para valorização de talentos locais, mas também de outros municípios e estados; enfim aos bons cultores da arte dramática. Vai aqui mais esta sugestão que espero ainda ver concretizada, se bem que tantos outros já a tenham feito. Afinal, sempre é válido o provérbio: “água mole em pedra dura, tanto dá até que fura”. Outrossim, é de notar-se como toda a obra dramática traz uma mensagem positiva, incentivando a criação, influindo no pensamento dos indivíduos, não só qual um passatempo, mas também tal uma fonte de conhecimento para a vida. DC (30-7-1998) http://blog.terra.com.br/manager/post.php?blog=59136 ================================= ============PUBLICADO AQUI EM 16.08.2006================================================================ À MEMÓRIA DE GETÚLIO VARGAS – O PAI DOS POBRES===== IALMAR PIO SCHNEIDER================= No ano em que transcorre o cinqüentenário do passamento do nosso mais celebrado e importante Presidente da República, Dr. Getúlio Dornelles Vargas, tive a oportunidade de assistir a uma palestra proferida pelo insigne escritor Alcy Cheuiche, no Salão Mourisco, da Biblioteca Pública, às 17 h. do dia 12 de agosto p.p. Há tempos li o livro O Mestiço de São Borja, do citado autor, agora relançado, que traz um relato literário do grande estadista de nossa pátria. Devo dizer que tenho que tirar o chapéu para a riqueza de detalhes e fatos com que o palestrante discorreu sobre o assunto. Literatos do porte do Alcy constituem o acervo vivo da história riograndense. E como se trata de um inspirado poeta, também escreveu o poema, transcrito na capa do livro, como segue: “A Paz seja conosco – Que a paz seja conosco/ a cada dia a cada hora/ Misturando-se à lágrima/ que chora/ o sorriso da certeza/ deste amor.// Que nossos sonhos/ de igualdade e de justiça/ encham nossas mãos/ como sementes/ a ser lançadas à terra/ e aos corações.// Que nossa vida/ sirva como exemplo/ aos que não tem fé/ na humanidade/ Fazendo inclinar-se/ ante à bondade/ a ganância infernal/ pelo dinheiro// Que seja eu/ um amigo um companheiro/ Quando doer teu frágil coração/ E sejas tu/ a luz que me ilumine/ e me faça mais homem/ mais poeta/ sem pensar/ em ganhar retribuição// Que a vida se apague/ ao mesmo tempo/ para nós dois/ quando chegar a hora/ E que a paz seja conosco/ novamente/ onde estivermos/ sempre juntos/ como agora”. Recordo-me, ainda que, tenuamente, daquele fatídico dia 24 de agosto de 1954, quando cursava o 5º ano do primário, e a professora que era uma irmã nos dispensou, dizendo que fôssemos para casa, pois acabava de falecer o Presidente da República e que nossos pais iriam nos esclarecer a respeito. Tinha eu meus 11 anos, faltando, precisamente, dois dias pra completar 12. Ela não quis nos dar mais detalhes... Meu pai que havia sido cabo do exército em Santana do Livramento, na década dos anos 20, e tinha acompanhado a trajetória política e revolucionária de Getúlio Vargas, disse-me que preferia que ele não voltasse ao poder em 1950, pois já cumprira sua missão nos 15 anos em que comandou e teve as rédeas da Nação. Deveria ter permanecido em sua fazenda, usufruindo merecida aposentadoria e dedicando-se às lides agropecuárias que tanto apreciava. De fato, em seu primeiro governo, havia posto ordem na casa. Mas, enfim, a tragédia acontecera e era de todo lamentável a situação. Segue como foi divulgada a notícia, conforme a coleção Nosso Século – Brasil, l945/1960, Vol. 7, pg. 9: ano 1954 - * “24 de agosto: Getúlio Vargas recebe um ultimato das Forças Armadas. Às 8 horas da manhã o velho presidente suicida-se com um tiro no coração. Os dias subseqüentes são marcados por violentas manifestações populares. Café Filho assume a presidência da República e afirma que manterá o calendário eleitoral previsto na Constituição.” No ensejo da passagem desta trágica história, quero prestar esta simples homenagem ao verdadeiro redentor do povo trabalhador brasileiro, que implantou as leis trabalhistas da CLT, para fazer justiça e aliviar o peso ao hipossuficiente proletário. Finalizo com o slogan: “Getúlio Vargas do Brasil – da Vida para a História”. Respeitemos sua memória para sempre ! Cronista e poeta – E-mail: menestrel@brturbo.com Publicado em 1º de setembro de 2004 – no Diário de Canoas. ============EDITADO AQUI EM 21.08.2006========================================== SONETO TRISTE-------Não devo mais ousar... eu me contento/ com meu destino triste sem alguém;/ e quando o sol descamba e a noite vem,/ na solidão procuro o esquecimento...// Escuto, então, gemer na voz do vento/ almas sentidas a vagar no Além/ e nessas horas quedo-me também/ perante a dor cruel do meu tormento.// Resta-me, todavia, uma esperança/ que não me deixa sucumbir na mágoa/ presente nos meus dias de amargura...// E quando volto aos tempos de criança/ meus olhos tristes ficam rasos d’água,/ pois sei que pra saudade não há cura.-------IALMAR PIO====================================================== CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE ÉRICO VERÍSSIMO===== =================IALMAR PIO SCHNEIDER Tendo nascido em 17 de dezembro de 1905, em Cruz Alta, neste corrente ano acontece o centenário de nascimento do escritor gaúcho que tanto elevou o nome de nossa terra pelo mundo inteiro. O primeiro livro que tive a oportunidade de ler do renomado autor foi Clarissa, Editora Globo – 1960 – 3ª edição – 1ª impressão, que trata da história de uma jovem que desponta para transformar-se em uma linda mulher, em meio ao burburinho da cidade e a poesia dos jacarandás floridos. Depois fui lendo os outros livros que vieram na sucessão de sua obra em que já havia escrito um livro de contos intitulado Fantoches, bem como os romances Música ao Longe, Caminhos Cruzados, Um Lugar ao Sol e Olhai os Lírios do Campo, este último sendo o marco do início do seu sucesso, daí em diante mais e mais crescendo. Foi apresentado pela TV Globo em memorável novela. Um romance inesquecível foi O Resto é Silêncio, que trata de uma tragédia urbana que volta e meia tem acontecido em cidades de certo porte, ou seja, de elevado número de habitantes. No ano de 1948 começou a lançar sua grande epopéia riograndense intitulada “O Tempo e o Vento”, (também apresentado pela TV Globo em uma minissérie) com os livros O Continente, O Retrato e Arquipélago, que formam a trilogia da história romanceada do Rio Grande do Sul, remontando, por assim dizer, às suas origens. Por último apareceram os romances O Senhor Embaixador e o Incidente em Antares, que tanto sucesso fizeram junto ao público leitor, sendo que este foi apresentado como uma minissérie pela TV Globo. Viriam ainda os dois volumes de sua autobiografia Solo de Clarineta – memórias – I e II, não conseguindo completar o segundo volume, pois faleceu em 28 de novembro de 1975, quando estava escrevendo a parte final, ou melhor, o texto ainda incompleto e vários dos originais em manuscrito. Foram concluídos pelo professor de Literatura Brasileira da UFRGS, Flávio Loureiro Chaves, conhecedor abalizado da obra de Érico Veríssimo e de acordo com o solicitado pela família do autor. Nestes livros o escritor narra toda sua luta para conseguir atingir os seus objetivos literários. Seu grande amor para com a cidade de Porto Alegre onde viveu e escreveu seus romances, transparecem pelas páginas fluentes e agradáveis de sua escrita. Isto despertou-me nem sei de onde um intento de compor um soneto, como segue: SONETO PARA PORTO ALEGRE- -Ao Érico Verríssimo (in memoriam)- -Risonha Capital do meu Estado,/ eu me orgulho de ti, desta pujança/ de arranha-céus; do solo conquistado/ do Guaíba que pra lagoa avança...// E quando a noite desce, reclinado/ em meu leito de crença e de esperança,/ amores que ficaram no passado/ surgem saudosos, vivos na lembrança...// Hoje bem sei que não deixaram mágoas/ nas páginas viradas desta vida,/ e partiram levados pelas águas...// Canta, meu estro, um hino heróico e forte/ à cidade que elejo a preferida/ pra todo sempre, enfim até na morte !...// PORTO ALEGRE (RS), 29 de novembro de 2005-- Às 10h25min. na Siqueira Campos, próximo à Paineira. Quero que este simples e modesto verso represente minha homenagem à cidade e ao genial escritor gaúcho, brasileiro e mundial que foi Érico Veríssimo, que quando indagado, no exterior, de que local estava vindo, respondeu: “Minha cidade tem uma orquestra sinfônica”. A leitura dos seus livros sempre desperta o mundo que existe nas páginas que retratam a formação de nosso Estado e a nossa capital gaúcha de inúmeros atrativos e que amanhece sorrindo à margens do Guaíba, rio ou lago, pouco importa, é um cartão postal com seu pôr-do-sol maravilhoso, quiçá o mais lindo do planeta. Leiam-no e apreciem-no, que um centenário não é nada para um grandioso romancista e contador de histórias tal como o foi o nosso ilustre conterrâneo, o saudoso Érico Veríssimo. Até mais... Cronista colaborador Publicado em 07 de dezembro de 2005 – no Diário de Canoas. ===========EDITADO AQUI EM 25.08.2006================================ =================---------Hoje lembrei de ti, subitamente,/ de teus arroubos de mulher fatal,/ e não pude olvidar que bem ou mal,/ outrora foste minha confidente...// Por que surges assim tão de repente/ em meio aos dissabores ?! Afinal,/ só quisera o silêncio sepulcral/ para permanecer indiferente...// De que valem os versos preferidos/ que dizias amar, se os teus ouvidos/ agora já não os escutam mais ?!// Mas eles para sempre viverão/ nas páginas perdidas da ilusão/ no livro destruidor dos meus ideais...------=====IALMAR PIO===============EDITADO AQUI EM 27.08.2006========================================== M I N H A F L A U T A =========IALMAR PIO============ Meu pai me deu uma flauta pequenina nascida de uma cana de taquara, e andei tocando para uma menina amorosas sonatas que inventara. E desde aquelas horas, cristalina trilou minh’alma numa voz preclara, cheia de afeto pela mais divina das criaturas por quem me apaixonara. Um dia ela partiu , foi embora sem nada me dizer, sem despedida... Quando soube, chorei; era menino... Hoje a saudade vem e desarvora meus anseios de amor por toda a vida, e penso nela... Qual o seu destino?!... SOLEDADE (RS) - 30.05.65 Publicado no jornal “O PALADINO” Soledade (RS). =====EDITADO AQUI EM 29.08.2006=================== AMOR PROIBIDO-------------Pobre Rubião que quis o amor proibido,/ o louco afeto que não era seu,/ e sem desabafar num só gemido/ nos mares da loucura pereceu.// Sofia há de lembrar o seu pedido,/ que sem saber por que não atendeu,/ e o distante cruzeiro enaltecido/ continuará brilhando lá no céu,// como chamando a cativante bela,/ que calma se aproxime da janela/ e que venha fazer-lhe companhia.// E o vento, desfolhando as lindas flores,/ há de chorar incompreensões de amores/ por uma voz pungente de elegia !--------------===IALMAR PIO==== ----- Obs.: O presente soneto está baseado no maravilhoso romance de Machado de Assis: “QUINCAS BORBA”. ========EDITADO AQUI EM 31.08.2006=============== U M C E R T O S O R R I S O ==========IALMAR PIO ============== Desabrochou como um botão de rosa o sorriso escarlate de ventura em tua boca gentil e caprichosa; veio pousar de leve em meu olhar como a fulgência da visão mais pura que nos cativa a alma e faz sonhar. Agora sem fugir anda comigo o sorriso escarlate de ventura e convertido em fraternal amigo: - louca fulgência da visão mais pura. Publicado no jornal “O PALADINO” de Soledade (RS) em dezembro de l965. _________________________________________________________________________ E M S O L I D Ã O ======IALMAR PIO=========== Fumaça que nasceu do meu cigarro e morre pelo espaço na investida de ser alguém, de ter u’a longa vida: assim é o homem que nasceu do barro. Oh! quantas vezes na saudade esbarro e a solidão a descansar convida; talvez não sinta que a fatal descida seja o fruto do sonho mais bizarro! E procuro seguir o meu caminho, sem refletir, no entanto, que sozinho é mais árdua a jornada do infeliz; e que se a morte o surpreender um dia, há de encontrá-lo na manhã vazia, sem nada ter de tudo quanto quis! Publicado no jornal “O PALADINO” de Soledade (RS) em 1966. ________________________________________________________________________EDITADO AQUI EM 05.09.2006======================================== SONETO PARA A M Ã E ==============IALMAR PIO============ Mãe!... Palavra sublime, amor inexprimível, que a gente pronuncia em ritmo de oração... É tão cálido o afeto e quase que impossível externá-lo, pois vive em nosso coração ! Se alguma coisa existe, além do que é infalível, e seja só no mundo e morra em solidão; creia-me, não verá jamais tão acessível, de quem nos deu a vida, aceitar a afeição !... Ela é generosa e sem maldade alguma... Seus filhos são a maior riqueza que possui, seu aconchego tem toda a maciez da pluma... Porém, nunca haverá poeta, cujo verso descreva o amor de mãe, pois tudo se dilui ao saber que ela é a dona do Universo! Publicado no jornal “PANORAMA PRADENSE” de Antônio Prado (RS) em maio de 1978 - n. 45 _________________________________________________________________________ Do bric-à-brac da Vida CORREIO DO POVO em 5.3.1981 nilo tapecoara __________________________________________________ P O E M E T O I ===========IALMAR PIO =========== Eu me faço presente nas horas mais críticas e escrevo meus poemas para um público menos ávido que pode notar meu embaraço quando quero poetizar simples. Eu me faço presente nas horas mais amargas e registro minhas angústias para que me deixem em paz no meu retiro insatisfeito a fim de que me possa desvencilhar dos liames traiçoeiros deste tormento indizível. Eu me faço presente nas horas mais saudosas quando ela é ainda uma lembrança que não se apaga do meu cérebro repleto de seus carinhos inolvidáveis de outrora. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ Do Bric-à-Brac da Vida CORREIO DO POVO Nilo Tapecoara - 29.4.1981 ____________________________________________________________ N Ó S ===========IALMAR PIO================ Antes de partir convinha que me dissesse o porquê; pois toda a desgraça minha é pertencer a você. Irá por aí sozinha como tantas que se vê; por toda a desgraça minha nunca mais terei você. Quando chegar a noitinha horas em que a alma crê; oh! já não será mais minha nem eu serei de você. A emoção que a gente tinha não saberei quem nos dê; há de lembrar que foi minha como eu era de você. _________________________________________________________________________ ===================================================SONETO DA ESPERA------O que me falta nesta vida, penso.../ são uns carinhos sempre desejados./ É ter, enfim, um forte amor imenso/ que contenha recíprocos agrados.// Pois assim cada vez mais me convenço/ quanto sofreram os desenganados/ e como foi triste o caminho extenso/ dos que viveram sempre abandonados.// Uma esperança ainda me seduz/ nestes momentos em que logro vê-la/ cercada de resplandecente luz.// E meu olhar a fita ansiosamente/ como quem busca na distante estrela/ um lenitivo ao que sua alma sente....----======IALMAR PIO=======EDITADO AQUI EM 18.09.2006=========================Ao pôr-do-sol...---------(======IALMAR PIO======)------Pedes-me que eu defina brevemente/o que seja emoção e fantasia,/quando nos encontramos de repente/num happy hour ao final do dia.//Mas eu que vivo longe, indiferente,/trazendo no meu peito a rebeldia/de alguém que acreditava, hoje descrente,/não consigo dizer-te o que seria...//Apenas fico cada vez mais triste/e já me vês então transfigurado/olhando o sol que afunda no Guaíba.//Poesia enfim é tudo quanto existe/nessas horas em que sonho acordado/e sinto que a saudade me derriba!....---------=======================NÓS-------------Antes de partir convinha/ que me dissesse o porquê;/ pois toda a desgraça minha/ é pertencer a você.// Irá por aí sozinha/ como tantas que se vê;/ por toda a desgraça minha/ nunca mais terei você./ Quando chegar a noitinha/ horas em que a alma crê;/ oh já não será mais minha/ nem eu serei de você.// A emoção que a gente tinha/ não saberei quem nos dê;/ há de lembrar que foi minha/ como eu era de você.----------IALMAR PIO====== -----PUBLICADO AQUI EM 22.09.2006=================================================DESEJO ALGOZ----------Não quisera perder e nem estar perdido/ quando me vejo a sós em meio à multidão,/ à procura de alguém, o amor desconhecido/ que pode ser real ou simples ilusão...// Talvez há de surgir qual um fruto proibido/ numa tarde banal na minha solidão,/ e se concretizar ao ser correspondido/ ou morrer infeliz, só na imaginação...// Triste desejo algoz que tem me torturado/ com tanta intensidade e não posso esquecer/ como se eu fosse assim um pária condenado/ cujo destino seja apenas padecer.../ Bani-lo de minh’alma em vão tenho tentado,/ vive dentro de mim, faz parte do meu ser.----------------======IALMAR PIO===========----------------- EDITADO AQUI EM 1º/10/2006=================================== SONETO A UMA MUSA-----------Tento ainda escrever mas, tristemente,/ meu coração soluça e não esquece/ a musa que enfatiza a minha prece/ e sinto que estou mal, estou doente.// Por que será que foste a grande ausente/ na vida do poeta que padece,/ (oh fada que percorres minha messe)/ e me fazes sofrer inutilmente ?!...// No entanto, minha velha companheira,/ eu te levo comigo na desdita,/ e há de ser a esperança derradeira// de seguir versejando amargas penas,/ porque em sonhos te vejo tão bonita,/ e pra mim tal conforto basta, apenas...----------------=====IALMAR PIO=======----------------------=================AMOR PROIBIDO-------------Pobre Rubião que quis o amor proibido,/ o louco afeto que não era seu,/ e sem desabafar num só gemido/ nos mares da loucura pereceu.// Sofia há de lembrar o seu pedido,/ que sem saber por que não atendeu,/ e o distante cruzeiro enaltecido/ continuará brilhando lá no céu,// como chamando a cativante bela,/ que calma se aproxime da janela/ e que venha fazer-lhe companhia.// E o vento, desfolhando as lindas flores,/ há de chorar incompreensões de amores/ por uma voz pungente de elegia !--------------===IALMAR PIO======= ----- Obs.: O presente soneto está baseado no maravilhoso romance de Machado de Assis: “QUINCAS BORBA”. =========================================================UM CERTO SORRISO----------Desabrochou como um botão de rosa/ o sorriso escarlate de ventura/ em tua boca gentil e caprichosa;/ veio pousar de leve em meu olhar/ como a fulgência da visão mais pura/ que nos cativa a alma e faz sonhar./ Agora sem fugir anda comigo/ o sorriso escarlate de ventura/ e convertido em fraternal amigo:/ - louca fulgência da visão mais pura.-------------------=======IALMAR PIO======---------- =============================================== EM SOLIDÃO-------------Fumaça que nasceu do meu cigarro/ e morre pelo espaço na investida/ de ser alguém, de ter u’a longa vida:/ assim é o homem que nasceu do barro.// Oh quantas vezes na saudade esbarro/ e a solidão a descansar convida;/ talvez não sinta que a fatal descida/ seja o fruto do sonho mais bizarro !// E procuro seguir o meu caminho,/ sem refletir, no entanto, que sozinho/ é mais árdua a jornada do infeliz;/ e que se a morte o surpreender um dia,/ há de encontrá-lo na manhã vazia,/ sem nada ter de tudo quanto quis !----------------=====IALMAR PIO======= – hoje Ajuizado, pois deixou de fumar..--------------------mas não de amar ! ============EDITADO AQUI EM 6 DE OUTUBRO DE 2006======================================== SONETO I-------------Quando leres meus versos, na calada/ da noite escura e não te contiveres,/ ao relembrar que foste minha amada/ e eu poderei estar com outras mulheres...// Ao te sentires só e abandonada,/ de minha companhia não dispuseres,/ mas sem dormir em alta madrugada/ conciliar o sono não puderes...// Quando em teus olhos rebentar o pranto/ com amargura que te roube a paz,/ perdida em solidão e desencanto,/ de me esquecer não fores já capaz,/ minha presença vai pesar-te tanto/ que fatalmente te arrependerás !--------------=====IALMAR PIO=====----------- ========================================================NO SONO...------Mais um minutos/ e a noite cairá pesada/ como o sono que eu trago/ no imenso vago/ do coração.// Meus sonhos triturados/ hão de estalar/ e sentir-me-ei abandonado/ - poeira inútil/ ao longo dos roteiros.// Um vento forte/ estará espiando meu desastre/ e na fatalidade que eme espera/ voarei pelos espaços/ no sono imenso e vago/ e sem perdão...--------------------=====IALMAR PIO======--------------=================================== MUSA CONSOLADORA-------Foge-me a inspiração levada pelo vento/ e junto vais, oh musa ardente e sedutora,/ deixando-me sozinho envolto em meu tormento/ e a se desesperar minh’alma sofredora !// Foste minha ilusão e meu contentamento,/ a luz que prende a alma e a torna sonhadora,/ e se hoje tua ausência em vão choro e lamento,/ é porque te perdi, fada consoladora !// Aguardo teu retorno, encantada revinda,/ pra que volte a cantar e a bendizer o amor.../ Na noite mais atroz te concebo mais linda// e necessito, enfim, de teu magno esplendor/ que me faça entender, talvez um pouco ainda,/ o sonho genial de ser poeta e cantor...----------------======IALMAR PIO======= -------========EDITADO AQUI EM 15.10.2006=========================================== ============================= É PRECISO MEDITAR LONGAMENTE...------É duro estar aqui pensando/ que o dia amanhã poderá/ ser fatal./ As nuvens passeando pelo céu/ vêm contar histórias longínquas/ e uma esperança urgente/ descreve a emoção/ de se estar parado/ a contemplar a paisagem./ É preciso meditar longamente/ a fim de seguir o caminho que mais convém./ Tu poderias ser a meta a atingir./ Mas, onde andarás ?--------------=======IALMAR PIO=======--------- MODELO-----Não rompo o verbo/ para não ferir a palavra/ Quem simplifica reparte/ Se fujo do contratempo/ me deparo com o muro de pedras/ Sigo um caminho de curvas/ sem retorno/ Altos e baixos encontro e transponho/ Não adjetivo para não colorir o verso/ Procuro poetar sem subterfúgios/ assim me concretizo.--------------=======IALMAR PIO========== ------------- MENSAGEM AO POETA---------Vai em frente, segue a estrada/ sem muito esperar da glória,/ vida simples, devotada.../ Se alguém ouvir tua estória/ nostálgica e merencória,/ canta sempre, até por nada !....// Faze como o passarinho/ que saúda a natureza,/ enquanto busca um raminho,/ com afã e singeleza,/ pra construir o seu ninho:/ - maior prova de beleza !// Sejam teus versos cantigas/ que a gente escuta na rua,/ pobres canções, mas amigas/ como as estrelas e a lua;/ pois a terra será tua/ longe de dor e fadigas...// Não temas crítica austera/ e nem te afastes do tema,/ sempre alcança quem espera;/ prosseguir seja teu lema/ e verás a primavera/ coroar-te com seu diadema !-----------------======IALMAR PIO=======---------------- =============EDITADO AQUI EM 20.10.2006======================================================================= SERENATA----------Flauta, violino, bandolim unidos/ dentro da noite soltam seus gemidos/ no ardor sonoro de uma serenata;/ e a lua lá no céu já se desata,/ em claridade lânguida e tristonha,/ alvinitente como uma cegonha...// Oh! tudo envolto em música e ternura.../ A terra nos parece até mais pura/ em tais momentos de sublime encanto./ Foge a tristeza, não existe pranto;/ apenas nasce uma esperança vaga/ e a nossa vida num amor naufraga.// A serenata branda continua:/ - Flauta, Violino, Bandolim e Lua...-----------========IALMAR PIO=========== SONETO AFLITO--------Quisera aqui deixar escrito de passagem/ aquele enlevo que nos uniu num momento;/ depois tomaste um rumo e seguiste viagem/ como quem parte, assim levada pelo vento...// Hoje procuro ouvir na tênue voz da aragem/ um suspiro talvez; ou quem sabe um lamento/ emitido por ti, tal qual uma mensagem/ que me permita, enfim, lograr o meu intento...// Mas vão-se as estações: inverno, primavera,/ verão e outono; e ainda estou sozinho e triste,/ na aflição infernal de quem sofrendo espera...// Se ouvires, por acaso, um pássaro canoro/ entoar uma canção que tu jamais ouviste,/ recorda-te, que te lembrando, ainda deploro !----=======IALMAR PIO==========--- - NA NOITE CALMA------Olho a paisagem noturna/ através da luz elétrica,/ me parece tão soturna;/ eu a vejo quase tétrica.// As árvores estão quietas/ nem uma brisa as balança./ Onde estarão os poetas/ que cantaram a esperança ?/ Como realizar-se o sonho/ que alimentei em menino ?/ Eu bem sei que estou tristonho/ a cumprir o meu destino.// E permaneço cismando/ como alguém que espera ainda;/ meu pensamento voando/ dentro desta noite infinda.----------------==========IALMAR PIO==========------------ ================EDITADO AQUI EM 26.10.2006=================================================================== Soneto da Consolação--------Nesta tarde eu queria estar contigo.../ No entanto, tudo nos afasta agora./ Desejo teus carinhos e bendigo/ o ardor sem par que nos uniu outrora.// Jamais pretendo ser teu inimigo,/ vivemos bons momentos, não se chora/ nem mesmo que aparente ser castigo/ quando um dos dois, enfim, se vai embora.// Se nossos corações entrelaçados/ não puderam conter tanta emoção/ e ficamos na vida separados,/ tenhamos afinal a sensatez/ para aceitarmos a consolação/ de ainda nos amarmos outra vez.-------------=======IALMAR PIO========================================= SONETO DO ABANDONADO--------Se teu amor chegasse de mansinho/ e aos poucos me envolvesse corpo e alma;/ se ele viesse me trazer carinho/ quando me desespero e perco a calma...// Se fosses o fanal do meu caminho/ e me surgisses numa noite calma,/ como alguém que procura um quente ninho/ para amar e aquecer o corpo e a alma...// Ambos unidos pelo mesmo afeto,/ tanto sincero quanto predileto,/ viveríamos horas mais amenas...// Mas enquanto não vens não tenho nada;/ minha vida é um casa abandonada/ onde alguém chora a sós amargas penas.------------==========IALMAR PIO=======-------- =============================================================== UM SONETO ARDENTE-------Beijar-te os lábios num delírio mudo,/ prender-te toda nos meus fortes braços,/ amar-te num amor sincero e rudo,/ depois cantar-te nos meus versos lassos.// Cantar a sensação dos teus abraços/ quando por ti das dores me desnudo,/ fazer das ilusões mil estilhaços,/ estar feliz atrás do flóreo escudo/que ostentas em tua alma virginal,/ era trilhar a estrada da ventura/ num sonho límpido e descomunal/ e achar a fonte cristalina e pura/ que torna o coração sempre jovial/ e os nossos males mais profundos cura.-----------=======IALMAR PIO========= -------- ===============================EDITADO AQUI EM 02.11.2006============================================= ================================================= POEMA DE AMOR EM FORMA DE SONETO-------Quero inventar palavras que nunca disse a outra mulher,/ para falar do amor que despontou enfim,/ em nossa vida num momento qualquer/ e veio transformar nossos destinos assim...// Quero inventar palavras que te agradem e sintas por mim/ tudo o que teu desejo de sensação romântica puder,/ enquanto eternamente tua paixão me quiser...// Quero inventar palavras de esperança e ternura/ que nos permitam uma convivência tranqüila/ embora sabendo que nem tudo são apenas flores.// Mas, se mais tarde nos visitar um pouco de amargura/ saibamos com discernimento e paciência distingui-la/ e saber que também faz parte de todos os amores...----------======IALMAR PIO========– Porto Alegre, 22/10/2002.==============================publicado aqui em 5.11.2006=========================================== ===========TROVAS ESPARSAS------A noite sucede ao dia/ e assim se passam os anos;/ eu vivo sem alegria/ e morro de desenganos...// Como uma musa eu te quis/ e depois como mulher,/ oh como fui infeliz/ por amar quem não me quer !// Quando chegaste trazias/ um mundo imenso no olhar,/ ao partires deixarias/ só tristeza em teu lugar.// Tens razão quando me dizes/ que o poeta é um sonhador,/ neste mundo de infelizes/ só assim suporta a dor.--------======IALMAR PIO================================= SONETO A OLAVO BILAC---------In memoriam------Jamais se extingue o mágico talento/ que ao verso devotava o gênio culto/ e lendo teus poemas eu exulto/ ao ver tamanho amor e tanto alento.// Ourives da poesia, nunca o insulto/ de abandonar a forma ou o sofrimento/ de sentir relegada ao esquecimento/ tua Profissão de Fé, sublime culto !// Enquanto nossa Língua tão sonora./ tiver o gosto amargo da saudade,/ no peito de quem ama ou de quem chora/ não morrerá a música do verso,/ a quem deste um sabor de eternidade/ na infinita amplidão deste Universo !-------===========—IALMAR PIO (Vide no GOOGLE) =====================================================CANTILENA------Hoje penso nos versos que escrevi/ e aos poucos vou me convencendo, enfim,/ que muitos deles viverão em ti/ como lembranças eternais de mim !// Representando as mágoas que sofri,/ os teus ouvidos, num rumor sem fim,/ vão beijar, semelhando um colibri/ que beija as lindas flores de um jardim...// E não esquecerás meu canto infindo,/ onde estiveres, fada dos meus sonhos,/ pois docemente irá se definindo/ minha voz melancólica e serena,/ com lamentos talvez até tristonhos,/ porém inconfundível cantilena !------------========IALMAR PIO==========================---- ===============EDITADO AQUI EM 10.11.2006==================================================== Soneto de Sonhador----------Já não me encontro só nem desgraçado/ pois te levo total no meu olhar;/ nem poderei viver sem teu agrado/ enquanto não consiga te olvidar.// Quando às vezes passeio pelo prado,/ a natureza em flor a contemplar,/ parece que tu segues ao meu lado/ e os dois formamos um ditoso par.// Eu prossigo sonhando à luz do dia,/ que estás presente em todos os momentos,/ na tarde calorosa ou noite fria,/ e também de manhã andando a esmo;/ porque vencendo obstáculos violentos/ sinto que fazes parte de mim mesmo.------------==========IALMAR PIO====================— =================================================================== NOSTALGIA-------Certa noite disseste aos meus ouvidos/ que gostavas dos versos que te fiz/ e ouvindo teus arroubos incontidos/ nem sabes como me senti feliz !// E então ficamos algum tempo unidos,/ fazendo-nos carícias pueris/ pra sermos hoje dois desconhecidos/pensando que o destino assim o quis...// Eu guardo na memória, todavia,/ todo teu ser, com tanta nostalgia,/ tal golpe daqueles que fatais/ a gente sofre sempre por alguém./ Sei que outras poderão surgir, porém.../ por que, afinal, só tu não voltas mais !?-----------------==========IALMAR PIO==========================------- ===================================================================== SONETO DE UM SOLITÁRIO----------Por que a solidão me faz tremer/ no escuro desta noite, sem ninguém ?/ Oh quem sabe, eu nasci para sofrer/ e tu que lês meus cânticos, também !...// Minha mágoa não posso descrever,/ é uma vontade de possuir alguém/ e ao mesmo tempo a ela pertencer/ com toda força que minhalma tem.//Eu sei que a madrugada chegará/ e o galo vai cantar; é o mensageiro/ a prenunciar o dia que amanhece./ Maior tristeza que a minha não há:/ mas se fores feliz, sem desespero,/ não guardes estes versos e ... me esquece.--------------------==========IALMAR PIO==============---------------- ====================EDITADO AQUI EM 20.11.2006========================================== DOIS LIVROS EXEMPLARES DE VISCONDE DE TAUNAY ==================IALMAR PIO SCHNEIDER============== Terminei de ler esses dias o livro impressionante A Retirada da Laguna, de Visconde de Taunay, de cujo autor já o havia feito de Inocência, há muitos anos. Trata-se de um episódio da Guerra do Paraguai, de passagens trágicas, e por demais cruéis, que aconteceram naquele conflito bélico. De fato, o escritor assim inicia no Capitulo IV, seu relato da Marcha sobre a fronteira paraguaia. Conselho de guerra. “Arrancou a coluna a 25 de fevereiro de 1867, indo acampar a uma légua da vila, à margem do rio Nioac. Logo que pudemos, visitamos o comandante. Tinha a barraca sobre um montículo pedregoso, a meio abrigado por palmeiras que tornavam aprazível aquele local. Estava agitado: já para o rancho da tarde faltava gado. A 26 estávamos no Canindé; a 27 no Desbarrancado.” Como existe diferença entre os dois livros! No Retirada da Laguna, os horrores da guerra e a epidemia da cólera dizimando o Exército, tendo entre suas vítimas o filho e depois o próprio guia Lopes da Laguna, e por último o tenente-coronel Juvêncio e o coronel Camisão. O desespero dos soldados enfrentando as maiores vicissitudes, quase que indescritíveis e conforme relata o autor: “Quanta idéia lúgubre evoca um campo de batalha! Sobretudo nestas solidões imensas, onde o próprio gênio do mal parecia ter penosamente convocado e reunido alguns milhares de homens para que mutuamente se exterminassem, como se terra lhes faltara para viverem em paz do fruto do seu labor.” E não existe final mais comovente e doloroso do que se transcreve abaixo: “A 12 de junho baixou uma ordem do dia do nosso valente chefe José Tomás Gonçalves, em poucas palavras resumindo os acontecimentos desta terrível campanha: “A retirada, soldados, que acabais de efetuar, fez-se em boa ordem, ainda que no meio das circunstâncias as mais difíceis. Sem cavalaria contra o inimigo audaz que a possuía formidável, em campos onde o incêndio da macega, continuamente aceso, ameaçava devorar-vos e vos disputava o ar respirável, extenuados pela fome, dizimados pela cólera que vos roubou em dois dias o vosso comandante, o seu substituto e ambos os vossos guias, todos estes males, todos estes desastres vós os suportastes numa inversão de estações sem exemplo, debaixo de chuvas torrenciais, no meio de tormentas de imensas inundações, em tal desorganização da natureza que parecia contra vós conspirar. Soldados! Honra à nossa constância, que conservou ao Império os nossos canhões e as nossas bandeiras”. Este livro me foi recomendado pelo professor de português e de história do Brasil, quando cursava o antigo ginásio, e só agora, dei-me a prioridade de o ler. Já o outro livro, Inocência, como o próprio nome está a indicar, é uma história de amor das mais românticas que existem em nossa literatura dessa Escola. Assim se refere Ivan Cavalcanti Proença, ao apresentá-lo: “Este Inocência vem sendo reeditado sucessivamente e é livro único, na literatura brasileira, traduzido para quase todas as línguas”. Confesso que o li duas vezes e estou pretendendo relê-lo. Aqui com certeza fala mais alto meu saudosismo de que me não liberto por mais que o procure fazê-lo. Estas são duas obras, cujo autor Alfredo d’Escragnolle Taunay, Visconde de Taunay, foi Oficial Superior do Exército Brasileiro, Senador do Império do Brasil e membro da Academia Brasileira de Letras, tendo nascido no Rio de Janeiro a 22 de fevereiro de 1843 e falecido na mesma cidade em 25 de janeiro de 1899. Resta-me acrescentar que são duas obras de leitura atraente, não obstante as cenas dantescas que povoam as páginas de A Retirada da Laguna, contrastando com a amenidade das de Inocência, que ainda persistem em meu subconsciente quais amáveis lembranças... Cronista e poeta – E-mail: menestrel@brturbo.com ===========PUBLICADO NO DIÁRIO DE CANOAS - RS=====Editado aqui em 2.12.2006=========================================== =================== Prezado(a) colega poeta (poetisa) ! Saudações poéticas... Envio-lhe abaixo os sites e blogs de minhas poesias. Agradeço-lhe pela atenção e muito me honraria sua mensagem e comentário dos mesmos nos próprios sites e blogs. http://www.sonetos.com.br/meulivro.php?a=44&%20x=5&%20y=8 http://menestrelobo.vilabol.uol.com.br/IALMAR.PIO.html http://ial123.blog.terra.com.br/poesias_9 http://ialmar.pio.schneider.zip.net/ http://br.geocities.com/jerusalem_13/lobodaestepe.html http://www.claudiapoesias.hpg.ig.com.br/menestrel.htm http://www.humancat.com/Versos/deamor.htm http://www.horadosperdidos.weblogger.terra.com.br/index.htm Saudações Ialmar Pio Schneider E-mail: menestrel.lobo@terra.com.br =============EDITADO AQUI EM 3.12.2006======================================================POEMETO-------------Das juras que nós fizemos/ nenhuma permaneceu;/ ficaste triste por isto/ e mais triste fiquei eu !...// Hoje vivemos perdidos/ por este mundo a rolar,/ vais seguindo lentamente/ também sigo devagar...// Quando te vejo cismando/ penso que és infeliz,/ pouco tiveste da vida/ e nem eu tive o que quis...----------------======IALMAR PIO=======----------------===================================================SEM A TUA COMPANHIA------------A chuva cai lá fora/ em meio à noite escura.../ Ah como tarda surgir a aurora/ que me trará novas promessas de ventura !// Novas luzes/ levantarão com a alvorada./ Novos ritmos de poesia/ ouvirei na voz maviosa da passarada./ Verei novas cores para a fantasia/ no entanto estarei irremediavelmente triste/ sem a tua confortável companhia.--------------========IALMAR PIO=========== ---------------================== SONETO-------------O tempo há de trazer a nostalgia/ e quando, sem consolo, velha fores,/ repassarás a página de amores/ da vida que será demais tardia.// Então recordarás quando existia/ em teu destino cheio de esplendores,/ um homem que por veros sonhadores/ cantava tua beleza noite e dia.// E na mente cansada e insatisfeita/ não terás o sossego que deleita/ os derradeiros passos dos velhinhos,/ pela simples razão que não se olvida/ as benfazejas impressões da vida/ e a falta que nos fez certos carinhos.---------------------========IALMAR PIO===========----------- ==================================EDITADO AQUI EM 8.12.2006================================================================================== SONETO MATUTINO============== ======IALMAR PIO========= Surge a manhã, os pássaros cantores vêm despertar as nossas emoções... Quem poderá viver sem ter amores embora sejam sonhos e ilusões ? O sol nascente esparge resplendores que são quais ondas d’ouro aos borbotões; o próprio orvalho que dá vida às flores semelha pérolas em profusões... Nesses momentos de êxtase e de enlevo sinto quanto minh’alma está vazia e lastimando tua ausência escrevo. Se por acaso leres estas linhas pensa na solidão e na poesia que sempre foram companheiras minhas. CANOAS, 28-12-84 - O TIMONEIRO - PÁG. 17 _______________________________________________________________________=========EDITADO AQUI EM 15.12.2006===================================== ============================FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO-NOVO================= IALMAR PIO SCHNEIDER================ Das comemorações cristãs, sem dúvida, o Natal é a mais expressiva para as crianças, em vista de que o Papai Noel sempre é lembrado e querido por elas. Como disse a escritora Lya Luft, ao ser indagada por uma criança se o Papai Noel existia, ela respondeu: - Para quem acredita, ele existe. De fato, pode-se abafar muitos sentimentos, mas a esperança que acalenta a imaginação infantil de receber um presente, nunca poderá morrer, por mais pobre que seja. Lembremos que Jesus Cristo nasceu numa manjedoura... Veio para nos pregar sua doutrina divina e insuperável de salvação e amor entre as pessoas, quando afirmou: - Amai-vos uns aos outros como eu vos amei... Era a solidariedade humana que nos deixava para que a praticássemos em nossas vidas com profundo amor e amizade. Como o Natal sempre foi cantado pelos poetas de todos os tempos, aqui transcrevo o soneto em versos alexandrinos do excelso poeta parnasiano brasileiro Olavo Bilac, tão sugestivo para a data: “NATAL – No ermo agreste, da noite e do presepe, um hino/ De esperança pressaga enchia o céu, com o vento.../ As árvores: “Serás o sol e o orvalho !” E o armento: / “Terás a glória !” E o luar: “Vencerás o destino !”// E o pão: “Darás o pão da terra e o pão divino !”/ E a água: “Trarás alívio ao mártir e ao sedento !”/ E a palha: “Dobrarás a cerviz do opulento !”/ E o teto: “Elevarás do opróbrio o pequenino !”// E os reis: “Rei, no teu reino, entrarás entre palmas !”/ E os pastores: “Pastor, chamarás os eleitos !”/ E a estrela: “Brilharás, como Deus, sobre as almas !”// Muda e humilde, porém, Maria, como escrava,/ Tinha os olhos na terra em lágrimas desfeitos:/ Sendo pobre, temia; e, sendo mãe, chorava.” POESIAS – 28ª Edição – Livraria Francisco Alves – 1964 – Rio – pg. 313 Eis um relato poético de um dos maiores vates desta nação, que versejava maravilhosamente em diversas áreas do gênero, tanto romântico como patriótico, infantil ou religioso. Outrossim, como se aproxima já o Ano-Novo, faz-se necessário lembrar que tenhamos esperança e convicção de que ele nos trará outros rumos mais propícios ao desenvolvimento do País. Que os governantes tenham consciência e discernimento necessários para que a estagnação econômica não se verifique, bem como a criação de novos empregos com carteira assinada sejam conseguidos, a Reforma Agrária realizada a contento, enfim, as metas governamentais implementadas. Vamos acreditar que as CPIs façam justiça e os responsáveis pela corrupção punidos exemplarmente, pois o povo trabalhador e honesto não merece ficar excluído e a ver navios quanto à saúde pública (cada vez mais podada em suas verbas). É de notar-se também que as estradas de rodagem de modo geral estão sucateadas e onde existia asfalto hoje é uma buraqueira inacreditável, destruindo os veículos e ocasionando prejuízos enormes aos usuários (caminhoneiros, ônibus e condutores de carros de passeio). Isto para ficar apenas nesses tópicos que ora me surgiram à memória. Quisera, como em tempos de criança que não voltam mais, sair por aí desejando a todos, tal como Cecília Meireles se expressou: “Como estamos mudados! Em meio século, perdemos aquela ingenuidade dos votos dirigidos de janela a janela: “Boas Festas!”, “Feliz Ano Novo!”; das ceias tradicionais, talvez copiosas, porém modestas; das lembrancinhas oferecidas às crianças como um dom misterioso do céu; dos vestidos novos para os ofícios das igrejas e das visitas aos presépios; alegria das músicas e cânticos, deslumbramento dos olhos diante de uma Belém infantil, com patinhos nos lagos e lavadeiras nos rios... Ah! como éramos sensíveis, imaginativos! Como estávamos prontos a completar, com a nossa memória dos episódios evangélicos, a paisagem arbitrariamente inventada! Como achávamos naturais todas as coisas desencontradas naquele mundo fictício! Talvez prevíssemos que no nosso não o era menos, e igualmente e misteriosamente desencontradas as coisas que nele iríamos presenciar!” Finalizando, quero desejar a todos um Feliz Natal e Próspero Ano-Novo de 2006, junto aos que lhe são caros. Até mais... Cronista colaborador PUBLICADO NO DIÁRIO DE CANOAS. ================================ =============== AUTO-RETRATO------Preciso confessar que não a quero/ por simples desabafo ou desagrado;/ e procurando ao menos ser sincero/ comigo mesmo o coração magoado.// Se nada tive e tudo ainda espero,/ mais infeliz fora não Ter cantado/ o amor inatingível que venero/ num misto de virtude e de pecado.// Alguém irá dizer, é bem provável,/ que sou um sonhador, que vivo abstrato/ no mundo da ilusão desagradável...// porquanto transformei a minha vida/ num esboço qualquer, o auto-retrato/ de uma pessoa a mim desconhecida.------=========IALMAR PIO=====================EDITADO AQUI EM 4.1.07===================== ======================================================================= OUTRA ÉPOCA E UM POETA INESQUECÍVEL ====IALMAR PIO SCHNEIDER======= Esses dias estava percorrendo os livros de minha biblioteca nas prateleiras e encontrei um volume de saudosa memória, autografado pelo autor, intitulado Bom Dia, Juventude ! Trata-se da obra do inspirado poeta de Caçapava do Sul – RS, hoje falecido, Francisco Guarany De Bem. O autógrafo é de 17 de maio de 1982, quando ele já andava beirando os 80 anos, pois sua data natalícia é 16 de abril de 1903. Lembro-me que o conheci na sede da Casa do Poeta-Riograndense, que naquela época funcionava nos Altos do Mercado Público, Sala nº 119, que bem poderia continuar até hoje naquele local, s.m.j., pois ele já escreveu naquela ocasião: “Em agradecimento aos relevantes serviços prestados pelo nosso incansável Fachinelli, inclusive a sua incessante batalha para que tenhamos um salão próprio, e que este salão nos seja doado pela Prefeitura de Porto Alegre. Espero que muito em breve vejamos a nossa bandeira tremulando sob o caloroso aplauso dos Srs. Vereadores e hasteada pelas mãos do nosso digno Prefeito.” Todavia, como escreveu no prefácio o literato Hugo Ramírez, ilustre membro da Academia Rio-Grandense de Letras, a respeito, num texto lapidar, o seguinte: “São versos tocados de simplicidade e pureza de alma. Inspirados por distintos momentos e motivos, inebriam-se de romantismo e saturam a atmosfera de todo o volume com seu aroma amoroso. Os versos de amor são os mais significativos do caráter e da experiência do autor. Atingir a seu estágio com esta exuberância de bem querer é privilégio que Deus a poucos concede, tão sáfaros são freqüentemente os corações que muito viveram, eivados de amargura.” O ponto máximo de sua criação literária, está nas páginas 34 e 35, que aqui transcrevo como uma homenagem ao saudoso poeta amigo: “Pedra do Segredo – Prólogo – “Lá na escarpada da serra, ao lado da altaneira cidade de Caçapava do Sul, meu querido torrão natal, há uma pedra lendária em seus assombros. Lembro-me, quando pequenino ainda, passava as noites sem poder dormir pelo medo que eu sentia, horrorizado das assombrações que no galpão um pardo velho me contava dela. Hoje, para me redimir do mal que ela me fez sem Ter nenhuma culpa, aqui estou eu convidando a todos para oportunamente se dignarem conhecê-la. E, tenho a certeza absoluta que, ao defrontarem-se com aquela grandiosidade que lá está encravada, assim como eu o fiz quando a conheci, também todos vós ao conhecê-la primeiro se curvarão, respeitosamente, para depois beijá-la.”” E para complementar, transcrevo abaixo também, o soneto que ele dedicou ao saudoso amigo poeta e declamador Hugo Britto, e com o qual ficou conhecido como o poeta da Pedra do Segredo: “Muito longe daqui, lá em Caçapava,/ Há uma pedra lendária em seus assombros./ Ouviam nela um arrulhar de pombos,/ Ou os gemidos de uma antiga escrava.// Na medida que a serra se desbrava,/ A lenda morre num montão de escombros./ Sonhando, um peso me saiu dos ombros:/ A história dela mal contada estava.// E lá está a pedra majestosa e bela !/ Ninguém sabe dizer que pedra é aquela,/ Todos a chamam Pedra do Segredo.// É um diamante engastado lá na serra,/ Que Deus, olhando para minha terra,/ Deixou por gosto lhe cair do dedo.” Hoje, decorridos tantos anos, ainda me assaltam aqueles dias em atropelo na lembrança do que não volta mais. Mas este viver me ensinou que a convivência poética permanece, como naquele autógrafo: “Para o prezado amigo..., com um caloroso abraço, subscrevo-me. Ass. ... Porto Alegre, 17-5-82”, em sua letra tremida e miúda prestes a octogenário. Que Deus vele por ele, enquanto eu recito minha quadra: Os versos que a gente escreve,/ mesmo que sejam banais,/ é um pouco da vida breve/ que não volta nunca mais ! Até outra oportunidade. Poeta e cronista – E-mail: menestrel@brturbo.com Publicado em 14 de outubro de 2004 – no Diário de Canoas. ========EDITADO AQUI EM 20.01.2007=================================TROVA DE IALMAR PIO - Vou te amar intensamente/ como nunca foste amada;/ este é o desejo que sente/ a minha alma apaixonada... Capão da Canoa - RS, 21.1.07+++++=====SONETO de IALMAR PIO - para Alguém -- Quisera nesta tarde sempre amar-te,/ embora não estejas em meus braços,/ mas, ao te ver agora em toda parte,/ tua lembrança esquece os meus fracassos...// O que faria para conquistar-te,/ nestes momentos lânguidos e escassos?/ Bem que puderas ser o sol e a arte/ poética que mudem os meus passos.// Porém, estás distante e só te vejo/ em meu reino encantado da poesia/ que me permite conseguir te olhar...// E enquanto mais aumenta o meu desejo,/ serás o lindo céu de fantasia,/ mergulhando na imensidão do mar... ---++++Capão da Canoa - RS, às 15h45min, em 30.01.2007+++++=========TROVA DE IALMAR PIO - Sei que sempre vou te amar,/ mesmo quando não quiseres;/ és a sereia no mar/ da multidão das mulheres ! - Capão da Canoa - RS, às 19h14min, de 30.01.2007++++++++==========EDITADO AQUI EM 06.02.2007=================================== UMA REUNIÃO LITERÁRIA========= IALMAR PIO SCHNEIDER================ Aconteceu no dia 2 do corrente no salão térreo da Fundação Cultural de Canoas, às 17 hs., digamos, um conclave para tecer-se algumas considerações e bate-papo a respeito da literatura que se realizou em nosso município e o que se poderá fazer para a divulgação do livro. Compunham a mesa, os escritores Antonio Canabarro Trois filho, Tonito, presidindo-o, o Ir. Henrique Justo, Antonio Mesquita Galvão, Faustino Machado e o eminente patrono da 20ª Feira do Livro do Livro de Canoas, Prof. Francisco Dequi. Estavam presentes também, entre outros cultores das letras e artes, a presidente da Casa do Poeta de Canoas, Maria Santos Rigo, o presidente da Associação Cultural de Canoas, Francisco Trois, o presidente da Associação Canoense de Escritores Independentes, Henrique Martins de Freitas, os artistas plásticos Vinício Cassiano e Antonio José Giacomazzi, também poeta. Face ao que foi ventilado, chegou-se à conclusão, en passant, que há necessidade de aproveitar-se a mídia jornalística, televisiva e radiofônica para que as produções literárias e artísticas em geral do município sejam conhecidas e apreciadas pelos conterrâneos. Entretanto, para que isto se concretize há que se iniciar na base, ou seja, nos lares e na escola fundamental. O escritor Antonio Mesquita Galvão falou que lia os livros de Karl May, na juventude, pensando tratar-se de um escritor norte-americano, devido aos assuntos de seus livros, tratando de lutas entre pioneiros e índios, tais como Entre Abutres. Lembro-me que li do mesmo autor, Através do Deserto. Surpreso, ficou sabendo mais tarde que se tratava de um escritor alemão que nunca havia saído de sua terra, mas que era muito instruído. Aproveitei o ensejo para citar o nosso escritor romântico por excelência, José de Alencar, que nunca esteve no Rio Grande do Sul e escreveu o Gaúcho, que li, outrora, com muita satisfação. O Ir. Henrique Justo, disse que nossa literatura a respeito do município e cidade estão em Pequena História de Canoas, do saudoso João Palma da Silva e Noite do Quebra-Quebra de Walter Galvani. Leu, também, um poema que compôs à guisa de hino a Canoas, lá pelos idos de 1940, quando por aqui aportou. Muito inspirado, correto, enaltecendo a cidade que o acolheu. Digno dos melhores encômios é o que vem realizado o jornalista Antonio Canabarro Trois filho, quando está compilando as matérias jornalísticas publicadas nos periódicos de Canoas, desde o início, já existindo 12 volumes. Afirmou que continua publicando conforme as verbas disponíveis. É elogiável !... O professor Francisco Dequi discorreu sobre o ensino da Língua Portuguesa, que já não deve ser tão rigoroso e castiço e sim mais coloquial para que seja aceito e entendido por todos, no que concordo em gênero, número e grau. O escritor Faustino Machado, disse que a sua aprendizagem da Língua Portuguesa, muito se deve ao conhecimento de latim e análise sintática que teve a oportunidade de aquilatar em seus estudos, o que não deixa de ser uma verdade inquestionável. Muito mais foi dito e ventilado a respeito do tema, mas após duas horas de confabulação agradável, encerrou-se a reunião ou conclave literário como ouso batizar esse encontro. O assunto apenas começou mas podemos dizer que uma semente foi plantada. Resta dizer que iniciativas como esta devem se repetir para que os objetivos sejam atingidos. Até mais outra oportunidade... Cronista e poeta – E-mail: menestrel@brturbo PUBLICADO NO DIÁRIO DE CANOAS - RS . =========EDITADO AQUI EM 7.2.2007=-======================== “SAUDOSISTA--------Tu me acusas de eu ser um saudosista/ a viver relembrando amores idos.../ como queres que assim deles desista/ se foram, afinal, apetecidos ?// E viverão comigo enquanto exista/ saudade dos momentos bem vividos,/ representando sonhos de conquista,/ oh como poderão ser esquecidos ?!// É meu dever querer-te sempre mais,/ mas os direitos devem ser iguais/ para que nunca Amor haja conflito.// A acusação que sai da tua boca/ só te transtorna, tu pareces louca !/ Aquilo que houve outrora está prescrito...”------------------(IALMAR PIO=====================)============================================== DOIS LIVROS EXEMPLARES DE VISCONDE DE TAUNAY======= IALMAR PIO SCHNEIDER================= Terminei de ler esses dias o livro impressionante A Retirada da Laguna, de Visconde de Taunay, de cujo autor já o havia feito de Inocência, há muitos anos. Trata-se de um episódio da Guerra do Paraguai, de passagens trágicas, e por demais cruéis, que aconteceram naquele conflito bélico. De fato, o escritor assim inicia no Capitulo IV, seu relato da Marcha sobre a fronteira paraguaia. Conselho de guerra. "Arrancou a coluna a 25 de fevereiro de 1867, indo acampar a uma légua da vila, à margem do rio Nioac. Logo que pudemos, visitamos o comandante. Tinha a barraca sobre um montículo pedregoso, a meio abrigado por palmeiras que tornavam aprazível aquele local. Estava agitado: já para o rancho da tarde faltava gado. A 26 estávamos no Canindé; a 27 no Desbarrancado." Como existe diferença entre os dois livros! No Retirada da Laguna, os horrores da guerra e a epidemia da cólera dizimando o Exército, tendo entre suas vítimas o filho e depois o próprio guia Lopes da Laguna, e por último o tenente-coronel Juvêncio e o coronel Camisão. O desespero dos soldados enfrentando as maiores vicissitudes, quase que indescritíveis e conforme relata o autor: "Quanta idéia lúgubre evoca um campo de batalha! Sobretudo nestas solidões imensas, onde o próprio gênio do mal parecia ter penosamente convocado e reunido alguns milhares de homens para que mutuamente se exterminassem, como se terra lhes faltara para viverem em paz do fruto do seu labor." E não existe final mais comovente e doloroso do que se transcreve abaixo: "A 12 de junho baixou uma ordem do dia do nosso valente chefe José Tomás Gonçalves, em poucas palavras resumindo os acontecimentos desta terrível campanha: "A retirada, soldados, que acabais de efetuar, fez-se em boa ordem, ainda que no meio das circunstâncias as mais difíceis. Sem cavalaria contra o inimigo audaz que a possuía formidável, em campos onde o incêndio da macega, continuamente aceso, ameaçava devorar-vos e vos disputava o ar respirável, extenuados pela fome, dizimados pela cólera que vos roubou em dois dias o vosso comandante, o seu substituto e ambos os vossos guias, todos estes males, todos estes desastres vós os suportastes numa inversão de estações sem exemplo, debaixo de chuvas torrenciais, no meio de tormentas de imensas inundações, em tal desorganização da natureza que parecia contra vós conspirar. Soldados! Honra à nossa constância, que conservou ao Império os nossos canhões e as nossas bandeiras". Este livro me foi recomendado pelo professor de português e de história do Brasil, quando cursava o antigo ginásio, e só agora, dei-me a prioridade de o ler. Já o outro livro, Inocência, como o próprio nome está a indicar, é uma história de amor das mais românticas que existem em nossa literatura dessa Escola. Assim se refere Ivan Cavalcanti Proença, ao apresentá-lo: "Este Inocência vem sendo reeditado sucessivamente e é livro único, na literatura brasileira, traduzido para quase todas as línguas". Confesso que o li duas vezes e estou pretendendo relê-lo. Aqui com certeza fala mais alto meu saudosismo de que me não liberto por mais que o procure fazê-lo. Estas são duas obras, cujo autor Alfredo d’Escragnolle Taunay, Visconde de Taunay, foi Oficial Superior do Exército Brasileiro, Senador do Império do Brasil e membro da Academia Brasileira de Letras, tendo nascido no Rio de Janeiro a 22 de fevereiro de 1843 e falecido na mesma cidade em 25 de janeiro de 1899. Resta-me acrescentar que são duas obras de leitura atraente, não obstante as cenas dantescas que povoam as páginas de A Retirada da Laguna, contrastando com a amenidade das de Inocência, que ainda persistem em meu subconsciente quais amáveis lembranças... Cronista e poeta – E-mail: menestrel@brturbo.com ====publicado no Diário de Canoas - RS -------EDITADO AQUI EM 11.02.2007======= ============ SONETO MATUTINO ========IALMAR PIO=============== Surge a manhã, os pássaros cantores vêm despertar as nossas emoções... Quem poderá viver sem ter amores embora sejam sonhos e ilusões ? O sol nascente esparge resplendores que são quais ondas d’ouro aos borbotões; o próprio orvalho que dá vida às flores semelha pérolas em profusões... Nesses momentos de êxtase e de enlevo sinto quanto minh’alma está vazia e lastimando tua ausência escrevo. Se por acaso leres estas linhas pensa na solidão e na poesia que sempre foram companheiras minhas. ==============CANOAS, 28-12-84 - O TIMONEIRO - PÁG. 17 _______________________________________________________________________ MONOTONIA SALUTAR ==========IALMAR PIO============= Um casal de pardais se banha agora na poça d’água rente da calçada... O sol a pino... faz calor nesta hora... É meio-dia e a tarde começada. Vem do mar uma brisa que me agrada, olho a paisagem nítida lá fora. Estou à sombra e penso em quase nada: assim minh’alma não sorri nem chora. Ficar sentado aqui sem perspectiva, ouvindo a voz das aves e o marulho, nesta monotonia cansativa; contudo salutar a quem deseja fugir do turbilhão e do barulho para buscar a calma benfazeja... =========Praia do Pinhal - 14.2.84 =====Canoas, 10 de janeiro de 1985 - Página 10 - RADAR _______________________________________________________________________ N O I T E D E I N S Ô N I A ==============IALMAR PIO==================== Quanto quisera te olvidar agora antes que seja tarde em demasia, pois novamente vai romper a aurora e teremos à frente um novo dia ! Eu te verei passar então lá fora e me verás também na companhia dos meus livros, amigos de toda hora, procurando compor qualquer poesia. Irás esbelta como sempre estás seguindo jovialmente teu caminho sem olhar um instante para trás... Eu seguirei teus passos de mansinho com meus olhos cansados e sem paz lamentando esta vida de sozinho. ==========CANOAS, 11-1-85 - O TIMONEIRO - PÁG. 6 _______________________________________________________________________=============== V E R S O S D E A M O R =========IALMAR PIO=========== Versos de amor, senti-los é o que importa e aceitá-los no instante da emoção; uma palavra simples nos exorta quando acalenta o triste coração. A poesia romântica conforta a mais desesperada solidão, é como a fada que nos abre a porta para entrarmos no mundo da ilusão. Por isto quando os leio sinto o enlevo dos que amaram demais e não me atrevo a censurá-los, pois sofri também idêntica amargura que eles têm. Versos de amor, saudade ou fantasia, encantais minha vida tão vazia !... ===========PÁG. 16 - O TIMONEIRO - CANOAS, 01.02.85 _______________________________________________________________________ AS NOITES SEM VOCÊ=========== As noites são infindas sem você e me pergunto: Agora o que será de quem amou-a tanto e não a vê e pensa que jamais a esquecerá ?! Triste infeliz daquele que não crê: sem esperança como esperará ? Menos perdido quem não sabe o que lhe reserva o caminho que virá ! Ambos, no entanto, sofrem amarguras: (quem pode ler as páginas futuras ?!); pois um tem a descrença, outro a incerteza... Eu que tenho em meu ser os dois tormentos preciso seu amor nestes momentos em que mergulho na maior tristeza !... ==============IALMAR PIO=============== Pág. 14 - O TIMONEIRO - Canoas, 01-3-85 _______________________________________________________________________ =============================== SONETO DO AMOR SINCERO ============IALMAR PIO================ Não esperes do amor outra ventura do que aquela que te fará ditosa, mas aproveita tua formosura antes que murches como murcha a rosa. Também não vivas simples aventura, pois a existência é rápida e enganosa; o tempo que perderes não tem cura, nem mesmo vale a pena ser vaidosa. Ama quem te ama com sinceridade e nunca te arrependerás, então; porque só podes ter felicidade junto de alguém que te deseja e quer, por quem sentes bater teu coração nos sonhos que te fazem ser mulher. ============Canoas, 14 de março de 1985 - RADAR - Variedades - pág. 9 _______________________________________________________________________ O D E ===============IALMAR PIO==================== Do pouco-muito que foste para mim recordarei das esperas infrutíferas não esquecerei quando o inverno surgir austero e as noites forem infindáveis também pensarei no sempre-nunca que fez meus dias desagradáveis. =============Canoas, 7-3-85 ==========Pág. l6 - O TIMONEIRO - Canoas, 22-3-85 _______________________________________________________________________======================= P O E M E T O ===========IALMAR PIO================= Faz alguns anos conheci-a em certa noite enluarada... Talvez foi simples fantasia, um devaneio só... mais nada. Porém ficou e permanece dentro de mim a sua imagem que a minha mente não esquece pois me falta, talvez, coragem. E viverá sempre comigo a lembrança meiga e feroz, que nem um sentimento amigo ou qual um terrível algoz... ============Pág. 16 - O TIMONEIRO - Canoas, 29-3-85 _______________________________________________________________________======================= E N D E C H A ==========IALMAR PIO============ Perdi demais neste querer, hoje sem paz vive meu ser. Espero, entanto, me reencontrar no próprio espanto do meu pesar. Se vou sozinho já sem ninguém, este caminho não me convém. Falta-me o quê pra ser feliz ? Falta você que eu tanto quis ! ==========Pág. 16 - O TIMONEIRO - CANOAS, 19-4-85 _______________________________________________________________________=========================== ROSA-SENSAÇÃO ============IALMAR PIO=========== Não voltará teu riso de menina quando quiseres rejuvenescer; ama !... não percas tempo, tudo ensina que não devemos sem amor viver. Olha este dia envolto na neblina e pensa no destino a percorrer, não sabes o que a vida te destina nem o que poderá te surpreender. Em breve vem a tarde e a noite desce estendendo seu manto na amplidão e lembrarás que já chegou o outono... Urge colher a rosa que floresce em teu corpo e se chama sensação; não a deixes crestar-se no abandono. ==========Pág. 18 - O TIMONEIRO - Canoas, 10-5-85 _______________________________________________________________________ ================================== POEMETO LÍRICO ===========IALMAR PIO================= Antes não tivesse visto teus olhos, o corpo e a boca, se fosse pra sofrer isto que somente me dás, louca ! Se te vejo, se me vês; nem sei que pensas por mim, embora nada me dês não quero que chegue o fim... Sonhas, talvez, com alguém nesse teu mundo encantado... mesmo que eu sofra também, és o meu ser esperado. Poderás andar sozinha como no céu anda a lua; em meu pensamento és minha: sonho que se perpetua. Nada poderá romper as correntes deste amor. E quem sabe o amanhecer há de ser mais promissor ! ===============Pág. 16 - O TIMONEIRO - CANOAS, 24-5-85 _______________________________________________________________________ ======================================= SONETO-ACRÓSTICO ==============IALMAR PIO=========== Zeloso artista cujos versos leio Enquanto penso em certas “mãos de neve”, Fazendo-me sonhar num devaneio Envolto no rumor do vento leve... Rezo também, na Divindade creio, Implorando que em nossa “vida breve” Nunca nos falte a paz e sem receio Ousemos só fazer o que se deve... Brandamente cantaste num arpejo, Rogando a Deus “o bem da humanidade”... Assim foram teus hinos, um desejo Sempre constante, como a claridade, Irradiando um “eflúvio de doçura”, Límpido canto de uma sã loucura... (24-4-84/data natalícia/Homenagem ao Patrono Espiritual da Casa do Poeta Rio-Grandense). ==============Pág. 30 - O TIMONEIRO - CANOAS, 31-5-85 _______________________________________________________________________ ================================ ESPERA DA SONETO =======IALMAR PIO============ O que me falta nesta vida, penso... são uns carinhos sempre desejados. É ter, enfim, um forte amor imenso que contenha recíprocos agrados. Pois assim cada vez mais me convenço quanto sofreram os desenganados e como foi triste o caminho extenso dos que viveram sempre abandonados. Uma esperança ainda me seduz nestes momentos em que logro vê-la cercada de resplandecente luz. E meu olhar a fita ansiosamente como quem busca na distante estrela um lenitivo ao que sua alma sente... ===========Canoas, 06 de junho de 1985 - RADAR- Pág. 12 _______________________________________________________________________===================== O D E A O A M O R ==========IALMAR PIO=============== Conseguirás seguir sempre sozinha pela estrada que preferiste ? Então caminha sem ficares triste ! Se te faz bem viver na solidão conservando pálida a chama desta ambição, ninguém te reclama. Mas se quiseres conhecer a vida em toda a plenitude e o amor convida tua juventude, não deixes de aceitar seu chamamento com todo o frenesi e o sofrimento não terás em ti ! (Canoas -13-2-85) =========Pág. 14 - O TIMONEIRO - CANOAS, 14-6-85 _______________________________________________________________________======================= DA CONDIÇÃO HUMANA ===========IALMAR PIO============== Jamais eu te direi que estou feliz e me reservo agora este direito de sofrer por aquilo que não fiz, pois este é o meu destino e assim o aceito. Não quero que me julgues satisfeito e nem tampouco um mísero infeliz, o meu caminho embora seja estreito tem amplitudes que sonhei e quis. Se desejarmos merecer a vida profundamente além da concebida iremos naufragar em dissabores... Por isso aonde eu for e aonde fores não é preciso conseguir extremos: sejamos o que somos e seremos... ============Pág. 16 - O TIMONEIRO - CANOAS, 28-6-85 _______________________________________________________________________ ALMA DE POETA ==============IALMAR PIO=============== Agora não é tarde nem é cedo; é a vida que prossegue amargurada, são soluços de dor, enfim, mais nada, os versos que componho em meu degredo... Alimentei amores em segredo. Oh! quanta tentativa malograda levo comigo em frente pela estrada !... Quantas paixões morreram sem enredo ! Indiferente quero prosseguir, porém a solidão me desinquieta... Não sei o que será do meu porvir ! E viverei assim, triste viandante, procurando ter a alma de poeta p’ra suportar o Mundo em cada instante. =============PÁG. 14 - O TIMONEIRO - Canoas, 12-7-85 _______________________________________________________________________========================== DÚVIDA E DESEJO ========IALMAR PIO========== O amor sempre sonhado e nunca concluído é uma história infeliz sem desfecho, afinal um romance cruel e que não tem sentido, pois nos promete o bem e nos concede o mal. Quantas vezes pensando encontro-me perdido como se me levasse ao léu um vendaval e sem um só suspiro e sem um só gemido não sei se ela me quer e a dúvida é total... Mas quando a vejo linda, esbelta, donairosa, alongo meu olhar em súplica sublime pedindo à sua vida um porto à minha vida... E se não for assim que seja cor-de-rosa a estrada que ela segue enquanto me comprime um desejo de ser por ambos percorrida. ==================Canoas, 1. de agosto de 1985 - Pág. 10 - RADAR - Variedades ________________________________________________________________________================= SONETO DA LIBERTAÇÃO =========IALMAR PIO============ Quero o caminho da libertação para seguir na vida mais confiante, se alimentava mórbida ilusão procurarei bani-la, doravante. Preciso estar alerta a todo instante e suportar a humana condição, minha vigília deve ser constante neste universo envolto em turbilhão... Levo comigo a chama da esperança e apesar dos percalços da existência tenho fé, tenho amor, tenho confiança... Não mais serei o náufrago perdido pelos mares da angústia e da impaciência, porque vencendo-me, terei vencido ! ============- Canoas - 29.01.85 Pág. 16 - O TIMONEIRO - Canoas, 16-8-85 _______________________________________________________________________=================== ALÉM DO SONHO ========IALMAR PIO========= Minha loucura foi além do sonho e andei sozinho; nunca mais em meus versos eu te ponho: faltou carinho. Se continuo tímido e tristonho, é o meu caminho; e doravante nada te proponho: foste um espinho. O meu desejo andou além do sonho e procurei contê-lo em meu espírito demais bisonho mas transformou-se em pesadelo... Agora tristemente me desfaço em versos sem ardor, quando a esperança surge do fracasso à procura de um novo amor. ==============Pág. 16 - O TIMONEIRO - CANOAS, 23-8-85 _______________________________________________________________________ =============================== QUADRAS DA ILUSÃO ===========IALMAR PIO================== Aguardei tanto seu gesto pra não me perder na estrada; não lastimo nem protesto pois você não disse nada... Uma palavra seria talvez vida renovada que me trouxesse alegria, mas você não disse nada... Agora não tenho queixa desta experiência frustrada se alguém sozinho me deixa sem nunca dizer nada.... ===========Pág. 16 - O TIMONEIRO - CANOAS, 6-9-85 _______________________________________________________________________ =================================== À BEIRA-MAR ==========IALMAR PIO================ As árvores se agitam levemente... (como são verdes estas casuarinas !) dir-se-ia que respiram como a gente sob os raios solares e neblinas... Às suas sombras passam as meninas que vão à praia, nesta tarde quente, refrescar-se nas águas cristalinas e deitar-se na areia reluzente. Passam as horas, vai-se enfim o dia, a noite chega, aos poucos, de mansinho... e as moças voltam lânguidas, inquietas, enchendo todo o ambiente de poesia; depois andando ao longo do caminho vão pedalando em suas bicicletas. (Praia do Pinhal, 14-2-84) ================Pág. 28 - O TIMONEIRO - CANOAS, 27-9-85 _______________________________________________________________________ ====================================== N A P R A I A ==========IALMAR PIO============ Enquanto a vejo linda, ao sol deitada, eu vou imaginando o que seria, se vivesse com ela todo dia e que fosse por mim apaixonada... Talvez minha existência amargurada com seu calor rejuvenesceria e aportando na praia da alegria não desejasse procurar mais nada. Às vezes se levanta e fica a olhar, por algum tempo, a vastidão do mar, depois entra nas águas mansamente... As ondas vem e voltam num balanço, mas eu não tenho amor e não descanso... parece que estou longe, estou ausente ! (Pinhal, 18-2-1984) ================Pág. 18 - O TIMONEIRO - CANOAS, 18-10-85 _______________________________________________________________________ ============================================ N Ô M A D E ============IALMAR PIO============ Eu sou o desgarrado involuntário e qual um nômade, meu coração não tem fixa paragem, ao contrário vive sempre mudando de paixão... Ama deveras, em qualquer horário, a alimentar, quem sabe, uma ilusão, buscando conseguir outro cenário onde experimentar nova emoção. Não é fácil seguir este caminho em que me encontro muita vez sozinho a percorrê-lo sem saber por que... E neste meu vagar confuso... incerto.. eu me sinto perdido no deserto procurando um oásis... que é você ! ==============Pág. 20 - O TIMONEIRO - CANOAS, 13-12-85 _______________________________________________________________________ ===================================== DESOLAÇÃO ===========IALMAR PIO================ Sobre os galhos de uma árvore namora um alegre casal de pardaizinhos; enquanto isso o calor do sol, agora transforma insuportáveis os caminhos... É uma bela lição para quem chora ouvir cantarem esses passarinhos, que sem saber consolam os sozinhos e o viandante à sombra se demora... Meu coração ao vê-los se enternece, mas não lamenta os sonhos já perdidos da juventude que passou vazia... É a hora de colher a minha messe, mas vejo somente amadurecidos os frutos sem sabor que eu não queria. ============CANOAS, 27-12-1985 - O TIMONEIRO - Pág. 15 _______________________________________________________________________ ================================= CASAL SINGELO ======IALMAR PIO==================== Meu verso é pobre, verso de aprendiz, mas eu desejo que ele te conquiste e compreendendo então o que te diz te torne menos triste, pouco triste... Estavas em minh’alma quando o fiz e com força total ora persiste p’ra que eu te faça ser muito feliz e sejas menos triste, pouco triste... Que chegue a ti levando meus anelos e sonhos de vivermos bem melhor, no mundo simples dos casais singelos que passam pela estrada resignados, pois sabem as desilusões de cor e enfrentam o porvir de braços dados. ==========Pág. 14 - O TIMONEIRO - CANOAS, 7-2-1986 _______________________________________________________________________========================== FADA SEM JUÍZO =============IALMAR PIO=============== Nem tive tempo de pensar se havia alguma coisa em ti que me tocasse, apenas enxerguei em tua face uns leves traços de melancolia.... Foste qual uma aparição que nasce num momento de tênue fantasia; agora já não sei o que faria para que nosso encontro continuasse ! E não voltaste mais... só na lembrança de vez em quando surges sem aviso trazendo-me resquícios de esperança. Então procuro te agarrar, mas voas rumo ao teu reino, Fada sem Juízo, sem que de minha mágoa te condoas... ==========Pág. 18 - O TIMONEIRO - CANOAS, 18-4-86 _______________________________________________________________________ ======================== MÁGOAS E QUEIXAS =======IALMAR PIO=============== Fazer versos é fácil - dir-me-eis - se lerdes minhas páginas singelas e simplesmente reparardes nelas mágoas que nem de longe conheceis.... Se assim pensardes, nunca entendereis da própria alma as fatídicas procelas surgindo à noite, não em tardes belas, e sois felizes porque não sofreis... Se, no entanto, sentirdes a tristeza transparecendo aqui nas entrelinhas destes versos, que os leva a correnteza a transbordar em zonas ribeirinhas, é possível que tendes, com certeza, queixas amargas iguais às minhas ! CANOAS, 12-12-86 - O TIMONEIRO - Pág. 15 _______________________________________________________________________========== Bric-à-Brac NILO TAPECOARA ________________________________________________________________________=============== Soneto da indecisão============ Revivendo o caminho percorrido apenas transparente na lembrança, talvez fosse melhor total olvido do que pensar no amor que não se alcança... Porém se nunca houvesse conhecido quem transformou num sonho uma esperança, eu não teria amado nem sentido essa paixão qual bem-aventurança. Hoje estás por aí... andas vagando à procura de quem ? O teu destino se parece ao de tantas indecisas... E pensarás, bem sei, de quando em quando, em alguém que por simples desatino deixaste de querer e que precisas... ==========IALMAR PIO=========== ==========Pág. 10 - DOMINGO, 8 de fevereiro de 1987 - CORREIO DO POVO - DIVERSAS _________________________________________________________________________================ TROVAS ESPARSAS=============== Deixa-me falar contigo, dizer-te do meu amor, como se fosse o abrigo onde guardar minha dor. Esquece as mágoas passadas e vive agora o presente, pois as rosas desfolhadas não se compõem novamente. E quando estiveres triste com vontade de chorar, recorda que alguém existe querendo te consolar. ========IALMAR PIO========== ========CANOAS, 13-3-87 - O TIMONEIRO - Pág. 17 _______________________________________________________________________============== Canto Poético ===============IALMAR PIO================ Ao abrir esta cancela dei-lhe o nome de “recanto”, flua o riso, surja o pranto, tudo o que passar por ela há de ter o seu encanto. Para os leitores amigos levo aqui minha mensagem de prosseguir nesta viagem mesmo que enfrente perigos nunca me falte coragem. Trovas, sonetos e cânticos tenham aqui seu lugar, que é meu destino cantar versos simples e românticos: cantigas de terra e mar... =================Jornal Radar - Pág. 8 - Canoas, 02 de abril de 1987 _______________________________________________________________________ Bric-à-Brac NILO TAPECOARA ___________________________________________________________________________ Intento infeliz Se nada mais importa neste andar pela vida que não me divertia, hoje só tenho de me conformar com a falta de prazer e de alegria. E seguirei, no entanto, devagar esquecendo quem nunca deveria, pois é preciso agora recordar que tudo não passou de fantasia. Talvez lendo os versos que lhe fiz seu coração um pouco se enterneça ao perceber meu intento infeliz... Mas nem assim por certo se condoa, porque na sua volúvel cabeça há de pensar que andei cantando à toa... =======IALMAR PIO============= =============Pág. 8 - SÁBADO, 16 de maio de l987 - CORREIO DO POVO - DIVERSAS _________________________________________________________________________ SOLIDÃO E SEGREDO =============IALMAR PIO================== Rosto de mulher sentimental que me aparece em sonhos, bruscamente. Não sei se é a deusa do bem ou o anjo do mal, que pode me curar ou me arruinar totalmente. Traz no olhar serenamente qualquer coisa de sobrenatural, quando a vejo se me torno contente ao mesmo tempo sinto uma dor infernal. Desejo tê-la comigo em todos os momentos mas receio não agradá-la como quer pelas minhas tristezas e sofrimentos. E assim permaneço em meu degredo vivendo por essa mulher mergulhado na solidão e no segredo. (Canoas, 1.990). ===========Pág. 8 - O TIMONEIRO - Canoas, 1-2-91 SONETO SAUDOSO ==========IALMAR PIO================= Versos escritos ao correr dos anos lembram ainda a ardente mocidade, apesar dos perdidos desenganos que naufragaram nos mares da idade... Dentro d’alma, nos íntimos arcanos, existem sonhos presos à vontade que andou traçando, inutilmente, planos agora transformados em saudade... Voltam, no entanto, surgem inebriantes os anseios da vida passageira de pensamentos tênues, inconstantes... E vão permanecer quais cicatrizes de chaga mal curada, companheira daqueles que jamais foram felizes... ===========(Canoas, 31-1-88) =========Pág. 8 - O TIMONEIRO - Canoas, 8-2-91 _______________________________________________________________________ ============================= TROVAS =========IALMAR PIO================= ___________________ As trovas que a gente escreve, mesmo que sejam banais, é um pouco da vida breve que não volta nunca mais ! Levantarei meu canto qual um brinde que deverá chegar aos teus ouvidos, mas antes que o meu sentimento finde viverás em meus versos preferidos. (Canoas) Pág. 6 - O TIMONEIRO - Canoas, 1-3-91 _______________________________________________________________________=============== N O O U T O N O ============IALMAR PIO================ Noites semi-frias e virá o inverno depois e as noites ficarão mais frias e o vento entoará canções... Estamos no Outono. No silêncio das madrugadas alguém escreve poesias, mas as outras madrugadas, as que hão de vir, sejam, talvez, mais vazias. (Canoas, 21-5-82) ============Pág. 10 - O TIMONEIRO - Canoas, 17-5-91 _______________________________________________________________________====================== TROVAS ==============IALMAR PIO================ Hoje desejo somente o que deveras me apraz, levando os sonhos em frente, deixando as mágoas pra trás... Minh’alma não se contém e o sentimento extravasa pois quando te vê, meu bem, quer entrar em tua casa. O meu verso segue a rota que determina a emoção; é como a fonte que brota pra formar o ribeirão... Eu componho as minhas trovas como quem faz exercício; e por querer sempre novas, já se tornaram um vício. (Canoas ) Canoas, 7-6-91 - ==========O TIMONEIRO - Pág. 11 _______________________________________________________________________ ================================= SONETO DA INDECISÃO ===========IALMAR PIO=============== Devo fugir do amor que hoje desponta e só me vem turbar o pensamento, ou recebê-lo e dar-lhe acolhimento aceitando-o total de ponta a ponta ?! Não o quero acatar se for afronta e cause apenas aborrecimento; deve vir habitar meu sentimento onde encontre afinal a casa pronta. Preciso conhecê-lo sem tardança para fugir de tal indecisão, própria de quem deseja e não alcança. Esse amor pode ser uma ilusão, mas não há de morrer sem esperança; e por ele meus versos viverão ! (Canoas) ===============Pág. 10 - O TIMONEIRO - Canoas, 30-8-91 _______________________________________________________________________ EDITADO AQUI EM 12.02.2007===================================================== REINÍCIO ================IALMAR PIO SCHNEIDER============= De quando em vez se punha a pensar nas grandes obras que os mestres da Literatura Universal haviam criado e sentia-se, por assim dizer, diminuído, perante aqueles monumentos excelsos do pensamento, inteligência, arte e engenho humanos; isto porque sabia que jamais atingiria os píncaros daquela glória inaudita. De fato, ao se dar conta, os anos tinham passado e Otávio não havia produzido quase nada, apesar de que, outrora, quisera ser um notável escritor. Entretanto, desde cedo tivera que enfrentar o mercado de trabalho para viver, e ao conseguir certa posição na sociedade, quase que esquecera seu propósito, mas agora uma semente surgia no fundo do seu cérebro e ele, aposentado, procurava fazê-la germinar sem maiores pretensões, a não ser a de cumprir, enfim, o seu destino. Estava ciente de que possuía o livre-arbítrio, não obstante soubesse de suas limitações. Todavia, não iria seguir aquele caminho de Marcel Proust em “À Procura do Tempo Perdido”, mesmo porque já o havia ultrapassado em idade, e não demonstrava toda aquela excentricidade. Considerava-se um homem comum. Apesar de não haver seguido a carreira literária, sempre obtivera boas notas e elogios dos professores, em suas redações, quando cursara o ginásio e o científico dos Irmãos Maristas. Lembra-se de que certa vez, ao escrever uma dissertação, empregou a palavra “majestosa” com “g”, e ao receber a nota de 9,5, foi alertado com a seguinte expressão: “Cuidado ! Erro que parece fio de cabelo em sopa gostosa”. Hoje, ao lembrar essa advertência, Otávio procura reiniciar sua jornada rumo à prosa de ficção, sentindo como que um impulso alentador a fim de enfrentar esta tarefa para o resto de seus dias. Sabe, entretanto, que o caminho é árduo e inúmeras dificuldades se apresentarão à sua frente, considerando que a vida são degraus a galgar em etapas. O ofício a que se propõe requer a paciência de um Jó e a pertinácia de um Moisés, resguardadas as proporções. Ainda ontem ouviu um velho poeta dizer: “Escrever difícil é fácil, mas escrever simples é difícil.” Talvez, quem sabe, amanhã possa acrescentar algo ao acervo cultural e repetir com Thomas Carlyle: “Nenhum grande Homem vive em vão. A história da Humanidade não é mais do que a biografia dos grandes Homens.” Assim pensa Otávio em seu recanto, reorganizando suas memórias, reunindo seus antigos rascunhos e recolhendo o que sobrou da voracidade do tempo. ==========DC (17-07-1998) ================================================ O TEATRO ==========IALMAR PIO SCHNEIDER======== Dentre as artes literárias a que mais impressiona, quiçá seja o teatro, não só por ser tão antiga, mas também devido ao calor humano transmitido diretamente ao espectador. Talvez por isto mesmo se conserve sempre atual no contexto da literatura de todas as nações e apesar de ter sido precursora do cinema, não poder-se-á dizer que foi por ele superada, não obstante o avanço da tecnologia, abrangendo também a televisão. Sábado à noite, precisamente no dia 18 de julho de 1998, às 21 h. fomos ao Theatro São Pedro, onde assistimos à uma peça muito sugestiva e interessante denominada Duas Mãos, com as inigualáveis atrizes Ingrid Guimarães e Carol Machado, fazendo os papéis de avós e netas, encarnando as personagens Mithése e Ássima (avós), e Sônia e Regina (netas), ao mesmo tempo. Estávamos: apreciando o desempenho e a interpretação impecáveis das atrizes em pauta, do alto de um camarote do teatro completamente lotado, quando tocou-me o espírito o sentimento da arte dramática; e dizer que ela vem desde os primórdios da História da Humanidade! Entretanto, sabe-se que realmente se afirmou na época dos gregos antigos, nas formas de comédia ou de tragédia, de acordo com um final feliz ou infeliz. A peça a que assistimos apresentou problemas existenciais de idosas e jovens, tendendo para a comédia, não obstante, consideravelmente realista em muitos pontos. Os 80 minutos de duração passaram que nem vi. Os aplausos eram constantes, mas moderados. No término foram intensos. Mais uma vez fica comprovado que o sucesso e a aceitação do público estão ligados à vida real das personagens, que se mistura à ficção. Penso que deveríamos ter em nossa cidade uma casa de espetáculos apta a receber artistas teatrais que aqui pudessem apresentar suas peças, uma vez que reclamam da falta de espaço. É provável que no Canoas Shopping Center, s.m.j., alguém possa construí-la e fazendo parte da Praça de Eventos, traga aos canoenses cultura e lazer tão apregoados, não só para valorização de talentos locais, mas também de outros municípios e estados; enfim aos bons cultores da arte dramática. Vai aqui mais esta sugestão que espero ainda ver concretizada, se bem que tantos outros já a tenham feito. Afinal, sempre é válido o provérbio: “água mole em pedra dura, tanto dá até que fura”. Outrossim, é de notar-se como toda a obra dramática traz uma mensagem positiva, incentivando a criação, influindo no pensamento dos indivíduos, não só qual um passatempo, mas também tal uma fonte de conhecimento para a vida. =========DC (30-7-1998) http://blog.terra.com.br/manager/post.php?blog=59136 ================================================ UMA VELA PARA O MÉIO ===============IALMAR PIO SCHNEIDER================== In memoriam ao Méio falecido às 11,45 h. de 1º-8-1998 Partiu... Como é difícil adaptar-se a este mundo ilusório onde tudo é efêmero e passageiro ! Conheci-o há mais de trinta anos, quando ainda era uma criança, que aparentava ser tão frágil, como o foi, de certo, por toda sua curta existência. Era feliz aqui? Quem o saberá !? Consta-me que lutou com as forças que tinha, chegando a concluir o curso de Direito; nunca se soube que tivesse cometido qualquer deslize que empanasse o brilho de sua personalidade. Era um jovem à procura de um destino. Sua imagem ficará conosco para sempre, recordando-nos que um dia iremos também ao vale dos espíritos, onde aguardaremos a reencarnação ou ressurreição, como queiram; que eu no meu quase cepticismo, às vezes creio, às vezes não, recorro ao insuperável mestre Voltaire, que ensinou-me o seguinte: “O homem é o único animal que sabe que deve morrer. Triste conhecimento, mas necessário porque ele tem idéias.” Vem-me à lembrança, quando no casamento da Helenise, estávamos aguardando que o garçom nos servisse, sentados às mesas, quando o Méio a demonstrar certa impaciência, resmungou: - Quando é que vão servir um ilustre desconhecido? Estava de terno e gravata, impecável, mas sempre meio sério e triste, sem demonstrar, no entanto, maior impertinência. Era o seu jeito. Daí para a frente poucas vezes nos vimos. Agora, de repente, o Senhor o chamou e, tenho certeza, que lá no paraíso, ele, porque era bom, jamais será considerado “um ilustre desconhecido”. Terá a companhia de Deus e dos Anjos e dos pais, dos avós e dos tios que partiram antes; e nós ficaremos saudosos. Nesta hora tenho que repetir com um dos meus poetas preferidos, os versos: “Quando pararem todos os relógios / Da minha vida, e a voz dos necrológios / Gritar nos noticiários que eu morri, // Voltando à pátria da homogeneidade. / Abraçada com a própria Eternidade / A minha sombra há de ficar aqui.” - AUGUSTO DOS ANJOS (1884-1914), Eu: “Debaixo do Tamarindo”. Para nosso consolo, nós o teremos na sua simplicidade, na sua luta diária por melhores dias, nos sonhos irrealizados que nutriu. Soube que no dia anterior em que foi acometido pelo derrame cerebral, esteve saindo à procura de um emprego que há muito vinha pleiteando. Não chegou em tempo de concretizá-lo, pois, quem sabe, não o era dele. Agora, com certeza, terá outra ocupação menos aflitiva do que esta. É bem provável que no lugar onde estiver exista mais claridade do que neste mundo insensível, e possa dizer, enfim, como Goethe, ao expirar: “Mehr Licht !” (“Mais luz !”). Por enquanto, acendamos uma vela para sua alma ! =========DC (06-08-1998) http://blog.terra.com.br/manager/post.php?action=post&blog=59136&post=0 ================================================ AUTOTUTELA, AUTOCOMPOSIÇÃO e TUTELA JURÍDICA====== ===============IALMAR PIO SCHNEIDER====================== Estas noções básicas sobre a Introdução Geral ao Processo foram ministradas pelo insigne professor Dr. Luís Carlos de Ávila Carvalho Leite, no ano de 1988, no curso de Direito das Faculdades Integradas do Instituto Ritter dos Reis, de Canoas, que muito contribuiu para minha formação jurídica. Desde que se tem notícia da existência do homem na face da terra, este procurou se defender contra as adversidades da vida. A autotutela ou autodefesa surgiu no momento em que o conflito intersubjetivo de interesses, ou simplesmente, conflito de interesses, fez-se sentir na convivência dos seres humanos. Estes procuraram, então, se proteger uns dos outros através das próprias forças, a fim de satisfazerem as suas necessidades vitais, procurando resguardar seus interesses ameaçados. Como é natural, o mais forte sempre vencia, mas o conflito não se resolvia, pois o mais fraco procurava meios para enfrentar o adversário, quer aliando-se com outros, quer aguardando ocasião propícia para atacar. Não era uma solução válida, uma vez que violência gera violência e os conflitos continuavam indeterminadamente. No direito atual ainda persistem raros casos de autotutela ou autodefesa, como é o caso no direito civil que prevê a legítima defesa da propriedade, em certas circunstâncias, ameaçada de ocupação por terceiros. A autocomposição apareceu quando o homem percebeu que, usando de sua própria inteligência, poderia solucionar os conflitos de interesses através de concessões recíprocas. Exemplificando: a disputa de uma caça que era repartida, a ocupação de uma caverna, determinando qual a parte que cabia a cada um. Não era uma boa solução, pois bastava que um dos dois se arrependesse, eis que surgia o conflito de interesses. Houve um momento em que apareceu a renúncia, considerando que um determinado bem só poderia satisfazer a uma pessoa. Assim sendo, se o primeiro interessado renunciasse, teríamos a desistência; e quando o segundo, dava-se a submissão. Estas atitudes também não atingiram seus objetivos, pois ocorriam, como bem se pode notar, pelo medo de um dos pretendentes, o que fazia que mais cedo ou mais tarde viesse o desejo de vingança e novamente o conflito de interesses ameaçava a paz social. Ao longo do tempo, os homens procuraram solucionar os seus conflitos intersubjetivos de interesses, através de diversas maneiras. Inicialmente adotaram a autodefesa ou autotutela; a seguir empregaram a autocomposição e, depois, a heterocomposição. Porém, nenhuma destas medidas surtiram o efeito almejado, por vários motivos... Enfim, o homem chegou à conclusão de que, usando de sua inteligência e razão, poderia solucionar seus conflitos de interesses empregando um ordenamento de normas preestabelecidas, que tivessem de ser observadas por todos, genérica e abstratamente, sob pena de que sua inobservância acarretaria punição aos infringentes das mesmas. Isso traria a tranqüilidade; haveria paz. Essa solução seria definitiva, pois era garantida pelo Estado que tem força de coação. O direito aplicaria as regras de conduta e o Estado as faria cumprir. Pode não ser a melhor das soluções, mas é a mais satisfatória, pois, se ocorrerem erros em sua aplicação, isso não será devido à existência das mesmas e sim pela atuação do intérprete, que não é infalível. Hoje em dia, a tutela jurídica abrange as mais variadas atividades humanas, procurando evitar os conflitos de interesses de toda a ordem ou solucionando-os da maneira mais razoável possível. Foi uma grande conquista da Humanidade ! ========= DC (12-08-1998) http://ial123.blog.terra.com.br/2006/08/21/ =================================================== O FOLCLORE GAÚCHO========== IALMAR PIO SCHNEIDER=================== Aqui no Rio Grande do Sul, o folclore, considerado como ciência do povo, termo que foi pela primeira vez empregado pelo arqueólogo inglês G. J. Thoms, originando-se de Folk, povo, e lore, ciência, em 22 de agosto de 1846, portanto, há cento e cinqüenta e dois anos passados, é sobremaneira cultuado, notadamente nos Centros de Tradições Gaúchas, já difundidos, segundo me consta, por vários estados do país e até no exterior. O que mais impressiona é o amor ao torrão natal, ao pingo, à china, que o gaúcho demonstra onde quer que se encontre, e deixa extravasar através de versos e toadas nas tertúlias e fandangos galponeiros. Seja no pontear de um violão, cantando uma milonga, ou no toque de uma cordeona ou bandônio, num xote bem largado, é que o gaudério se diverte e procura esquecer os reveses da vida nos braços de uma chinoca querendona. Também mostra sua destreza na dança da chula. Mas o folclore gaúcho é deveras portentoso e abrange, além do lazer, os costumes, crendices populares, superstições e até práticas médicas de curandeiros, velhos pajés, parteiras de campanha, benzedeiras de cobreiros, costura de rendidura (hérnia), etc. São herança dos nativos, e povoadores açorianos e castelhanos que se mesclaram para formar a estirpe gaúcha. Bem acentuados e conhecidos temos os mitos e lendas, tais como as do Negrinho do Pastoreio, A Salamanca do Jarau e A Mboitatá e muitos outros. Discorrendo sobre as Lendas do Sul, assim registra o ínclito mestre folclorista gaúcho Augusto Meyer, que foi membro da Academia Brasileira de Letras, em seu livro GUIA DO FOLCLORE GAÚCHO - Gráfica Editora Aurora, Ltda - RIO - 1951, pág. 96: “O único mito realmente popular, com raízes profundas na tradição gaúcha, é o do Negrinho do Pastoreio; é também o único de pura cepa rio-grandense, livre de qualquer influência gringa.” Mais recentemente, o erudito folclorista gaúcho Antonio Augusto Fagundes, em seu livro MITOS E LENDAS DO RIO GRANDE DO SUL - Martins Livreiro-Editor - Porto Alegre - 1992, num trabalho muito bem elaborado, desenvolveu o assunto, abrangendo nosso Estado, externando de modo cabal o seu conhecimento e assim se expressando, magistralmente, no final do prefácio: “Há muito amor nestes estudos, amor pelo povo, que é uma forma de amarmos a nós mesmos. O Folclore é a ciência do amor, por isso eu me fiz folclorista.” Muito expressiva é a colaboração afro-brasileira para com o folclore gaúcho, representada, principalmente, pelas Congadas que se realizavam próximo ao litoral, em Santo Antônio da Patrulha, abrangendo Conceição do Arroio (hoje Osório), Palmares e Morro Alto, como bem explica Augusto Meyer, em seu livro acima citado, à pág. 60. Resta acrescentar as contribuições dos imigrantes ao folclore gaúcho e que não foram poucas. Os alemães trouxeram o Kerb, o jogo de bolão, as “bandinhas” e os italianos com as festas paroquiais nas igrejas católicas, a vindima, o jogo da móra, da bocha, e as suas maravilhosas melodias. É oportuno lembrar que a riqueza de um povo também se mede pela cultura de suas tradições. ========DC (19-08-1998) http://ial123.blog.terra.com.br/ ================================================ BILL e MONICA... etc.=========== ================IALMAR PIO SCHNEIDER============== O que mais tenho lido em jornais e revistas, escutado nas rádios e assistido nas televisões, é o caso a respeito do presidente mais poderoso do mundo Bill Klinton e da estagiária Monica Lewinski. A maioria dos colunistas e repórteres, alguns até por duas ou mais vezes, se agarra ao assunto com unhas e dentes e persiste dando suas opiniões abalizadas, o que, convenhamos, acaba saturando o mercado. Isso tudo faz-me lembrar um soneto de Bastos Tigre: “Amores Alheios - (Impressão de uns versos líricos) - Casos de amor ! tenho os ouvidos cheios / De ouvi-los relatar em prosa e em versos: / Juras, ingratidões, ciúmes, anseios, / Almas traidoras, corações perversos...// E com toda a paciência escuto-os, leio-os, / Em bocas mil, em livros mil dispersos. / Sempre alheias paixões, prantos alheios, / Mais semelhantes quanto mais diversos; // Que é sempre o mesmo caso, a mesma loa: / - Laura é uma ingrata, - só por Clara existo, / - Amo Marília, - Marta me atraiçoa...// Ouço; que hei de eu fazer ? mais sofreu Cristo... / Mas cá com os meus botões digo: - esta é boa ! / No fim de contas que tenho eu com isto ?” Mas voltando à vaca-fria, cogito o que estaria passando pela cabeça da Hillary e da Chelsea. Quanto ao Buddy, é companheiro, pois como se diz “o cão é o melhor amigo do homem” e alguns acrescentam, “porque não conhece dinheiro”. Aqui, pelo jeito, entram dinheiro e poder, para que não haja aquele escândalo. A esposa e a filha parecem conformadas com a situação. Quem está pegando no pé do Klinton é o promotor Starr que não o deixa sossegado, em busca da verdade real. Apesar de tudo, a popularidade do presidente aumentou consideravelmente nesses últimos dias. O povo, pelo jeito, o absolve. Todavia, para que se estabeleça justiça, é necessário que o fato seja apurado, pois envolve emprego e cargo, quiçá calcado na influência, num país onde o assédio sexual é considerado delito e como tal punido. Agora, ao que parece, é aguardar o desenrolar dos acontecimentos até que tudo seja esclarecido ou arquivado. Vi pela televisão que a família Klinton dirigia-se ao helicóptero para viajar alguns dias de férias; acho que para esfriar as cabeças, o que não é nada mau, numa situação dessas. Também não sei se o Bill, daqui para diante, vai deixar de manter “relações impróprias” extraconjugais, dependurando as chuteiras. É um homem novo ainda que recém ingressou na terceira idade, não querendo dizer com isto que os velhinhos deixem de dar os seus “pulinhos” por aí. Depois de tanto ler, ouvir e olhar, acerca da matéria em foco, desculpem-me, tive que tirar a minha casquinha, para assim entrar na dança; e o Klinton que se vire, pois “quem sai na chuva é para se molhar”. ========DC (26-08-1998) http://ial123.blog.terra.com.br/ ================================================== ============================================ CONCERTO DA OSPA=============== ==================IALMAR PIO SCHNEIDER============== Não é de se admirar que o nosso maior escritor, o insuperável Érico Veríssimo, tenha respondido em certa ocasião a um jornalista que lhe perguntara onde ficava Porto Alegre: “Minha cidade tem uma orquestra sinfônica”. De fato é um privilégio residir em um local com esta cultura e constitui-se um justificado orgulho apregoá-lo sem reticências. Há muitos anos assisto aos concertos da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, em todas ocasiões que me é possível fazê-lo. A última vez que isto aconteceu, foi no dia 14 de julho próximo passado, uma terça-feira, às 19 h. no Auditório da Assembléia Legislativa. A apresentação, excelente sob todos os pontos de vista, das obras dos grandes mestres: Beethoven, Tschaikowsky, Bernstein, Katchaturian, Mendelssohn e Bizet, eram precedidas de uma preciosa explicação feita pelo insigne regente Cláudio Ribeiro, que demonstrou possuir elevada erudição musical e biográfica dos compositores aludidos. Aos poucos a música foi envolvendo todo o ambiente e transportou-me a uma época distante, quase esquecida, no alvorecer de minha existência, quando houve em meu caminho: Um Natal inesquecível Lembro-me vagamente. Teria eu, de quatro para cinco anos, e isto faz muito tempo. Poder-se-ia dizer, com certeza, meio século. Meus irmãos Hugo e Elói já existiam e contavam três anos e dezoito meses, respectivamente. Era então noite de Natal. Nossos pais haviam, excepcionalmente, naquele ano, nos levado à casa de uma família da vizinhança, que era de classe média alta, e costumava montar o pinheirinho e esperar a chegada de Papai Noel. Nós éramos pobres, ou por assim dizer, remediados; nunca tivemos uma árvore de Natal enfeitada. Na vila em que morávamos havia, quiçá, uma meia dúzia de famílias que o fazia e nós não estávamos entre elas. Todavia, naquela ocasião, ignoro por que cargas d’água, nossos pais resolveram nos proporcionar a tradicional festa na casa de uma família conhecida. Após cantarmos a Noite Feliz, de repente surgiu no meio da sala, não sei vindo de onde, o Papai Noel com um saco de brinquedos às costas. Imediatamente começou a distribuí-los e quando chegou a minha vez entregou-me uma caixinha que abri incontinenti. Era uma gaitinha de boca, bem pequenina. Logo comecei a soprá-la, tirando-lhe algumas notas musicais que eu nem sabia o que era. Aquele Natal de minha infância nunca mais esqueci ! ==========DC (04-09-1998) http://ial123.blog.terra.com.br/ ============================================== =============================================== SER OU NÃO SER =====IALMAR PIO SCHNEIDER======= Até parece uma piada, um deboche, dizer-se que “é chato ser rico”. Isto faz-me lembrar Shakespeare: “To be or not to be, that is the question:...” Apesar de tudo o que se falou e se escreveu a respeito, o assunto não foi ainda elucidado. A maioria das pessoas do povo não atingiu o espírito da coisa, isto é, pensa destorcidamente sobre uma frase tão banal, proferida num momento de irreflexão, sem levar em conta o resultado bombástico que pudesse despertar. Os periodistas que se ocuparam do affaire, fizeram-me rir com suas frases de efeito, irônicas, algumas realistas, outras fantásticas e até surrealistas. Todas, entretanto, de um fino humor, mas que, infelizmente, não sejam lidas por quem o deveria fazê-lo. Outrossim, se formos à Bíblia, lá encontraremos: “Também vos digo que mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.” - S. Mateus, 19,24. Cogito que não há necessidade de viver-se na opulência, mas que não é justo existirem tantos excluídos, sem meios para progredir, lutando miseravelmente pela sobrevivência, abaixo de mau tempo, num país “gigante pela própria natureza” como o nosso, com latifúndios improdutivos ou monopólios inaceitáveis, sem falar nas roubalheiras encobertas e nunca apuradas. Recordo-me de uma entrevista do Jô Soares, em que estavam os escritores José Saramago e Chico Buarque, apresentando um álbum de fotografias dos acampamentos de agricultores sem terra em que se viam crianças mal formadas e sem perspectivas de qualquer futuro, tiradas pelo fotógrafo, se não me falha a memória, de nome Sebastião Salgado, durante mais de um ano. As cenas eram chocantes e quando o Jô perguntou ao Saramago, o que ele achava daquilo, ele falou que só tinha uma interrogação a fazer: “Por quê?” Foi a resposta de um homem vivido, candidato ao Prêmio Nobel de Literatura e que está sendo esperado para a próxima feira do livro de Porto Alegre. Isto apenas para não tocar no assunto dos desempregados e favelados que povoam as imediações das cidades grandes, residindo em barracos subumanos, vivendo na promiscuidade. Daria, com certeza, outra crônica, ou até um livro de fôlego, se fosse aprofundar o tema. Talvez queira dizer “que é chato ser rico” porque nessa situação é impossível viver por aí igual a qualquer um, sem ser notado, molestado, importunado, enfim. Se tem suas compensações, há os aborrecimentos inevitáveis que a riqueza acarreta, não obstante todos, ou quase todos, desejem ser ricos. É uma vontade, ao meu ver, da consciência coletiva. Uma frase dessas é um sofisma, trazendo em seu bojo uma mensagem inconsistente que pouco ou nada acrescenta pela fragilidade com que se impõe. Quero acreditar que sejam “palavras que consolam”; ou como diz o ditado: “explica, mas não justifica”. ==========DC (10-09-1998) http://ial123.blog.terra.com.br/ ================================================ ================================================= SEMANA FARROUPILHA============= ==============IALMAR PIO SCHNEIDER===================== Foi na madrugada de 20 de setembro de 1835, portanto, há cento e sessenta e três anos passados, que os rebeldes farroupilhas adentraram a cidade de Porto Alegre, quando atravessando a ponte da Azenha, ocuparam os pontos estratégicos, fazendo com que o governo de Fernandes Braga, não resistisse e embarcasse na escuna Rio-grandense, rumo a Rio Grande, deixando a proclamação: “Às armas, cidadãos! Às armas, que a pátria se acha em perigo!”. Depois disto seriam dez anos de lutas para que fosse implantada a República Rio-Grandense, com que sonhavam os paladinos patrícios de antanho. No livro OS VARÕES ASSINALADOS - O Romance da Guerra dos Farrapos, de Tabajara Ruas, mergulhamos num clima de atavismo que nos envolve quais participantes da grande epopéia farroupilha escrita em prosa, mas como um longo poema, já sugerido pelo próprio título. Lembra-me Camões na primeira estrofe do seu imortal OS LUSÍADAS, “As armas, & os barões assinalados,”. Fico refletindo qual seria a situação da pátria se houvesse persistido a ruptura e concretizada a República Rio-grandense naquela época... Ao ensejo do transcurso da Semana Farroupilha, quando a maioria dos gaúchos pilchados rememoram os feitos dos nossos ancestrais farrapos, fui buscar no fundo do meu baú um soneto que escrevi pelos idos de 1960, no seguinte teor: FARROUPILHA//Levantou-se o gaúcho sobranceiro/no alto da coxilha verdejante !/Carregava uma carga no semblante/dum tristor que seria o derradeiro...//A glória de lutar e ser galante:/- o sonho que conduz o aventureiro./A honra de ser livre e ser gigante:/- o lema que conduz o pegureiro.//Este lema e este sonho se fundiram/e assim surgiu o nobre farroupilha/que lutou com ousada galhardia//porque a honra e a justiça escapuliram/da canhada e do topo da coxilha,/do pago em que ele viu a luz do dia !... Felizmente, após tantos embates e peripécias, veio a paz honrosa, urdida pelo insigne patriota Duque de Caxias. Era tempo de recomeçar a construir, pois muitas obras tinham que ser feitas, e algumas haviam sido paralisadas por quase dez anos de guerra. A província contava também com a contribuição valiosa dos imigrantes alemães que se estabeleceram às margens do Rio dos Sinos, notadamente em São Leopoldo. Mais tarde vieram os italianos que subiram a serra e foram fundar núcleos coloniais, sendo o mais importante o da atual Caxias do Sul. Hoje todos nós, os sul-rio-grandenses, iluminados pelos faróis da liberdade, irmanados pelos mesmos ideais republicanos, durante esta semana, prestamos justa homenagem aos nossos heróicos ancestrais, pois foi deles que herdamos as mais caras tradições do telurismo gaúcho. ======DC (16-09-1998) ============================================== BRASIL: UM PAÍS VIÁVEL=========== ============IALMAR PIO SCHNEIDER============== Há certas expressões que se tornam desgastantes de tanto serem usadas. Poder-se-ia até dizer “use mas não abuse”. É o caso que se tem verificado ultimamente quando falam sobre a crise atual e a situação de nosso país, afirmando a toda hora, os economistas, repórteres, políticos, etc. que o Brasil pode ser “a bola da vez”. Tanto repetem e martelam, repisam o assunto, que nós aqui neste vale de lágrimas, sentimos que poderemos estar participando de um jogo de sinuca e somos a bola prestes a cair na caçapa, sem ao menos podermos nos defender. Às vezes dizem que estamos numa sinuca de bico. Que sabem disto, por exemplo, as donas de casa que lutam com dificuldades para ficar dentro do orçamento familiar? No meu entender, s.m.j., literariamente, tenho a impressão que se trata de uma metáfora, uma comparação, mas que só entende quem conhece o jogo a que se referem os doutos comentaristas e os que o praticam, os aficionados. Como tudo nesta vida é passageiro, espero que mais alguns dias e tudo volte ao normal para o bem dos simples mortais esperançosos de dias melhores. Com mais estudo e trabalho organizado, creio que poderemos atingir o desenvolvimento de que tanto necessitamos. Afinal de contas, o Brasil é um país de extensão continental, terras férteis, clima invejável, sem os furacões que assolam outras terras ou terremotos traiçoeiros e vulcões. É preciso direcionar os recursos disponíveis para a produção e, primordialmente, melhor produtividade agrícola e pecuária, ou seja, rural. Também a indústria terá que ser incentivada para consumo interno. O resultado dessas atividades, no entanto, deverá ser destinado, sobretudo, para exportação, uma vez que é necessário nos afirmarmos no concerto das nações como exportadores por excelência. Só assim evitaremos as dificuldades financeiras que pesam sobre os países subdesenvolvidos, porque estamos em pleno desenvolvimento em todos os setores da economia, quer na agricultura, hoje acentuadamente mecanizada, quer na pecuária que se aprimora com a criação de novas raças de gado de corte e leiteiro, bem como relativo incremento na formação de pastagens artificiais. A indústria se amplia com o emprego de máquinas modernas que possibilitam a produção de manufaturados em grande escala, inclusive para exportação. Quanto aos meios de comunicação, tivemos um avanço espetacular nos últimos trinta anos. Contamos com os mais modernos sistemas de telecomunicações que nos permitem o contato direto com o mundo inteiro em qualquer hora. Eis um modesto esboço, sem a mínima pretensão de esgotar o assunto, que nos leva a admitir o Brasil como um país viável... =========DC (01-10-1998) ============================================== SÉRGIO JOCKYMANN: Romancista============ =================IALMAR PIO SCHNEIDER=========== Sempre apreciei as crônicas do Sérgio Jockymann, que considero um dos melhores, senão o melhor de nossos cronistas. Não o conhecia como romancista, o que agora estou tendo a oportunidade de fazê-lo, ao ler o seu romance Clô Dias & Noites. Pelo que tenho observado, trata-se da história de Clotilde Dias Ramão, cujo, por assim dizer, alter ego, embora impropriamente por mim aqui empregado, seria Clô, que nascera já com dezenove anos, e que detinha diversos apelidos, conforme a situação onde se encontrasse: no útero de sua mãe, dando chutes, Tildezinha ou Tilde; das colegas do Colégio Sevigné, Tilda; das amigas de verão em Torres, mais tarde, Tite. “Clotilde só se tornou inteiramente Clotilde por um breve instante, quando seu marido, Pedro Ramão, anunciou para a criadagem da estância: - Esta aqui é minha mulher, dona Clotilde Dias Ramão.” Mas, mesmo assim, não ficaria livre de outros, tais como Titinha e Clotirde. O livro está composto de capítulos pequenos e numerados com algarismos arábicos, sendo que no momento em que escrevo esta, estou na altura do 8. Julgo muito interessante a feitura neste sistema, pois nos dias atuais de tantas atribulações quotidianas, com a mídia televisiva, bem como revistas, as mais variadas, ainda o rádio e os jornais, invadindo nossos lares a todo o momento de todas as partes do mundo, o tempo de que dispomos para a literatura romântica fica muito reduzido, não nos proporcionando excursionarmos em capítulos intermináveis, muitas vezes enfadonhos e rebuscados, tornando-se até incompreensíveis. Pretendo viajar ao longo das 468 páginas do livro, dividido em 149 capítulos, saboreando, dia a dia, o estilo simples e jocoso do autor, cujo enredo me desperta certa curiosidade por conhecê-lo agora romancista. Tenho lido diariamente suas crônicas no DC e as considero da melhor qualidade, tanto no sentido da abordagem dos temas, como pela inteligência com que discorre no assunto. Algumas pessoas de minhas relações com quem tenho falado ultimamente a respeito de colunistas de jornais e/ou cronistas, são unânimes em confirmar a opinião que ora externo, o que não deixa a menor dúvida sobre estas palavras. Enquanto existirem escritores do jaez do Sérgio Jockymann, acredito que poderemos apreciar a leitura diária de crônicas e invariavelmente de romances, pois tenho certeza de que jamais nos decepcionaremos. “Vamos em frente que atrás vem gente”, dizem por aí; mas é necessário que meditemos antes de enfrentar este mundo de Deus, onde só vencem os afoitos, e os apressados, quase sempre, naufragam e morrem na praia. Resta-me, enfim, proclamar: Viva a Literatura e... o Humanismo ! =========DC (16-10-1998) http://ial123.blog.terra.com.br/ ============================================= BRIQUE DA REDENÇÃO========== =================IALMAR PIO SCHNEIDER=========== Cada domingo é uma festa para os que têm o privilégio de freqüentá-lo. Pessoas de todas as idades e ideologias passeiam ao largo da avenida, conversando, paquerando, olhando as estantes e perscrutando as mil e uma bugigangas expostas. Tudo tem o seu valor, tudo tem o seu preço. Muitos são os objetos antigos em oferta: móveis, louças, panelas, caçarolas, livros, discos, etc. Por outro lado, existem também as obras de arte (quadros de pinturas diversas, a óleo), aquarelas, e o artesanato (cuias, estojos, barricas para erva-mate), enfim, apetrechos para o chimarrão. São tantas coisas, até imprevisíveis ou estapafúrdias, que aparecem para permuta ou venda - moedas antigas, selos velhos, fogareiros, ferros de passar a carvão, vitrolas... Há os colecionadores ávidos de encontrar antiqualhas originais que tanto apreciam. Surgem também os criadores de cães e gatos, das mais variadas raças, que vendem os filhotes a quem os queira adquirir, e não são poucos os que os compram, pois um animalzinho de estimação sempre faz parte do cotidiano daqueles que os podem manter. A banca do mel é muito freqüentada, já que a oferta de um produto puro desperta o interesse de quantos apreciam esse manjar saboroso e tão completo. Os que ali chegam recebem uma prova para sentirem sua essência (eucalipto, laranjeira, florada silvestre, etc.). De repente, um aglomerado de gente: é uma apresentação musical. Alguém cantando na manhã ensolarada; e as frases da canção enchendo o ar - “Felicidade foi-se embora e a saudade ainda mora...”, a evocar Lupicínio Rodrigues, o poeta inesquecível. Lá mais adiante estão os bugres vendendo seus balaios multicoloridos, eles que são os mais legítimos filhos desta terra brasileira, uma vez que aqui se encontravam quando da chegada dos descobridores lusos e espanhóis. Hoje tão escassos resistem à civilização imposta, sofrivelmente. Também não é difícil imaginar quantos encontros amorosos ou de amigos que não se viam há tempo, aconteceram aqui, nesses 20 anos! E daqueles quantos não frutificaram? Os pais que trazem seus filhos a fim de espairecerem, os casais de namorados que desfilam de braços dados, os idosos enfrentando a velhice com resignação, todos parecem seguir seus destinos de maneira salutar na esperança de novos dias. Certamente que a vida seria mais triste se não houvesse um local tão aprazível para preencher as horas de lazer nas manhãs dos domingos porto-alegrenses. Eis um simples esboço do Brique da Redenção, decantado em prosa e verso, que já se transformou em uma tradicional referência para nossa altaneira cidade que desperta ao sorriso das águas do Guaíba ! =========DC (27-10-1998) http://ial123.blog.terra.com.br/ ============================================= REMINISCÊNCIAS========== IALMAR PIO SCHNEIDER==================== Há tempo vinha lutando contra um bloqueio que o atrapalhava demasiadamente. Queria pôr no papel e publicar algumas idéias que povoavam sua mente, mas tinha escrúpulos. O que pensariam dele os outros, principalmente os conhecidos? E assim os dias iam passando e Vitório não tomava uma atitude a respeito, sofrendo muito com isto. Quantas reminiscências teria para contar ! Quando passeava pelas ruas, em certas ocasiões, encontrava algum amigo que lhe perguntava, após entabularem conversa: - “Continuas escrevendo; como vão as poesias?” Respondia então, quase sempre: - “Atualmente, estou mais lendo, inclusive relendo romances e contos que me parecem esquecidos.” Realmente, desde a infância gostara muito de ouvir e ler histórias, entretanto, se dedicara mais ao gênero poético. Lembra-se vagamente do que lhe contavam na tenra idade as criadas de sua família, principalmente a que se chamava Virgilina. Tem a impressão de que falava da revolução de 23, quando houve escaramuças pelo Rio Grande do Sul e que ela presenciara nas regiões do Planalto Médio e Alto Uruguai. O assunto tratava de invasões de propriedades para roubo de gado e entreveros. Se tivesse anotado, quantas páginas fantásticas teria para escrever?! Todavia, tudo se perdeu no mar do olvido e Vitório procura recordar alguma coisa que o possa socorrer neste impasse. Talvez que, varrendo as cinzas do passado, surja alguma brasa para acender-lhe na memória os episódios que escutara na longínqua infância. Vem-lhe à memória o caso daquele filho de imigrantes que se embrenhara nos matagais a fim de não ser recrutado pelos revolucionários. Ficara vinte e tantos dias desaparecido, alimentando-se de frutas silvestres e bebendo água em vertentes. Emagrecera e voltara barbudo, desconfiando de todos. Quase enlouquecera de tanto pensar que poderia ser encontrado. E daquele outro que se escondera dentro de um poço ao ver se aproximarem os cavaleiros?! “Foram uns tempos brabos” que ficaram remarcados nas tradições gaúchas tão decantadas em prosa e verso pelos nossos historiadores e poetas gauchescos. Alguns desses casos já são considerados lendários, pois como dizem “quem conta um conto, aumenta um ponto”, e pertencem, por assim dizer, ao domínio público. Assim pensando, caminha pela praça da Alfândega, em Porto Alegre, onde transcorre a 43ª Feira do Livro que tem como patrono o consagrado romancista gaúcho, Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil, do qual solicita e obtém um autógrafo no grande pequeno livro “Anais da Província-Boi”, e, após, dirige-se ao Cine Guarany onde assistirá ao filme “Lua de Outubro”, que talvez lhe desperte alguma inspiração, pois foi daquela época que ouviu histórias incríveis. ========DC (11-11-1998) . ================================================= SOBRE A CRISE============= =================IALMAR PIO SCHNEIDER=========== Hoje, infelizmente, encontramo-nos a braços com uma crise econômico-financeira sem precedentes na história de nosso país. Parafraseando o imortal Euclides da Cunha, de “Os Sertões”, posso dizer: “O brasileiro, é antes de tudo, um forte”. Não sei até quando agüentaremos, pois chega um momento em que a panela de pressão pode explodir, ou como queiram, a taça transbordar. Se por um lado, a inflação foi forçadamente contida, por outro, vemos grassar o desemprego em nossa sociedade, qual uma ave de rapina, arrebatando-nos o sonho de dias melhores. Aí está também o que chamam de “o caos da saúde pública”, no que prefiro concluir que chegamos ao fundo do poço, nisto que deveria ser o bem mais precioso da humanidade, ou seja, o direito à vida. Basta olharmos para a situação do Hospital N. Sra. das Graças, agora completamente fechado, com os funcionários em férias coletivas e com os salários atrasados. Isto num município como Canoas, com a terceira arrecadação do Estado e o quarto em população. Outros municípios de menor porte, arrecadação bem inferior e menos população, mantém três ou quatro hospitais em pleno funcionamento, o que me leva a pensar que alguma explicação deve haver. Pior do que está não pode ficar; qualquer melhorazinha poderá aparecer; mas não vai solucionar o problema. Por enquanto estou achando tudo isto, como diz o Boris Casoy, “uma vergonha”. Quem sabe, se houvesse uma mobilização consciente do empresariado, bem como a gratidão dos políticos que se elegeram com os votos dos canoenses, a situação pudesse ser revertida em favor dos mais necessitados. Afinal de contas, outrossim, temos em nosso município, uma das maiores Universidades do país, que agora mantém, inclusive, a Faculdade de Medicina, cuja existência será ofuscada em seu brilho, se não houver atendimento à saúde pública. Penso que alguma medida deve ser urgentemente adotada, pois não se pode deixar abandonada à própria sorte toda uma população carente. E o produto da arrecadação da CPMF, que todos recolhemos?! Uma vez que foi arbitrariamente imposta e deverá ser majorada em breve... o que dizer? Ficaremos a ver navios? Não é aceitável... mas, enfim, aguardemos a reforma fiscal tão anunciada quão tardonha. Quanto ao geral, me disseram, esses dias, que estamos, atualmente, como se estivéssemos num imenso Titanic, naufragando. Todavia, não me parece assim, uma vez que existe uma saída, apesar de tudo o que tenho lido e escutado a respeito do assunto, da maneira mais pessimista. É possível que um grande mutirão resolva o problema, mesmo porque “na casa em que falta o pão, todos gritam e ninguém tem razão”. ======DC (27-11-1998) ========================================== JERÔNIMO, O TÍMIDO============= ==============IALMAR PIO SCHNEIDER================== Pensava que não tinha perspectivas quanto àquela paixão que nutria com tanta persistência. Por isto vivia frustrado ao lembrar-se de Paula, quando a via sentada à mesa de uma lancheria no shopping center Praia de Belas, juntamente com suas amigas, nos happy hours dos fins de tarde. Muitas vezes falara com ela, insinuando que a queria, mas não tendo coragem para declarar-se, sofria enormemente. Jerônimo era um tímido. Desejava o amor carnal, enfim, total. A mulher que povoava a sua cabeça era uma morena desenvolta, de cabelos negros e compridos, olhos pretos quais duas jabuticabas, lábios rubros que nem pétalas de rosa vermelha, seios palpitantes e firmes, braços roliços e torneados, cintura fina de vespa, nádegas de tanajura, coxas e pernas esculturais e os pezinhos de anjo ou demônio, fascinantes. O conjunto dela o atraía como se fosse um ímã; às noites sonhava que a possuía e acordava, por assim dizer, quase feliz. Durante o dia andava ao seu encalço só para admirá-la, mas não perdia a esperança de consegui-la. Era a sua paixão. Procurando abafar aquele sentimento as 24 horas do dia, mas não o conseguindo, sentia-se como se estivesse deprimido. Entretanto, no fundo, alimentava esse anelo que guardava qual um precioso tesouro. Apesar de tantas vicissitudes, pensava consigo: um dia choverá em minha horta. Sabia que tinha que ter paciência, pois as coisas não se resolvem assim, sem mais nem menos, principalmente as do coração. Tivera conhecimento rudimentar do que seria um amor platônico, mas não queria que o seu o fosse e lutava por isso. Às vezes, passeando pelas ruas da cidade, encontrava-se com os amigos, que sabendo de sua história, perguntavam-lhe: - “Como vai a Paula ? Nada ainda ? Tens que conquistá-la ! Ela está lá no shopping com as amigas...” Jerônimo respondia: - “Estou pensando numa maneira de chegar; está difícil. Parece que tudo conspira contra mim, até vocês, caçoando.” - e lá se ia, pensando na amada e com um leve sorriso, como a disfarçar a situação. “Haveria de ter um jeito...” - matutava. Até que um dia, voltando para casa em uma lotação, teve uma idéia. Conservou-a, entretanto, por mais algum tempo, ansiando que amadurecesse. Era mister que tivesse esse mínimo de coragem para vencer a timidez que todo o envolvia como uma aura. Um psiquiatra lhe dissera em certa ocasião que ninguém nasce tímido; que a timidez se adquire e pode ser tratada. Nunca mais voltara ao consultório e preferira continuar com sua doença, apesar de tudo. Queria vencê-la, naturalmente. Esse era o seu desígnio. O mês de dezembro ia em meio, aproximava-se o verão e o calor era insuportável. Fazia 34º à sombra e as pessoas andavam pachorrentas, buscando chegar onde tivesse ar condicionado. Em algumas casas de bairros de classe média crianças tomavam banho de mangueira, onde não houvesse piscina, e as que existiam estavam lotadas. Jerônimo via que o ano estava chegando ao fim e ele ainda não havia tomado uma atitude quanto ao seu caso que ia se tornando crônico. Não se tratava mais de paixonite aguda. Era algo mais forte e vinha durando... durando... Certa noite, em seu quarto de solteiro, sentado à escrivaninha, pega a esferográfica e um bloco de papel de cartas e começa a escrever. Era o que deveria já ter feito, mas, antes tarde do que nunca. Finalmente estava pondo em prática a sua idéia amadurecida e ao terminar a folha, dobrou-a e colocou-a dentro do envelope, endereçando-o para: “Namoro na TV - Programa Sílvio Santos - SBT - São Paulo - SP”. ==========DC (09-12-1998) =============================================== DUAS REALIDADES E UM CAMINHO=========== ===============IALMAR PIO SCHNEIDER============= Cerca de duas décadas atrás, li com grande interesse o livro Bandeirantes e Pioneiros, de Vianna Moog, que considero um clássico sobre os princípios da formação brasileira e da norte-americana. O autor traça um paralelo entre as duas nações, demonstrando que enquanto nós fomos povoados por degredados e aventureiros a serviço da Coroa Portuguesa e a si próprios, cujo enriquecimento visavam, lá no hemisfério norte, o país ianque era colonizado por pioneiros que se fixavam à terra com ânimo definitivo, onde firmavam domicílio e construíram uma nova pátria. E assim foi durante alguns anos; basta notar que logo instituíram uma república, enquanto aqui continuava colônia e, posteriormente, transformando-se em império, só atingindo o regime republicano em fins de 1889, o que resultou em tremendo atraso. Houve também o fato muito explicitado pelo autor, de termos adotado uma formação quase exclusivamente acadêmica e os Estados Unidos terem preferido o caminho científico da tecnologia. Consta ainda que enquanto as casas daqui possuíam uma biblioteca, tratando de assuntos de Literatura, os colonizadores norte-americanos se voltavam para a indústria, tendo em cada moradia uma oficina destinada a pesquisas e invenções, não excluindo a parte literária, o estudo da Bíblia, a aceitação do Calvinismo que muito contribuiu na conceituação da mentalidade que iria influir no destino daquela nação. Desta forma, pode-se avaliar o que se passou desde o início, quanto à constituição do nosso país e que perdura até hoje, não obstante o trabalho árduo que todos enfrentamos no dia-a-dia, rumo ao progresso que virá, certamente, com o desenvolvimento industrial que teremos. Para que isto aconteça, entretanto, é necessário que acreditemos em futuro promissor, ainda que se insira em lugar-comum, pois as riquezas naturais que possuímos são as maiores do Mundo. Por estes dias assisti na televisão, a uma palestra do escritor e cientista J. W. Bautista Vidal, que esteve na 44ª Feira do Livro, autografando o seu livro Poder dos Trópicos, discorrendo por longo tempo a respeito das energias alternativas que poderemos dispor, quer solar, quer vegetal perfeitamente renovável (álcool), e apesar da acentuada ênfase que imprimiu ao assunto, não encontrou solução para tal implemento, só possível com a aplicação de elevados recursos financeiros. Pode ser um caminho... mas quem o enfrentará?! ========DC (04-01-1999) =============================================== FRUSTRAÇÃO============== =================IALMAR PIO SCHNEIDER=================== Casos como o que se descreve abaixo acontecem amiúde, tanto nas cidades grandes e médias, quanto nas vilas do interior. É possível que o leitor já tenha convivido com uma estória destas ou ao menos presenciado alguma. Geralmente, para não dizer sempre, as pessoas que encarnam o tipo de personagem focado, agem assim por ter bom coração, diz o povo. Quem sabe mergulhando-se na psicologia humana, encontre-se uma explicação plausível e até aceitável, a fim de conseguir-se penetrar num comportamento ou atitude dessa natureza. Outrossim, quando existe uma possibilidade alternativa de sair da situação angustiante, pode-se dar graças a Deus e seguir em frente de cabeça erguida. Foi o que houve no relato ficção-realidade aqui desenvolvido, mais ou menos de maneira sucinta. Nada poderia ter sido pior do que enfrentar aquela situação que se apresentava neste momento em sua vida. Passara todo o tempo, ganhando e esbanjando dinheiro, sem se preocupar com o futuro. Agora, no entanto, sentia o quanto havia errado, mas era tarde para evitar a decadência, ou melhor, a derrocada total de sua micro-empresa. Sempre ouvira dizer que quando a água atinge a cintura, aprende-se a nadar e levara o barco da existência na flauta, despreocupadamente, como se nada estivesse acontecendo. Aprendera a lição a posteriori. Não adiantou a placa pendurada na parede, em seu armazém de secos e molhados e armarinhos, que rezava: FIADO SÓ AMANHÃ ! Fidêncio Sapopema, proprietário da casa “A BARATEIRA”, nem atentara para os dizeres da frase, como quem não compreendesse o significado da mesma, nem se lembrara do ditado que diz: Fazer o bem, sem saber a quem, seus perigos tem. Dera de comer a tanta gente, vestira outros e hoje estava quebrado. Para competir com os concorrentes tivera que vender fiado, a fim de angariar fregueses. Fora um péssimo negócio. Olhava para as prateleiras quase que vazias e finalmente, caindo na realidade, vivia um drama que lhe causava profundo abatimento. Entretanto, não se deixaria esmorecer perante o fracasso. Tinha fé e esperança. Afinal de contas, a profissão que exercera desde o início de sua juventude e de quanto se vangloriava, poderia salvá-lo. Foram três anos de médio comércio, para não dizer pequeno, que o frustraram sem atingir seu objetivo que era crescer. Também, apesar de tudo, não ficara devendo a ninguém, pois tinha verdadeira fobia de fazer dívidas, e falira, porque comprava a vista e vendia a prazo, ou melhor, a perder de vista, como se diz vulgarmente. Finalmente, sem se lamentar, guardando a mágoa para si mesmo e a lição tardia na memória, retorna à sua antiga ocupação. Era barbeiro. =======DC (01-02-1999) =============================================== O DILEMA============== =================IALMAR PIO SCHNEIDER============== Aguardava, ansiosamente, que alguma novidade pudesse acontecer. Não tinha certeza de que tudo estivesse perdido. Nesta dúvida se assentava o pensamento de Cândido, abandonado pela mulher, após doze longos anos de convivência, que lhe deixou marcas indeléveis para o resto da vida. Contanto que houvesse progredido financeiramente, sua ingenuidade o fizera acreditar que era aceito, mas agora sentia que não tinha vencido no amor. De fato, Sayonara o traía com Ernesto, quando ele ia exercer seu cargo de guarda-livros em uma firma de beneficiamento de madeiras. Nas longas tardes de verão, enquanto ele se esfalfava no escritório, ela se encontrava com o amante às margens do rio dos Sinos, onde outrora, quando ainda não era tão poluído, existia um local que denominavam “a prainha”. Lá permaneciam algum tempo, conversando com certo disfarce e depois saíam no carro de Ernesto rumo da casa de Marlene que alugava quartos para encontros amorosos. Era um dos rendez-vous da cidade, tido como dos mais sigilosos, então existentes. Chegavam e pediam um quarto por duas horas, o que já era de praxe. A empregada da casa lhes entregava a chave e eles seguiam por um corredor até dar a uma porta, nos fundos, onde havia uma cama de casal, um roupeiro, uma cadeira, uma bacia para higiene pessoal e uma jarra com água. O banheiro, naquela época, ficava no corredor e era coletivo. Não existiam os modernos motéis de hoje em dia. Então, após se desnudarem, deitavam e faziam amor: ele impacientemente e ela fogosa, sem qualquer pejo, uma vez que sentia haver trocado o Cândido por Ernesto há algum tempo. De repente, Ernesto rompe o silêncio e diz: - Sayô, meu bem, quando poderemos estar juntos, sem nos preocupar com os outros ? Já estou ficando aborrecido de ter que estar fingindo, disfarçando nosso amor. Que me dizes ? - Ora, Néstinho, tem paciência... Estou bolando uma maneira de deixar o Cândido, mas me falta, talvez, coragem. Sei que não vai demorar, pois não agüento mais viver assim. Depois desse dia, Sayonara parece ter avivado em seu espírito o desejo de abandonar o marido que não a fizera feliz. Chegava em casa à tardinha e se parava diante do espelho a pensar: “Estou envelhecendo e presa a este casamento sem graça... Até quando?!” Procurava uma ocasião para dar o fora. Não achava nada fácil fazê-lo. Entretanto, passado algum tempo apresentou-se-lhe a oportunidade. Cândido tivera que viajar a serviço da empresa para São Paulo, a fim de fazer um curso rápido de contabilidade e adquirir, ao mesmo tempo, algumas máquinas para o escritório. Sayonara aproveitou. Encheu duas malas e uma sacola de roupas e sapatos e se dirigiu para a rodoviária em Porto Alegre onde tomou um ônibus para Pelotas. Antes disso, porém, combinou com Ernesto que a esperasse na rodoviária daquela cidade. Assim foi feito. À noitinha ela chegou lá na Princesa do Sul e se encontrou com ele que aguardava-a, impacientemente. Não sabia o que poderia acontecer, mas, enfim, estariam agora juntos. Desfrutariam a Praia do Laranjal às margens da Lagoa dos Patos, tão famosa em todo o estado do Rio Grande do Sul, quase como se fosse uma praia de mar. Finalmente Cândido voltou, após uma semana, e chegando em casa, qual não foi a sua surpresa, quando não encontrou a mulher. Apenas sobre a cama do casal havia um bilhete que dizia o seguinte: “Cândido, espero que compreendas minha atitude e me desculpes. De uns tempos para cá senti que o nosso casamento foi um fracasso. Não poderia mais continuar tapando o sol com a peneira, pois além de te iludir, eu me iludia a mim mesma. Amo outro e tenho certeza de que também sou amada por ele. Não queiras saber onde eu me encontro. Assim será melhor. Adeus!” ======DC (03-03-1999) =============================================== NO LIMIAR DE UM ANO-NOVO========= ============IALMAR PIO SCHNEIDER============== Atravessamos uma fase de inúmeros percalços, de muitos discursos e poucas ações, cada um puxando a brasa para o seu assado, acusando-se uns aos outros, arvorando-se de salvadores da pátria, mas, finalmente, sempre sobra para o povo sofredor. Os que estão no poder dizem que fizeram isto e aquilo, pretendem fazer mais, para o bem do país, no que esperam contar com os parlamentares. A oposição, por sua vez, afirma que nada tem sido feito em favor dos menos favorecidos e ataca a situação, taxando-a de inoperante, ou melhor, de só beneficiar os ricos. E assim passam-se os dias sem que se vislumbre alguma melhora neste reino da fantasmagoria, para não dizer do sofisma, que só faz enganar os pobres humanos de boa-fé. Recentemente, ou precisamente no dia 1º de janeiro, foram empossados os novos governantes para o período vindouro de quatro anos, grande parte reeleitos com o voto obrigatório, que no meu entender, deveria ser repensado, pois sou favorável ao facultativo, como acontece nos Estados Unidos, considerado o país mais democrático do mundo. Vale dizer que se o mesmo fosse adotado, evitar-se-ia o grande número de votos em branco, sem contar que teríamos uma sensível redução nas despesas com as eleições. Outrossim, faz-se necessário, não só uma reforma eleitoral, mas sobretudo uma reforma social, em nossa grande nação, onde a democracia incipiente caminha a passos lentos, pois disparidades e injustiças acontecem impunes como se tudo fosse normal. Há um certo conformismo por parte da população que acredita em promessas, uma vez que a esperança é a última que morre. Não é mais possível pensar que dos males o menor. Nota-se também que os problemas vão se avolumando dia a dia, quer seja o desemprego nas cidades e os colonos sem terra perambulando nas intempéries, quer seja a falta de perspectivas para quem pretende ingressar no mercado de trabalho. A procura de um lugar ao sol é incessante e, além do concurso dos jovens, agora os de meia-idade que perderam seus lugares, o disputam. Dizem os lá de cima, que a saída é a micro-empresa, isto para aqueles que acataram o PDV (Plano de Demissão Voluntária); mas eu fico pensando que se todos o fizerem, venderão para quem?! A maioria quebra antes de completar dois anos de funcionamento. Alguns têm se lançado no mercado informal como camelôs, outros nas Vans vendendo cachorro-quente e assim por diante. Aguardemos, todavia, apesar de todas as vicissitudes, que as abóboras se ajustem com o andar da carroça. Contra a força não há resistência, é o que dizem os entendidos. Tenhamos todos um próspero e feliz Ano-Novo! =========DC (18-01-1999) =========JC (18-01-1999) ================================================= OS DESPREOCUPADOS SÃO MAIS FELIZES============== =============IALMAR PIO SCHNEIDER================ Por que acontece isto? Pela maneira com que encaram o dia-a-dia, levando tudo de roldão. Pouco se lhes dá se estão certos ou errados; “e a vida continua”, costumam dizer. Deste modo vão rompendo barreiras e conseguindo audiências inexplicáveis. Eles não se preocupam com o que os outros possam pensar. São incapazes de exercer a autocrítica e continuam em suas atividades, principalmente intelectuais ou de comunicação, sem se dar conta do ridículo. Consideram-se os donos da verdade e não só isto, mas também emitem suas opiniões sem conhecimento de causa como se dominassem o assunto com sapiência. Quem os ouve ou vê, tanto no rádio como na televisão, tem que engolir suas falsas afirmativas, sem podê-las contestar de imediato e que passam como se fossem verdadeiras, atingindo em cheio os ingênuos. Não é difícil notar a mediocridade do seu pensamento quando abordam certos temas de que se julgam a cavaleiro. Todavia, é melhor que seja assim do que ficarmos tolhidos de manifestar nossas opiniões, como já aconteceu não faz muito tempo, de triste memória e que deixou resquícios de opressão. Para que haja uma mudança no entendimento do povo só existe um caminho: educação e cultura, estudo e trabalho. Ao que parece, atualmente, estamos livres da censura, ou melhor, usufruímos da liberdade de expressão que por mais de 20 anos não tivemos. Diz-se que por este motivo há carência de líderes políticos e a nossa democracia é incipiente. Não há dúvida que deveremos exercitar por um longo tempo o direito de cidadania para aperfeiçoá-la cada vez mais. Enquanto isto, adotemos o célebre princípio do grande mestre Voltaire: “Não concordo com nenhuma palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo.” Grande lição da liberdade contra a prepotência ! Por que do título? Impressão do escriba, admitindo que neste mundo vencem os afoitos, embora parvos, pois arrebatam os espaços que se lhes apresentam e, displicentemente, vão enfrentando a situação na maior indiferença. Até parece que a sorte os acompanha, qual suas próprias sombras, e demonstram viver mergulhados na fantasia, mas venturosos. São aqueles que não se importam com o que os outros pensam a seu respeito e desta forma tudo é fácil, tudo é exeqüível. Conseguem manter-se durante anos a fio em seus postos, apesar das incongruências que praticam, por assim dizer, inadvertidamente. Quando alguém os contesta em suas opiniões, consideram-se vencedores com o aval do público humilde que os aceita e simplesmente respondem: “Quem não tem competência não se estabelece !” E não deixam de ter razão. ======JC (18-11-1998) ======DC (17-03-1999) =================================================== ENCONTRO À BEIRA-MAR=============== ============IALMAR PIO SCHNEIDER=============== A noite descera inexoravelmente em toda parte. Estávamos na praia e ameaçava chuva para o dia seguinte. Isadora e eu havíamos combinado ir ao cinema, após caminhar por cerca de uma hora na beira-mar dentro da água. Antes, porém, jantaríamos frugalmente: frango grelhado, arroz e uma salada mista. Nada de bebida alcoólica, mineral e guaraná diet. Mesmo por que deveríamos nos cuidar. Um de nós teria que dirigir depois. Lembrei-me então que meu avô sempre dizia: que de noite todos os gatos são pardos e não dá para facilitar nos dias atuais. Por solidariedade nenhum de nós beberia. Quem seria Isadora? Uma mulher de vinte e nove anos que já tivera alguns percalços na vida. Agora queria ser amada por alguém que a compreendesse melhor. Filha de pais separados atravessara momentos difíceis que lhe deixaram marcas indeléveis no caráter. Alimentava um sentimento de reserva quanto aos homens de suas relações. Dizia mesmo que não acreditava neles. Li, não sei onde nem quando, que Gustave Flaubert levava um dia inteiro às vezes para escrever uma só página de seus romances, tal a perfeição que pretendia imprimir às suas criações literárias. Também ouvi dizer por aí que uma marcha de mil quilômetros começa com o primeiro passo. Tudo é válido para início de conversa, não obstante, haja quem nunca tenha tentado. Tu sabes hoje, Isadora Moreno, que tua mãe levou-te à escola quando tinhas seis anos, para freqüentar o prézinho. Ela estava em fase de separação de teu pai por incompatibilidade de gênios, mas que não constituía motivo para divórcio litigioso. Logo após a lei do divórcio ter sido assinada pelo Presidente Geisel, teus pais optaram pela separação consensual. Cedo ficaste sabendo que a união entre um homem e uma mulher não é definitivo. Não sabias ainda que Vinícius de Morais havia dito “que o amor não é imortal, posto que é chama; mas que seja infinito enquanto dure”. Mais tarde a realidade te mostraria que é isso mesmo. E continuaste estudando para vencer na vida. Era teu desejo tirar medicina, o que não conseguiste, alegando agora falta de inteligência para atingir a tua meta. Tiveste, todavia, a capacidade de te formares em enfermagem que exerces com tanta dedicação e competência. O destino, se é que existe, apesar dos que apregoam o livre-arbítrio com unhas e dentes, te reservou este lugar que ocupas docilmente. Mais uma vez fica comprovado que o que era para ser estava escrito nas estrelas. Assim foi o nosso encontro e o mar nos aproximou naquele fim de tarde cheia de sol, sobre a areia dentro da água salgada; que o nosso futuro seja doce, minha amiga. ======DC (02-04-1999) ================================================ ENCONTRO FORTUITO============= =================IALMAR PIO SCHNEIDER=========== Na atual conjuntura do país não é difícil presenciar-se cenas como a que será descrita a seguir. Espera-se, entretanto, que em breve se abrande a situação com a vinda do desenvolvimento e a criação de novos empregos, tão propalada ultimamente. As pessoas, por sua parte, precisam se especializar, pois a competição é cada vez maior e atinge todas as áreas das atividades humanas, quer na cidade (na indústria e no comércio) ou quer no campo (na agricultura e na pecuária). Por enquanto é o que se vê por aí, com invariável freqüência. O despertador tocou às 7 horas. Ainda sonolento, Gervásio levantou-se, escovou os dentes, fez a barba, lavou o rosto, penteou o cabelo e sem dizer palavra saiu para a rua. Dirigiu-se à estação do metrô a fim de chegar ao centro. Após meia hora, estava no mercado público e junto ao balcão de uma lancheria tomou um cafezinho. Enquanto isto ficou pensando em seu passado no interior de onde viera à procura de novos horizontes, enfrentar a Capital do Estado. Lá deixara os pais e amigos, e uma pessoa muito especial que era sua namorada: Anita. Que estaria fazendo a estas horas, dormindo talvez?! Não tinha certeza se a amava realmente, mas lembrava dela com alguma ternura. Grande paixão de outrora, quase abafada hoje no burburinho da cidade grande, onde fervilhavam os convites de prazeres fáceis, contanto que tivesse dinheiro. Entretanto, agora com o aparecimento da AIDS, tinha receio de manter relações sexuais, promiscuamente, com as mulheres que lhe surgiam e despertavam-lhe tesão. Quando o fazia, usava camisinha, mas já não era como dantes. Aquela volúpia de outrora que o deixava viajando em mundos invisíveis, vinha esmorecendo. Sempre ouvira dizer que “recordar é viver” e seu pensamento andava longe, no tempo e no espaço, reavivando em sua memória os momentos que tivera com mulheres diversas, ora quase esquecidas, mas também dos beijos e carícias de Anita que o esperava para casar. Com ela nunca fora às vias de fato, se bem que o quisesse, muitas vezes, e chegara perto de realizá-lo. Então, acordando dessas divagações, vê chegar à sua frente Morena, que o aborda: - Oi, tudo bem!? - Tudo bem; e você? - Vou indo legal... O que vais fazer hoje? - Estou à procura de um lugar fascinante para passar o dia, pois quero aproveitar a folga; e você? - Eu vou para o Paraguai. Quero ver se trago algumas encomendas. - Quando volta? - Acho que depois de amanhã de noite. Vou pegar o ônibus ali em frente à Prefeitura. Tchau. - Tchau e boa viagem! Despediram-se e cada qual seguiu seu caminho: Morena, que era sacoleira e trazia muambas do Paraguai e Gervásio, com mais um dia vazio à procura de emprego. ========DC (26-04-1999) ================================================= A RESPEITO DE MODELOS ECONÔMICOS======== =================IALMAR PIO SCHNEIDER=========== Seguindo, por assim dizer, os vaivéns da moda, verifica-se uma alternância dos modelos econômicos implantados no mundo e agora em nosso país. Lá no período clássico atrelado ao Estado liberal dos séculos XVIII e XIX (“L’ÉTAT GENDARME”), apregoava-se o princípio do não intervencionismo do Estado no mundo econômico, afirmando-se que as leis financeiras eram imutáveis quais as leis científicas e desta forma os desajustes econômicos se ajustariam por si próprios. O Estado Liberal surgiu do individualismo filosófico e político do século XVIII e da Revolução Francesa, que preconizava a proteção aos direitos individuais contra abusos da autoridade e também do liberalismo econômico dos fisiocratas e de Adam Smith, que considerava a intervenção da coletividade imprópria para que fossem exercidas as funções de ordem econômica. Entendia-se que tudo era do indivíduo para o indivíduo, sem admitir a intervenção do Estado no domínio econômico. Entretanto, a partir do final do século XIX, o Estado começou a intervir em certas atividades consideradas até então privadas, devido às grandes oscilações que se verificavam nos períodos de depressão, ocasionando desemprego de elevadas proporções, originado dos efeitos da Revolução Industrial e suas conseqüências. Com a deflagração da lª Grande Guerra apareceram as denominadas “economias de guerra”, afetando as atividades econômicas de algumas nações que tiveram que fazer face às despesas bélicas, o que se estendeu, inclusive, até 1945, com a 2ª Guerra Mundial. Então o Estado passou a intervir no domínio econômico e social, por intermédio das finanças públicas e ingressou no chamado período moderno. Ao já citado “L’État Gendarme” dos liberais seguiu-se o “Welfare State”, com o fim de proporcionar o bem-estar dos cidadãos. Os tributos seriam arrecadados de modo igualitário de acordo com a capacidade econômica do contribuinte, e direcionados à criação de novos empregos e redistribuição mais justa da renda. Atualmente, verifica-se em nossa nação um conflito entre os dois modelos econômicos, sendo que de um lado o governo da União apregoa a privatização das empresas estatais, e de outro, o governo Estadual que não pretende de maneira alguma seguir nesta linha, opõe-se terminantemente em adotar essas medidas. E aí está formado o impasse que tanto tem dificultado o entendimento na governabilidade e harmonia para um melhor desenvolvimento do país no sentido de atingir o progresso tão almejado por todos. É imperioso que os governantes encontrem uma saída salutar para o caso, e que venha a beneficiar o povo em geral, e não fiquem se apegando às retaliações que só podem levar ao infortúnio. =====DC (11-05-1999) =====JC (05-11-1999) ============================================== OBSERVAÇÕES PESSOAIS============= ==========IALMAR PIO SCHNEIDER=============== Alguém neste País ainda acredita em justiça social? Causa indignação saber-se de crianças nas ilhas do Guaíba, enganando a fome com água poluída do rio por não terem o que comer. Isto no Estado da Federação de melhor qualidade de vida. Mas tal não acontece só aqui, pois por esses dias assisti na televisão, que lá no portentoso e distante Amazonas, médicos jovens ao visitarem as casas pobres, constatavam crianças desnutridas e em vez de remédio, receitavam alimentos. E o que dizer do Nordeste, onde as secas assolam as regiões do agreste? Onde pequenas cidades desaparecem, sendo abandonadas por seus habitantes desesperados e os que resistem, num último recurso, se alimentam de cactos cortados em pequenos pedaços? Há carência de tudo e o quadro é desolador. Esta é uma ínfima amostragem que a mídia, por mais conservadora, nos põe à vista, acerca da miséria que, infelizmente, grassa nos lares desfavorecidos da Nação. E a responsabilidade por tudo isto? Quando teremos uma solução para problemas tão sérios e urgentes? Ao mesmo tempo em que fica a pergunta no ar, presenciamos a investigação do suposto desvio de verbas estratosféricas do dinheiro público, bem como os lucros fabulosos acrescidos ao patrimônio de bancos privados com a desvalorização do real face ao dólar. Tudo já tão ventilado por cronistas de jornais e revistas diversos e agora entregue ao Senado onde correm as respectivas CPIs. Esperemos que se faça justiça para que o povo recobre o alento esmorecido em tantas incertezas. Por outro lado, não se pode afastar de nossa explanação o desemprego em geral que afeta a sociedade e gera as dificuldades mais elementares de subsistência. Todos os dias existem filas enormes de pessoas que procuram se inscrever em qualquer espécie de ocupação, não importando para quê, nem a remuneração que venham a perceber. Há uma procura desenfreada no sentido de encontrarem um emprego cada vez mais difícil. Diversos fatores influem para isto: a tecnologia avançada e a falta de preparo de mão-de-obra especializada, figuram entre eles. Todavia, quero entender que o mais grave é a falta de planejamento, pois se houvesse organização racional, o problema não atingiria proporções tão expressivas. Por enquanto tenho ouvido e visto alguns teóricos afirmarem que o primeiro passo para amenizar a situação precária da falta de emprego, seria o incremento da construção civil. É provável que ajudaria, sem, no entanto, solucionar de todo a questão. Penso que vale a pena tentar, considerando o estado de penúria em que se encontra grande parte de nossos irmãos brasileiros. ========DC (24-05-1999) ============================================== EDITADO AQUI EM 12.02.2007====================================================== UMA ASSOCIAÇÃO QUE FAZIA FALTA =========IALMAR PIO SCHNEIDER========= Eis que surgiu e veio a calhar, sanando uma lacuna, uma sociedade que faltava em nosso Estado: é a AGEI – Associação Gaúcha dos Escritores Independentes, que é uma entidade sem fins lucrativos, e que reúne escritores gaúchos ou radicados no Rio Grande do Sul, que produzem suas obras independentes, isto é, que não mantêm nenhum vínculo contratual com qualquer editora de grande porte do Brasil ou Exterior. Entre outras atribuições pertinentes, visa auxiliar o escritor a produzir sua obra, informando todos os passos necessários para a produção de um livro, tais como: - indicação de profissionais para digitação, editoração, ilustração e revisão; - encaminhamento para catalogação na fonte; - registro dos direitos autorais; - registro no ISBN – Código de Barras; - indicação de gráficas com menor custo e boa qualidade; - organização da sessão de autógrafos; - auxílio no lançamento do livro; - indicação de contatos ligados aos meios de comunicação; - indicação de livrarias e distribuidoras. Outrossim, oferece ao associado, a oportunidade de participar em Feiras do Livro da Capital e Interior, como segue: - Atividades em Feiras Escolares para apresentação do seu trabalho; - Exposições Literárias com cartazes da capa do livro, sinopse e biografia do autor; - Cursos variados; - oficinas literárias; - palestras com escritores experientes; - Saraus Poéticos; - participação no Jornal da AGEI; - participação na Coletânea de poesias, contos e crônicas da AGEI; - dicas de concursos literários; - venda de livros na Sede; - venda de livros para escolas e empresas; - divulgação do livro no site da AGEI. A sede atual da AGEI – Associação Gaúcha dos Escritores Independentes foi inaugurada em 13 de julho de 2002, Sábado, às 18 horas, com sorteio de brindes diversos, bebidas e salgadinhos e com Sarau Poético dos Escritores, no mezanino do TEAR – Espaço Cultural, também destinado a eventos particulares, como aniversários e outros similares, localizado na rua Gen. João Telles, nº 570 – Bairro Bom Fim – Porto Alegre – RS – CEP 90035-120 – Fone/Fax: (51) 3023-3027 – celular (51) 91.777.901 – E-MAIL: marciamodu@globo.com Atualmente vai de vento em popa, sob a direção da jovem e dinâmica presidente Márcia Momo Duarte, auxiliada pelo vice-presidente Luiz Henrique Muniz Piassum e demais membros da diretoria, conselho, assessoria de imprensa, assessoria de marketing, assessoria de divulgação. Não poderia deixar de mencionar aqui, o esforço e a persistência do 1º presidente e hoje 2º tesoureiro Miguel Pretel Schaff, que foi o idealizador vitorioso desta Associação, agora uma realidade presente em nosso meio cultural. Finalizando, informo a todos os autores de boa vontade (poetas, escritores, filósofos) independentes, que se enquadrem dentro das normas desta Entidade, e que queiram ver suas obras publicadas e divulgadas, a procurar o endereço acima, a fim de se inteirarem a respeito do assunto com mais propriedade. “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”, já dizia o grande poeta português Fernando Pessoa. E esta associação, a meu ver, está contida neste lema de conteúdo admirável. P.S: O Ialmar agradece à professora Margaret R. Godoy pela crônica aqui publicada em 13.09.02 e promete comentar o assunto em seu próximo artigo. ======== Cronista e poeta ======= Publicado em 18 de setembro de 2002 – no Diário de Canoas.-RS. ================================================= ==============EDITADO AQUI EM 16.02.2007=========================== ====== É HORA DE CONTINUAR... =====IALMAR PIO SCHNEIDER===== No limiar de um ano-novo, surge-me à mente lembranças quase esmaecidas de um caminho andado, às vezes áspero, às vezes suave, nem tanto. Dizem que uma pessoa nunca passa num mesmo rio, em igual lugar, por duas vezes, considerando que as águas sempre estão rolando rumo ao mar. Acontece que o ciclo não pode ser esquecido. Tenho lido e ouvido nos meios de comunicação, que o desemprego é um flagelo que continua assolando a sociedade nas classes mais sensíveis. E o que falta para que seja debelado ? Com certeza, falo de cadeira, que é o preparo das pessoas que pleiteiam colocação, bem como melhor desenvolvimento econômico em nosso país. Em suma, mais ensino orientado em todos os níveis. Relato minha simples e vulgar história, agradecendo aos meus pais por terem me encaminhado desde cedo aos bancos escolares, em escola de freiras, apesar de muito sacrifício de sua parte, no sentido financeiro, mas tudo superável com a boa vontade deles e minha também, e que Deus tanto nos ajudou, nesta empreitada. Por sete anos seguidos, dos 6 aos 13, estudei no Colégio Pio XII, de Sertão, em que por não haver ainda ginásio, cursei até o 6º ano, como se chamava naquela época, uma revisão para os exames de admissão. Mas foi naquele último ano que uma idéia luminar de meus genitores, proporcionaram-me o aprendizado de datilografia que depois me levaria ao primeiro e definitivo emprego no Banco do Brasil, aos 18 anos de idade. Até hoje conservo o diploma que consegui, obtendo o 2º lugar, em exame realizado em minha vila natal, pelo saudoso Ir. Cipriano, marista do Colégio Cristo Rei de Getúlio Vargas, para onde depois me encaminharia a fim de cursar o ginásio. Lá trabalharia de garçom e na secretaria do colégio, preencheria as fichas de notas escolares uma vez que era bom datilógrafo. Assim concluí o curso ginasial, trabalhando e estudando... Valeu-me o preparo. Escrevo isto agora, após ler O Sucesso não Ocorre por Acaso, do Dr. Lair Ribeiro, no intuito de lançar uma opinião singela de quem já viu se concretizar um objetivo seguindo este lema. Tal livro ainda não havia sido escrito, é claro, mas nunca deixa de ser válido. Se eu não tivesse me preparado pouca chance teria no concurso do Banco do Brasil mais tarde, pois obtive 98 em datilografia o que me guindou a ser classificado para o cargo. Devo dizer que estava fazendo o curso científico e o técnico em contabilidade, ao mesmo tempo, no Colégio N. Sra. Da Conceição, em Passo Fundo, a par de trabalhar ainda de garçom e na secretaria do colégio. Iria estagiar em Cruz Alta e após assumir em Soledade, onde permaneci por mais de 5 anos, tendo sido fiscal da carteira agrícola do Banco, e de onde saí para vir a Canoas que foi a cidade onde mais tempo residi em minha vida. Aqui permaneci por mais de 20 anos e também me formei em advocacia nas Faculdades Integradas do Instituto Ritter dos Reis, hoje UniRitter, para a qual obtive o 2º lugar nos exames vestibulares e de que conservo as mais gratas recordações. Estou pensando em voltar e prosseguir estudando alguma novidade que, segundo me consta, vai estar disponível em março vindouro naquele exemplar estabelecimento de ensino. É preciso acreditar para conseguir... Uma trova de minha lavra: “O poeta é um visionário,/ mas quanta verdade encerra:/ mesmo sendo um solitário,/ ele abrange toda a Terra”. Todavia, o que me induziu a discorrer no assunto, foi o desemprego que assombra nossa sociedade e quero concitar aos que me lêem e precisam, que se preparem, notadamente, hoje em dia, no estudo da informática, com todo o empenho e o quanto puderem, que vem a ser, a meu ver, a datilografia de antes. De resto, em todas as profissões há necessidade de dedicação e aperfeiçoamento para que se obtenha resultado satisfatório em qualquer empreendimento. Que esse novo ano nos desperte a motivação para conseguirmos realizar nosso desiderato aqui ! Tudo, enfim, é perene evolução ! =====Cronista e poeta – E-mail: menestrel@brturbo.com =====Publicado em 07 de janeiro de 2004 – no Diário de Canoas. =====EDITADO AQUI EM 17.02.2007=========================================================================== POR QUE NÃO LER OS BEST-SELLERS ? ==========IALMAR PIO SCHNEIDER============ A leitura, segundo meu juízo, pode ser de instrução, de auto-ajuda, e também de entretenimento, entre outros. Então por que alguns intelectuais se indispõem em aceitar os best-sellers? Assistindo ao programa do Jô Soares que entrevistava o acadêmico imortal Lêdo Ivo, pelo lançamento do seu livro Poesia Completa, e por estar com 80 anos de idade, en passant, falaram sobre os autores que mais vendem e os que não. O poeta falou que é muito relativo este enfoque, uma vez que alguns fazem sucesso porque escrevem para determinada clientela ledora, mas ao mesmo tempo desaparecem na efemeridade das coisas passageiras. Eu, de minha parte, leio certos best-sellers e os tenho apreciado, geralmente. Acredito que o que faz a vendagem dos livros é a mídia. Já vi em página de revista num ônibus em Paris uma propaganda do livro de Paulo Coelho, Veronika decide morrer. Como ele tem um público cativo em quase todo o mundo, é sabido que é um dos maiores vendedores brasileiros de todos os tempos. Voltando ao poeta Lêdo Ivo, enquanto assistia ao programa do Jô Soares, sendo entrevistado, procurei na prateleira um livro dele, Antologia Poética, com seleção de Walmir Ayala e introdução de Antônio Carlos Villaça, e me deliciei com o seguinte soneto, que reputo um dos melhores de sua verve: Soneto do Empinador de Papagaio – “A nada aceito, exceto a eternidade,/ nesta viagem ambígua que me leva/ ao altar absoluto que, na treva,/ espera pela minha inanidade.// O que sonhei, menino, hoje é verdade/ de alva estação que em meu silêncio neva/ o inverno de uma fábula primeva/ que foi sol, cego à própria claridade.// Na hora do fim de tudo, separados/ fiquem os dois comparsas do destino/ que sabe a cinza após o último alento.// E a morte guarde em cova os injuriados/ despojos do homem feito; que o menino/ empina o papagaio, vive ao vento.” – Ediouro – pg. 65. E o entrevistador caçoava dele, dizendo que continuava sendo um menino, embora octogenário. Mas, pelo que pude aquilatar, eles são leitores de best-sellers, pois quem não quer divulgar seus trabalhos e conquistar leitores?! Não sejamos hipócritas ! Venho de ler um dos maiores best-sellers da atualidade, O Código da Vinci, de Dan Brown, - dez milhões de livros vendidos em todo o mundo – na edição da Sextante. Trata-se de um romance policial, com poucas personagens para não atrapalhar a fluência na leitura, e pleno de lances inesperados. Tenho certeza de que o sucesso de venda deste livro, se deve à simplicidade e a desenvoltura da trama que aos poucos vai conquistando o leitor, sem muito academicismo e sofisticação intelectualista que só fazem afastá-lo. Assim como existem os leitores analfabetos funcionais, tão apregoados por alguns intelectuais, também há os escritores que escrevem só para si mesmos, não atingindo o homem comum do povo que é a maioria no mundo inteiro. Na poesia, quem não se lembra de J. G. de Araújo Jorge, nas décadas de 50 a 70 ? com seus poemas românticos cativando os corações enamorados ?! Conheço diversas pessoas que se encontraram, se amaram e viveram felizes, lendo e ouvindo as poesias deste poeta que fabricava estes versos: “Uma hora de morrer... I – Uma hora de morrer é aquela em que,/ debruçado sobre teus olhos,/ me agarro a ti para salvar-me/ e sinto que afundamos juntos. – II – Uma hora de morrer/ é aquela em que nada dizes,/ em que apenas me olhas como agradecendo,/ e em que me guardas ainda contra ti,/ como se quisesses ter a certeza/ de que apesar de tudo/ ficamos na terra”. – do livro A Sós... 9ª edição – Editora Record – 1982 – na contracapa. No meu modesto entender, toda a leitura que desperta a curiosidade do leitor de maneira simples e atinge os corações também, é válida, tanto na prosa quanto na poesia. O importante é que seja agradável, não deixando de ser instrutiva e iluminando as mentes das pessoas... ___________________________________________ Poeta e cronista – E-mail: menestrel@brtrubo.com ====PUBLICADO NO DIÁRIO DE CANOAS – RS =============EDITADO AQUI EM 19.02.2007==================================== “SONETO------A noite está chegando e sopra o vento;/ as árvores balançam sem cessar,/ esta canção que soa como um lamento/ parece vir de longe, vir do mar...// Escutando-a me ponho a meditar:/ onde estejas, talvez, neste momento/ e se amaste e não queres mais amar,/ por que viver um drama tão violento ?!// Pois, quem sabe dirás, quando sozinha:/ “O que afinal meu coração anseia ?”/ Oh! vem comigo olhar a lua cheia,/ e te sabendo finalmente minha,/ eu serei teu, fantástica sereia !”-----------======IALMAR PIO============================= OLÁ – VC. GOSTA DE SONETOS? VISITE MEU SITE===DEIXE UMA MENSAGEM NO LIVRO DE VISITAS – Ok ? AGRADEÇO http://www.sonetos.com.br/meulivro.php?a=44&x=5&y=8========EDITADO AQUI EM 25.02.2007=================================================== ALGUNS TÓPICOS DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO =================IALMAR PIO SCHNEIDER================== A matéria do presente artigo foi tema de trabalho em Direito Internacional Público, ministrado pelo insigne professor Dr. José João de Oliveira Freitas, na década de 1980, no curso de Direito das Faculdades Integradas do Instituto Ritter dos Reis, desta cidade. A ONU (Organização das Nações Unidas) tem o fim precípuo de manter a paz e a segurança internacionais - cfe. art. lº da Carta. Assim também a finalidade do Direito Internacional Público é disciplinar as relações das principais pessoas internacionais, almejando obter o bem-estar dos integrantes da vida societária mundial. Outrossim, as ligações ou relações existentes entre o D.I.P. e o Direito Penal são inúmeras: podemos citar a punição aos prisioneiros de guerra; a extradição (ato de um Estado recambiar um indivíduo estrangeiro indiciado ou já condenado em processo criminal, para o Estado requerente julgá-lo ou puni-lo para o que tem competência. Geralmente a extradição dá-se entre Estados em que há a reciprocidade entre ambos para tal fim); enfim, é um instituto do Direito Penal que trata da remessa do agente que está sendo processado ou que já foi condenado no estrangeiro; o julgamento de criminosos de guerra, etc. O artigo 121 da Lei nº 6.815 de 19-08-1980, não assegura ao estrangeiro direito à naturalização. Refere-se à não-existência de acordo de vontades entre o naturalizando e o Estado, pois que o Estado é soberano, podendo conceder ou negar a naturalização. Podemos citar 5 atribuições do Conselho Econômico e Social da ONU, quais sejam: 1) O de realizar estudos e apresentar relatórios acerca de assuntos internacionais de caráter econômico, social, cultural, educacional, sanitário e conexos; 2) Fazer recomendações destinadas a promover o respeito e a observância dos direitos do homem e das liberdades fundamentais para todos; 3) Preparar projetos de convenções a serem submetidas à Assembléia Geral sobre assuntos de sua competência; 4) Convocar, de acordo com as regras estipuladas pelas Nações Unidas, conferências internacionais sobre assuntos de sua competência; 5) Coordenar as atividades das entidades especializadas, etc. cfe. art. 63 - 2. da Carta da ONU. O direito de veto no Direito Internacional Público é o direito de voto negativo de qualquer um dos membros permanentes da ONU, ou melhor, do Conselho de Segurança da ONU - composto das 5 potências: A República da China, a França, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e os Estados Unidos da América do Norte; nas chamadas questões importantes ou de mérito em que será obrigatória a votação de 9 membros, permanentes e não permanentes, sendo que destes nove, 5 votos positivos deverão ser dos membros permanentes. A Rússia tem se utilizado demasiadamente do direito de veto, ocasionando transtornos aos outros membros quanto a diversos assuntos de real importância. Cabe dizer que o Conselho de Segurança da ONU é composto de 5 membros permanentes e 10 não permanentes, de acordo com o art. 23 da Carta da ONU. A Doutrina Drago foi apresentada por Luís Maria Drago, Ministro das Relações e Culto da Argentina, que devido ao bloqueio e posterior bombardeio dos portos da La Guaíra, Maracaibo e Puerto Cabello, da Venezuela, por navios da Inglaterra, Alemanha e Itália, a fim de cobrarem ou forçarem a cobrança de dívidas da Venezuela a nacionais daquelas potências, via nesta atitude um afronta à Doutrina de Monroe, podendo ocasionar futura colonização nos países americanos. Posteriormente, o norte-americano Orace Porter estabeleceu certas regras a serem seguidas para a cobrança das dívidas contraídas pelos países americanos. O direito de legação pode ser ativo e passivo, abrangendo o Direito Diplomático e Consular: constituem em enviar diplomatas a países estrangeiros e receber embaixadores ou diplomatas de outros países. É admitida a Legítima Defesa quando o Estado for agredido. O país que foi agredido deverá usar moderadamente os meios necessários para assegurar a sua defesa - art. 21 da OEA e 51 da Carta da ONU. Os pressupostos da responsabilidade do Estado são três: 1) A existência de um dano ao direito alheio; 2) Esse dano dever ser imputável ao Estado ou qualquer outra pessoa internacional; 3) Há um ato ilícito ou uma omissão ilícita, segundo o Direito das Gentes, que deverá ser ressarcida pelos responsáveis pela ocorrência. Finalizando, reportamo-nos à conceituação de que alto-mar para o D.I.P. é toda extensão, ou melhor, partes que não estão incluídas na zona econômica exclusiva de determinado Estado. Existem quatro liberdades asseguradas aos Estados em alto-mar: o direito de navegação; o direito de sobrevoar; o direito de pesca e o direito de lançar cabos ou oleodutos submarinos. É coisa de uso comum a todos os homens ou povos ! ________________________________ Bacharel em Direito e cronista ======PUBLICADO NO DIÁRIO DE CANOAS-RS====================EDITADO AQUI EM 03.03.2007============================= =============================================== O CURA D’ARS: UM EXEMPLO A SEGUIR... ========IALMAR PIO SCHNEIDER======= Já faz muitos anos, na minha pré-adolescência, lembro-me com certos resquícios de nostalgia, assisti a um filme que me impressionou deveras. Tratava-se da vida de São João Batista Maria Vianney, sacerdote francês, exemplo de fé, dedicação e altruísmo, conseguindo reunir milhares de pessoas que ouviam as suas pregações da palavra de Deus e acatavam seus ensinamentos com toda devoção. Aquelas cenas ainda estão vivas em minha memória, e penso que seres dessa magnificência foram ungidos para que não percamos a Esperança... Desde então, eu o elegi como um dos meus guias espirituais, a quem recorro, e também por ser hoje a data de seu passamento para a Vida Eterna, dedico-lhe estas despretensiosas linhas. Para ilustração, transcrevo abaixo, conforme a Enciclopédia Brasileira Mérito, Vol. 20 – pgs. 323, 324, sua minibiografia: “Sacerdote francês; n. em Dardilly, nas proximidades de Lião, em 8-5-1786; m. em Ars, em 4-8-1859. Ordenado em Grenoble em 1815, tornou-se pároco de Écully e depois de Ars, na diocese de Belley, em 1818. Promoveu um reavivamento religioso na região e fundou organizações filantrópicas, transformando a cidade num centro de peregrinações de fiéis ao qual acorriam cerca de 20.000 indivíduos por ano. Canonizado em 1925, recebeu o título de patrono dos párocos em 1929”. Mas para conhecer melhor sua existência iluminada, li o livro João Maria Vianney – “O Cura d’Ars”, de Marc Joulin – 2ª Edição - Paulinas, de onde extraí estes tesouros de pensamentos: Palavras sobre o sacerdote: “O padre não é padre para si mesmo. Ele não se absolve, nem se administra sacramentos. Ele não existe para si mesmo, e sim para os outros.” – Palavras sobre o sofrimento: “Se amarmos a Deus, seremos felizes por sofrer por seu amor, Ele que tanto quis sofrer por nós.” - Palavras sobre a pobreza: “Você tem desejo de rezar ao bom Deus, de passar o dia na igreja; pense, porém, que seria mais útil trabalhar por alguns pobres que você conhece e que passam por grandes dificuldades; isso é bem mais agradável a Deus que o dia passado diante dos santos tabernáculos.” – Palavras sobre a oração: “Não são necessárias muitas palavras para rezar bem. Você sabe que o bom Deus lá está, no santo sacrário; abra a ele seu coração; alegre-se com sua santa presença. Eis a melhor oração”. Palavras sobre o amor de Deus: “Pobres pecadores, quando penso que há os que morrem sem haver saboreado, por uma hora que seja, a felicidade de amar a Deus...” - Palavras sobre o perdão: “O Bom Deus tudo sabe. Para começar, ele sabe que, depois de você se confessar, você pecará de novo e, mesmo assim, ele lhe perdoa. Que amor o de nosso Deus, que chega a esquecer o futuro para nos perdoar !” Quanto aos pobres, assim se refere o seu biógrafo Marc Joulin: “Desde sua chegada a Ars, João Maria Vianney percebeu que algumas pessoas viviam na mais profunda miséria. Catarina Lassagne lembra: “Sua caridade jamais diminuía diante dos que vinham pedir-lhe esmolas; ele lhes levava, ou fazia chegar até eles, dinheiro pão e trigo”.” A fim de dirimir dúvida sobre seu nome completo, consta em uma gravura à pg. 88 de sua biografia, acima e abaixo, de seu retrato, escrito em francês: “Veritable portrait du Cure D’Ars – né à Dardilly en 1786. (Verdadeiro retrato do Cura D’Ars – nascido em Dardilly em 1786) – Jean-Marie-Baptiste-Viannay)”. Eis algumas idéias expostas com tanta clarividência e honestidade pelo humilde servo de Deus, que pregou a solidariedade e a misericórdia entre os seres humanos. Nesta data em que se comemora o Dia do Pároco, invoquemos-lhe a memória para que surjam vocações sacerdotais a se espelharem em sua obra exemplar e humanitária. ========= Cronista colaborador – E-mail: menestrel@brturbo.com=======PUBLICADO NO DIÁRIO DE CANOAS – RS===========EDITADO AQUI EM 9.3.2007============================================ Ialmar eis tua Glosa em Espanhol...pena que quando é feita a tradução, às vezes as rimas não coincidem...o que aconteceu aqui...com cansancio... Besos Gislaine Glosando Ialmar Pio======= Gislaine Canales======== Traducida por Cristina Oliveira- USA DESVENTURAS MOTE: Mi corazón ya resiste las desventuras que paso, porque ya nací tan triste que no siento mi cansancio. Mi corazón ya resiste porque ya aprendió a llorar al saber que nada existe, ¡más triste, que no amar! Con lágrimas voy regando las desventuras que paso, ni sueño que estoy soñando ¡por disminuir mi fracaso! Y mi tristeza consiste nada tener, nada ser, porque ya nací tan triste ¡al inicio en mi nacer! En mi mundo chiquitino, vivo solo, sin abrazo, tan dolido es mi destino que no siento mi cansancio. ===================EDITADO AQUI EM 14.03.2007====================== ======================== DATAS COMEMORATIVAS DO MÊS DE OUTUBRO ====================IALMAR PIO SCHNEIDER================= Esses dias estava assistindo a um noticiário da TV, e me deparei com uma cena até certo ponto insólita. Tratava-se de um casal e uma filha de nove anos que residiam, ou melhor, sobreviviam, dentro de um fusca, em São Paulo. Acontece que estavam desempregados e com o carro em péssimo estado de conservação, eles catavam papéis pelas ruas da grande metrópole e à noite dormiam dentro dele. Quando o repórter entrevistou-os disseram que tinham vindo do Nordeste à procura de melhores condições de vida. No momento em que falou com a menina para ver os brinquedos que possuía, ela mostrou-lhe algumas bonecas de pano e o que me comoveu foi ao apresentar os cadernos, viu-se que neles existiam alguns mapas e disse que tinha ganho de uma amiguinha, e falou que havia poesias neles também. O repórter perguntou-lhe se gostava de poesia e ela disse que sim. É pra ver que a poesia encontra-se nos lugares mais pobres, inclusive.. Isto me faz lembrar o soneto do magnânimo poeta das cigarras, Olegário Mariano e que é assim: “Conselho de amigo – Cigarra ! Levo a ouvir-te o dia inteiro,/ Gosto da tua frívola cantiga,/ Mas vou dar-te um conselho, rapariga:/ trata de abastecer o teu celeiro.// Trabalha, segue o exemplo da formiga,/ Aí vem o inverno, as chuvas, o nevoeiro,/ E tu, não tendo um pouso hospitaleiro,/ Pedirás... e é bem triste ser mendiga !// E ela, ouvindo os conselhos que eu lhe dava/ (Quem dá conselhos sempre se consome...)/ Continuava cantando... continuava...// Parece que no canto ela dizia:/ - Se eu deixar de cantar morro de fome.../ Que a cantiga é o meu pão de cada dia.” Pelo visto, quis demonstrar que na natureza cada ser tem o seu desígnio, e quando se realiza aquilo para o que temos talento, vamos conseguir o nosso desiderato. No entanto, não se deve descartar o pensamento de que devemos estar preparados para enfrentar as vicissitudes, pois como já escreveu o professor e médico Lair Ribeiro, “O Sucesso Não Ocorre por Acaso”. Depois no decorrer do noticiário da TV, o casal apareceu levando a menina para a escola, não se descuidando de dar-lhe um caminho melhor, que eles não tiveram. Também, depois, através do programa, o homem conseguiu um emprego de porteiro de um edifício e aguardavam num hotel, enquanto estava sendo arranjada uma casa onde iriam residir. Casos como estes existem aos milhares, mas um que seja solucionado já acrescenta muito para os problemas de desemprego e falta de moradia à grande maioria dos irmãos brasileiros e as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida – Padroeira do Brasil – se estenda sobre todos nós. Lembro-me que estamos no mês dos dias da criança e do professor, sendo que estas datas devem ser comemoradas com muito carinho, pois ambos são assaz importantes para a construção do futuro de nosso país ainda com tanta coisa por realizar. No transcurso do dia do(a) professor(a) que hoje se comemora, quero recordar com nostalgia, a época em que freqüentei o Curso Primário no colégio das freiras lá da então Vila Sertão. Muito aprendi naqueles bancos escolares e foi onde também concluí o curso de datilografia aos treze anos, batendo máquina com os dez dedos, o que muito me ajudou para conseguir meu lugar ao sol. Naquela época era a informática de agora e até hoje me orgulho do diploma de datilografia emoldurado num quadro antigo, que minha saudosa mãe mandou fazer. Deixo aqui uma homenagem a todas as professoras e professores que me orientaram e contribuíram para minha formação ao longo do tempo. A nossa existência é um longo aprendizado e só a persistência é capaz de nos levar ao fim almejado. Exemplos neste sentido, sobejam. Entretanto, deve-se atentar para a valorização da classe tão sacrificada em nosso país, percebendo baixos salários e tendo que enfrentar situações embaraçosas em salas de aulas como se tem visto, ultimamente, pela imprensa. Nem é preciso dizer o que se passa. A toda hora os meios de comunicação, divulgam. Toda a atividade humana tem os seus espinhos. Faz-se necessário, não só a compreensão por parte da sociedade, mas a vontade política e ação das autoridades constituídas, a fim de melhorar a situação salarial dos empregados em educação. Nunca é demais lembrar o pensamento de Confúcio: “A educação do homem deve começar pela poesia, ser fortificada pela conduta justa e consumar-se na música”. Um recado aos estimados educadores: Ensinem poesias às crianças, também, que assim despertarão para a literatura e irão vislumbrar novos horizontes. Agora mesmo, enquanto escrevo estas linhas, passa um bando de alunos e professoras em visita à BIENAL. Agradeço-lhes a atenção e até outra oportunidade. Que Deus nos ilumine ! ===========Poeta e cronista – E-mail: menestrel@brturbo.com PUBLICADO NO DIÁRIO E CANOAS – RS.======================EDITADO AQUI EM 17.03.2007====================================================================== SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA, MEDIADOR DE GRAÇAS========= IALMAR PIO SCHNEIDER============ Pela comemoração de Santo Antônio, no dia 13 do corrente, ocorreu-me lembrar que fui batizado em uma capela da qual o santo era o padroeiro. Vem daí uma grande devoção que sempre lhe dediquei ao longo dos anos, sendo que lá na distante adolescência, numa inspiração juvenil de fé e esperança, compus os seguintes versos, em forma de soneto em redondilha maior: Santo Antônio sois o santo/ Que eu venero com amor.../ Me cobri com vosso manto,/ Oh! Meu meigo protetor !// Se hoje cai o meu pranto,/ Por eu ser um pecador,/ Inspirai meu pobre canto,/ Com delícias do Senhor.// Sejais vós o meu fanal,/ Para a minha salvação./ Me livrai de todo o mal.// Me dai o vosso perdão/ Oh! Meu santo celestial/ Sois a minha devoção... Acrescento que muitas metas que projetei tiveram sucesso pelos pedidos que lhe fiz. Sou-lhe muito grato por isto. Tenho em mãos um livro intitulado Antônio de Pádua – Um santo também para você, de Giovanni M. Colasanti - franciscano conventual, cujo prefácio encerra assim: “Mino Milani escreve: “Giuseppe Ungaretti, jovem poeta, durante a primeira guerra mundial era soldado nas trincheiras da linha de frente. Suspenso entre a vida e a morte, estava imerso em tristeza, dúvidas, sofrimentos, e não sabia a quem recorrer. Mas um companheiro, camponês, estava sempre sereno, confiante. Certo Dia, Ungaretti descobriu o motivo daquela confiança e, então, escreveu numa poesia: Aquele camponês/ carregava uma medalha/ de Santo Antônio e prosseguia tranqüilo. Alguém pode ter ou não a medalha de Santo Antônio; no pescoço mas se possui no íntimo do coração a consciência de que santo Antônio olha lá de cima protegendo-o, então sim ! Como aquele soldado camponês prosseguirá seguro.” Eis porque santo Antônio é, ou poderá ser, um santo também para você. – Frei Giovanni M. Colasanti – franciscano conventual – Pádua, 4 de outubro de 1984.”” Estou a reler e que descreve a vida deste servo do Senhor com muita sabedoria. Já de início da leitura encontro a seguinte oração: “A Difícil Escolha de um Caminho – Não ! Não quero ser militar/ como alguns de meus amigos,/ e menos ainda/ pretendo viver protegendo e aumentando/ o patrimônio de meu pai !/ Mas quero lutar por um ideal maior,/ que preencha plenamente/ meu coração e minha mente: quero ser monge ! Quem, há séculos falava assim com um amigo, num dia qualquer de final de setembro, era um jovem chamado Fernando de Bulhões, nascido em Lisboa, Portugal, entre 1191 e 1195.” – pg. 7 do livro acima citado. Quando ingressou na ordem dos franciscanos vindo dos agostinianos, foi que, digamos, atravessando uma crise de identidade, adotou o nome de frei Antônio, como ficaria sendo chamado pelo resto dos seus dias aqui na Terra. Muito culto, foi insuperável pregador da palavra de Deus, tendo percorrido diversas cidades da Europa e fixando-se, finalmente, em Pádua, na Itália, de onde originou-se o nome pelo qual ficou conhecido e venerado. Estava sempre ao lado dos pobres e falava-lhes, observando lições da natureza, como é o caso de – “Imitando os grous (aves pernaltas que voam em bando). Dizia-lhes: “tomem os grous como exemplo. Durante longas migrações de um lugar para outro, um deles coloca-se à frente do bando para cortar os ares e, assim, tornar menos fatigante o vôo dos demais. Quando um deles se cansa, outro toma seu lugar. Durante o vôo, para manter o bando unido e animar-se mutuamente, fazem grande alarido batendo os longos bicos. E se algum não consegue resistir ao longo vôo? Os companheiros que lhe estão próximos juntam-se mais, ombro a ombro, e voando bem perto uns dos outros o sustentam até que consiga recobrar as forças. Quando estão em terra, não são menos solidários e prestativos. Durante a noite, quando o bando inteiro dorme, um (sobre dez) vigia em rodízio para dar o alarme, se houver perigo à vista” – pg. 89 do citado livro. Tem-se aí um exemplo de solidariedade e amor que as pessoas deveriam seguir para o bem de todos. Muitas outras passagens relatava em suas pregações, exortando aos ouvintes para se amarem uns aos outros assim como Cristo os amou. Abençoava os jovens e os doentes com uma pequena cruz, olhando para o céu e rezando: “O Senhor os proteja e livre de todo mal”. Obrigado e até mais... =============== Cronista e poeta - colaborador Publicado em 22 de junho de 2005 – no Diário de Canoas. ========================================= ==================EDITADO AQUI EM 7.4.2007======================= Canto Poético=========== Ialmar Pio Schneider=================== Ao abrir esta cancela Dei-lhe o nome de “recanto”, Flua o riso, surja o pranto, Tudo o que passar por ela Há de Ter o seu encanto. Para os leitores amigos Levo aqui minha mensagem De prosseguir nesta viagem Mesmo que enfrente perigos Nunca me falte coragem. Trovas, sonetos e cânticos Tenham aqui seu lugar, Que é meu destino cantar Versos simples e românticos: Cantigas de terra e mar... Publicado no jornal RADAR – Pág. 8 – Canoas, 02 de abril de 1987====================================== O GUAIPECA============= Ialmar Pio Schneider============= I IV Cão petiço da campanha, Este o destino que leva cusco de pouco importância e nem ao menos se queixa, que surge assim pela estância vive esperando uma deixa e se rebusca solito; que jamais há de ser sua, a pouca lide restrito e se nas noites de lua mas que se nos afeiçoa uiva magoado e sozinho, e mesmo vivendo à toa, é por falta de carinho xucro perro solitário, ou por piedade do mundo, às vezes é necessário pois embora vagabundo quando em noite escura acoa ! vai cruzando seu caminho. II V Pois latindo em altas horas Por isso triste guaipeca é que alguma coisa há ! não te enxoto nem maltrato, Me recordo desde piá, se não trazes o aparato até com certo orgulho, de animal de pedigree que fazendo seu barulho, e a sorte não te sorri velho guaipeca que eu tinha, como ao outro teu irmão, me alertava quando vinha és filho deste rincão um gambá no galinheiro e embora tenhas defeito e também algum matreiro pendurado no teu peito desses ladrão de galinha. também pulsa um coração ! III ****** Traz a raça indefinida Canoas – RS, 18.10.1972 e na estirpe dos caninos não exige tratos finos, qualquer resto lhe sustenta, pois à sobra de polenta mistura os ossos rapados; e dos seus antepassados nem sequer soube notícias e nunca teve as carícias qual os cachorros mimados.=============================== ================================================== DOIS LIVROS EXEMPLARES DE VISCONDE DE TAUNAY============ IALMAR PIO SCHNEIDER============= Terminei de ler esses dias o livro impressionante A Retirada da Laguna, de Visconde de Taunay, de cujo autor já o havia feito de Inocência, há muitos anos. Trata-se de um episódio da Guerra do Paraguai, de passagens trágicas, e por demais cruéis, que aconteceram naquele conflito bélico. De fato, o escritor assim inicia no Capitulo IV, seu relato da Marcha sobre a fronteira paraguaia. Conselho de guerra. “Arrancou a coluna a 25 de fevereiro de 1867, indo acampar a uma légua da vila, à margem do rio Nioac. Logo que pudemos, visitamos o comandante. Tinha a barraca sobre um montículo pedregoso, a meio abrigado por palmeiras que tornavam aprazível aquele local. Estava agitado: já para o rancho da tarde faltava gado. A 26 estávamos no Canindé; a 27 no Desbarrancado.” Como existe diferença entre os dois livros! No Retirada da Laguna, os horrores da guerra e a epidemia da cólera dizimando o Exército, tendo entre suas vítimas o filho e depois o próprio guia Lopes da Laguna, e por último o tenente-coronel Juvêncio e o coronel Camisão. O desespero dos soldados enfrentando as maiores vicissitudes, quase que indescritíveis e conforme relata o autor: “Quanta idéia lúgubre evoca um campo de batalha! Sobretudo nestas solidões imensas, onde o próprio gênio do mal parecia ter penosamente convocado e reunido alguns milhares de homens para que mutuamente se exterminassem, como se terra lhes faltara para viverem em paz do fruto do seu labor.” E não existe final mais comovente e doloroso do que se transcreve abaixo: “A 12 de junho baixou uma ordem do dia do nosso valente chefe José Tomás Gonçalves, em poucas palavras resumindo os acontecimentos desta terrível campanha: “A retirada, soldados, que acabais de efetuar, fez-se em boa ordem, ainda que no meio das circunstâncias as mais difíceis. Sem cavalaria contra o inimigo audaz que a possuía formidável, em campos onde o incêndio da macega, continuamente aceso, ameaçava devorar-vos e vos disputava o ar respirável, extenuados pela fome, dizimados pela cólera que vos roubou em dois dias o vosso comandante, o seu substituto e ambos os vossos guias, todos estes males, todos estes desastres vós os suportastes numa inversão de estações sem exemplo, debaixo de chuvas torrenciais, no meio de tormentas de imensas inundações, em tal desorganização da natureza que parecia contra vós conspirar. Soldados! Honra à nossa constância, que conservou ao Império os nossos canhões e as nossas bandeiras”. Este livro me foi recomendado pelo professor de português e de história do Brasil, quando cursava o antigo ginásio, e só agora, dei-me a prioridade de o ler. Já o outro livro, Inocência, como o próprio nome está a indicar, é uma história de amor das mais românticas que existem em nossa literatura dessa Escola. Assim se refere Ivan Cavalcanti Proença, ao apresentá-lo: “Este Inocência vem sendo reeditado sucessivamente e é livro único, na literatura brasileira, traduzido para quase todas as línguas”. Confesso que o li duas vezes e estou pretendendo relê-lo. Aqui com certeza fala mais alto meu saudosismo de que me não liberto por mais que o procure fazê-lo. Estas são duas obras, cujo autor Alfredo d’Escragnolle Taunay, Visconde de Taunay, foi Oficial Superior do Exército Brasileiro, Senador do Império do Brasil e membro da Academia Brasileira de Letras, tendo nascido no Rio de Janeiro a 22 de fevereiro de 1843 e falecido na mesma cidade em 25 de janeiro de 1899. Resta-me acrescentar que são duas obras de leitura atraente, não obstante as cenas dantescas que povoam as páginas de A Retirada da Laguna, contrastando com a amenidade das de Inocência, que ainda persistem em meu subconsciente quais amáveis lembranças... ============Cronista e poeta – E-mail: menestrel@brturbo.com ==================PUBLICADO NO DIÁRIO DE CANOAS E EDITADO AQUI EM 11.04.2007==================================== SONETO PARA A M Ã E========== Ialmar Pio Schneider=============== Mãe!... Palavra sublime, amor inexprimível, que a gente pronuncia em ritmo de oração... É tão cálido o afeto e quase que impossível externá-lo, pois vive em nosso coração ! Se alguma coisa existe, além do que é infalível, e seja só no mundo e morra em solidão; creia-me, não verá jamais tão acessível, de quem nos deu a vida, aceitar a afeição !... Ela é generosa e sem maldade alguma... Seus filhos são a maior riqueza que possui, seu aconchego tem toda a maciez da pluma... Porém, nunca haverá poeta, cujo verso descreva o amor de mãe, pois tudo se dilui ao saber que ela é a dona do Universo! =========Publicado no jornal “PANORAMA PRADENSE” de Antônio Prado (RS) em maio de 1978 - n. 45 _________________________________________________________________________ ========EDITADO AQUI EM 26.04.2007================================== ========= O SAUDOSO ROMANCISTA A . J. CRONIN E SUAS OBRAS SEMPRE ATUAIS============== IALMAR PIO SCHNEIDER============== Um dos escritores mais interessante que já tive a oportunidade de ler, foi sem dúvida, o célebre médico e romancista escocês A. J. Cronin (Archibald Joseph), que nasceu a 19 de julho de 1896, em Cardross, Dumbartoshire, Escócia, filho único de Patrick Cronin e Jessie Montgomerie. Faleceu no dia 6 de janeiro de 1981, na Suíça, para onde se transferira em 1955. O primeiro dos seus livros que li foi A Cidadela, e isto há muitos anos. Trata-se da história de um médico que provocou a manifestação do Parlamento Inglês no sentido de proibir a circulação do livro, uma vez que o romance foi considerado um “tremendo libelo contra a mercantilização da Medicina”. Diga-se que encerrava passagens autobiográficas do autor e foi a consagração definitiva de sua carreira literária. Depois vieram os livros que fui lendo ao longo do tempo e foram As Chaves do Reino, Sob a Luz das Estrelas, Noites de Vigília, Pelos Caminhos de Minha Vida, Um Erro Judiciário, etc. Mas ele escreveu mais de 20 romances. Terminei de ler por esses dias a sua primeira obra O Castelo do Homem sem Alma ( A Família Brodie), tradução de Rachel de Queiroz, que constitui um drama vivido em um lar que poderia ser feliz, porém, cuja imposição de um pai autoritário transformou em um inferno. Quando publicou este romance, escrito em apenas 3 meses em uma granja onde foi recuperar a saúde abalada por excesso de trabalho, obteve um grande êxito na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Foi adaptado ao teatro e ao cinema. “Sua obra já foi traduzida em quase todos os países, e no Brasil foi bem recebida pela crítica. O ensaísta e professor Genolino Amado, grande conhecedor de Literatura, especialmente da inglesa, a propósito de A Cidadela afirma: “... Um novo, intenso e singular novelista surgira na Inglaterra, trazendo na sua vocação criadora essa mescla de patético e de humour, de imaginação surpreendente e de observação direta da realidade cotidiana, tão marcada e típica nos escritores de sangue escocês.”” Outras opiniões de escritores brasileiros sobre a obra de Cronin: “É extraordinário que certa crítica, que tanto se comoveu com o superficial teosofismo de Charles Morgan em Fountain, persista em desconhecer o poeta e pensador destes dois romances admiráveis (As Chaves do Reino e Três Amores). Destes dois romances verdadeiramente singulares, pela sua força de vida e pelo seu significado de espírito na massa da produção intelectual hodierna, tão desprovida do senso da profundidade, como só o entendem os que sabem que Deus existe...” - Tasso da Silveira (in o Diário, B. Horizonte) “O autor de As Chaves do Reino é o mesmo de A Cidadela, A . J. Cronin. E este seu novo romance não é menos interessante do que o outro. Nem podia ser: Cronin tem o gênio do romance. Quero dizer, o segredo de surpreender a vida nos seus momentos mais dramáticos de expressão. O segredo de condensar toda uma situação psicológica num gesto, numa atitude, numa palavra, às vezes num silêncio. De ir além da superfície sem mistério nenhum dos homens e das coisas como são ordinariamente vistas. E ir a essas profundidades sem torturas de análise, sem usar escafandro, sem ele mesmo fazer-se antes um personagem de aventura para o leitor.” - Olívio Montenegro ( in Diário de Pernambuco, Recife) “Cronin é inegavelmente um grande romancista, Católico, nos seus livros passa o sopro suave da caridade cristã, que ressalta ao contraste da sua ausência. Quem não leu A Cidadela e Noites de Vigília, e não sentiu esse espírito de caridade? – Mas o escritor é um realista, no bom sentido. Faz seus romances sobre a vida. As Chaves do Reino é um grande livro.” – Padre Negromonte ( in O Diário, B. Horizonte) O que me atrai neste autor é sua maneira magistral de organizar a trama de seus romances, e ainda toda a experiência adquirida no exercício da Medicina que imprime em suas páginas um sentido humanitário. =======Cronista colaborador Publicado em 25 de maio de 2005 – no Diário de Canoas. =======editado aqui em 04.05.2007==================== ================================================== POR QUE NÃO LER OS BEST-SELLERS ? ==========IALMAR PIO SCHNEIDER============ A leitura, segundo meu juízo, pode ser de instrução, de auto-ajuda, e também de entretenimento, entre outros. Então por que alguns intelectuais se indispõem em aceitar os best-sellers? Assistindo ao programa do Jô Soares que entrevistava o acadêmico imortal Lêdo Ivo, pelo lançamento do seu livro Poesia Completa, e por estar com 80 anos de idade, en passant, falaram sobre os autores que mais vendem e os que não. O poeta falou que é muito relativo este enfoque, uma vez que alguns fazem sucesso porque escrevem para determinada clientela ledora, mas ao mesmo tempo desaparecem na efemeridade das coisas passageiras. Eu, de minha parte, leio certos best-sellers e os tenho apreciado, geralmente. Acredito que o que faz a vendagem dos livros é a mídia. Já vi em página de revista num ônibus em Paris uma propaganda do livro de Paulo Coelho, Veronika decide morrer. Como ele tem um público cativo em quase todo o mundo, é sabido que é um dos maiores vendedores brasileiros de todos os tempos. Voltando ao poeta Lêdo Ivo, enquanto assistia ao programa do Jô Soares, sendo entrevistado, procurei na prateleira um livro dele, Antologia Poética, com seleção de Walmir Ayala e introdução de Antônio Carlos Villaça, e me deliciei com o seguinte soneto, que reputo um dos melhores de sua verve: Soneto do Empinador de Papagaio – “A nada aceito, exceto a eternidade,/ nesta viagem ambígua que me leva/ ao altar absoluto que, na treva,/ espera pela minha inanidade.// O que sonhei, menino, hoje é verdade/ de alva estação que em meu silêncio neva/ o inverno de uma fábula primeva/ que foi sol, cego à própria claridade.// Na hora do fim de tudo, separados/ fiquem os dois comparsas do destino/ que sabe a cinza após o último alento.// E a morte guarde em cova os injuriados/ despojos do homem feito; que o menino/ empina o papagaio, vive ao vento.” – Ediouro – pg. 65. E o entrevistador caçoava dele, dizendo que continuava sendo um menino, embora octogenário. Mas, pelo que pude aquilatar, eles são leitores de best-sellers, pois quem não quer divulgar seus trabalhos e conquistar leitores?! Não sejamos hipócritas ! Venho de ler um dos maiores best-sellers da atualidade, O Código da Vinci, de Dan Brown, - dez milhões de livros vendidos em todo o mundo – na edição da Sextante. Trata-se de um romance policial, com poucas personagens para não atrapalhar a fluência na leitura, e pleno de lances inesperados. Tenho certeza de que o sucesso de venda deste livro, se deve à simplicidade e a desenvoltura da trama que aos poucos vai conquistando o leitor, sem muito academicismo e sofisticação intelectualista que só fazem afastá-lo. Assim como existem os leitores analfabetos funcionais, tão apregoados por alguns intelectuais, também há os escritores que escrevem só para si mesmos, não atingindo o homem comum do povo que é a maioria no mundo inteiro. Na poesia, quem não se lembra de J. G. de Araújo Jorge, nas décadas de 50 a 70 ? com seus poemas românticos cativando os corações enamorados ?! Conheço diversas pessoas que se encontraram, se amaram e viveram felizes, lendo e ouvindo as poesias deste poeta que fabricava estes versos: “Uma hora de morrer... I – Uma hora de morrer é aquela em que,/ debruçado sobre teus olhos,/ me agarro a ti para salvar-me/ e sinto que afundamos juntos. – II – Uma hora de morrer/ é aquela em que nada dizes,/ em que apenas me olhas como agradecendo,/ e em que me guardas ainda contra ti,/ como se quisesses ter a certeza/ de que apesar de tudo/ ficamos na terra”. – do livro A Sós... 9ª edição – Editora Record – 1982 – na contracapa. No meu modesto entender, toda a leitura que desperta a curiosidade do leitor de maneira simples e atinge os corações também, é válida, tanto na prosa quanto na poesia. O importante é que seja agradável, não deixando de ser instrutiva e iluminando as mentes das pessoas... ___________________________________________ =======Poeta e cronista – E-mail: menestrel@brtrubo.com ====PUBLICADO NO DIÁRIO DE CANOAS – RS ========================EDITADO AQUI EM 02.06.2007============ Amor sem fim============== =============IALMAR PIO================= Quisera fazer-lhe carícias do mais simples ao mais complexo e usufruir as delícias do sexo. E quando a noite chegasse envolvendo o mundo beijando a sua face e atingindo o clímax profundo... Nem seriam horas perdidas mas sempre aproveitadas por duas vidas hoje separadas... Este meu íntimo pensamento que agora externo qual o tempo e o vento seria eterno nos poemas sem dilemas... Porto Alegre - RS, 29 de setembro de 2004 - às 17h19min.==============IDEM, IDEM =========================== MUSA CONSOLADORA-------Foge-me a inspiração levada pelo vento/ e junto vais, oh musa ardente e sedutora,/ deixando-me sozinho envolto em meu tormento/ e a se desesperar minh’alma sofredora !// Foste minha ilusão e meu contentamento,/ a luz que prende a alma e a torna sonhadora,/ e se hoje tua ausência em vão choro e lamento,/ é porque te perdi, fada consoladora !// Aguardo teu retorno, encantada revinda,/ pra que volte a cantar e a bendizer o amor.../ Na noite mais atroz te concebo mais linda// e necessito, enfim, de teu magno esplendor/ que me faça entender, talvez um pouco ainda,/ o sonho genial de ser poeta e cantor...----------------=======IALMAR PIO============------- EDITADO EM 4.7.2008 ----SONETO====== Ialmar Pio Schneider====== Querer-te tanto quanto tu mereces Era o vivo desejo impreterível Deste amor que pensei fosse possível Sem queixa alguma, todo feito em preces.====== E mesmo se outro alguém tu já tivesses Num querer bem até incompreensível, Talvez não alterasse o próprio nível Do sonho não sonhado que padeces.====== Busquemos nessas horas de querelas As tardes mais amenas e mais belas P´ra o consolo de tudo quanto existe...==== Finalmente, apreciando a natureza, Vamos ter a fantástica certeza Que a vida não é tão-somente triste...====== Porto Alegre – RS, 30.6.2008====== SONETO===== Ialmar Pio Schneider====== Foi num momento em que no chão se abria Formosa flor, esbelta e perfumada, De um tal aroma que ao olfato agrada, Encanta os olhos e produz magia.======= Eu me recordo então daquele dia: Era ainda ao romper da madrugada, No horizonte uma faixa tão dourada Anunciava que o sol veloz nascia.======= Mas num relance tudo aquilo passa E tenho que seguir o meu caminho, Carregando comigo tal desgraça==== Como enuncia o popular ditado De saber que é melhor andar sozinho Do que por vezes mal-acompanhado.===== Canoas – RS, 25-9-71======EDITADO EM 4.7.2008================================= SONETO DE UM SOLITÁRIO----------Por que a solidão me faz tremer/ no escuro desta noite, sem ninguém ?/ Oh quem sabe, eu nasci para sofrer/ e tu que lês meus cânticos, também !...// Minha mágoa não posso descrever,/ é uma vontade de possuir alguém/ e ao mesmo tempo a ela pertencer/ com toda força que minhalma tem.//Eu sei que a madrugada chegará/ e o galo vai cantar; é o mensageiro/ a prenunciar o dia que amanhece./ Maior tristeza que a minha não há:/ mas se fores feliz, sem desespero,/ não guardes estes versos e ... me esquece.--------------------IALMAR PIO (ver no www.cade.com.br--=====================publicado aqui em 12.8.2008====================== Ao pôr-do-sol...---------(Menestrel sem Juizo)------Pedes-me que eu defina brevemente/o que seja emoção e fantasia,/quando nos encontramos de repente/num happy hour ao final do dia.//Mas eu que vivo longe, indiferente,/trazendo no meu peito a rebeldia/de alguém que acreditava, hoje descrente,/não consigo dizer-te o que seria...//Apenas fico cada vez mais triste/e já me vês então transfigurado/olhando o sol que afunda no Guaíba.//Poesia enfim é tudo quanto existe/nessas horas em que sonho acordado/e sinto que a saudade me derriba!....---------IALMAR PIO – ver no www.cade.com.br===============================PUBLICADO AQUI EM 19.8.2008================================= ================================================= A PAZ E O PODER ECONÔMICO================ IALMAR PIO SCHNEIDER================== A Paz deveria ser o sentimento máximo a dominar as relações humanas dos povos para que houvesse uma convivência feliz entre eles. Todavia, nem sempre é assim, pois os poderosos economicamente, também dispõem da força bélica que os tornam opressores por natureza. Basta lembrar da famosa frase: “Ai dos vencidos !” - Vae victis ! “Segundo Tito Lívio (História Romana, V,48) foram estas as palavras pronunciadas em 390 a.C. pelo general gaulês Breno ao atirar a espada no prato da balança em que estavam os pesos com que se devia pesar o ouro do resgate dos romanos, e que eram falsos, tendo estes protestado contra o abuso”. Vale dizer: “A única salvação para os vencidos é não esperarem salvação nenhuma”. Dicionário Universal de Citações, de Paulo Rónai - pg. 970 - Ed. Círculo do Livro. Nos países capitalistas, o domínio do Poder Econômico atinge proporções consideráveis. No Estado Absolutista, de tipo mercantilista, o Estado detinha, ao lado do poder político, o poder econômico. Entretanto, à medida em que se passa ao regime liberal, do laissez faire, em que o Estado se abstém da atividade econômica e a entrega aos particulares sob várias formas, inclusive a concessão, surge o poder econômico autônomo, que cada vez mais se fortalece, pondo em risco a própria atividade do Estado. Dessa situação decorre a advertência de Hermann Heller, segundo a qual “ou os encarregados do poder político, descobrindo novas fontes de fortalecimento econômico, demonstram efetivamente sua independência contra as forças da riqueza privada, ou os esforços dos líderes econômicos conseguirão, ou pelo menos tentarão, pôr fim à democracia do poder.” Surgem os trustes, os cartéis, os monopólios, fórmulas múltiplas, pelas quais o poder econômico privado tenta valer-se de suas posições dominantes para prejudicar o consumidor. Foi para atender a esses desafios que surgiu uma legislação específica, destinada ao controle do poder econômico. Após estas considerações, quero transcrever abaixo um soneto que compus há alguns anos a fim de expor minha idéia a respeito da Paz: Aspiração suprema da esperança/ que atinge os corações, fraternalmente,/ à procura de um bem que só se alcança/ com a bênção do Senhor Onipotente.// Tenhamos a inocência da criança/ e conservemos sempre em nossa mente/ toda a sublime bem-aventurança/ vinda do Espírito Santo onisciente.// E nossa prece, então, será ouvida/ distante, além dos astros,no infinito,/ glorificando aqui na terra, a vida...// Porque somente unidos, afinal,/ em torno de uma luz de amor convicto,/ é que teremos Paz Universal ! Com estes versos desejo a todos um Próspero Ano-Novo com muita paz, harmonia, compreensão, saúde e bem-estar, inclusive financeiro. Agradeço-lhes pela atenção que dispensaram aos meus escritos e reitero meus votos de Feliz 200l, início do próximo milênio. __________________________ Poeta e cronista Publicado em 23 de dezembro de 2000 - no Diário de Canoas. ========EDITADO AQUI EM 3.9.2008=============================================================================================== PROMESSA DE ANO-NOVO =====IALMAR PIO SCHNEIDER===== Ao iniciar um novo ano voltam as promessas... que se as fazem sempre. Alguns prometem não mais fumar e outros que nem eu, invariavelmente, que vão emagrecer. Tenho adquirido os mais diversos livros neste sentido. Apenas para nomear alguns aqui: Só é Gordo Quem Quer, de João Uchôa Jr., Mantenha-se Saudável com o Dr. Minuzzi - obesidade - Programa de Emagrecimento Definitivo, de Antônio Carlos Minuzzi, Emagreça Comendo, Dr. Lair Ribeiro, e por último, um best-seller - (primeiro lugar na lista do The New York Times) - A Dieta de South Beach, de Arthur Agatston, M. D., e continuo obeso. Este ano, porém, faço um firme propósito de perder peso, não digo voltar aos meus 66 quilos, mas também não continuar com os meus 98 quilos, atualmente. Perguntar-se-ão: o que me faz explanar isto agora ? É um compromisso que me faço publicamente, diria eu, para conseguir meu intento há tanto tempo perseguido. O que escreveu o Dr. Lair Ribeiro, já o vi gordo e depois magro, em programas de televisão, julguei de muito fundamento: “Se você pesa mais do que gostaria, está na hora de usar, corretamente, seu poder mental. Embora existam mais de 200 diferentes dietas no mercado, estudos americanos mostram que 95% das pessoas que “perdem peso” apenas através de dieta, num período de doze meses praticamente recuperam o peso perdido. Se você possui Estrutura Psicológica de gordo, não adianta torturar-se para emagrecer, porque o peso vai voltar. Algum dia você chegou a pensar que seu metabolismo pode ser modificado através de seu poder mental ?”(...) Na esteira desta informação vou procurar obter sucesso... Sirvo-me de umas idéias que li e das quais compus o soneto abaixo, já faz alguns anos, e que é assim: Soneto da Libertação --- “Quero o caminho da libertação/ para seguir na vida mais confiante,/ se alimentava mórbida ilusão/ procurarei bani-la, doravante.// Preciso estar alerta a todo instante/ e suportar a humana condição,/ minha vigília deve ser constante/ neste mundo envolto em turbilhão...// Levo comigo a chama da esperança/ e apesar dos percalços da existência/ tenho fé, tenho amor, tenho confiança...// Não mais serei o náufrago perdido/ pelos mares da angústia e da impaciência,/ porque vencendo-me, terei vencido !” - Canoas - 29-01.85 - Consta de meu livro Poesias Esparsas Reunidas, pg. 133. Socorro-me deste pensamento para libertar-me da obesidade, ao menos com a força de vontade, ou melhor, boa vontade, digamos que deverei implementar para atingir meu objetivo, que de resto, não é mais do que para a minha saúde e bem-estar. Faço-o, repito, pra me impingir este compromisso comigo mesmo. Quantos já o fizeram ? Mudando de assunto e como estamos em pleno verão e o mar se nos convida a visitá-lo, na minha condição de escrevinhador de versos desde sempre, me permito transcrever abaixo meu: Soneto ao Sol - “Nesta tarde sem chuva até parece/ que a claridade abraça nossa terra,/ o sol risonho aos poucos se descerra/ e alegremente brilha e resplandece...// Oh! Rei dos Astros, quanta luz encerra/ tua mensagem pura como a prece,/ minh’alma consternada te agradece/ a paz que trazes afastando a guerra !// Fugindo ao teu calor, buscando as águas,/ a Humanidade olvida suas mágoas/ e vai achar sossego à beira-mar...// Fazes crescer a planta com carinho/ que produz folha, flor e até o espinho;/ e as folhagens enfeitando o Lar.”- Canoas - 16 de fevereiro de 1984 - idem, idem cfe. acima. -pg. 86 Sobre o assunto principal destas linhas, não abdico de continuar meu empenho em consegui-lo,e desejar a todos um ano próspero e que as promessas que se fizerem sejam concretizadas. ________________________________________________ Poeta e cronista - E-mail: menestel@brturbo.com =========================================================EDITADO AQUI EM 5.9.2008============================================================================================ OUTRA ÉPOCA E UM POETA INESQUECÍVEL============= Ialmar Pio Schneider============ Esses dias estava percorrendo os livros de minha biblioteca nas prateleiras e encontrei um volume de saudosa memória, autografado pelo autor, intitulado Bom Dia, Juventude ! Trata-se da obra do inspirado poeta de Caçapava do Sul – RS, hoje falecido, Francisco Guarany De Bem. O autógrafo é de 17 de maio de 1982, quando ele já andava beirando os 80 anos, pois sua data natalícia é 16 de abril de 1903. Lembro-me que o conheci na sede da Casa do Poeta-Riograndense, que naquela época funcionava nos Altos do Mercado Público, Sala nº 119, que bem poderia continuar até hoje naquele local, s.m.j., pois ele já escreveu naquela ocasião: “Em agradecimento aos relevantes serviços prestados pelo nosso incansável Fachinelli, inclusive a sua incessante batalha para que tenhamos um salão próprio, e que este salão nos seja doado pela Prefeitura de Porto Alegre. Espero que muito em breve vejamos a nossa bandeira tremulando sob o caloroso aplauso dos Srs. Vereadores e hasteada pelas mãos do nosso digno Prefeito.” Todavia, como escreveu no prefácio o literato Hugo Ramírez, ilustre membro da Academia Rio-Grandense de Letras, a respeito, num texto lapidar, o seguinte: “São versos tocados de simplicidade e pureza de alma. Inspirados por distintos momentos e motivos, inebriam-se de romantismo e saturam a atmosfera de todo o volume com seu aroma amoroso. Os versos de amor são os mais significativos do caráter e da experiência do autor. Atingir a seu estágio com esta exuberância de bem querer é privilégio que Deus a poucos concede, tão sáfaros são freqüentemente os corações que muito viveram, eivados de amargura.” O ponto máximo de sua criação literária, está nas páginas 34 e 35, que aqui transcrevo como uma homenagem ao saudoso poeta amigo: “Pedra do Segredo – Prólogo – “Lá na escarpada da serra, ao lado da altaneira cidade de Caçapava do Sul, meu querido torrão natal, há uma pedra lendária em seus assombros. Lembro-me, quando pequenino ainda, passava as noites sem poder dormir pelo medo que eu sentia, horrorizado das assombrações que no galpão um pardo velho me contava dela. Hoje, para me redimir do mal que ela me fez sem Ter nenhuma culpa, aqui estou eu convidando a todos para oportunamente se dignarem conhecê-la. E, tenho a certeza absoluta que, ao defrontarem-se com aquela grandiosidade que lá está encravada, assim como eu o fiz quando a conheci, também todos vós ao conhecê-la primeiro se curvarão, respeitosamente, para depois beijá-la.”” E para complementar, transcrevo abaixo também, o soneto que ele dedicou ao saudoso amigo poeta e declamador Hugo Britto, e com o qual ficou conhecido como o poeta da Pedra do Segredo: “Muito longe daqui, lá em Caçapava,/ Há uma pedra lendária em seus assombros./ Ouviam nela um arrulhar de pombos,/ Ou os gemidos de uma antiga escrava.// Na medida que a serra se desbrava,/ A lenda morre num montão de escombros./ Sonhando, um peso me saiu dos ombros:/ A história dela mal contada estava.// E lá está a pedra majestosa e bela !/ Ninguém sabe dizer que pedra é aquela,/ Todos a chamam Pedra do Segredo.// É um diamante engastado lá na serra,/ Que Deus, olhando para minha terra,/ Deixou por gosto lhe cair do dedo.” Hoje, decorridos tantos anos, ainda me assaltam aqueles dias em atropelo na lembrança do que não volta mais. Mas este viver me ensinou que a convivência poética permanece, como naquele autógrafo: “Para o prezado amigo..., com um caloroso abraço, subscrevo-me. Ass. ... Porto Alegre, 17-5-82”, em sua letra tremida e miúda prestes a octogenário. Que Deus vele por ele, enquanto eu recito minha quadra: Os versos que a gente escreve,/ mesmo que sejam banais,/ é um pouco da vida breve/ que não volta nunca mais ! Até outra oportunidade. Poeta e cronista – E-mail: menestrel@brturbo.com Publicado em 14 de outubro de 2004 – no Diário de Canoas.RS ============================================================EDITADO AQUI EM 5.9.2008=============================================================++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ UMA VIAGEM INOLVIDÁVEL I =======IALMAR PIO SCHNEIDER========= Pedem-me que escreva algumas considerações a respeito da excursão de ônibus por dez dias que fizemos ao Rio de Janeiro, permanecendo em Curitiba, para visitação aos principais pontos turísticos da cidade. Começamos pela viagem de trem até Morretes, através de túneis e viadutos, apreciando paisagens panorâmicas deslumbrantes. Acontece que nada anotei, mas ocorre-me no momento, que ao retornarmos, iniciamos pelo Jardim Botânico, indo após ao Ópera de Arame, à Pedreira Paulo Leminski Filho, onde já cantou, entre outros, o grande tenor José Carreras; e mais dois outros parques, construídos sobre pedreiras desativadas que é uma maneira que fazem para aproveitá-las. No dia seguinte prosseguimos viagem rumo ao Rio, com uma parada no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte, onde tivemos a oportunidade de adquirir alguns souvenirs e rezarmos à Padroeira do Brasil, pedindo sua bênção e proteção. Chegamos ao Rio à noite e nos hospedamos em hotel junto à praia de Copacabana. Na manhã seguinte iniciamos o city-tour indo ao Morro do Corcovado, onde subimos de trem e após a pé os degraus que levam à estátua do Cristo Redentor, de braços abertos abençoando a todos. A vista lá de cima é maravilhosa, assim como a própria cidade, que já detém esse epíteto que nenhuma outra possui, com justiça. Depois nos dirigimos ao maior estádio do mundo, o Maracanã, onde vimos o Romário que havia ido colocar os pés na calçada da fama. Tivemos uma palestra do velho zelador há 52 anos, o sr. Izaías Ambrósio (assim se chama, se não me falha a memória, hoje com 74 anos de idade), que nos falou da construção do estádio e da derrota da seleção brasileira para os uruguaios em 1950, por ocasião da Copa do Mundo daquele ano. Prosseguimos pela Av. Niemayer, Leblon, Ipanema, Copacabana e fomos ao Morro da Urca, onde subimos pelo bondinho até o Pão de Açúcar, onde mais uma vez nos deslumbramos com a vista inigualável e fantástica da Cidade Maravilhosa. Acrescento que vimos a extensão da lagoa Rodrigo de Freitas e o Hipódramo da Gávea, além do Cemitério São João Batista onde estão enterrados os grandes vultos do Rio de Janeiro. No dia seguinte fomos à cidade imperial de Petrópolis, onde existia o Cassino Quitandinha, desativado por ocasião do governo do Presidente Dutra, que proibiu o jogo no país, cujos apartamentos foram vendidos a particulares, hoje aberto à visitação pública, através de ingresso; e depois podemos conhecer o Palácio de Cristal, a Catedral São Pedro de Alcântara, o Museu Imperial e a Casa de Santos Dumont, que também cobram ingressos, excluindo a Catedral e o Palácio de Cristal. Lembrei-me que nessa cidade nasceu o insuperável poeta Raul de Leôni, mas não tive oportunidade de procurar se havia alguma casa que reverenciasse o seu nome. Nem o guia local soube me explicar a respeito, restringindo-se a dizer-me que existe uma rua com o nome do grande literato da cidade. Pretendo continuar na próxima crônica, se Deus quiser; e vai querer; e os santos ajudarem. Até lá. ____________________________ Poeta e cronista Publicado em 09 de agosto de 2000 - no Diário de Canoas. ======EDITADO AQUI EM 6.9.2008========================++++++++++++++++++++++++++ UMA VIAGEM INOLVIDÁVEL II ===========IALMAR PIO SCHNEIDER========== Para dar continuação ao relato sobre a excursão realizada há um mês, cuja primeira parte já publiquei quinze dias atrás, volto ao assunto agora, pretendendo concluí-lo. Voltando de Petrópolis, pernoitamos no Rio e na manhã seguinte nos dirigimos a Cabo Frio e Búzios, atravessando a moderna Ponte Rio/Niterói. Ao chegarmos, presenciamos inúmeras salinas desativadas, porque o sal deixou de ser um negócio lucrativo, dada à concorrência do Nordeste, e sua exploração se tornou antieconômica, levando os investidores a aplicar seus recursos na área do turismo. A par de modesta vila de pescadores existem luxuosas residências de lazer ao longo das numerosas praias de águas cristalinas azuis e esverdeadas e areias brancas e luzidias. São freqüentadas por turistas de todo o mundo, além de atores e jogadores de futebol famosos que lá têm suas mansões. Aproveitamos para caminhar à beira-mar dentro da água pelas praias de Peró e das Conchas. Depois de permanecer o dia inteiro apreciando aqueles lugares paradisíacos, retornamos no final da tarde para o hotel onde estávamos hospedados. Sendo o próximo dia livre e havendo uma feira de livros próxima, numa pequena praça, adquiri diversos exemplares, entre os quais o Febeapá 1, de Stanislaw Ponte Preta, Anedotário da Rua da Praia 2, de Renato Maciel de Sá Júnior, Contos e Lendas, de Rebelo da Silva, e O Linguado, de Günter Grass (Prêmio Nobel do ano passado), etc. Finalmente chegara a hora de retornar, mas em nosso roteiro ainda teríamos uma visita à Usina Eletronuclear Angra 2, onde assistimos a um vídeo, expondo os benefícios que a energia nuclear proporciona à humanidade, bem como os cuidados que tiveram na construção e instalação das referidas usinas. Prosseguimos rumo à cidade histórica de Paraty, com seus prédios antigos e ruas calçadas com pedras brutas e arredondadas, construídas pelos escravos. Conhecemos a velha igreja Sta. Rita transformada em museu de arte sacra e também a igreja matriz N. Sra. dos Remédios. Tudo nos transporta ao passado, contrastando com o parágrafo anterior. Por último teríamos agora que atingir a cidade de Itajaí, onde chegamos de manhã cedo e permanecemos para pernoite. Trata-se de uma cidade portuária de múltiplos encantos. Alguns excursionistas foram ao Balneário de Camboriú, onde andaram de teleférico, outros atravessaram de balsa o rio Itajaí-Açu para a cidade de Navegantes. No dia seguinte chegava a hora da última etapa da viagem que iniciáramos há dez dias. Houve uma parada em Criciúma para compra de malhas. Tudo correu bem, graças a Deus, e no fim da tarde chegamos sãos e salvos à capital dos pampas, apesar da intensa neblina que enfrentamos em grande parte do trajeto. Valeu a pena. ________________________ Poeta e cronista Publicado em 23 de agosto de 2000 - no Diário de Canoas. ===========EDITADO AQUI EM 6.9.2008============================================ ==================================================== A CONSTITUIÇÃO============= IALMAR PIO SCHNEIDER================ Podemos afirmar que a Constituição é o documento original, autêntico e fundamental que organiza um Estado, ou, em outras palavras, é o conjunto de normas - quer costumeiras, quer previamente elaboradas e escritas - que estruturam um determinado Estado, regulando sua forma, bem como seu governo, modo de aquisição e exercício do poder, o estabelecimento de seus órgãos e os limites de sua ação. Enfim, a Constituição é o conjunto de normas que organizam os elementos constitutivos do Estado. Darcy Azambuja, ilustre jurista gaúcho, assim a definiu: “Em sentido restrito, que é o usual, Constituição é o conjunto de preceitos jurídicos, geralmente reunidos em um código, que discrimina os órgãos do poder público, fixa-lhes a competência, declara a forma de governo, proclama e assegura os direitos individuais.” Desde que se tem notícia da existência do homem na face da terra, e sendo por natureza gregário, procurou-se estabelecer normas de convivência para o bem-estar, conservação da espécie e perpetuação da raça humana que se vê, atualmente, ameaçada de extermínio total imprevisível, considerando as armas letais de que dispõe, após a descoberta da desintegração do átomo e o poderio bélico das grandes potências mundiais. Mas, este já é outro assunto... Modernamente, a primeira Constituição escrita foi a da Federação dos Estados Unidos da América do Norte, promulgada pela Convenção da Filadélfia no ano de 1787, ainda em vigor, cujo preâmbulo, redigido por Tomás Jefferson é o seguinte: “Nós, o povo dos Estados Unidos, com o objetivo de formar uma união mais perfeita, estabelecer a justiça, assegurar a tranqüilidade doméstica, promover a defesa comum, promover o bem-estar geral e assegurar os benefícios da liberdade para nós e para nossa posteridade, ordenamos e estabelecemos esta Constituição para os Estados Unidos da América.” Foram os norte-americanos, portanto, os predecessores da posivitação do direito institucional. Nas constituições escritas dos Estados modernos, os preâmbulos têm relevante importância, uma vez que expressam ou invocam o espírito que deverá norteá-las. O da Constituição da República Federativa do Brasil - 1988 - assim se expressa: “Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil.” Os constituintes, geralmente, invocam no preâmbulo o nome de Deus. Essa invocação, diz Pedro Calmon, tem a força de uma preferência religiosa, na exaltação preliminar dos sentidos conservadores da assembléia afastada da indiferença e da hostilidade ao culto abraçado pela maioria da população nacional. Sem embargo do combate que lhe movem as correntes materialistas, esta praxe de invocação do nome de Deus, este apelo à proteção divina, no pórtico da Constituição, é uma reafirmação da fé que o povo deposita em si mesmo. Corresponde com o pensamento da maioria da população nacional e de toda a humanidade sofredora sempre voltada para o Supremo Criador que orienta e dirige os acontecimentos e a própria vida dos povos. Para que a Constituição de um Estado seja liberal e duradoura é necessário que não seja demasiado extensa, contendo artigos impraticáveis e numerosos, tornando-a “um elefante branco”, contrariando as tradições arraigadas de uma nação democrática. _______________________ Advogado e cronista Publicado em 07 de março de 2001 - no Diário de Canoas.=====EDITADO AQUI EM 27.9.2008======================== ================================================= AUSÊNCIA-------Levantarei meu canto qual um brinde/ que deverá chegar aos teus ouvidos,/ porém antes que o sentimento finde/ viverás em meus versos preferidos...// E quando os outros lerem nossa história/ escrita nestas páginas sentidas,/ continuarás vivendo na memória/ daqueles que juntaram suas vidas.// Mas já não nos veremos, pois ausente/ dos meus olhos, por fim esquecerás/ esse caso de amor inconseqüente/ que me roubou toda a alegria e a paz !---------Menestrel sem Juízo---IALMAR PIO SCHNEIDER +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ SONETO MATUTINO--------Surge a manhã, os pássaros cantores/ vêm despertar as nossas emoções.../ Quem poderá viver sem ter amores/ embora sejam sonhos e ilusões ?// O sol nascente esparge resplendores/ que são quais ondas d’ouro aos borbotões;/ o próprio orvalho que dá vida às flores/ semelha pérolas em profusões...// Nesses momentos de êxtase e de enlevo/ sinto quanto minh’alma está vazia/ e lastimando tua ausência escrevo.// Se por acaso leres estas linhas/ pensa na solidão e na poesia/ que sempre foram companheiras minhas.---------=======IALMAR PIO=== =============================================== OLÁ – VC. GOSTA DE SONETOS? VISITE MEU SITE===DEIXE UMA MENSAGEM NO LIVRO DE VISITAS – Ok ? AGRADEÇO http://www.sonetos.com.br/meulivro.php?a=44&x=5&y=8--IALMAR PIO (VER no www.google.com.br (PESQUISA AVANÇADA) – POESIAS E CRÔNICAS DIVERSAS ================================================PUBLICADO AQUI EM 28.10.2008===================================================== IALMAR PIO====== 27 de Outubro de 2008 Olá galera ! Hoje é dia mundial de oração pela paz. “Sem liberdade de criticar, não há elogio sincero”. no Diário Gaúcho de Porto Alegre - RS, 27.10.2008 - pg. 2 ******************* SONETO DA PAZ============= Ialmar Pio Schneider================ Aspiração suprema da esperança que atinge os corações, fraternalmente, à procura de um bem que só se alcança com a bênção do Senhor Onipotente. Tenhamos a inocência da criança e conservemos sempre em nossa mente toda a sublime bem-aventurança vinda do Espírito Santo onisciente. E nossa prece, então, será ouvida distante, além dos astros, no infinito, glorificando aqui na terra, a vida… Porque somente unidos, afinal, em torno de uma luz de amor convicto, é que teremos Paz Universal ! ******************* Obrigado pela acolhida. Ialmar Pio - poeta, cronista e trovador. ++++++++++++++++++++++++================PUBLIDADO AQUI EM 27.10.2008================================================== M I N H A F L A U T A======== ========Ialmar Pio Schneider ================== Meu pai me deu uma flauta pequenina nascida de uma cana de taquara, e andei tocando para uma menina amorosas sonatas que inventara. E desde aquelas horas, cristalina trilou minh’alma numa voz preclara, cheia de afeto pela mais divina das criaturas por quem me apaixonara. Um dia ela partiu , foi embora sem nada me dizer, sem despedida... Quando soube, chorei; era menino... Hoje a saudade vem e desarvora meus anseios de amor por toda a vida, e penso nela... Qual o seu destino?!... SOLEDADE (RS) - 30.05.65 Publicado no jornal “O PALADINO” Soledade (RS). =========EM 14.11.2008========================== ============= A M O R P R O I B I D O========= Ialmar Pio Schneider=========== Pobre Rubião que quis o amor proibido, o louco afeto que não era seu, e sem desabafar num só gemido nos mares da loucura pereceu. Sofia há de lembrar o seu pedido, que sem saber por que não atendeu, e o distante cruzeiro enaltecido continuará brilhando lá no céu, como chamando a cativante bela, que calma se aproxime da janela e que venha fazer-lhe companhia. E o vento, desfolhando as lindas flores, há de chorar incompreensões de amores por uma voz pungente de elegia! Obs.: O presente soneto está baseado no maravilhoso romance de Machado de Assis: “QUINCAS BORBA”. Publicado no jornal “O PALADINO” de Soledade (RS) em 1966. ========EM 15.11.2008======================================= SOBRE OFICINAS LITERÁRIAS... =====IALMAR PIO SCHNEIDER===== Durante um longo período de minha vida, praticamente cerca de um quarto de século ou mais, permaneci, por assim dizer, numa espécie de limbo literário com respeito a escrever prosa, não obstante cultivasse a poesia, quer compondo, quer lendo, em suas mais diversas modalidades. Isto não exclui, porém, minha condição de leitor contumaz e permanente, de romances, contos e crônicas, literatura em geral, o que fiz durante todo o tempo. De fato, desde a década de sessenta, quando havia iniciado a escrevinhar uma espécie de romance que intitulara SONHO DE AMOR, não havia me aventurado no gênero, a não ser elaborando algumas redações, seja para o exame vestibular e ao longo do curso de Direito nas Faculdades Integradas Ritter dos Reis de Canoas - RS. Entretanto, no ano de 1998, despertou-me o desejo de fazer prosa e iniciei tentando alguns contos e crônicas, também para participar de uma oficina de criação literária com o escritor já consagrado Charles Kiefer, e que freqüentei, com mais uma dúzia de colegas, durante um semestre. Estávamos nos programando para continuar nesta atividade, uma vez que o citado autor não dispunha de tempo para fazê-lo, o que poderá conseguir, quiçá, neste ano. Ele próprio escreveu uma crônica intitulada As oficinas literárias não ensinam a escrever, pág. 31 de seu livro O GUARDIÃO DA FLORESTA - Mercado Aberto - 1997, assim se expressando: “Nenhuma oficina literária séria e honesta terá a pretensão de ensinar a escrever, até porque este é o aprendizado de uma vida inteira, mas certamente deverá levar os alunos a dessacralizar o próprio texto e a compreender-lhe as estruturas compositivas.”; o que realmente constatei durante o curso. Entretanto, a orientação recebida, e a convivência desfrutada com nossos pares, que perseguem o mesmo objetivo, não deixam de ser um incentivo à leitura e ao desenvolvimento de pretensos dotes literários. De minha parte, porque sou muito afeito à apreciação de pequenos pensamentos lidos ao acaso em jornais, revistas e livros, quero transcrever abaixo dois deles, atribuídos, ou melhor, de autoria de gênios universais, quer sejam: Ludwig van Beethoven: “O gênio se compõe de dois por cento de talento e 98% de perseverante aplicação no trabalho.”; e de Albert Einstein: “O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.” Assim também posso dizer que só se consegue obter um pequeno lugar ao sol que seja, através da dedicação efetiva ao labor, à persistência no sentido de lutar até conseguir a nossa realização. Tudo o mais, a meu entender, é mera perfumaria. P.S. - Resta-me acrescentar, por oportuno, que freqüentei grande parte da “Oficina de Escritores”, evento promovido pela Fundação Cultural Canoas, Centro Universitário La Salle e Senac, com apoio do Diário de Canoas, em que tive a oportunidade de adquirir mais conhecimentos sobre a Literatura em geral. _____________________ Poeta e cronista Publicado em 31 de agosto de 1999 - no Diário de Canoas. http://ial123.blog.terra.com.br/ =====EDITADO AQUI EM 02.12.2008======================================== ================== MENSAGEM DE NATAL E ANO-NOVO Qui- sera, Senhor, neste Na- tal armar uma árvore den- tro do meu cora- ção e nela pendurar, em vez de presentes, os nomes de todos os meus amigos. Os amigos de longe e de perto. Os antigos e os mais recentes. Os que vejo a cada dia e os que raramente encon- tro. Os sempre lembrados e os que às vezes ficam esquecidos. Os constantes e os intermitentes. Os das horas difíceis e os das horas alegres. Os que, sem querer, eu ma- goei, ou sem querer me magoaram. Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles de quem conheço apenas as aparências. Os que pouco me de- vem e aqueles a quem muito devo. Meus amigos humil- des e meus amigos importantes. Os nomes de todos os que já passaram pela minha vida. Uma árvore de raízes muito profundas para que seus nomes nunca mais sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos, para que novos nomes vin- dos de todas as partes venham juntar-se aos existentes. De sombras muito agradáveis para que nossa amizade, seja um aumento de repouso nas lutas da vida. Que o NATAL ESTEJA VIVO EM CADA DIA DO ANO QUE SE INICIA. PARA QUE POSSAMOS VI- VER JUNTOS O AMOR. BOAS FESTAS ! Feliz 2009. Ialmar Pio ======EDITADO AQUI EM 24.12.2008================================================ A === L U A========= Dourada lua que prateias a terra Com tua luz tão brilhante e encantadora Os teus raios se espalham pela serra Oh! bela e romântica cismadora !======= És rainha deste céu infinito És a minha meiga consoladora Pois me consolas quando cismo aflito E és a minha melhor inspiradora.======= Se tivesse por livro este universo Eu queria ter por tinta a tua candura Pra poder escrever meu simples verso De tua cândida e divinal brancura.=========== Quisera escrever pela escuridão Um poema amoroso à Virgem Pura Mãe do céu, da infinita vastidão E das infindas matas de verdura.========= Ialmar Schneider - Junho - 1959 - Sertão RS=======PUBLICADO AQUI EM 10.01.2009================================ Versos muito antigos, escritos dos l3 aos l6 anos de idade do autor, quando estudava em Getúlio Vargas (RS), no internato do Ginásio Cristo Rei, dos Irmãos Maristas, e fazia o curso ginasial do ano de l956 a l959, durante quatro anos.=============== A BANDEIRA DO BRASIL======== I Bandeira bela de cores, Não posso te descrever, Pois és mais bela que as flores, Mais linda que o amanhecer.====== II Teu verde é parte maior, Porque exprime florestas; E campos cheios de amor, Onde gaúchos têm festas.======== III A cor que exprime teu sol, Também exprime teu ouro, Que amarelo é o arrebol E declina cor de ouro.=========== IV Azul tão lindo o teu véu, Tão lindo quanto este anil, Que tinge este imenso céu O céu deste meu Brasil.=========== V Tua cor branca é candura E exprime uma paz que existe Em nossa terra tão pura Que nunca pode estar triste.=========== VI São estas cores mimosas, Farrapo ideal e singelo, As esperanças e as rosas De um futuro grande e belo.============ VII Escuta meu pobre canto, Dar-lhe mais brilho não posso, Pois demais é o teu encanto Que neste papel não o esboço.========== VIII Bandeira bela de cores Não posso te descrever, Pois és mais bela que as flores Mais linda que o amanhecer.============== ==========PUBLIADO AQUI EM 11.1.2009============================= ESTAREI AUSENTE ATÉ MEADOS DE MARÇO – AGRADEÇO A VOCÊS QUE VISITARAM MEU BLOG – COM CARINHO – IALMAR PIO ========em 11.01.2009=========================== ========= EU E TU---------Sigo tristonho pelo bosque ameno,/ existe uma fragrância em toda parte,/ escuto os passarinhos decantar-te/ e grito-lhes: - Silêncio ! E lhes ordeno/ que se calem, pois é letal veneno/ este canto que faz eu contemplar-te/ no teu gracioso e feminil moreno/ como obra perfeitíssima de arte.// Procuro te esquecer, mas não há jeito,/ e tristemente em lágrimas desfeito/ eu recordo que um dia tu foste minha.// Subiste para o alto, eu cá fiquei,/ tu foste dar carícias para um rei,/ eu, fazer versos para uma rainha.--------Menestrel sem Juízo----IALMAR PIO----EM 7.5.2009======================= +++++++++++====================== Ao pôr-do-sol...---------(Menestrel sem Juízo)------Pedes-me que eu defina brevemente/o que seja emoção e fantasia,/quando nos encontramos de repente/num happy hour ao final do dia.//Mas eu que vivo longe, indiferente,/trazendo no meu peito a rebeldia/de alguém que acreditava, hoje descrente,/não consigo dizer-te o que seria...//Apenas fico cada vez mais triste/e já me vês então transfigurado/olhando o sol que afunda no Guaíba.//Poesia enfim é tudo quanto existe/nessas horas em que sonho acordado/e sinto que a saudade me derriba!....---------IALMAR PIO – ver no www.google.com.br (PESQUISA AVANÇADA) ----POESIAS E CRÔNICAS DIVERSAS-- http://ial123.blog.terra.com.br/cronica_literaria_11 ===========EDITADO AQUI EM 21.05.2009======================== ==================CÁLICE CHEIO------IALMAR PIO---------------- É forçoso beber o cálice está cheio é preciso sorver o conteúdo, sem enleio.// É tarde demais o cálice está cheio não é possível evitar é necessário que se sorva o conteúdo, sem enleio.// Os lábios tremem hesitantes ouvem-se dos grilos os trilos enervantes// Os sapos coaxam ao longo dos banhados os quero-queros estão danados co’a noite escura// O cálice está cheio está repleto é forçoso esvaziá-lo.// Uivam cachorros nas ruas as mulheres estão nuas nos braços dos homens Os homens não as largam assim no mais elas não podem escapar elas nem querem escapar// Os gatos querem casar-se estão lá no porão gritando// As cadelas pecam e gritam estão enlaçadas em cães// Muitas vezes cadelinhas saciam canzarrães sociedade depravada esta dos animais mas também quem lhes ensina moral?!// F I M===========EDITADO AQUI EM 10.06.2009====================================== =========== SONETO DE UM SOLITÁRIO----------Por que a solidão me faz tremer/ no escuro desta noite, sem ninguém ?/ Oh quem sabe, eu nasci para sofrer/ e tu que lês meus cânticos, também !...// Minha mágoa não posso descrever,/ é uma vontade de possuir alguém/ e ao mesmo tempo a ela pertencer/ com toda força que minhalma tem.//Eu sei que a madrugada chegará/ e o galo vai cantar; é o mensageiro/ a prenunciar o dia que amanhece./ Maior tristeza que a minha não há:/ mas se fores feliz, sem desespero,/ não guardes estes versos e ... me esquece.--------------------IALMAR PIO (ver no www.google.com.br------ – POESIAS E CRÔNICAS DIVERSAS---=====EDITADO AQUI EM 11.06.2009========================== POEMETO I---------------Eu me faço presente nas horas mais críticas/ e escrevo meus poemas para um público menos ávido/ que pode notar meu embaraço quando quero/ poetizar simples.// Eu me faço presente nas horas mais amargas/ e registro minhas angústias para que me deixem em paz/ no meu retiro insatisfeito a fim de que me possa/ desvencilhar dos liames traiçoeiros/ deste tormento indizível.// Eu me faço presente nas horas mais saudosas/ quando ela é ainda uma lembrança que não se apaga/ do meu cérebro repleto de seus carinhos inolvidáveis/ de outrora.-----------IALMAR PIO (ver no Google ========================================================== Ao pôr-do-sol...---------(Menestrel sem Juízo)------Pedes-me que eu defina brevemente/o que seja emoção e fantasia,/quando nos encontramos de repente/num happy hour ao final do dia.//Mas eu que vivo longe, indiferente,/trazendo no meu peito a rebeldia/de alguém que acreditava, hoje descrente,/não consigo dizer-te o que seria...//Apenas fico cada vez mais triste/e já me vês então transfigurado/olhando o sol que afunda no Guaíba.//Poesia enfim é tudo quanto existe/nessas horas em que sonho acordado/e sinto que a saudade me derriba!....---------IALMAR PIO – ver no www.google.com.br (PESQUISA AVANÇADA) ----POESIAS E CRÔNICAS DIVERSAS-- http://ial123.blog.terra.com.br/cronica_literaria_11 =============================================em 13.06.2009================== “SONETO DE AMOR------Quisera que tu fosses mais selvagem/ e fugisses de mim sem complacência/ quando procuro unir nossa existência/ para juntos seguirmos mesma viagem...// Muito mais haveria eu de sofrer,/ no entanto, fora doce o sofrimento/ pois a força do amor que hoje alimento/ seria muito maior no meu viver.// E quando, finalmente, em ânsia louca/ eu depusesse um beijo em tua boca/ seria muito melhor a glória da conquista/ porque recordaria o sacrifício/ de quanto se requer neste artifício/ de ser amado assim como um artista!---IALMAR PIO – ver no www.cade.com.br ============postado em 13.07.09============================= SONETO DO AMOR SINCERO-------Não esperes do amor outra ventura/ do que aquela que te fará ditosa,/ mas aproveita tua formosura/ antes que murches como murcha a rosa.// Também não vivas simples aventura,/ pois a existência é rápida e enganosa;/ o tempo que perderes não tem cura,/ nem mesmo vale a pena ser vaidosa.// Ama quem te ama com sinceridade/ e nunca te arrependerás, então;/ porque só podes ter felicidade/ junto de alguém que te deseja e quer,/ por quem sentes bater teu coração/ nos sonhos que te fazem ser mulher.---------IALMAR PIO – ver no www.cade.com.br ================postado em 24.07.09=================================== ================== Ao pôr-do-sol...---------(Menestrel sem Juizo)------Pedes-me que eu defina brevemente/o que seja emoção e fantasia,/quando nos encontramos de repente/num happy hour ao final do dia.//Mas eu que vivo longe, indiferente,/trazendo no meu peito a rebeldia/de alguém que acreditava, hoje descrente,/não consigo dizer-te o que seria...//Apenas fico cada vez mais triste/e já me vês então transfigurado/olhando o sol que afunda no Guaíba.//Poesia enfim é tudo quanto existe/nessas horas em que sonho acordado/e sinto que a saudade me derriba!....---------IALMAR PIO – ver no www.cade.com.br ==============POSTADO EM 8.8.09================================================== MENSAGEM AOS JOVENS=========== Ialmar Pio Schneider============= “Apresentaram-lhe umas crianças para que as tocasse, porém os discípulos os repreendiam. Vendo-o Jesus, indignou-se e lhes disse: Deixai vir a mim as criancinhas, e não as estorveis, porque delas é o reino de Deus. Em verdade vos digo, quem não receber o reino de Deus como uma criança, não entrará nele. E abraçando-as, abençoou-as, impondo-lhes as mãos”. Marcos 10-13 a 16 De minhas leituras da adolescência, uma me ficou ao longo do tempo na memória. Trata-se da história de um menino, que após haver sido enjeitado pelos pais, foi entregue a um apresentador de espetáculos públicos e passou a viver as mais difíceis situações para sobrevivência. Levavam com eles três cachorros e um macaquinho com que divertiam os assistentes. O titulo do livro é Sem Família, cujo autor Heitor Henrique Malot, foi premiado pela Academia Francesa, 1878. Estou agora relendo-o e descobrindo passagens que já permaneciam esquecidas, mas não de todo, pois relatos deste jaez sempre ficam. Quantas crianças andam por aí abandonadas pelas ruas, se perdendo no consumo das drogas, sem perspectivas favoráveis de uma vida digna, em total abandono ! Todavia, temos visto algumas pessoas altruístas que também surgindo da pobreza, como é o caso daquela gari da Restinga, que está abrigando inúmeras crianças e ainda continua a construir mais acomodações para proporcionar estudo aos carentes necessitados. Todavia, considerando a carga de impostos que recai sobre todo o povo brasileiro, esperava-se que o Governo exercesse uma assistência mais abrangente às crianças e adolescentes pobres de nossa grandiosa Nação. Nesta data desejo transcrever meus versos Mensagem ao poeta, que escrevi no ano de 1981 e publiquei no livro Poesias Esparsas Reunidas, antes, porém, no O Timoneiro de 20.11.81, que assim dizem: Vai em frente, segue a estrada/ sem muito esperar da glória,/ vida simples, devotada.../ Se alguém ouvir tua estória/ nostálgica e merencória,/ canta sempre, até por nada !...// Faze como o passarinho/ que saúda a natureza,/ enquanto busca um raminho,/ com afã e singeleza,/ pra construir o seu ninho:/ - maior prova de beleza !// Sejam teus versos cantigas/ que a gente escuta na rua,/ pobres canções, mas amigas/ como as estrelas e a lua;/ pois a terra será tua/ longe de dor e fadigas...// Não temas crítica austera/ e nem te afastes do tema,/ sempre alcança quem espera;/ prosseguir seja teu lema/ e verás a primavera/ coroar-te com seu diadema ! Esta é uma simples homenagem que dedico às crianças com o poema e à primavera que estamos vivendo. Outrossim, desejo registrar que li com muito proveito o livro cheio de dinamismo, altruísmo e humanismo, da consagrada preletora da Seicho-No-Ie, Norma Maria Varani, cujo título Uma Vida Dedicada a Servir, já por si diz tudo o que contém de trabalho à uma causa nobre, quais sejam à APAE, ao Asilo Padre Cacique, e outras atividades filantrópicas ao bem-estar da coletividade. Por fim, com nostalgia dos meus jovens tempos, quero transcrever este soneto antológico de Júlio Salusse, poeta romântico do Rio: “VISÃO – Vi passar num corcel a toda brida,/ Nuvens de poeira erguendo pela estrada,/ Um gigante, impassível como o nada,/ Indiferente a tudo – à morte e à vida !// Tinha nos braços, como adormecida,/ Deusa de olhos azuis, Quimera ou Fada:/ Seria, acaso, uma ilusão dourada,/ Ou, porventura, uma ilusão perdida?// Assombrado, gritei para o Gigante:/ - Quem és tu? Essa deusa é tua amante?/ E o cavaleiro – o Tempo – respondeu:// - Eu sou tudo e sou nada nos espaços/ E a Quimera, que levo nos meus braços,/ É a tua mocidade, que morreu...” – Rio 27-9-926 ( De “O Cruzeiro”) – Revista. Lendo-o, atualmente, deixo um recado à juventude, que aproveitem esta quadra da vida para sua formação intelectual e ética a fim de realizarem as obras necessárias ao desenvolvimento deste imenso País, com mais paz e justiça social. Até mais e obrigado pela atenção...============ Cronista colaborador Publicado no Diário de Canoas.=====EDITADO AQUI EM 20.08.2009================================================= ========================================== SONETO A UMA MUSA-----------Tento ainda escrever mas, tristemente,/ meu coração soluça e não esquece/ a musa que enfatiza a minha prece/ e sinto que estou mal, estou doente.// Por que será que foste a grande ausente/ na vida do poeta que padece,/ (oh fada que percorres minha messe)/ e me fazes sofrer inutilmente ?!...// No entanto, minha velha companheira,/ eu te levo comigo na desdita,/ e há de ser a esperança derradeira// de seguir versejando amargas penas,/ porque em sonhos te vejo tão bonita,/ e pra mim tal conforto basta, apenas...----------------IALMAR PIO (ver no www.google.com.br =============EM 21.09.2009========================